Capítulo 2 – Documentário Escolas em Luta: educação e ativismo em atos imagéticos
2.1 Ato I: percursos e territorialidades do olhar
Figura 17 – Fotogramas do documentário Escolas em Luta: cenas iniciais do filme.
– Dá aqui. ... – Sou eu, é meu olho. Olha aí de
novo, mete o olho aí.
... – Para com essa porra.
– Olha pra mim, olha pra mim. Pode se mexer, Cauê.
– Ou, Igor, o que você acha pior:
bomba de estilhaço? Gás
lacrimogêneo? Ou cassetete? – Bomba de estilhaço.
71 Lilith Cristina participou do movimento secundarista em 2015, é personagem do filme Escolas em Luta e
também realizadora de imagens que fazem parte do documentário. Essa fala foi registrada durante a sessão de pré-estreia do filme no cinema, em dezembro de 2017, em São Paulo. Daqui em diante, sempre que a indicação “fala registrada em campo” aparecer, refere-se a trechos extraídos de anotações, gravações de áudio e/ou vídeo realizadas durante as observações etnográficas.
Primeiros minutos do documentário Escolas em Luta. É Sophia Chablau, uma das lideranças
do movimento secundarista em 2015 e 201672, quem está com a câmera. Ela filma um momento de
descontração no pátio de uma escola ocupada em São Paulo, em 2015, em que estudantes conversam em torno de uma viola, andam de skate, cantarolam Beatles e interagem com a câmera. Ela também filma descontraída: a câmera gira, desfoca, dá closes. Ouve-se sua voz por trás do dispositivo: fala sozinha, dá risada, pergunta coisas aos que estão sendo filmados. Não há distanciamento entre ela e seus companheiros. Sophia permite que o espectador entre na intimidade do movimento, por seu estilo de filmagem. Sophia pergunta: “Ou, Igor, o que você acha pior: bomba de estilhaço? Gás lacrimogêneo? Ou cassetete?”. “Bomba de estilhaço”, responde ele.
Corta.
Figura 18 – Fotogramas do documentário Escolas em Luta: policiais tentam desocupar uma escola.
[gritaria e tumulto] - Eu filmei, pode deixar que eu filmei!
72 O movimento secundarista de 2015 e 2016 é um levante estudantil que teve início em 2015 com
manifestações, cortes de rua, ocupação de escolas públicas na região metropolitana de São Paulo e em todo o estado, realizados por estudantes de escolas públicas em protesto à medida, anunciada pelo então governador do estado, Geraldo Alckmin, que visava à reorganização do ensino e ao fechamento de unidades escolares. Os secundaristas – parte deles ligada a instituições tradicionais, como grêmios e organizações estudantis partidárias, e parte, reivindicando autonomia em relação a essas organizações, os autonomistas – movimentavam-se e organizavam-se em rede por meio de tecnologias e canais de comunicação como WhatsApp, Facebook e outras mídias sociais. Em 2016, com anúncios de cortes de orçamento na educação feitos pelo governo federal, o movimento recrudesceu e ampliou-se para outras cidades e estados do País, com novas ocupações de escolas e protestos nas ruas de várias cidades brasileiras. O movimento ainda convocou saídas às ruas, como em 2019, quando secundaristas autonomistas e outros setores do movimento estudantil se organizaram novamente (em nível nacional) para ocupar as ruas diante do anúncio de cortes na educação feito pelo governo do presidente eleito em 2018 Jair Bolsonaro.
As imagens acima entram imediatamente após as anteriores, dando pouco lugar de respiro ao espectador. Também são gravadas por estudantes, dessa vez, com seus celulares e não uma câmera semiprofissional. Produz-se um contraste enorme: do ambiente de tranquilidade, descontração, sociabilidade juvenil dentro de uma das ocupações, passa-se ao tumulto e à gritaria causados por uma tentativa da polícia de entrar em uma escola ocupada. Do retrato em alta definição e da tela cheia das primeiras imagens, passa-se à tela pequena, com imagens distorcidas, urgentes, registradas com telefone celular.
