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CAPÍTULO 2. CONSIDERAÇÕES ACERCA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL

2.4 Atribuições do Supervisor Acadêmico, Supervisor de Campo e Aluno

Diante da complexidade do momento do estágio supervisionado é necessário manter-se a linha que em que os assistentes sociais defendem: a perspectiva da garantia de direitos e junto com esta garantia, também se constroem responsabilidades dignas da proporção do marco deste momento.

As atribuições de cada pessoa elemento da tríade do estágio funcionam organicamente diante das demandas que o estágio supervisionado exige e de como se encontram, há diferenças e semelhanças do profissional da ponta, profissional acadêmico e aluno, mas necessário refletir que existe sim uma diferença, mas que a mesma não excluí nenhum ponto em comum, e sim contribuir com a magnitude deste momento.

Pode-se dizer que o estágio em Serviço Social é sim uma tríade que funciona exatamente pelo o que é, as diferentes demandas de cada sujeito e as diferentes visões contribuem para um momento de formação de excelência e tem como principal objetivo: a materialização do Projeto Ético-Político do Serviço Social, e o enraizamento deste projeto para que seja reproduzido em cada atitude profissional dos envolvidos.

Apesar de este momento ter sua magnitude e absoluto comprometimento de todas as partes, as dificuldades postas no caminho de cada sujeito deste momento precisam ser vistas, ouvidas e por muitas vezes sentidas, pois cada dificuldade neste caminho revela justamente o que pode ser diferente e o que precisa continuar igual, porém em constante atualização dentro dos caminhos da supervisão.

Muitas produções acadêmicas sobre estágio discorrem sobre o adoecimento dos profissionais diante das demandas enfrentadas na ponta do Serviço Social. Este adoecimento é real e inerente aos processos do capital e principalmente do trabalho, estar consciente disso é importante para analisar qualquer acontecimento sobre o estágio supervisionado; é altamente importante entender e ter em seu arcabouço teórico que as dificuldades relatadas, vividas são o que movem os avanços do estágio supervisionado em Serviço Social.

Nessa direção, reconhecer a fragilidade da relação entre unidade de ensino e supervisor de campo demonstra o entendimento de que este estreitamento se faz necessário e possibilita a busca de alternativas - conforme foi colocado pelos supervisores - para a construção de uma relação mais próxima, pois, cabe mais uma vez ressaltar que o supervisor acadêmico e de campo devem ter uma ação integrada, em o processo de estágio supervisionado deve ser discutido e (re) avaliado

constantemente. Por conseguinte, a Coordenação de Estágio, deve buscar executar efetivamente suas atribuições de modo que possa favorecer a aproximação de todos os sujeitos envolvidos no processo de formação profissional (SOUZA, 2009, p. 07).

Esta citação levanta o questionamento sobre a importância das dificuldades relatadas pelos profissionais envolvidos com o processo de supervisão de estágio, compreender os diferentes desafios postos é compreender quais são as necessidades que este processo de estágio carrega.

Para compreender as dificuldades que são postas neste momento do estágio é necessário entender e estar apropriado das atribuições designadas pela PNE de 2009, onde as atribuições do supervisor acadêmico são:

Do (a) Supervisor (a) Acadêmico (a):

