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4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.2 SOBRE OS ATORES RESPONSÁVEIS PELA CRIAÇÃO, IMPLANTAÇÃO E

4.2.2 Atores no contexto do programa social Cooperativas Escolares

Referente às Cooperativas Escolares, foram identificados os seis primeiros atores, mencionados anteriomente no Quadro 25, na exeção da Fundação Sicredi e dos familiares dos alunos que não apareceram nos resultados encontrados como pessoas que acompanham e apoiam. [...] “o programa de cooperativas escolares, ele é desenvolvido aqui na cooperativa Sicredi Serrana e tem a Central Sicredi Sul também cuidando desse programa, não chegou lá ainda no sistêmico” [...] (A2).

Em vista disso, torna-se importante o engajamento dos colaboradores da área de comunicação e relacionamento, assim como a participação de outros colaboradores da Sicredi Serrana. “Sim, porque por exemplo o Cooperativa Escolar, como que ela iria existir se não tivesse o nosso apoio, o nosso incentivo, ou um olhar das cooperativas pra isso e aí eu acho que enquanto a Sicredi Serrana a gente é pioneiro nisso” [...] (A4). Assim, foi obervado que a Sicredi Serrana possui uma cultura organizacional que possibilita que os colaboradores conheçam, entendam como funciona os programas sociais, para que eles façam divulgação desses programas .

E, para que ocorra este programa e seja bem disseminado, foi contratado o assessor pedagógico, identificado como o entrevistado H2, que é professor mestre, pesquisador e educador que implanta e acompanham as cooperativas escolares no Brasil inteiro. Portanto, ressalta o seu papel nesse programa nos termos a seguir:

O papel que eu desempenho junto com as cooperativas escolares, é um papel de pesquisador, de curador e de alguma forma também de coordenador. Mesmo que em alguns aspectos, mais informalmente e em outros com uma posição mais formal, cabe

a mim de alguma maneira, essa responsabilidade também. Já que apoei, participei desde da criação, desta nova forma, desta metodologia que inplantamos, muito semelhante ao país vizinho de Argentina, da cidade de Sunchales. [...] (H2).

Além das contribuições do assessor pedagógico, destaca-se o papel da escola e do professor (a) orientador (a), que acompanham no dia a dia as cooperativas escolares. [...] “Claro que as instituições que abraçam as cooperativas, que são as escolas, precisam se abrir também para o projeto politico pedagógico e para introdução de uma metodologia, que vai muito além do funcionamento sim da cooperativa escolar [...] (H2). Pois, [...] “cada cooperativa escolar tem um professor responsável e assim, presidente, vice-presidente, tesoureiro é tudo, são todos alunos, entre eles, fazem eleição, tem assembleia, igual a uma cooperativa normal” (A4).

O professor orientador desempenha o papel fundamental, porque ele acompanha a cooperativa escolar no dia a dia e deve ser capaz de solucionar os problemas pontuais que surgem com os alunos. A ausência desse ator atrapalha na implantação, segundo o entrevistado H2:

Nossas maiores dificuldades em relação a implantação do programa, são, passam principalmente pela disponibilidade dos professores orientadores, como as cooperativas escolares, são formadas por alunos, especialmente por alunos da educação básica, ou do ensino fundamental II ou do ensino médio, em alguns casos do ensino fundamental I. Em todos eles é necessário a presença do professor orientador, [...] (H2).

No entanto, ressalta-se que as cooperativas escolares se constituem e funcionam de acordo com a legislação brasileira que rege as cooperativas. Tais espaços são construidas pelos alunos, visto que as cooperativas escolares [...] “tem um contexto um pouquinho de expandir a filosofia, os princípios do cooperativismo através de uma proposta pedagógica, [...] é um laboratório de aprendizagem para desenvolvimento desses alunos” [...] (A2). Os depoimentos do Entrevistado H2 aponta a relevância da participação dos alunos no processo da constituição e funcionamento das cooperativas escolares. Assim, as Figuras 3 e 4 aprensenta essa relação.

