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ATIVIDADES REALIZADAS FORA DA SALA DE AULA

No documento UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL (páginas 54-69)

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Geral Português Geral Ciências Geral Educação Física Geral Matemática

R e n d im e n to M é d io

A análise estatística indica que os matutinos que freqüentam a escola no turno da tarde apresentaram um rendimento escolar superior do que os matutinos que freqüentam a escola no turno da manhã. E que os vespertinos que freqüentam a escola no turno da manhã apresentaram um rendimento escolar superior do que os vespertinos que freqüentam a escola no turno da tarde. Os intermediários que freqüentam a escola no turno da manhã ou da tarde não apresentaram diferenças significativas.

3.3 ATIVIDADES REALIZADAS FORA DA SALA DE AULA

De posse das informações analisou-se o que os grupos de alunos matutinos, intermediários e vespertinos, realizam fora da sala de aula, no turno inverso à sua aula.

Primeiramente foi realizada uma análise do grupo de alunos matutinos. Nas figuras 17 e 18, pode-se observar que os matutinos que freqüentam a escola no

no turno da manhã (6% a menos desses alunos não fazem aos temas e estudam para as provas). Além do mais, os que freqüentam a escola no turno da tarde representaram um percentual superior na prática de esportes e na ajuda aos pais nos deveres domésticos. Por outro lado, os matutinos que freqüentam a escola pela manhã ajudam mais a família trabalhando fora de casa.

Figura 17. Atividades realizadas fora da sala de aula no período da tarde pelo grupo de alunos matutinos que freqüentam a escola no turno da manhã.

Figura 18. Atividades realizadas fora da sala de aula no período da manhã pelo grupo de alunos matutinos que freqüentam a escola no turno da tarde.

Observa-se também que os matutinos que freqüentam a escola de manhã fazem mais atividades diversificadas a tarde do que os freqüentam a escola pelo turno da tarde fazem pela manhã.

Na Figura 19 pode-se observar melhor o grupo de alunos que mais se dedica nas atividades propostas para casa. Os matutinos que freqüentam a escola no turno da tarde dedicam-se mais as atividades propostas para casa do que os matutinos que freqüentam a escola no turno da manhã. Uma das explicações pode ser o fato de que acordam mais cedo (conforme pesquisa e dados apresentados) e estão mais dispostos a realizar atividades que gastem uma maior quantidade de energia, o que podemos observar nas Figuras 18 e 19.

Figura 19. Gráficos comparativos do Grupo de Alunos Matutinos que freqüentam a escola de manhã e tarde e sua dedicação as tarefas propostas para casa.

Na Figura 19 a diferença do percentual chega a 21% a mais no grupo de alunos matutinos que freqüentam a escola no turno da tarde e se dedicam as tarefas propostas para casa, um percentual muito significativo. E outra observação importante é que nenhum dos alunos matutinos que freqüentam a escola no turno da tarde colocou “...não me dedico as tarefas propostas para casa”; ou seja, todos se dedicam de alguma forma a realização das tarefas propostas para casa.

Analisando também os grupos de alunos vespertinos e as atividades que realizam fora da sala de aula, conforme as Figuras 20 e 21 verificou-se que o grupo de alunos vespertinos ajuda mais seus pais nos deveres domésticos que os matutinos e estudam menos que o grupo dos matutinos. Os vespertinos apresentaram o item novo, durmo, nas atividades realizadas no inverso do seu turno de aula.

Figura 20. Atividades realizadas fora da sala de aula no período da tarde pelo grupo de alunos vespertinos que freqüentam a escola no turno da manhã.

Figura 21. Atividades realizadas fora da sala de aula no período da manhã pelo grupo de alunos vespertinos que freqüentam a escola no turno da tarde.

O grupo dos vespertinos que freqüentam a escola no turno da tarde apresentou uma diferença relevante quanto as tarefas propostas para casa; apresentaram um aumento percentual de 9% em relação aos vespertinos que freqüentam a escola no turno da manhã.

Segundo Ferreira (2001) quando o sono é privado, pode causar prejuízos sobre o humor e o comportamento levando a dificuldades emocionais e comportamentais. Isto torna o aluno mais bravo e agressivo, reduzindo a habilidade de controlar, inibir ou modificar respostas emocionais, provocando também mudanças de atenção e desempenho escolar apresentando sintomas de hiperatividade que incluem desatenção e impulsividade, o que será investigado posteriormente com um questionário referente ao temperamento, medo e raiva.

