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Atribuições da Central Sicredi PR

No documento ANTONIO SARAIVA JUNIOR (páginas 82-85)

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DO CASO

4.8. SEGUNDO MAPA COGNITIVO DA CENTRAL SICREDI PR

4.8.5. Atribuições da Central Sicredi PR

Para as cooperativas centrais foram reservadas funções essencialmente administrativas e de supervisão. As Centrais Sicredi RS e Sicredi PR definiram para si uma estrutura padrão dividida da seguinte forma: “1. Área de desenvolvimento. 1.1.

Reestruturação, seleção e PCS; 1.2. Treinamento e desenvolvimento; 1.3. Assessoria organizacional; 1.4. Desenvolvimento e expansão. 2. Área de Supervisão e Controle. 2.1.

Auditoria interna; 2.2. Assessoria Jurídica; 2.3 Controladoria”. (Ata 147, de 08/12/1999)

A missão definida para as centrais de “viabilizar a excelência funcional das cooperativas filiadas” traduziu o propósito de fazer cumprir as normas internas e oficiais e os objetivos traçados pela alta administração, dado que às cooperativas singulares foi também subtraída toda a autonomia, cumprindo às mesmas operar à semelhança de agências bancárias, observando, todavia, as características estatutárias de uma cooperativa (funcionamento dos órgãos estatutários, assembléias etc.).

Com relação à responsabilidade solidária, o período imediatamente posterior à formação do Sistema Interestadual também foi bastante tenso, como relatou o Entrevistado nº 4:

O maior medo era quanto à solidariedade, porque todos os recursos das cooperativas entravam na solidariedade e não tinha como trabalhar fora, aplicar em outros bancos, em outros sistemas. Era tudo concentrado, via centrais, no Bansicredi. Às vezes tinha-se medo do processo administrativo único de aplicação, que pudesse ser cometido um erro grande e todo mundo perderia. (...) Esse era um ponto interessante, porque cada cooperativa continuava responsável pelos recursos que administrava e ainda por todo o conjunto, por força da solidariedade. Isso foi objeto de muita discussão.

O primeiro grande problema de insolvência de uma filiada da Central Sicredi PR após a integração se manifestou ainda em 1996. Para resolver a situação, a Central criou, no início de 1997, o Programa Garantidor de Liquidez, cujos fundos, rateados entre todas as cooperativas singulares do Paraná, foram utilizados para honrar as obrigações da filiada insolvente e a administração desta foi assumida por uma cooperativa agropecuária da mesma região. (Ata 109, de 24/04/1997, reg. 280)

Em julho de 1997, o Conselho de Administração da Credivel, uma das maiores cooperativas integrantes do sistema, decidiu por unanimidade pedir sua desfiliação da Central Sicredi PR, justificando-se pela “não concordância com alterações de artigos da reforma estatutária e, principalmente, sobre o aspecto da solidariedade”. O pedido ocasionou um grande debate entre os conselheiros da Central, o qual se encerrou com uma proposta de “constituição de um comitê de revisão, para reavaliar e sugerir métodos sobre responsabilidade solidária, área de responsabilidade e normas, com uma avaliação da real situação de cada filiada, o que foi aceito por todos os presentes”. (Ata 114, de 19/08/1997, reg. 307-308)

Entre 1997 e 1999, outras sete filiadas da Central Sicredi PR apresentaram irregularidades e problemas de liquidez, sendo que pelo menos cinco delas tiveram que ser incorporadas por outras cooperativas do sistema para que fossem evitados desgastantes processos de liquidação. Essas incorporações foram tratadas pela Central de forma estratégica, como um processo de reorganização do Sicredi.

As fusões e incorporações foram necessárias para o desenvolvimento do sistema, como argumentou o Entrevistado nº 1:

O processo de fusões e incorporações no estado era uma necessidade que precisava ser atendida. Haviam cooperativas muito pequenas, incipientes, que não iam prosperar. A unificação de cooperativas no estado do Paraná, objetivando cooperativas mais fortes para oferecer mais negócios para seus associados era sabido que ia acontecer. Aliás, é um processo contínuo. (...) A unificação ocorre para criar cooperativas mais fortes patrimonialmente, o que possibilita operações maiores, tanto de captação quanto de empréstimo. (...) Estrategicamente, sabia-se que teriam de haver unificações, mas nós também sabíamos que seria um processo muito lento. O que acabou possibilitando muitas fusões e incorporações foi o aspecto econômico. A cooperativa não conseguia dar crédito aos seus associados porque o patrimônio era muito pequeno, ou a direção não dominava as técnicas bancárias, levando à unificação.

Corroborando o relato anterior, o Entrevistado nº 4 explicou assim as razões do processo:

Nós analisamos cada situação e vimos que certas cooperativas não tinham condições de alcançar um ponto de equilíbrio sozinhas e, então, nós juntávamos duas de uma mesma região. (...) Os conselhos das cooperativas tinham que ser convencidos, mostrando o que eles iam ganhar com isso, mais segurança, mais reforço, por ter menos funcionários. (...) O mais importante era terminar com as ineficiências, para que os associados continuassem a acreditar na cooperativa.

Em 27 de maio de 1999, foi publicada a Resolução CMN nº 2.608/99 que, pelo art. 3º de seu Regulamento Anexo, determinava que “as cooperativas centrais de crédito devem prever, em seus estatutos e normas operacionais, dispositivos que possibilitem prevenir e corrigir situações anormais que possam configurar infrações a normas legais ou regulamentares ou acarretar risco para a solidez das cooperativas singulares e do sistema cooperativo associado, inclusive a possibilidade de constituição de fundo com objetivo de garantir a liquidez do sistema”. O regulamento estipula ainda que, para atingir os objetivos

previstos no art. 3º, as cooperativas centrais de crédito devem: (i) supervisionar o funcionamento e realizar auditorias em suas filiadas; (ii) supervisionar e coordenar a implementação do sistema de controles internos de suas filiadas; e (iii) manter departamento responsável pela formação e capacitação de membros de órgãos estatutários, gerentes e associados de suas filiadas.

Assim, a referida resolução proporcionou o amparo normativo que faltava às atividades de supervisão da Central sobre suas filiadas, e também abriu caminho para a regulamentação de fundos garantidores de solidez, nos moldes do programa que havia sido instituído pela Central Sicredi PR.

Vale a pena destacar que, na última reunião do Conselho de Administração da Central Sicredi PR realizada em 1999, os conselheiros fizeram uma avaliação das ações da Central durante aquele ano e mostraram-se bem mais confiantes com relação à responsabilidade solidária, como denotam as manifestações destacadas a seguir (Ata 147, de 08/12/1999):

“ O associado vê a Central como uma retaguarda do sistema, haja visto o poder de ação sobre as filiadas.”

“ A Central começou o ano mal e melhorou no final do ano e se fortaleceu no processo de reestruturação e intervenção.”

“ O Conselheiro ressaltou a atuação da Central em proagir, evitando que as preocupações se avolumassem.”

“ O Conselheiro ressaltou que no início ficou preocupado com os rumos do sistema, hoje reconhece o trabalho da Central.”

No documento ANTONIO SARAIVA JUNIOR (páginas 82-85)