1 Orientar os (as) supervisores (as) de campo e estagiários (as) sobre a política de estágio da UFA, inserindo o debate atual do estágio supervisionado e seus desdobramentos no processo de formação profissional; 2 Orientar os(as) estagiários(as) na elaboração do Plano de Estágio, conjuntamente com os(as) supervisores de campo, de acordo com os objetivos acadêmicos, em consonância com o projeto pedagógico e com as demandas específicas do campo de estágio; 3 Supervisionar as atividades desenvolvidas pelos estagiários na UFA por meio de encontros sistemáticos, com horários previamente estabelecidos, e no local de desenvolvimento do estágio, quando da realização das visitas sistemáticas aos campos de estágio, contribuindo na efetivação da supervisão direta e de qualidade, juntamente com o supervisor de campo; 4 Auxiliar o(a) estagiário(a) no processo de sistematização do conhecimento, orientando e revisando suas produções teóricas, como também contribuindo no processo pedagógico de análise do trabalho profissional; 5 Receber, ler, manter sigilo e observar criticamente as sínteses profissionais construídas pelos(as) estagiários(as), conduzindo a supervisão embasada em pressupostos teóricos, ético, políticos, técnico-operativos que contribuam com uma formação integral; 6 Organizar e participar de reuniões, encontros, seminários e outras atividades que se fizerem necessárias, com os supervisores de campo na UFA para atualizações acerca de demandas à profissão, qualificação do processo de formação e exercício profissional e o aprofundamento teórico sobre temáticas pertinentes à efetivação da supervisão direta. 7 Acompanhar a trajetória acadêmica do(a) estagiário(a), no que se refere ao processo de estágio, por meio da documentação específica exigida pelo processo didático de aprendizagem da UFA; 8 Fornecer, à coordenação de estágio ou órgão competente, os documentos necessários para compor o prontuário de cada estagiário; 9 Receber e analisar o controle de frequência, relatórios e demais documentos solicitados para avaliação dos acadêmicos em cada nível de estágio;

10 Avaliar o estagiário emitindo parecer sobre sua frequência, desempenho e atitude ética-crítica e técnico-politica no exercício do estágio, atribuindo o respectivo conceito ou à respectiva nota; 11 Encaminhar à coordenação de estágio, relato de irregularidade ou

demanda específica sobre a atuação dos campos, para efeito de realização de visita institucional(2009, p. 21).

O supervisor acadêmico é a pessoa que articula perfeitamente as vivências do aluno em campo com nosso Projeto Ético-Político, isto pode ser observado e comprovado diante da organização em que o estágio se constrói, geralmente encontros em grupo são ministrados por este profissional para estar essencialmente envolvido com os alunos que orienta e com suas vivências e inquietações a partir da experiência profissional.

Aos(às) supervisores(as) acadêmicos(as) compete o papel de orientar os estagiários e avaliar seu aprendizado, em constante diálogo com o(a) supervisor(a) de campo, visando a qualificação do estudante durante o processo de formação e aprendizagem das dimensões teórico-metodológicas, ético-políticas e técnico-operativas da profissão, em conformidade com o plano de estágio (OLIVEIRA, 2016, p. 06).

O arcabouço teórico que o aluno necessita é absorvido nesse processo dos encontros-aulas, o supervisor acadêmico ainda tem o dever de avaliar o espaço em que este aluno esta estagiando, com uma visita para verificar as condições em que o estágio;

esta acontece e se necessário reportar à coordenação de estágio possíveis irregularidades. Instrumentos como, relatório de estágio e o projeto de intervenção são ministrados por este profissional, que avalia não somente o correto cumprimento do estágio, mas também os avanços que este aluno vivencia.

Retornando a PNE (2009) as atribuições do supervisor de campo:

Do (a) Supervisor (a) de Campo: 1 Comunicar à coordenação de estágio da UFA o número de vagas por semestre e definir, em consonância com o calendário acadêmico e conjuntamente com a coordenação de estágio, o início das atividades de estágio do respectivo período, a inserção do estudante no campo de estágio e o número de estagiários por supervisor de campo, em conformidade com a legislação vigente; 2 Elaborar e encaminhar à coordenação de estágios do Curso de Serviço Social da UFA o Plano de trabalho do Serviço Social com sua proposta de supervisão e o respectivo cronograma de realização desta atividade; 3 Certificar se o campo de estágio está na área do Serviço Social, em conformidade às competências e atribuições específicas, previstas nos artigos 4º e 5º da Lei 8.662/1993, objetivando a garantia das condições necessárias para o que exercício profissional seja desempenhado com qualidade e competência técnica e ética, requisitos fundamentais ao processo de formação do estagiário; 4 Oportunizar condições institucionais para o desenvolvimento das competências e habilidades do(a) estagiário(a), assumindo a responsabilidade direta das ações desenvolvidas pelo Serviço Social na instituição conveniada; 5 Disponibilizar ao(à)

