A Administração do Banco e suas controladas avaliam as contingências existentes em função de processos judiciais movidos contra as empresas e constitui provisão, sempre que julgue necessária, para fazer face a perdas prováveis decorrentes dos referidos processos. O julgamento da administração leva em consideração a opinião de seus advogados externos com relação à expectativa de êxito em cada processo.
a. Ativos contingentes
Em 31 de dezembro de 2019 e 2018, o Banco não tem contabilizados ativos contingentes.
b. Passivos contingentes classificados como perdas prováveis e obrigações legais i. Provisões trabalhistas
São compostas por demandas movidas por ex-funcionários principalmente com pedidos de horas extras e equiparação salarial. Os valores das contingências são provisionados de acordo com análise do valor potencial de perda, considerando o estágio atual do processo e o parecer de consultores jurídicos externos e internos.
ii. Provisões cíveis
Nas ações cíveis com potencial de perda (danos morais e patrimoniais e outros processos com pedidos condenatórios) os valores das contingências são provisionados com base no parecer de consultores jurídicos externos e internos.
iii. Provisões fiscais e previdenciárias
As provisões para processos fiscais e previdenciários são representadas por processos judiciais e administrativos de tributos federais, municipais e estaduais e são compostas por obrigações legais e passivos contingentes. Sua constituição é baseada na opinião de consultores jurídicos externos e internos e na instância em que se encontra cada um dos processos.
c. Composição e movimentação das provisões nos exercícios
A Administração do Banco está questionando a constitucionalidade de alguns procedimentos fiscais relacionados aos tributos federais, bem como participa em outros processos judiciais, fiscais e cíveis. A administração do Banco, com base na opinião dos consultores legais, considera, para os processos judiciais em andamento, que as provisões para esses riscos em 31 de dezembro de 2019 são adequadas para cobrir eventuais perdas decorrentes desses processos. As provisões constituídas e as respectivas movimentações no período podem ser assim demonstradas:
2019 2018
Tributária Cívil Trabalhista Total Total
Saldo no início do exercício 1.472.178 125.611 50.924 1.648.713 2.053.233
Constituição 74.445 28.390 3.273 106.108 180.702
Baixa (11.029) (51.412) (5.185) (67.626) (585.222)
Saldo no final do exercício 1.535.594 102.589 49.012 1.687.195 1.648.713
Provisão para passivos contingentes (Nota 19) 1.687.195 1.648.713
A natureza das principias provisões estão apresentadas a seguir:
i. Tributos com exigibilidade suspensa e outros passivos contingentes
O Grupo BTG Pactual vem discutindo judicialmente a legalidade de alguns impostos e contribuições. Os valores referentes a obrigações legais e contingências avaliadas pelos advogados internos e externos como perda possível, estão integralmente provisionados. Dentre referidas discussões judiciais as seguintes merecem destaque:
• COFINS - Discussão da legalidade da cobrança da COFINS de acordo com as regras estabelecidas na Lei 9.718/98.
Em 31 de dezembro de 2019, o Banco e suas controladas figuravam como parte em processos tributários com probabilidade de êxito possível, os quais não estão provisionados. Segue abaixo a descrição dos processos relevantes.
• Processos relativos ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em que se discute suposta incidência de contribuição previdenciária sobre referidos valores e sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e CSLL. O valor envolvido é de R$728 milhões. Parte desse valor conta com g arantia por cláusula de indenização, uma vez que se refere a período anterior à aquisição do Banco pelos atuais controladores.
• Processo relativo à desmutualização e IPO da B3 S.A., em que se discute a tributação de PIS e Cofins sobre receitas auferidas na alienação das ações das referidas sociedades. O valor envolvido é de R$
27 milhões e conta com garantia por cláusula de indenização, uma vez que se refere a período anterior à aquisição do Banco pelos atuais controladores.