Essa sequência, de início, traz duas dimensões que estarão presentes em todo esse documentário: trata-se de um movimento social, de uma luta, e trata-se de uma juventude específica, com seus corpos, sociabilidades, alegrias, desejos. Sophia Chablau, que além de cinegrafista é também personagem do filme, conta sobre sua relação com a câmera dentro da escola:
Eu registrava tudo que dava pra registrar; virei uma viciada em registrar meus amigos, a vida mais cotidiana mesmo, umas entrevistas com perguntas mais descontraídas e outras mais sérias. Queria mostrar esse lado mesmo, não de jovens políticos, mas de uma juventude que atravessava todo o processo político, não pra infantilizar, mas pra dar uma vida a um movimento político tão sério. Lá tem mais registros de uma juventude específica, pra mim, do que do “movimento político”. Acho que isso [o aspecto político] ficou mais a cargo das mídias independentes e da própria narrativa do filme. Eu gostei do resultado final. Pra mim, é quase uma cápsula do tempo. É o filme mais sensível que tem sobre as ocupações na minha medíocre opinião (Sophia Chablau, fala registrada em campo).
Para Lilith Cristina, cinegrafista e personagem, assim como Chablau, Escolas em Luta reaviva a memória que ela carrega do movimento:
A memória que eu tenho desse processo é que ele é bem mais que um processo político, um movimento político, um movimento social. Claro que tem muita relevância, se a gente for pensar nesse aspecto da política, porque a política existia muito ali, mas era além disso, né? Esse processo era além da política; era muito afetivo, do fazer, e do sentir. Fazer na hora e sentir depois. Muito possante, muito contagiante. Vejo como um processo político sim. Todos aqueles corpos são corpos políticos e se enxergavam como corpos políticos, mas vejo para além disso, consigo enxergar para além disso, consigo enxergar para além, de uma forma afetiva, de uma forma reflexiva, que foi o que aconteceu depois. Movimento secundarista é político, mas é um movimento criador, fazedor, pensador, movimento deslocador, essas palavras que eu penso (Lilith Cristina, entrevista concedida).
O desejo expresso nessas falas, de que os secundaristas sejam vistos não apenas como integrantes de um movimento político, mas muito além disso, balizou também o trabalho dos realizadores na montagem:
Há um distanciamento enorme entre a sociedade e a política e eu acho que esse filme, justamente, ele aproxima. Eu quero voltar no pensamento da Sophia Chablau [referindo-se ao comentário dela, reproduzido acima]. Ela ressaltou justamente o lado, digamos, humano dos secundaristas, que não são só secundaristas, são pessoas, obviamente. A gente buscou, nesse filme, como diretores e montadores, expressar esse comportamento que extrapola a própria política e revela quem são essas figuras, o que as faz sofrer, o que faz construir utopias, o que faz reverberar em nossos corações essa força. […] Tinha uma preocupação nossa de não apresentar, no filme, nenhuma entidade política tradicional, apesar de nós, realizadores, sermos forjados nesse contexto. Então cabia a nós uma visão ética de como representar esse movimento. A gente não poderia jamais se colocar à frente desse movimento colocando as nossas contradições ou os nossos desejos, porque aí, gente, estaria, digamos, ocupando um espaço que não é nosso, e que eles
construíram (Tiago Tambelli, codiretor de Escolas em Luta, fala registrada em
campo).
Ainda que a assinatura do filme tenha se mantido em nome dos três diretores (e não de um coletivo composto por eles e os estudantes, por exemplo), o esforço de empatia para contar uma história desde a versão da comunidade revela um gesto de descolonização do olhar – possível, em grande medida, porque os próprios estudantes, com seus “olhares opositores” (HOOKS, 2019a), fabricaram imagens com uma intenção marcada. Nesses depoimentos, assim como no de Beatriz Venâncio, no Capítulo 1, Lilith e Sofia não apenas reafirmam o consentimento informado para a realização do documentário como mostram o papel fundamental que tiveram na garantia de que ele expressasse suas narrativas.
Figura 19 – Fotogramas do documentário Escolas em Luta. De cima para baixo, sentido horário: quarto improvisado em sala de aula durante as ocupações; secundaristas cinegrafistas, que gravaram imagens para Escolas em Luta, filmam-se de brincadeira; secundaristas em roda de música durante as ocupações; secundaristas em manifestação nas ruas durante as ocupações.