estagiário(a) a documentação institucional e de temáticas específicas referentes ao campo de estágio; 6 Participar efetivamente na elaboração do plano de estágio dos supervisionados, de acordo com o projeto pedagógico do curso, em parceria com o(a) supervisor(a) acadêmico(a), e manter cópia do referido documento no local de estágio; 7 Realizar encontros sistemáticos, com periodicidade definida (semanal ou quinzenalmente), individuais e/ou grupais com os(as) estagiários(as), para acompanhamento das atividades de estágio e discussão do processo de formação profissional e seus desdobramentos, bem como de estratégias pertinentes ao enfrentamento das questões inerentes ao cotidiano profissional; 8 Participar efetivamente do processo de avaliação continuada do estagiário, juntamente, com o supervisor acadêmico; quando da avaliação semestral, emitir parecer e nota de acordo com instrumental qualitativo, construído pelo coletivo dos sujeitos e fornecido pela coordenação de estágio da UFA; 9 Participar das reuniões, encontros de monitoramento, avaliação e atualização, seminários, fóruns de supervisores e demais atividades promovidas pela Coordenação de Estágios da UFA, para o devido estabelecimento da unidade imprescindível ao processo pedagógico inerente ao estágio supervisionado; 10 Encaminhar as sugestões e dificuldades à coordenação de estágios da UFA e contatar com os supervisores acadêmicos, Coordenador(a) de Estágios ou Coordenador(a) de Curso quando julgar necessário; 11 Manter o controle atualizado da folha de frequência do estagiário, observando a carga horária exigida no respectivo nível de estágio e atestando o número de horas realizado pelo estagiário; 12 Atender às exigências de documentação e avaliação solicitadas pela Coordenação de Estágio da UFA; 13 Decidir, juntamente com a Coordenação de Estágios e supervisão acadêmica, sobre os casos de desligamento de estagiários; 14 Avaliar a pertinência de abertura e encerramento do campo de estágio ( p. 22).

O supervisor de campo é o profissional que está na ponta, ou seja, que lida diretamente com as demandas do capital, consequentemente com a questão social intrínseca. É possível concluir diante das análises acerca do estágio supervisionado, que este profissional muitas vezes está inserido diretamente no adoecimento que a relação capital x trabalho apresenta; dificuldades, por exemplo, de conciliar a orientação ao estagiário com a alta demanda da instituição, neste sentido destaca dificuldades acerca do processo de supervisão de campo:

As Diretrizes Curriculares e o Projeto Ético-Politico da categoria indicam uma direção hegemônica, em que os profissionais deveriam se posicionarem, em defesa dos mesmos, porém, notamos no cotidiano da prática profissional que alguns acabam imprimindo um sentido contrário às estas direções. Alguns supervisores delegam tarefas estratégicas do serviço em que atuam ao estagiário, alegando que apenas dessa forma poderá o estudante desenvolver autonomia e segurança. Tal postura não contribui com o processo de formação do aluno; ao contrario, tende a desqualificá-lo, tendo em vista que ignora seu grau de amadurecimento teórico, técnico e interventivo (OLIVEIRA, 2016, p. 04).

Este é o profissional que acompanhará no dia-a-dia as dificuldades que o estagiário pode apresentar, geralmente o período de estágio fica dividido em dois momentos; um é aonde o estagiário apenas observa os atendimentos, guarda inquietações e dúvidas para em um segundo momento este supervisor oriente o aluno.

Este profissional possui também uma responsabilidade com alguns instrumentos que possibilitam a avaliação deste aluno, bem como, cumprimento de carga horária, postura diante a realização do estágio e cumprimento de seus deveres, como também a garantia de seus direitos e deve estar em concordância com o Projeto Ético-Político da profissão para garantir este momento da formação.

