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Atores envolvidos na execução dos programas

Para implementação das políticas públicas é importante reconhecer quem são os participantes. De acordo com Santos (2017) a burocracia estatal foi sempre reconhecida como protagonista, no entanto após a CF/88 que trouxe novas leis infraconstitucionais atribuindo novos atores sociais uma participação expressiva dentro das políticas públicas. Os atores da burocracia estatal geralmente estão divididos em dois blocos: políticas de Estado, onde os funcionários de carreiras fazem parte e as políticas de governo realizadas pelos políticos eleitos. Outro ator importante é do fornecedor de insumos e serviços ao poder público, o Estado contrato empresas que prestam serviços para a execução das políticas públicas. O terceiro interessado é a própria sociedade civil. O papel dos atores é determinado pelo interesse de cada um.

O Estado fica responsável pelos recursos necessários, pela parte da execução e o monitoramento das diversas políticas públicas, deve-se antes determinar se a política será orientada a curto ou longo prazo. Aos prestadores de serviços do Estado é garantido participar dos canais institucionais, é essencial que os interesses sejam devidamente explicados ao poder público nos espaços previstos. Já a sociedade civil cabe ao papel de fiscalização e denuncia, além de exercer seu poder de voto durante as eleições. (SANTOS, 2007).

Com o progresso relacionado as políticas públicas e as mudanças políticas e econômicas ocorridas com o decorrer dos anos, novos atores foram sendo inseridos para explicar o processo de formação das políticas, pois entende-se que a verificação de políticas públicas exige enfoques multidisciplinares abrangendo interesses do Estado, da sociedade e do mercado, possibilitando maior transparência sobre as decisões políticas adotadas pelo Estado Moderno (VIANA, 2012).

Atualmente, a Política de Segurança Alimentar e Nutricional vem sendo formulada por atores governamentais e da sociedade civil, a nível local, estadual e governamental. A inserção de profissionais qualificados é essencial para dar suporte e ajudar no controle nutricional do programa. Os componentes do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional a nível federal são:

CNSAN (Conferência Nacional de Segurança Alimentar): foi importante para a

implementação da Política Nacional de Segurança de Alimentar e Nutricional e designação das diretrizes do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional para o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e à Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN). O CNSAN é a instância máxima de deliberação do SISAN, a cada quatro anos aproximadamente duas mil pessoas se reúnem, são os representantes de todos os níveis administrativos e representantes da sociedade civil, para apresentar as diretrizes e propostas para o PNSAN, ocorrem também a cada dois anos com objetivo de avaliar e monitorar se as propostas decidas na Conferência estão sendo efetivadas e efetivas, e como podem ser melhoradas.

CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional): é o

intermediário entre a sociedade civil e o governo nas questões relacionadas a SAN. Apresenta caráter consultivo, assessorando o Presidente da República. Propor diretrizes, monitorar as ações e mobilizar a sociedade para a Política e para o PNSAN estão entre suas principais competências. É formado por 2/3 de representantes da sociedade civil e 1/5 do Governo.

CAISAN (Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional): é formada

por Ministros de Estado e Secretários Especiais e foi instituída pelo Decreto 6.273/2007. É a instância de elaboração, coordenação e execução do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, sob orientação do CONSEA. São 20 ministros e ministras, que também participam do CONSEA. É também uma instancia governamental que coordena e monitora intersetorialmente as políticas públicas em esfera federal, ligadas a SAN e a garantia do DHAA. Atuando de forma articulada e integrada, pois trabalha através de informações e indicadores fornecidos por diversos setores relacionados a alimentação, como disponibilidade e fornecimento de alimentos.

Órgãos e entidades de SAN da União, dos Estados, do DF e dos municípios:

atualmente são 25 estados mais o Distrito Federal que aderiram ao CISAN.

De acordo com a Secretaria Federal de Controle Interno, os atores principais comprometidos com o PNAE são:

FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação): é uma autarquia vinculada

ao MEC, responsável pelo auxílio financeiro, pela normatização, coordenação, acompanhamento, monitoramento, fiscalização e avaliação quanto à eficácia e a efetividade do PNAE.

EEx (Entidades Executoras): encarregadas pelo recebimento, complementação e

prestação de contas dos recursos transferidos pelo FNDE ao PNAE, são as Secretarias de Educação dos Estados e DF e as Prefeituras Municipais.

CAE (Conselhos de Alimentação Escolar): são colegiados deliberativos com a

Figura 2 - Organograma atores do SISAN

Fonte: elaboração própria.