As imagens acima retratam os múltiplos espaços e sentidos da luta no momento das ocupações. Os jovens de Escolas em Luta autorretratam-se, comunicam, lutam com uma câmera na mão. As imagens feitas por eles circulam por diversos territórios, como a internet, as salas de cinema, festivais, cineclubes, escolas, universidades, centros culturais, praças públicas. A participação de alguns jovens secundaristas – personagens e autores de imagens – em conversas e atividades com o público após as sessões, abordando os desdobramentos da luta em suas vidas e subjetividades, reforça essa amplificação do movimento e torna a circulação do filme indissociável da produção. É como se o filme continuasse e se atualizasse na sua forma de circular, afirmando que o movimento secundarista é muito mais que um movimento político, extrapola a questão da escola e a da educação: é afetivo, do fazer, do sentir; é criador, fazedor, pensador, deslocador, como descreve Lilith Cristina.
As relações sociais, políticas, culturais que constroem, as formas de organização da vida em comum nas escolas, as relações de poder que atravessaram o movimento naquele momento – como a presença da polícia e a presença-ausência do Estado –, a forma como se apropriam das tecnologias digitais para se comunicar: todas essas dimensões, capturadas pelas imagens do filme, chegam a um
público mais amplo, a outros setores sociais, outros territórios, conferindo novos contornos e “territorialidades” ao próprio documentário (ZANETTI, 2017). Zanetti refere-se a “territorialidades no audiovisual” (2017, p. 35), portanto também no documentário, como, de um lado, as transformações socioculturais entre produção, conteúdo e público (produzidas, fundamentalmente, pelas dinâmicas comunicacionais contemporâneas) e, de outro, como a ressignificação do lugar da produção e de seus agentes dentro da própria indústria:
Para compreender a perspectiva das territorialidades no audiovisual seja como um organizador específico de produção material e de trabalho, seja quanto ao seu papel na configuração simbólica das territorialidades humanas basta observar que este se constitui como um campo, tal como propõe Bourdieu (1996), marcado por duas dimensões de certo modo correlacionadas: a) a produção audiovisual se vincula a um conjunto de instituições, agentes e grupos cujo capital social e cultural encontra-se sempre em disputa interna, atrelada a um mercado específico, que lhe imprime poder econômico; e b) o audiovisual é um bem simbólico que configura um marcante poder cultural, pois atua com a força expressiva da imagem ao construir modos de representação, delimitações temáticas, configurações discursivas etc. (ZANETTI, 2017, p. 38).
Conforme se observa no caso do Escolas em Luta, a apropriação da realização das imagens pelos estudantes, a presença de personagens do filme e de outros jovens envolvidos no movimento em diversas sessões, a circulação do filme por diversos territórios (escolas, universidades, centros culturais, cineclubes) e também por janelas tradicionais da indústria do cinema (como festivais, televisão e sala comercial) ressignificam o documentário. Esse, por sua vez, confere significado ao movimento secundarista pelo olhar dos estudantes – diferente do olhar da mídia, de outros filmes sobre o movimento –, de acordo com as falas de Beatriz Venâncio, no capítulo anterior, e de Lilith Cristina e Sophia Chablau acima.
Examinar os percursos da distribuição de Escolas em Luta e aproximar-se da etnografia de algumas exibições é uma “engenharia reversa” (ZIMMERMANN, 2019) que permite evidenciar o poder político do documentário na construção de contranarrativas e os agenciamentos produzidos por ativismos culturais juvenis. Os jovens que realizaram imagens para o documentário, participaram como personagens e dialogaram com o público em algumas sessões constroem olhares e territorialidades sobre suas experiências no movimento secundarista e dentro da escola, denunciam a violência de Estado contra eles, marcam o protagonismo feminino e LGBTQIA+ no movimento e imaginam a escola com base em experiências de ocupação do espaço bem diferentes do cotidiano escolar formal.
Escolas em Luta foi lançado em uma pré-estreia especial em 1o de dezembro de 2017, em São Paulo, no CineSesc – uma sala de cinema de rua de 300 lugares, cravada em um bairro nobre da cidade – em uma sessão seguida de bate-papo com cinco secundaristas, todos parte do movimento em 2015 e 2016 e duas, dentre eles, personagens e realizadoras de imagens para o filme.
Figura 20 – Pré-estreia de Escolas em Luta no CineSesc, em dezembro de 2017. Foto: Alf Ribeiro.
