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Não teria sentido declarar formalmente a liberdade sindical sem por à disposição das pessoas mecanismos jurídicos de proteção voltados para o resguardo efetivo dos interesses em jogo, daí a disciplina, mediante leis ou cláusulas de convenções coletivas, do exercício da liberdade sindical130.

Nesse sentido, atos anti-sindicais são aqueles praticados pelos empregadores, pelos próprios sindicatos e até mesmo pelo Estado, com o objetivo de atingir a livre atuação sindical, direito constitucionalmente protegido.

Com o intuito de impedir a livre atuação sindical, os empregadores, por vezes, adotam condutas discriminatórias em relação aos empregados sindicalizados. Qualquer ato que tenha por objetivo sujeitar o emprego de um trabalhador à condição de não filiação a um sindicato, não realização de suas atividades sindicais fora do horário de trabalho ou tentativa de intervir na estrutura, funcionamento ou gestão do sindicato da categoria profissional é considerado ato anti-sindical.

Por outro lado, condutas anti-sindicais também podem ser provenientes dos próprios sindicatos, como ocorre quando há inclusão de cláusulas, em negociação coletiva, por exigência do sindicato da categoria econômica, cujo teor tem condições negativas aos seus representados, tais como: o empregador se compromete a apenas contratar empregados vinculados àquele sindicato, a obrigação imposta aos trabalhadores de determinada empresa a se manter sindicalizado por um determinado lapso temporal, dentre outras.

A atuação lesiva por parte dos poderes públicos, segundo Palomeque López e Álvarez de La Rosa:

La actuación lesiva de la libertad sindical por parte de los poderes públicos (la prohibición de la actividad sindical o la afiliación obligatoria son ya referencias meramente históricas) conduce, em su caso, a la declaración de

constituição, funcionamento e administração. 2. Serão principalmente considerados atos de ingerência, nos termos deste Artigo, promover a constituição de organizações de trabalhadores dominadas por organizações de empregadores ou manter organizações de trabalhadores com recursos financeiros ou de outra espécie, com o objetivo de sujeitar essas organizações ao controle de empregadores ou de organizações de empregadores. Artigo 3 - Mecanismos apropriados às condições nacionais serão criados, se necessário, para assegurar o respeito do direito de sindicalização definido nos artigos anteriores. Disponível em <http://www.ilo.org/ilolex/portug/docs/C098.htm>, acessado em 30 de outubro de 2011.

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Constituição Federal de 1988 - Art. 8º - É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: [...] V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato.

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inconstitucionalidad de las correspondientes leyes y disposiciones normativas com fuerza de ley (art. 53.1 y 161.1 a) CE, STC 6/189), asi como a la nulidad de los preceptos regulamentários (STC 141/1985) y de los actos administrativos infractores (art. 12 LOLS Y 17.1 ET, STC 235/1988), o, em fin, de las decisiones judiciales que violen el derecho (art. 161.1 CE)131.

A doutrina estrangeira adotou medidas de proteção à liberdade sindical. Uma figura do direito italiano é a repressão à conduta anti-sindical, espécie de processo sumaríssimo instaurado quando o sindicato encontra obstáculo à sua livre atuação na empresa132.

O artigo 28 do Statuto dei Lavoratori prevê um procedimento de caráter simplificado, no qual o Pretor, a pedido dos sindicatos, convocará as partes e desde que conclua que há conduta anti-sindical, ordenará ao empregador a cessação dos atos infringentes da liberdade sindical133.

A preocupação com os atos violadores da liberdade sindical e com o objetivo de possibilitar o desenvolvimento normal e eficaz da atividade sindical levou a difundir na América Latina o “foro sindical”, definido atualmente por Oscar Ermida Uriarte como um conjunto de medidas de proteção do dirigente e do militante sindical, que tendem a pô-los a coberto dos prejuízos que podem sofrer por sua atuação134.

Do Foro Sindical resultam garantias de emprego concedidas ao dirigente sindical, em que o mesmo poderá se afastar das suas atividades profissionais para o exercício da atividade sindical, durante o seu mandato. Também será concedido a este obreiro uma estabilidade provisória no emprego, devendo a empresa reintegrá- lo em caso de despedida sem justo motivo.

Desta forma, o foro sindical tenta resguardar a liberdade de atuação sindical, na medida em que os empregados não sentem o temor da perda do emprego ou de punições disciplinares.

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PALOMEQUE LÓPEZ, Manoel Carlos; ÁLVAREZ DE LA ROSA, Manuel.Derecho del trabajo. 5. ed. Madrid: Editorial Centro de Estudios Ramón Areces, 1997. p. 109.

Tradução livre da autora – A atuação lesiva da liberdade sindical por parte dos poderes públicos (a proibição da atividade sindical ou a filiação obrigatória são referencias meramente históricas) conduz a declaração de inconstitucionalidade das correspondentes leis e disposições normativas com força de lei (art. 53.1 e 161.1, a, CE, STC 6/1986), assim como a nulidade dos regulamentos (STC 141/1985) e dos atos administrativos (arts. 12 LOLS e 17.1 ET, STC 235/1988) ou, por fim, das decisões judiciais que violem o direito.

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Ibid., p.105. 133

Ibid., p.105. 134

Outra medida adotada foi o combate às práticas desleais.

A noção de práticas desleais tem origem na “Ley Nacional de Relaciones del Trabajo”, de 1933, dos Estados Unidos, também conhecida como “lei Wagner”, cujo artigo 8 proíbe determinadas condutas patronais que qualifica como práticas desleais (“unfair labour practices”)

A referida secção 8 da “Wagner Act” proscrevia, como práticas desleais, a obstrução do exercício dos direitos sindicais, os atos de ingerência dos empregados nas organizações dos trabalhadores, certos atos de descriminação anti-sindical e a recusa de negociar coletivamente135.

Num primeiro momento, as condutas entendidas como práticas desleais eram aquelas realizadas pela categoria patronal em desfavor da organização sindical obreira. Desta feita, incluindo-se nesse rol as condutas discriminatórias praticadas contra os trabalhadores.

Posteriormente, a própria ‘“Wagner Act” propôs que atos desencadeados pelos empregados também poderiam ser considerados como práticas desleais e, consequentemente, como atos anti-sindicais, desde que realizados pela organização de trabalhadores em detrimento dos empregadores.

A secção 8 da nova lei qualifica também como “unfair labour practices” determinados atos cometidos pelas organizações dos trabalhadores em prejuízo dos empregadores, relacionados, principalmente, com o uso da violência, da intimidação, da represália, da recusa em negociar136.

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URIARTE, Oscar Ermida.A proteção contra os atos anti-sindicais. São Paulo: LTr, 1989. p. 10. 136

SEGUNDA PARTE

PROBLEMATIZAÇÃO E DESCONSTRUÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DOUTRINA JURÍDICO-TRABALHISTA CLÁSSICA ACERCA DO SINDICATO E DO SINDICALISMO

5 A NEGLIGÊNCIA DA DOUTRINA CLÁSSICA ACERCA DOS FUNDAMENTOS

HISTÓRICOS E POLÍTICOS DO SINDICATO E DO SINDICALISMO

5.1 PARA UMA NOVA HERMENÊUTICA DO SINDICATO E DO SINDICALISMO. A