Segundo Louzada e Menna-Barreto (2004), a privação do sono em um animal ‘mata’ em mesmo tempo do que deixá-lo sem alimento. Tanto a alimentação como o sono se não adequados podem ocasionar conseqüências sérias para a saúde. Sendo assim, a escola se preocupa com a alimentação dos alunos, procurando oferecer alimentos mais saudáveis, mas também deve se preocupar com os hábitos de sono dos alunos, o que também pode influenciar na sua aprendizagem. E referente ao grupo de alunos vespertinos devemos ter uma maior atenção, pois eles são os mais influenciados na questão do sono e consequentemente na aprendizagem.

Analisando a Figura 22 observa-se que houve um grande aumento percentual (de 16%) ao se comparar vespertinos que freqüentam a escola pela manhã e a tarde, referente a realização das tarefas propostas para casa, ou melhor, o tema de casa. Os alunos vespertinos que freqüentam a escola no turno da manhã fazem menos os temas.

Figura 22. Gráficos comparativos do Grupo de Alunos Vespertinos que freqüentam a escola no turno da manhã e tarde e sua dedicação às tarefas propostas para casa.

Conforme Ferreira (2001) os hábitos notívagos ou diurnos de alguns indivíduos são influenciados por aspectos psicológicos e culturais. E foram apontados os primeiros fatores bioquímicos que determinam nos seres humanos o ritmo circadiano - o conjunto de fenômenos biológicos que se repetem com freqüência de 24 horas, como sono, vigília ou temperatura do corpo. O que se pode observar nesta pesquisa, como os vespertinos que não freqüentam a escola no turno da tarde dormem mais pela manhã.

Marques e Menna-Barreto (2003) relatam que pessoas matutinas apresentam um avanço de fase quando comparadas com pessoas vespertinas em diversas variáveis como: ciclo-vigília/sono, temperatura corporal, excreção de 17 - hidroxicorticosteróides e medidas de desempenho, mostrando que as diferenças não são atribuídas apenas pela rotina de vida e quantidade de atividade realizada, mas persiste quando a situação de rotina for constante, permanecendo acordado ou em repouso. O que se observa comparando as médias gerais e o somatório das notas dos matutinos e vespertinos, é que o matutino apresenta médias mais satisfatórias que os vespertinos, conforme tabela 24 abaixo.

Tabela 24. Ritmo Biológico x Média Geral

Ritmo Biológico x Média Geral

1º Trimestre 2º Trimestre 3º

Trimestre Soma Final

Observa-se na tabela anterior que em todos os trimestres os matutinos apresentam um melhor rendimento escolar comparados com os vespertinos, independentemente do turno que estuda. A soma final comprova tal afirmação, realizada, pois, a escola analisada realiza a soma no final do ano dos três trimestres e os alunos que obtiverem resultados igual ou superior a 50 pontos são aprovados.

Para comprovação de alguns dados, analisou-se também o grupo dos alunos intermediários no que se refere às atividades realizadas fora de sala de aula.

Observando as figuras 23 e 24 conclui-se que os alunos que freqüentam a escola a tarde estudam mais em casa e fazem os temas pela parte da manhã comparados com os alunos que freqüentam a escola no turno da manhã que convivem mais com os amigos e ajudam os pais nos deveres domésticos.

Figura 23. Atividades realizadas fora da sala de aula no período da tarde pelo grupo de alunos intermediários que freqüentam a escola no turno da manhã.

Figura 24. Atividades realizadas fora da sala de aula no período da manhã pelo grupo de alunos intermediários que freqüentam a escola no turno da tarde.

Comparando a figura 25, os intermediários que freqüentam a escola no turno da tarde se dedicam mais na resolução das tarefas escolares propostas para a casa do que os intermediários que freqüentam a escola no turno da manhã.

Figura 25. Gráficos comparativos do Grupo de Alunos Intermediários que freqüentam a escola de manhã e tarde e sua dedicação às tarefas propostas para casa.

Analisando os resultados apresentados pode-se concordar com a teoria de Ausubel (Moreira, 1999), de que o aluno precisa ter uma disposição para aprender, o conteúdo escolar a ser aprendido tem que ser potencialmente significativo, isto é, o significado lógico depende da natureza do conteúdo. A aprendizagem afetiva resulta de sinais internos podendo ser identificada com experiências como prazer e dor, satisfação ou descontentamento, alegria ou ansiedade, sentimentos que afetam o aprendizado escolar e que devem ser levados em conta em se tratando um ser humano como um todo.

Almondes (2006) destaca que a cronobiologia privilegia o tempo e contribui com aqueles que buscam a dinâmica do processo, portanto a compreensão dos indivíduos.

