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Conforme Crawford (1994), o conhecimento está associado à capacidade do indivíduo de aplicar informação a um trabalho ou a um problema específico. Assim a informação é a matéria-prima do conhecimento, que por sua vez, tem transformado a sociedade. Tais transformações vêm se acelerando nos últimos tempos movidas principalmente pelo rápido desenvolvimento tecnológico que está na base das mudanças atuais. Para Bontis et al. (1999), o ponto de vista interpretativo da informação como um ativo baseado no conhecimento, permite criar relações causais da informação como um insumo para objetivos de níveis superiores. Ainda segundo Bontis et al (1999), os ativos do conhecimento são como dados significantes que quando combinados permitem às organizações utilizá-los como um fator de produção.

Na perspectiva de aprendizado e de crescimento, os indicadores que medem os ativos baseados no conhecimento sugerem que o significado destes inclui a tecnologia da informação associada aos ativos humanos. Para Bontis (2001) o capital humano é considerado como um dos componentes do capital intelectual e revela o conjunto das competências, inovações, valores, cultura organizacional, políticas e filosofias de trabalho. Conforme Boisot (1998), ativo de conhecimento é um estoque de fatos, habilidades, hábitos e atitudes de onde

os serviços devem fluir. É diferente dos ativos físicos pois os ativos de conhecimento podem ter longa duração.

Davenport e Prusak (1998) comentam que o conhecimento é adquirido através da experiência e permanece em sua forma tácita pois nem sempre pode ser expressado através da linguagem, nem incorporado em ferramentas cognitivas, tais como documentos. Outra afirmação desses autores indica que não basta considerar o conhecimento a partir da perspectiva de um indivíduo, e sim, deve-se considerá-lo também como um ativo organizacional. Assim, uma nova teoria da empresa se faz necessária para abordar os ativos de conhecimento (TREVIÑO, 2012). Em outras palavras, só é possível adquirir conhecimento quando o indivíduo se encontra em contato direto com situações que proporcionam experiências inéditas, que são sempre assimiladas a partir dos conceitos do indivíduo (GROPP; TAVARES, 2009).

Conforme Polanyi (1966), no momento em que novos conceitos ou palavras são inseridos no sistema de linguagem existente, acabam por se influenciar mutuamente pois agregam a este sistema novos conceitos. Nonaka e Takeuchi (1995) agregam à dimensão epistemológica do conhecimento tácito, a dimensão de gestão. Davenport e Prusak (1998) destacam o papel cognitivo do sujeito-conhecedor também para o conhecimento explícito. Os autores destacam o que Polanyi denominava como “ferramentas cognitivas”, ou seja, elementos explícitos como representações abstratas, documentos, rotinas, etc., que permitem a ação humana intencional, mas que não podem ser interpretadas “per se”. Essas ferramentas cognitivas exigem o julgamento pessoal de um agente humano, um leitor especializado, que as relaciona e as aplica ao mundo (POLANYI, 1966).

Estes diversos elementos, que podemos designar como formadores das estruturas cognitivas, estão incorporados aos indivíduos, definindo assim a forma de agir e de se comportar, constituindo um filtro através do qual percebem a realidade. Com dificuldade de ser articulados por palavras, os elementos de ordem cognitiva acabam moldando a forma como percebemos o mundo e seus significados, bem como o conhecimento que subjaz os ativos intangíveis numa organização.

Segundo Stefano (2014a), as principais diferenças entre os ativos tangíveis e os ativos intangíveis residem em:

[...] exclusividade, velocidade de sua depreciação, custos de transferência, facilidade de reconhecimento de oportunidades de transação, divulgação de seus atributos, variedade. Ao contrário dos ativos tangíveis, os ativos intangíveis têm como uma das principais características estratégicas, a singularidade, o que os torna ativos únicos, difíceis de adquirir, de desenvolver e até mesmo de copiar; e também, alguns

podem ser até protegidos legalmente. E essa característica tem proporcionado aos ativos intangíveis uma fonte de vantagem competitiva para enfrentar a concorrência e se destacar em seus mercados de atuação. [...] Uma das formas mais valorizadas de intangíveis, nas organizações, são os recursos baseados no conhecimento ou os seus investimentos em capital intelectual (STEFANO, 2014, p. 33).

Ainda conforme Stefano (2014a) os ativos intangíveis se constituem de fontes imateriais de valor relacionadas com as capacidades organizacionais, da organização dos recursos e dos colaboradores, bem como pela forma de atuação e as relações com seus stakeholders. Por isso, a atenção que vem sendo dada aos bens de capital intelectual, ou dos ativos intangíveis, está crescendo em relação aos ativos tangíveis tradicionais, tais como edifícios e equipamentos. As organizações estão descobrindo que as medidas tradicionais de desempenho organizacional são insuficientes para a gestão de ativos intangíveis, e por este motivo buscam encontrar métricas de retorno sobre o investimento em intangíveis, o que leva a necessidade de se usar abordagens alternativas às tradicionais (MARTIN, 2000).

Nesse contexto, a perspectiva da contabilidade baseada em ativos de conhecimento e capital intelectual, busca explicar as definições dos termos: ativo e capital. Os ativos são recursos econômicos tangíveis e intangíveis, controlados por uma organização cujo custo no momento de aquisição pode ser medido. O capital intelectual identifica os recursos necessários em ativos intangíveis.

Malhotra (2003) constatou em suas pesquisas que para os contabilistas a avaliação de ativos em geral é um processo subjetivo de modo especial para os ativos intangíveis, em função das dificuldades de identificar a intensidade do seu uso, bem como o retorno financeiro gerado em decorrência de sua utilização.