Ela apresenta uma relação triangular entre as categorias processo, alunos-beneficiário e atores, o que salienta a particularidade do programa Cooperativas Escolares ao falar dos atores que o forma. Percebe-se a importância do envolvimento dos alunos, que são, ao mesmo tempo, fundadores, donos e beneficiários dos aprendizados que proporciona essa organização. Observou-se uma manifestação permanente da colaboração, mobilização e cooperação entre alunos-beneficiários que agem tanto pelo coletivo, como para o coletivo, visto que eles são atores fundamentais no processo de criação e execução deste programa. No entanto, analisa-se o papel do assessor pedagógico e professor orientador como subsidiário e não principal.

Esta realidade, encontra a visão de Chambon, David e Devevey (1982), que destacam a relevância dos atores para que se fale de inovação social, afirmando que a condição sine quo none da presença da inovação social é a participação dos usuários (beneficiários) no processo, partindo da conscientização sobre a necessidade existente, passando pela sua concepção em um projeto, até a implementação do projeto em questão. A mobilização, colaboração, cooperação e participação dos alunos se enquadram nessa conceituação estabelecida pelos autores. Também Correia, Oliveira e Gomez (2016) apontam a relevância e o papel dos atores ao tratar de programas sociais portadores de inovação social.

Figura 3 – Entrevista com H2, Cluster por similaridade de palavras

Fonte: Elaborado pelo autor com base no Nvivo (2019).

As entrevistadas G1, G2 e G3 ressaltam a relevância da participação dos alunos na construção, andamento e manutenção das cooperativas escolares. Nessa perspectiva, a Figura.4 apresenta essa relevância a partir das relações existentes entre categorias. Ou seja, observam- se duas relações triangulares abrangentes: processo, atores e contribuições do programa; e alunos- beneficiários, atores e contribuições do programa. No entanto, as relações que se encontram na Figura 4 confirmam o cluster por similaridade de palavras obtido, com o entrevistado H2, mencionado anteriormente, assim que os comentários feitos a seu respeito. Contudo, é necessário destacar que o programa Cooperativas Escolares pode ocorrer tanto em

um ambiente escolar, quanto em um centro educativo.

Figura 4 – Cluster por similaridade de palavra, entrevistas com sujeitos G1, G2 e G3

Fonte: Elaborado pelo autor com base no Nvivo (2019).

No contexto das cooperativas escolares, foi observado o protagonismo dos alunos para construir e gerenciar sua própria cooperativa. O que faz deles alunos-atores, pessoas que se mobilizam, participam e colaboram para promover o programa cooperativas escolares e, ao mesmo tempo, percebe-se que eles são beneficiários das contribuições do programa. Em outras palavras, os alunos não são beneficiários passivos, pelo contrário, são agentes ativos para manutenção e andamento da sua organização cooperativa. Esta realidade corrobora a visão de Chambon, David e Devevey (1982), André e Abreu (2006), e de Correia, Oliveira e Gomez (2016), conforme descrito anteriormente. No entanto, diferentemente dos atores identificados no programa A União Faz a Vida, nas Cooperativas Escolares não foram encontrados a Fundação Sicredi e os familiares dos alunos como auxiliadores na implantação do programa. O Quadro 26 apresenta os atores identificados no contexto do programa Cooperativas Escolares.

Quadro 26 – Atores identificados A Central regional Área de comunicação e relacionamento Colaboradores das âgencias – Sicredi Serrana Assessor pedagógico Diretoria das escolas e Professores orientadores Alunos Pertence ao sistema Sicredi. Apoiam as cooperativas do sistema cooperativo Sicredi, quando for nécessario. Responsável pelo programa. Pertence a Cooperativa Sicredi Serrana. Divulgam o programa no seus atendimentos. Professor, mestre e consultor contratado para implantar orientar e acompanhar as cooperativas escolares. Adotam o programa e orientam os alunos no dia a dia. Protagonista na construção, andamento, assim como beneficiários finais do programa.

Fonte: Elaborado pelo autor (2019).