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Atividades realizadas em contexto do 1.º Ciclo

Aluno X – Demonstra ter capacidades para apreender os conteúdos programáticos, no

3. CASO PRÁTICO

3.2. Atividades realizadas em contexto do 1.º Ciclo

O nosso Estágio no 1.º Ciclo foi realizado na Instituição Nuclisol Jean Piaget, em Vila Real, de 15 de outubro de 2012 a 16 de janeiro de 2013.

Também neste Estágio, foi-nos proposto, pela Professora encarregue da Unidade Curricular, realizar um projeto com a turma.

Em conversa com a Professora Cooperante, descobrimos que os alunos demonstravam uma grande falta de interesse pela leitura, facto que confirmámos no período de observação, quando verificámos que a biblioteca da sala nunca era visitada pelos alunos. Face a esta realidade, reunimo-nos com a Professora Cooperante e, em conjunto, decidimos que iríamos trabalhar semanalmente num projeto que incutisse hábitos de leitura nos alunos.

Este projeto teve a duração de, aproximadamente 3 meses e englobou muitas atividades que possibilitaram o desenvolvimento de uma grande quantidade de objetivos (cf. Anexo J).

Para dar início ao projeto, nós, as estagiárias, enquanto grupo, realizámos uma dramatização com recurso ao livro Ler doce ler, de José Jorge Letria. Na dramatização, a avó lia para as suas duas netas. Esta atividade foi executada com o intuito de chamar a atenção das crianças para a importância da leitura e para as ambientar ao tema do projeto (cf. Anexos K e L).

56 De seguida, realizámos uma exploração tanto da mensagem da dramatização, como do próprio livro, e passámos ao levantamento das ideias prévias. Ouvimos as questões que os alunos colocaram e, de seguida, colocámos algumas questões para obtermos uma noção geral dos interesses dos alunos em relação ao tema (cf. Anexo M).

Após apurarmos os interesses da turma, fizemos uma seleção de atividades a realizar durante o projeto, formámos os grupos e distribuímos as tarefas pelos mesmos, tendo em conta uma calendarização (cf. Anexo N).

A primeira atividade que os alunos realizaram no âmbito do projeto foi a escrita de uma história. Essa escrita da história tinha como única condição ter na sua constituição os animais pertencentes à história A que sabe a lua?, de Michael Grejniec.

A leitura e exploração de A que sabe a lua?, feitas antes de iniciarmos o projeto, ficou a cargo da estagiária Daniela Balouta, durante uma das suas responsabilizações (cf. Anexos O e P). Os alunos ouviram a história e procederam à exploração da mesma, tendo como objetivo final a caracterização de todos os animais da história.

Este livro representava muito para nós, duas das estagiárias, pois já o tínhamos trabalhado durante o Estágio em Educação Pré-Escolar. Foi uma história que nos cativou desde o início. Como já referi, trata-se de uma obra de autoria estrangeira, aspeto que o Programa de Português do Ensino Básico – 1.º Ciclo (PPEB) salienta como sendo uma boa aposta: “A leitura de autores portugueses e estrangeiros permite alargar as referências culturais, levando a conhecer outros modos de ser, de fazer e de estar, outros espaços, outras gentes e outras vozes, ao mesmo tempo que se contribui para um melhor conhecimento e aceitação do outro e do mundo” (Ministério da Educação, 2009:50).

Iniciado o projeto, a turma ficou dividida em quatro grupos, cada um com a responsabilidade de criar uma história e ilustrá-la. Após realizarem um mapa de ideias, os alunos passaram à escrita e, posteriormente, à ilustração. Por último, todos os grupos sugeriram algumas estratégias de exploração das histórias, que os futuros leitores podem adotar (cf. Anexos Q, R e S).

A construção das histórias constituiu-se como uma atividade desafiante e estimulante para os alunos, em que estes puderam dar asas à imaginação e aperfeiçoar as suas técnicas de escrita. Segundo o PPEB, “estes quatro anos deverão ainda permitir aos alunos o exercício efectivo da escrita, através da redacção de textos que possibilitem ora a realização de actividades reguladas por modelos, ora a escrita pessoal e criativa. As actividades a desenvolver terão como objetivo proporcionar-lhes a aquisição

57 contextualizada de regras, normas e procedimentos respeitantes à estrutura, à organização e à coerência textuais. Todo o processo de escrita, em diferentes etapas (planificação, textualização e revisão) e incluindo componentes gráficos e ortográficos, será organizado, executado e avaliado sob regulação do professor” (Ministério da Educação, 2009:13).