• Em dezembro de 2015, foi recebido auto de infração totalizando o valor de R$1.818 milhões, referente aos anos de 2010 e 2011, em que foi considerado indevido o aproveitamento do ágio gerado nas operações de aquisição do Banco pelo UBS, realizada em 2006, bem como na recompra do Banco pelo BTG, em 2009. Foi apresentada defesa contra este auto de infração no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que foi julgada parcialmente favorável para reduzir o valor do auto de infração em R$ 278 milhões. Contra a parte desfavorável, o Banco apresentou recurso para o mesmo órgão administrativo. Adicionalmente, em dezembro de 2017, foi recebido auto de infração totalizando o valor de R$ 882 milhões, referente ao ano de 2012, em que foi considerado indevido o aproveitamento do ágio gerado nas operações de aquisição do Banco pelo UBS realizada em 2006, o ágio referente à recompra do Banco pelo BTG em 2009 e o ágio gerado na subscrição privada de ações realizada por investidores através da Companhia Copa Prince, em 2011. Em outubro de 2019, a segunda instância administrativa, julgou parcialmente procedente para cancelar o ágio gerado na subscrição privada de ações realizada por investidores através da Companhia Copa Prince. Contra a parte desfavorável foi interposto recurso. Em dezembro de 2018, foi recebido um auto de infração totalizando o valor de R$
440 milhões, referente ao período de 2013. Foi apresentada defesa contra essa autuação que aguarda decisão de segunda instância administrativa. Por fim, em fevereiro de 2019, foi recebido auto de infração no valor total de R$ 266 milhões, referente ao período de 2014. Contra essa atuação foi apresentada defesa, que aguarda julgamento na segunda instância administrativa. O Banco não espera incorrer em qualquer perda (além das despesas do recurso) relacionada ao tema, e não estabeleceu (e não espera estabelecer) qualquer provisão em suas demonstrações contábeis. Além da avaliação quanto à improcedência dos autos de infração, caso o Banco venha a incorrer em perdas, o mesmo acredita ter o direito de ser indenizado por sua controladora por parte dessas perdas. Dessa forma, em nenhum caso o BTG Pactual espera incorrer em qualquer perda material relacionada a este assunto.
• A Holding Internacional recebeu auto de infração de glosa de imposto sobre a renda pago no exterior e compensado no Brasil no ano de 2012, no valor de R$158 milhões. Contra a autuação, a Holding apresentou recurso administrativo. Em junho de 2018, a Holding Internacional foi intimada sobre o resultado da diligência realizada pela primeira instancia administrativa que reconheceu a procedência parcial da compensação dos ganhos no exterior no valor de R$43 milhões. Em dezembro de 2018, a primeira instância administrativa julgou desfavorável o recurso da Holding Internacional. Em setembro de 2019, a segunda instância administrativa cancelou o auto de infração em sua totalidade.
Não houve interposição de recurso por parte da Fazenda e o processo foi encerrado.
• Em dezembro de 2017, o Banco recebeu auto de infração em que se discute insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS e impõe multa isolada, referente ao ano de 2012, no valor de R$193 milhões. Contra a autuação, foi apresentado recurso administrativo, que foi julgado parcialmente procedente para excluir a multa isolada. Contra a parte desfavorável da decisão, foi interposto recurso para a segunda instancia administrativa.
• Em dezembro de 2017, na qualidade de responsável solidário do Banco Pan S/A, o Banco recebeu auto de infração de IRRF supostamente devido na alienação de investimento no Brasil por ente estrangeiro, referente ao ano de 2012, no valor de R$76 milhões. Contra a autuação, foi apresentado recurso
• Em dezembro de 2017, o Banco recebeu auto de infração que visa a cobrança de Imposto de Renda sobre o suposto ganho de capital na incorporação de sociedades, ocasião em que a One Properties foi incorporada pela BR Properties, no valor de R$1.100 milhões. Contra a autuação, foi apresentado recurso administrativo, que aguarda julgamento na segunda instância administrativa.
• Em dezembro de 2018, a Gestora de Recursos recebeu auto de infração totalizando o valor de R$95 milhões, referente aos anos de 2013 e 2014, acerca do ágio amortizado gerado na aquisição da BRFE em 2012. Em setembro de 2019, foi proferida decisão de primeira instância desfavorável. Contra essa decisão, foi interposto recurso para a segunda instância administrativa.
• Em dezembro de 2018, o Banco teve ciência da não homologação da compensação de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano de 2013, no valor de R$70 milhões. Em junho de 2019 foi proferida decisão desfavorável na primeira instância administrativa. Contra essa decisão foi apresentado recurso, que aguarda julgamento na segunda instância administrativa. Em março de 2019, o Banco teve ciência da não homologação da compensação de saldo negativo de CSLL, referente ao mesmo ano, no valor de R$66 milhões. Em agosto de 2019, foi proferida decisão desfavorável ao Banco em primeira instância administrativa. Contra essa decisão foi apresentado recurso para a segunda instância administrativa.
• Em setembro de 2019, na qualidade de responsável solidário do Banco Sistema, o Banco recebeu auto de infração que visa a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, totalizando R$3.429 bilhões, referente à aquisição do Banco Bamerindus do Brasil (atual Banco Sistema) em 2014. Em outubro de 2019, foi apresentada defesa em primeira instância administrativa, a qual aguarda julgamento. Em razão do prognóstico atribuído pelos advogados, o Banco não estabeleceu qualquer provisão em suas demonstrações contábeis, além disso, a administração não espera incorrer em qualquer perda relacionada ao tema.
ii. Outros passivos contingentes
Em 31 de dezembro de 2019 e 2018, o Banco BTG Pactual e suas controladas figuravam como parte em processos cíveis, trabalhistas e outras contingências, com probabilidade de êxito possível, os quais não estão provisionados.