Para Barsan (2006), os educadores necessitam pensar melhor sobre a distribuição das atividades do aluno durante o dia para saber qual o momento mais adequado para se fazer as mesmas. Por exemplo, para algo que exija raciocínio, qual dos períodos (manhã/ tarde ou noite) é o mais adequado para o aluno estudar, sabendo seu ritmo biológico?

Segundo Louzada e Menna-Barreto (2004), família e escola têm que avaliar mais de perto as vantagens e desvantagens da troca do ritmo biológico do aluno e suas atividades, escolares e extra classe. Esta questão deve ser avaliada e levada em conta quando fala-se de aprendizagem de filhos e alunos: o que é mais adequado para eles, já que sua educação está em nossas mãos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisando o grupo de alunos matutinos que freqüentam a escola no turno da manhã, observa-se que estes apresentam um rendimento inferior do que os que freqüentam a escola a tarde. Isto pode estar relacionado com seu pique de energia (ritmo biológico) que está mais ativo pela parte da manhã para se dedicar a tarefas escolares fora da escola. Portanto, o aluno que estuda no turno da manhã não parece muito disposto a tarde para realização das tarefas propostas para casa, pois já se dedicou pela manhã aos estudos.

Assim, o matutino que freqüenta a escola a tarde tem toda a energia a ser gasta pela parte da manhã, buscando, assim, realizar as tarefas propostas para casa (temas), chegando a escola com conhecimentos adquiridos recentemente, e em caso de dúvidas lembrará de tirá-las. Isto, pois para alguns alunos é mais fácil lembrar de um conteúdo estudado recentemente do conteúdo estudado semanas atrás (conhecimentos prévios). Outro fator são as outras atividades realizadas no turno da manhã; os que brincam e praticam esportes estarão mais dispostos a se acomodarem em uma classe e prestar atenção na professora e sua explicação, pois já gastaram grande parte da energia com brincadeiras, levando em conta que a maior parte deste grupo são púberes.

Em relação aos intermediários conclui-se que não há grandes diferenças entre seu rendimento escolar e atividades realizadas fora da sala de aula, somente no que se refere as atividades físicas comentadas anteriormente: os que não freqüentam a escola no turno da manhã praticam mais esportes.

Já os vespertinos no geral apresentam um rendimento inferior que os matutinos, mesmo tendo um rendimento superior quando freqüentam a escola no turno da manhã; este grupo, conforme pesquisa realizada sente preguiça, no que se refere as tarefas propostas para casa, ou não tem muito interesse pelos estudos,

Os vespertinos que freqüentam a escola no turno da manhã apresentaram um rendimento escolar superior do que os que estudam de tarde. Além disto, os vespertinos que freqüentam a escola no turno da manhã geralmente dormem à tarde (mesmo não sendo o mesmo sono, que conforme Louzada e Menna-Barreto (2004) a introdução do cochilo não modifica os hábitos noturnos e sim melhora as atividades escolares), nesse grupo a maioria são adolescentes. E os que freqüentam a escola no turno da tarde dormem de manhã, grupo sendo a maioria púberes; portanto, não realizam as atividades propostas para casa nem de manhã e nem a noite, deixando-as para o dia seguinte.

Em relação aos intermediários conclui-se que não há grandes diferenças entre seu rendimento escolar e atividades realizadas fora da sala de aula, somente no que se refere as atividades físicas comentadas anteriormente: os que não vão à escola no turno da manhã praticam mais esportes.

Deve-se avaliar mais de perto a questão do ritmo do aluno, pois seu rendimento não está somente relacionado a ter um bom professor e bons colegas, mas sim a fatores internos que o influenciam. Recomenda-se verificar qual o turno em que este aluno melhor se adapta para buscar um melhor rendimento escolar; conseqüentemente, uma melhor aprendizagem.

E o estudo da Cronobiologia está disponível para contribuir à dinâmica dos processos ao buscar compreender e aperfeiçoar o estudo da natureza do homem, assim obtendo conhecimentos sobre seus processos de aprendizagem tornando-a mais significativa para o aluno.

4 PERSPECTIVAS

Realizar uma avaliação sobre temperamento, medo e raiva, através de um outro questionário, que já foi preliminarmente aplicado a este mesmo grupo de alunos pesquisados, sendo o qual confrontado com seus ritmos biológicos.

A pesquisa está sendo realizada com um grupo maior de alunos do município de Farroupilha - RS, verificando seu ritmo biológico e sua influência no rendimento escolar versus seu temperamento. Assim, podemos aprofundar os estudos referentes ao ritmo biológico e sua influência na vida escolar, verificando se os resultados apresentados na presente pesquisa ocorrem nos diferentes ambientes e populações estudadas.

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ANEXOS

ANEXO 1: Artigo - A Influência do Ritmo Biológico no Rendimento

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