A campanha de comunicação do lançamento foi realizada pelas jovens Lilith Cristina e Marcela Reis. Durante mais de um mês, por meio da página do filme e de suas páginas pessoais no Facebook, e ainda via WhatsApp, ativaram amigos, colegas e companheiros do movimento bem como professores e simpatizantes para que comparecessem à sessão de pré-estreia. Nessa campanha, também convidaram suas redes para organizar sessões do filme em seus espaços nos meses subsequentes ao lançamento. Além dos contatos de suas redes, realizaram um mapeamento e ativação de escolas públicas, universidades, centros culturais, organizações e movimentos sociais que pudessem ter interesse em exibir o filme. A mobilização para que o filme se espalhasse pelas mãos de muitas pessoas e por muitos espaços foi uma estratégia pensada conjuntamente entre as jovens e a Taturana Mobilização Social – cuja plataforma digital foi usada para disponibilização do documentário, conforme apontado na introdução deste trabalho.
De ferramenta de comunicação na ocupação das escolas à produção de imagens para o filme Escolas em Luta, chegando ainda ao próprio processo de lançamento do documentário, as
tecnologias e redes digitais atravessam, assim, diferentes dimensões da vida desses jovens. Elas funcionam como “tecnicidades” (MARTÍN-BARBERO, 2002, p. 16) que organizam a relação entre comunicação e cultura em suas práticas cotidianas: estão presentes no interior do próprio movimento (meios pelos quais se comunicavam), na produção do filme (registro de imagens com câmeras e celulares) e em sua circulação (redes de comunicação para fomentar exibições), com fluidez entre dimensões institucionais do filme e páginas e canais pessoais.
Os objetivos da circulação do filme estabelecidos pelas jovens, em diálogo com seus pares, foram: ampliar a visibilidade do movimento desde seu interior (mostrar como funcionavam as ocupações, como os jovens se organizavam no cotidiano e se comunicavam em rede) e levantar diálogos e debates sobre temas relevantes em suas vidas (a qualidade da educação pública, os efeitos das desigualdades e do racismo sobre as juventudes, os desdobramentos do movimento e saúde mental, perspectivas de vida pós-movimento e pós-Ensino Médio).
Rosana Cunha, mãe de um secundarista que participou do movimento, estava na sessão de pré-estreia de Escolas em Luta no CineSesc, momento em que o viu pela primeira vez, e, em entrevista posterior, reafirmou de ideia de que o documentário produz um deslocamento do olhar em relação ao movimento:
O filme [Escolas em Luta] mostrou o lado deles, porque, até então, as pessoas fantasiaram como bagunça, de adolescente, sabe? Então você escutava as pessoas falarem mal. E muitas pessoas, quando acabou o filme, comentavam: “nossa, eu não imaginava que tinha sido assim. Eu não sabia que era essa a luta”. [...] Muitas coisas foram filmadas por eles mesmos. Esse trabalho é uma coisa que, para os meninos, foi muito importante, foi o momento deles botarem a realidade para as pessoas, falar que a coisa não tinha sido como estava sendo colocado [na mídia] e mostrar o que realmente aconteceu. Então eu acho que foi um momento muito importante. Eles tiveram voz (Rosana Cunha, entrevista concedida sobre a pré-estreia de Escolas em Luta).
A importância do documentário como contranarrativa é evocada também por Beatriz Venâncio:
É importante pra mostrar o lado que a mídia não mostra. [O documentário] tem o papel de abrir os olhos das pessoas, de motivar essa geração que vem depois da minha e assim vai indo. Eu gosto da maneira como o movimento foi retratado no Escolas em Luta, com sensibilidade e credibilidade. Acho que o mais relevante é o fato de ser um movimento horizontal (Beatriz Venâncio, entrevista concedida).
Em relação ao documentário Escolas em Luta como memória para outras gerações, Cauê Albuquerque, que participou do movimento na Escola Estadual Diadema, a primeira a ser ocupada, relatou:
[…] o que me marcou naquela sessão [de pré-estreia no CineSesc] é que era como se fosse um passeio de curso preparatório de jovens para o mercado de trabalho, como se fôssemos jovens aprendizes, mas não era sobre mercado de trabalho, era sobre a própria educação e a escola. Tinha um público jovem, uns 15 a 20 jovens que se interessaram muito pelo assunto, fizeram muitas perguntas, sobre como foi no início das ocupações, como surgiu a ideia. Queriam saber, eram jovens, se interessaram, não tinham muito conhecimento, conheciam uma escola ocupada ali, outra aqui. E exatamente essa é a importância de um documentário. Como o nome diz: documenta o que foi, documenta a luta e a repassa. E eu adquiri muito conhecimento através de documentário, de música, de conversa, não só livro (Cauê Albuquerque, entrevista concedida).