A montagem dos desenhos das crianças, o prefácio, a frase da contracapa, a capa, as guardas e, ainda, a impressão e encadernação do livro ficaram a nosso encargo.

Com o nosso auxílio e o da Professora Cooperante, as crianças decidiram chamar ao seu livro A que sabe o livro, que, depois de finalizado, foi apresentado na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, em Vila Real (cf. Anexos T e U).

A edição para uma posterior publicação do livro ainda está a ser realizada. Gostaria, apenas, de mencionar que a proposta que nos fizeram para a publicação do livro nos deixou muito felizes, pois acreditamos que o nosso árduo trabalho foi reconhecido.

Ilustração 5 - Livro escrito pelos alunos

Contudo, o projeto não se limitou apenas à construção do livro. Várias outras atividades foram realizadas. De seguida, irei mencionar e explicar todas elas.

a) Hora do conto. Tal como o que aconteceu em contexto Pré-Escolar, o objetivo desta atividade consistia em envolver a família dos alunos, pois

58 consideramos que, como esta é a base da educação destas crianças, o envolvimento da mesma só traria benefícios para os alunos e projeto. Mais ainda, segundo o PPEB, “tendo em conta a idade dos alunos, o envolvimento das famílias neste tipo de projectos ajuda a fomentar a criação de hábitos de leitura” (Ministério da Educação, 2009:51).

Sendo assim, criámos um plano em que cada aluno levaria, à vez, o livro feito pela turma para casa. A leitura das histórias devia ser feita em família e, de seguida, os alunos tinham de preencher uma ficha de leitura (cf. Anexo V).

Para esta atividade, um dos grupos criou uma pasta, para que o livro fosse transportado sem ser danificado.

Ilustração 6 - Pasta para transportar o livro

b) Receção de escritores. Uma das atividades que os alunos propuseram foi fazer convites a escritores para que estes fossem à escola ler as suas obras e falar um pouco sobre as mesmas. Sendo assim, o primeiro convite, e único durante a nossa responsabilização, foi feito ao escritor Alexandre Parafita, um escritor da região com muitas obras de receção infantil.

c) Leitura na escola. Esta foi mais uma das atividades que partiu da escolha dos alunos. Quando confrontados com o facto de não terem hábitos de leitura, os alunos propuseram que se criasse um momento, em sala de aula, para que pudessem ler. Em conjunto com a Professora Cooperante, acabámos por

59 decidir que essa leitura seria realizada todos os dias, na primeira meia hora de aula.

d) Dinamização da biblioteca. Segundo o PPEB, “[o]s espaços de leitura, dentro e fora da sala de aula, com particular relevância para a biblioteca escolar devem ser utilizados como lugares onde se vivem experiências gratificantes de contacto com os livros e a leitura” (Ministério da Educação, 2009:49). Posto isto, dado que os alunos notaram que a biblioteca da sala se encontrava muito desordenada, sugeriram criar um sistema de ordenação dos livros. Optámos por ordenar os livros alfabeticamente, por títulos, e criar uma ficha onde constassem todas as obras e os respetivos números, atribuídos após ordenação.

Criámos, ainda, uma ficha informativa, que os alunos deviam preencher com as informações essenciais sobre os livros, uma ficha de requisição e um cartão de leitor para cada aluno (cf. Anexos V, W e X).

e) Visita de Estudo à Porto Editora. Uma das dificuldades que os alunos encontraram foi em relação à construção do livro. Os alunos não conheciam o processo necessário para a construção de um livro e, por isso, manifestaram logo a sua vontade em aprender. Posta esta preocupação por parte dos alunos, nós, as estagiárias, decidimos que a melhor forma de estes aprenderem era através da visualização de todo o processo e acabámos por marcar uma visita de estudo à secção gráfica da Porto Editora, onde os alunos poderiam colocar todas as suas questões a profissionais da área (cf. Anexos Y e Z).

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Ilustração 7 - Visita de estudo à secção gráfica da Porto Editora

f) Recolha de livros. Os alunos mostraram o seu lado mais solidário, quando nos revelaram que gostariam de fazer uma recolha de livros, para que pudessem entregá-los a crianças desfavorecidas de instituições de Vila Real, a fim de que também elas tivessem a oportunidade de ver incrementados os seus hábitos de leitura.

Para isto, os alunos criaram um depósito que ficou colocado numa parte da escola onde todos as crianças (tanto do 1.º Ciclo como da Educação Pré- -Escolar) pudessem fazer a sua contribuição.

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