Pode-se colocar como Entidades Executoras: Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (SEDUC – estadual e federal), prefeituras municipais, creches e escolas federais. Além destas, participam também do PNAE, o TCU como órgão fiscalizador; a Secretaria de Saúde na inspeção sanitária e o Ministério Público na defesa dos interesses sociais. Elaborar um programa envolvendo diversos atores demanda mudanças na cultura organizacional de entidades públicas responsáveis pela gestão de políticas públicas, ocasionando desafios, como a dificuldade de integração entre os ministérios, por exemplo, apesar das diferentes políticas sociais fazerem parte do mesmo grupo ainda não estão bem articuladas, gerando aumento de gastos e ineficácia para atender a população.

O Conselho de Alimentação Escolar é um órgão colegiado formado por representantes de vários segmentos sociais, foi criado para acompanhar a execução do Programa a partir do controle social, apresenta gestão compartilhada e assessora as EEx, o FNDE, o MP e demais órgãos de fiscalização e controle proporcionando informações sobre a execução do PNAE.

Figura 3 - Interação entre o CAE e outros atores e instituições

Fonte: elaboração própria.

De acordo com a legislação do PNAE, o CAE pode aumentar suas atribuições trabalhando em cooperação com o CONSEA e outros conselhos, vinculando o Direito à Alimentação Adequada (DHAA) e sensibilizando os gestores, educadores e toda a comunidade para além de um cardápio saudável.

Estas são as diretrizes do CONSEA que convergem com as diretrizes de legislação do PNAE:

I - promoção do acesso universal à alimentação saudável e adequada, mediante o enfrentamento das desigualdades, com prioridade para as famílias em situação de insegurança alimentar e nutricional; II - promoção do abastecimento e estruturação de sistemas justos, de base agroecológica sustentáveis de produção, extração, processamento e distribuição de alimentos; III - instituição de processos permanentes de produção de conhecimento, educação e formação em soberania e segurança alimentar e nutricional e direito humano à alimentação adequada; IV - promoção, ênfase e coordenação das ações de segurança alimentar e nutricional voltadas para povos e comunidades tradicionais; V - fortalecimento das ações de alimentação e nutrição em todos os níveis da atenção à saúde, de modo articulado às demais políticas de segurança alimentar e nutricional; VI - apoio a iniciativas de promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional em âmbito internacional; VII - promoção do acesso universal à água de qualidade

e em quantidade suficiente para atender às necessidades das populações urbanas e rurais, com prioridades para as famílias em situação de insegurança hídrica, e promoção do acesso à água para a produção de alimentos da agricultura familiar, povos indígenas e outros povos e comunidades tradicionais (BRASIL, 2015).

A alimentação escolar deve passar por controle de qualidade, os alimentos devem estar em acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Ministério da Saúde e pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. As EEx assumem a realização de inspeções sanitárias dos alimentos utilizados e o CAE fiscaliza e zela pela qualidade dos alimentos e como está a aceitabilidade dos cardápios.

O papel do nutricionista é essencial, ele deve estar registrado no Conselho Regional de Nutrição – CRN – e cadastrado no FNDE, ele é responsável por criar cardápios adequados que atendam às necessidades nutricionais no período em que os alunos encontram-se na escola, além de acompanhar o estado nutricional dos alunos, supervisionar todo o planejamento de compra dos alimento, propor e coordenar ações de educação alimentar. O CRN deve apresentar uma atuação articulada com o CAE, que fiscaliza o trabalho do nutricionista.

O órgão responsável pela execução de grande parte dos programas relacionados a educação básica, alimentação, transporte escolar, além de atuar também com a educação profissional e tecnológica é o FNDE. Ele é responsável pela assistência financeira, o Conselho realiza uma avaliação das contas e faz um parecer baseado em análise social e encaminha para o FNDE, onde a análise de ambos se complementam.

Os Centros de Colaboradores em Alimentação e Nutrição Escolar – CECANE – formam parcerias com o FNDE e Instituições Federais de Ensino Superior que dão suporte técnico e operacional ao órgão gestor do PNAE, eles realizam pesquisas e desenvolvem projetos ligados a alimentação e nutrição. A democracia só existe quando há participação e transparência, como o CAE é um órgão de participação no controle social, então fica a cargo do Ministério Público cuidar do funcionamento do controle social, garantindo o sistema democrático e conta com a participação ativa do CAE, devendo trabalhar em coordenação.

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