As exibições do filme intensificaram-se, principalmente, a partir do início de 2018, quando foram retomadas as aulas em escolas e universidades, e a maioria das exibições, naquele ano, aconteceu de forma autogestionada, via plataforma da Taturana. Interessados em exibir o filme cadastravam-se na plataforma e obtinham acesso ao link do filme para download, podendo realizar exibições presenciais, coletivas e gratuitas em qualquer lugar do país, com qualquer tipo de equipamento (televisão, projetor, computador).
Alguns jovens que participam desta pesquisa – Lilith Cristina, Marcela Jesus, Sophia Chablau, Cauê Albuquerque – compareceram em exibições na cidade de São Paulo (onde moram) para conversar com o público. Conectados em rede com secundaristas que haviam participado do movimento em outros estados, incentivaram colegas a participar de sessões em suas próprias cidades, como uma das exibições do filme no Rio de Janeiro, que aconteceu em um cinema no bairro de Botafogo, zona Sul, e contou com a participação de estudantes secundaristas para conversar com o público após a sessão. A atividade teve repercussão na grande imprensa.
Figura 21 – Reprodução da reportagem do jornal O Globo sobre a sessão de Escolas em Luta no cinema Estação Botafogo, no Rio de Janeiro. Mais de 85 pessoas assistiram ao filme e conversaram com dois secundaristas cariocas que participaram das ocupações no Rio em 2016.
O filme circulou ainda por uma sala de cinema comercial na cidade de São Paulo (o próprio CineSesc) em 2018 e foi exibido em muitos outros espaços, como escolas, universidades, centros culturais e cineclubes, em todo o Brasil e fora dele. Em 2018, foi exibido na Bienal de Infancia y Juventudes, evento que acontece na cidade de Manizales, Colômbia, organizado pelo Conselho Latino Americano de Ciências Sociais (CLACSO), Red Iberoamericana de posgrados en infancias y juventudes (Red INJU), Centro de Estudios Avanzados en Niñez y Juventud (CINDE/Universidade de Manizales, Colômbia), e também entrou em cartaz na cinemateca de Bogotá poucos meses depois. Na Mostra de Cinema de Tiradentes de 2018, o filme foi exibido em praça pública para mais de 600 pessoas e ganhou o prêmio de melhor filme pelo júri popular.
Figura 22 – Exibição do documentário Escolas em Luta na Mostra de Cinema de Tiradentes de 2018. Foto:
No circuito de difusão autogestionado via Plataforma Taturana, entre 2018 e 2019, Escolas em Luta foi exibido em mais de 80 espaços, com um público estimado de 3.700 pessoas. Entre esses espaços, estavam a Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da USP, em São Paulo; unidades da rede SESC em São Paulo e Santa Catarina; o acampamento Lula Livre em Curitiba; uma ocupação do MTST em São Bernardo do Campo; o Clube do Professor da rede de cinemas Espaço Itaú, que oferece sessões gratuitas para professores; escolas estaduais e municipais principalmente dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro; universidades; centros culturais. Apesar de grande parte do circuito autogestionado ter se concentrado nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, também houve sessões em outras capitais como Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Salvador (BA), Florianópolis (SC), e pequenas cidades de interior, como Goiana (PE).
A etnografia das exibições ocorreu de duas formas: por meio de trabalho de campo em São Paulo – acompanhamento presencial das exibições, entrevistas com alguns jovens que participaram do movimento e alguns espectadores – e de coleta de relatos de pessoas/ espaços que exibiram o filme e contaram como foi a sessão, muitas vezes ilustrando com fotos. Esses relatos foram coletados na plataforma da Taturana, na qual as pessoas se cadastravam para ter acesso ao filme e depois preenchiam um relatório digital, na própria plataforma, sobre a atividade que realizaram.