• Nenhum resultado encontrado

1.4 EAD E SUAS DIMENSÕES CONSTITUTIVAS

1.4.1 Atores para o processo de EaD

a) Professor

Uma das questões mais polêmicas na EaD, talvez, seja o papel do professor nessa modalidade, já que este assume diferentes funções em relação ao ensino convencional. Na EaD, desde muito tempo, trabalha-se com a ideia de formação de equipes multidisciplinares para a estruturação.

O papel do professor na EaD é essencial para a realização do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, tão importante quanto no presencial, apesar de sua forma de atuar ser diferenciada, pois essa modalidade de ensino é aberta e flexível, caracterizada pelo exercício de múltiplas funções a serem desenvolvidas no sistema pelo conjunto de profissionais envolvidos, entre eles o professor.

Em primeiro lugar, é enganoso considerar que programas a distância minimizam o trabalho e a mediação do professor. Muito pelo contrário, nos cursos superiores a distância, os professores veem suas funções se expandirem, o que requer que sejam altamente qualificados.(...) O projeto pedagógico deve apresentar o quadro de qualificação dos docentes responsáveis pela coordenação do curso como um todo, pela coordenação de cada disciplina do curso, pela coordenação do sistema de tutoria e outras atividades concernentes. É preciso a apresentação dos currículos e outros documentos necessários para comprovação da qualificação dos docentes, inclusive especificando a carga horária semanal dedicada às atividades do curso. Além disso, a instituição deve indicar uma política de

capacitação e atualização permanente destes profissionais

(REFERENCIAIS DE QUALIDADE PARA CURSOS SUPERIORES A DISTÂNCIA, 2007, p. 20-21).

Nesse sistema, os professores assumem papéis diferenciados, que incluem desde a gestão administrativa dessa modalidade de ensino até mesmo a atuação como professor tutor presencial ou virtual (através de videoconferências ou teleconferências), autor de material didático, coordenador, entre outros. Tais papéis variam de acordo com o projeto político-pedagógico de cada IES.

Dada a importância dessa discussão, cabe entender, no capítulo 2, com base na literatura da área, como se desenvolve o trabalho do professor na modalidade de EaD.

b) Tutor

O tutor é considerado o elemento-chave para a realização do processo educativo por meio da EaD. Segundo Mill, há uma diferença entre o professor do ensino presencial e o tutor, embora o tutor seja um docente, como bem explica:

O tutor não pode ser chamado de professor pelo fato de não haver aula propriamente dita na educação a distancia, mas o tutor é, legitimamente, um docente. As principais distinções entre tutor e professor residem nos tempos e espaços de trabalho (MILL, 2008, p.115, grifo do autor).

O mesmo estudioso ainda destaca que existem duas categorias de tutores, ou seja, o tutor presencial e o tutor a distância:

Esses tutores podem, entretanto, ser divididos em duas categorias: uma

pode ser denominada tutoria presencial e é composta pelo grupo de

educadores que acompanha os alunos presencialmente, com encontros

frequentes ou esporádicos; a outra categoria, denominada de tutoria virtual

ou tutoria a distância, dedicada ao acompanhamento dos educandos

virtualmente (a distância), por meio de tecnologias de informação e comunicação (MILL, op. cit., p. 114, grifo do autor).

Portanto, a tutoria presencial atua no polo de apoio e tem como objetivo fazer a orientação síncrona (ao mesmo tempo) para os alunos que estudam na modalidade de EaD, enfatizando a necessidade de se adquirir autonomia de aprendizagem. E a tutoria a distância consiste em orientar e facilitar o processo de ensino e aprendizagem dos alunos por meio das TIC.

Em qualquer situação, ressalta-se que o domínio do conteúdo é imprescindível, tanto para o tutor presencial quanto para o tutor a distância e permanece como condição essencial para o exercício das funções. Esta condição fundamental deve estar aliada à necessidade de dinamismo, visão crítica e global, capacidade para estimular a busca de conhecimento e habilidade com as novas tecnologias de comunicação e informação. Em função disto, é indispensável que as instituições desenvolvam planos de capacitação de seu corpo de tutores. Um programa de capacitação de tutores deve, no mínimo, prever três dimensões:

- capacitação no domínio específico do conteúdo; - capacitação em mídias de comunicação; e

- capacitação em fundamentos da EaD e no modelo de tutoria.

Por fim, o quadro de tutores previstos para o processo de mediação pedagógica deve especificar a relação numérica estudantes/tutor capaz de permitir interação no processo de aprendizagem (REFERENCIAIS DE QUALIDADE PARA CURSOS SUPERIORES A DISTÂNCIA, 2007, p. 22).

c) Aluno

Na EaD, a aprendizagem é centrada no aluno, recaindo sobre ele a responsabilidade da sua aprendizagem. Por isso, o aluno terá que desenvolver algumas características básicas, como a autonomia e a autodisciplina, já que dispõe de uma certa flexibilidade de horários e a não obrigatoriedade da frequência diária. A possibilidade de estudar de acordo com o seu ritmo e horário poderá determinar o nível de seu aproveitamento durante o processo de ensino e aprendizagem de um curso na modalidade a distância.