As atribuições do estagiário são de acordo com a PNE (2009):

Do (a) estagiário (a): 1 Observar e zelar pelo cumprimento dos preceitos ético-legais da profissão e as normas da instituição campo de estágio; 2 Informar ao supervisor acadêmico, ao supervisor de campo e/ou ao coordenador de estágios, conforme o caso, qualquer atitude individual, exigência ou atividade desenvolvida no estágio, que infrinja os princípios e preceitos da profissão, alicerçados no projeto ético-político, no projeto pedagógico do curso e/ ou nas normas institucionais do campo de estágio; 3 Apresentar sugestões, proposições e pedido de recursos que venham a contribuir para a qualidade de sua formação profissional ou, especificamente, o melhor desenvolvimento de suas atividades; 4 Agir com competência técnica e política nas atividades desenvolvidas no processo de realização do estágio supervisionado, requisitando apoio aos supervisores, de campo e acadêmico, frente a um processo decisório ou atuação que transcenda suas possibilidades; 5 Comunicar e justificar com antecedência ao supervisor acadêmico, ao supervisor de campo e/ou ao coordenador de estágios, conforme o caso, quaisquer alterações, relativas a sua frequência, entrega de trabalhos ou atividades previstas;

6 Apresentar ao coordenador de estágio, no início do período, atestado de vacinação, no caso de realizar seu estágio em estabelecimento de saúde; Realizar seu processo de estágio supervisionado em consonância com o projeto ético-político profissional; 8 Reconhecer a disciplina de Estágio Curricular em Serviço Social como processo e elemento constitutivo da formação profissional, cujas estratégias de intervenção constituam-se na promoção do acesso aos direitos pelos usuários; 9 Participar efetivamente das supervisões acadêmicas e de campo, tanto individuais como grupais, realizando o conjunto de exigências pertinentes à referida atividade; 10 Comprometer-se com os estudos realizados nos grupos de supervisão de estágio, com a participação nas atividades concernentes e com a documentação solicitada (p. 23).

O estagiário geralmente tem uma enorme sede de saber acerca dos processos do Serviço Social na prática da profissão, inquietações, dúvidas e vontade de adentrar de uma vez na profissão movem o aluno estagiário. Entende-se que a vida de um aluno do

curso de Serviço Social, no momento do estágio muitas vezes pode atribular-se já que este aluno precisa conciliar o período de estágio com as demandas da universidade, entender o estágio como um momento de aprendizado e iniciação com os instrumentos técnicos do Serviço Social é imprescindível para que o aluno consiga articular os momentos da universidade com os momentos da instituição da prática do estágio.

Sobre o aluno, Oliveira (2016, p. 05) destaca:

A partir de si mesmo faz seu questionamento e traz sua contribuição ao nível teórico-prático. É desta maneira que o aluno manifesta um elemento participante no processo de Supervisão. Muitas vezes, seus questionamentos correspondem à sua vivência, outras vezes não; são reflexos de sua formação teórica construída na faculdade.

As vivências que a tríade é capaz de proporcionar são únicas e particulares, por vezes; isto é, as demandas de cada um são demandas diferentes, sendo assim as dificuldades que se apresentam também são diferentes. O supervisor acadêmico esta em absoluto compromisso com o espaço em que o aluno se insere para exercer o estágio supervisionado, 15 alunos é o máximo que uma turma deve ter, pois é o ideal para a troca de informações, debates e compartilhamentos entre os alunos e o professor. Porém a demanda de dez alunos é a demanda de dez instituições, pessoas e necessidades diferentes.

O supervisor acadêmico está sempre se atualizado e engajado nos acontecimentos da profissão, não sendo diferente do supervisor de campo, estes profissionais apesar de também geralmente enfrentarem dificuldades similares com o supervisor acadêmico, como por exemplo, a alta demanda de trabalho que o estágio supervisionado prevê, encontra-se num local diferente, esta na ponta, chamamos de profissional da ponta aquele que lida diretamente com as expressões da questão social.

Ou seja, diretamente com o usuário, esta relação muitas vezes tende a trazer implicações no dia a dia deste profissional, muitas vezes lidar com a efetivação de direitos pode ser matar um leão por dia, este profissional se entrega ao processo de estágio ciente de que a demanda acadêmica exige tanto quanto a demanda do atendimento ao usuário.

O processo que o aluno enfrenta no estágio supervisionado é conhecido como um momento muito esperado, neste processo é aonde existe a verdadeira vivência do Projeto Ético-Político.

CAPÍTULO 3. PRODUÇÕES CIENTÍFICAS ACERCA DO DEBATE