O papel do aluno na EaD é diferente daquele visto no ensino presencial. Sua presença física é dispensada, no entanto, sua participação se dá por meio da responsabilidade que deve ter em administrar o seu tempo e o seu ritmo de aprendizagem, mediada pelas TIC.

d) Equipe interdisciplinar e de apoio

A realização da EaD, entre outras questões, pressupõe necessariamente a presença de uma equipe interdisciplinar, que deve ser composta por profissionais de diferentes áreas, como, por exemplo, de comunicação e tecnologias de informação, a fim de se construir e administrar um ambiente virtual de aprendizagem com qualidade, de modo que se favoreça as diversas formas de interação e comunicação para a efetivação do processo de construção da aprendizagem, como também gestar e operacionalizar um sistema de ensino em EaD.

e) Ensino e aprendizagem

A EaD acontece com a mediação dos meios de informação e comunicação, como, por exemplo, a televisão, o rádio, a videoconferência, a videoaula, a internet, o material impresso, entre outros. Alguns desses meios de comunicação acontecem de duas maneiras: assíncrona e síncrona.

Assíncronas – Professor e aluno estão em diferentes quadrantes temporais e a relação entre eles é mediatizada por material impresso (livros e apostilas) ou informático (e-mails, CD-ROM, sites, lista de discussão). Ou ainda por vídeos, programas radiofônicos, fitas cassetes etc.

Síncronas – Professor e aluno estão no mesmo quadrante temporal e a

relação é mediatizada por chat, teleconferência, videoconferência,

momentos presenciais etc. (SILVA, 2003, p. 70-71).

f) Avaliação

A avaliação é uma das questões que mais desafiam o trabalho pedagógico na EaD, uma vez que essa modalidade de ensino pressupõe o rompimento da relação “face a face” dos sujeitos envolvidos. Ao mesmo tempo, existe uma legislação que obriga a presencialidade nos momentos avaliativos. Em outros termos, isso significa que a avaliação da aprendizagem na EaD enfrenta os mesmos desafios da avaliação na educação presencial.

As avaliações da aprendizagem do estudante devem ser compostas de avaliações a distância e avaliações presenciais, sendo estas últimas cercadas das precauções de segurança e controle de frequência, zelando pela confiabilidade e credibilidade dos resultados. Neste ponto, é importante destacar o disposto no Decreto 5.622, de 19/12/2005, que estabelece obrigatoriedade e prevalência das avaliações presenciais sobre outras formas de avaliação (REFERENCIAIS DE QUALIDADE PARA CURSOS SUPERIORES A DISTÂNCIA, 2007, p. 17).

A avaliação na EaD deve ser entendida como um processo contínuo e necessário para a qualidade da aprendizagem, no sentido de identificar o nível de apropriação de conhecimentos por parte dos alunos, assim como um redimensionamento do trabalho pedagógico desenvolvido, quando necessário.

Desse modo, a avaliação não seria tão-somente um instrumento para a aprovação ou reprovação dos alunos, mas sim um instrumento de diagnóstico de sua situação, tendo em vista a definição de encaminhamentos adequados para a sua aprendizagem (LUCKESI, 1995, p. 81).

Assim, entende-se que a concepção de avaliação e a escolha dos instrumentos devem estar em consonância com os pressupostos teóricos e metodológicos do projeto político-pedagógico do curso.

A avaliação na EaD constitui-se em um processo autônomo de construção da aprendizagem, que requer novas estratégias e instrumentos de avaliação

diferenciados da educação presencial. A avaliação pode ser formativa, somativa e diagnóstica.

Na avaliação formativa, o aluno aprende ao longo do processo de ensino e aprendizagem. Esse tipo de avaliação é também subsidiado pela função diagnóstica. Portanto, permite que o professor e o aluno detectem os problemas de aprendizagem e as possíveis soluções.

A avaliação somativa tem por objetivo verificar o grau de domínio de conhecimentos por parte do aluno. Comumente, acontece no meio e no final do processo educativo. A avaliação diagnóstica tem por objetivo averiguar o nível de aprendizagem do aluno. Desse modo, é realizada no início e durante as situações de aprendizagem.

Para que a avaliação diagnóstica seja possível, é preciso compreendê-la e realizá-la comprometida com uma concepção pedagógica [...] a avaliação diagnóstica não se propõe e nem existe de uma forma solta e isolada. É condição de sua existência a articulação com uma concepção pedagógica progressista (LUCKESI, op. cit., p. 82).

Como foi colocado, a avaliação em EaD é um processo contínuo, pois é realizada mediante a inter-relação dos sujeitos envolvidos, alunos e professores, e a mediação proporcionada pelas TIC, que permitem uma diversificação dos procedimentos e instrumentos de avaliação a serem utilizados.