3.3 CONDIÇÃO DOS SOLOS
3.3.2 Atributos físicos do solo
As condições físicas do solo são responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento
das espécies forrageiras. Portanto, avaliar atributos como a resistência mecânica do solo, sob
diferentes cultivos, pode auxiliar no estabelecimento de estratégias de manejo como a
densidade de plantio, espaçamento, manejo de roçadas e altura do corte, buscando abrandar o
efeito do mal manejo das pastagens. Levando em consideração que a resistência do solo é
influenciada pela umidade, sua medida é de interesse, pois permitirá avaliar em qual condição
de umidade o efeito do pisoteio será menos expressivo e, dessa forma, atenuar os efeitos da
compactação do solo.
Com relação aos atributos físicos dos solos, pode-se observar na Figura 26, que as
espécies de Pennisetum purpureum, no início de ciclo de produção (03/01/13), Tabela 6,
apresentaram uma ampla variação de resposta à pressão exercida da superfície do solo até os
7 cm, onde a resistência a penetração não ultrapassou os 2500 kPa sendo classificada,
segundo Canarache (1990), como baixo nível de compactação, onde ocorre pouca limitação
ao crescimento radicular.
A partir da profundidade de 8 cm a resistência apresentada pelo solo permanece
praticamente constante até aproximadamente 26 cm, variando entre 2500 a 3000 kPa. Todavia
a partir dos 26 cm até os 40 cm, a resistência do solo aumenta, porém gradativamente até
atingir uma resistência equivalente a uma pressão média de 4000 kPa. Na faixa de
profundidade de 8 a 40 cm, pode ocorrer algumas limitações ao desenvolvimento radicular
tendo em vista a ser classificado como nível de compactação médio.
Tabela 6. Classes de resistência do solo a penetração e limitações ao crescimento de raízes das
plantas.
Classes
Resistência à penetração, kPa Limitações ao crescimento de raízes
Muito baixa
<1100
Sem limitação
Baixa
1200-2500
Pouca limitação
Média
2600-5000
Algumas limitações
Alta
5100-10000
Sérias limitações
Muito alta
10100-15000
Raízes praticamente não crescem
Extremamente alta
>15000
Raízes não crescem
Fonte: Adaptado de Canarache (1990).
Figura 26. Resistência média oferecida pelo solo sob cultivo de Pennisetum purpureum, no
início do ciclo produtivo.Augusto Pestana – RS, (IRDeR/DEAg/UNIJUÍ, 2013.).
No final do ciclo de produção do Pennisetum purpureum (08/05/13), os atributos de
resistência do solo, indicados na Figura 27, apresentaram variação em resposta à pressão
exercida entre 0 a 9 cm, onde a resistência a penetração se manteve dentro da classe dos 2500
kPa apresentado baixo nível de compactação, e consequentemente, pouca limitação ao
crescimento radicular.
Em contrapartida, a partir da profundidade de 9 cm a pressão média exercida
ultrapassa os 3000 kPa com variações significativas já a uma profundidade de 15 cm, onde
atinge valores de 3550 kPa; a força exercida a partir dos 15 cm decai em torno de 500 kPa,
porém volta a aumentar gradativamente até atingir uma pressão média de 4500 kPa aos 40
cm. Na faixa de profundidade de 9 a 40 cm, pode ocorrer algumas limitações ao
desenvolvimento radicular sendo classificado como nível de compactação médio.
Ao comparar a resistência média oferecida pelo solo do inicio até o fim do ciclo
produtivo dos Pennisetum purpureum percebeu-se que o nível de resistência superficial
diminuiu de 7 para 9 cm. Tal fato pode ser atribuído a eventuais acréscimos de Matéria
Orgânica, que segundo Braida (2004), pode atenuar o processo de compactação ou seus
efeitos, tanto por dissiparem parte da pressão exercida pelas rodas das máquinas e/ou patas de
animais, como por incorporar matéria orgânica ao solo, aumentando a elasticidade e
resistência à compactação e também, por aumentarem os limites de umidade em que o mesmo
pode ser trabalhado mecanicamente.
No entanto a partir dos 9 cm, no decorrer do ciclo produtivo, houve um aumento na
resistência oferecida pelo solo, de 500 kPa, muito provavelmente devido a carga animal além
do rodado do trator, empregado no manejo da roçada.
Figura 27. Resistência média oferecida pelo solo sob cultivo de Pennisetum purpureum, no
fim do ciclo produtivo
no município de Augusto Pestana – RS, (IRDeR/DEAg/UNIJUÍ,
2013.).
Em relação aos atributos físicos dos solos sob cultivo de forrageiras do gênero
Cynodon, (Figura 28) no inicio do ciclo de produção (03/01/13) constatou-se uma variação
constante na pressão exercida desde a superfície do solo até uma profundidade de 20 cm, onde
a classe de resistência à penetração se manteve dentro dos 2500 kPa, apresentando pouca
limitação ao crescimento radicular.
A partir da profundidade de 21 cm o nível de resistência do solo cresce
gradativamente até atingir os 4750 kPa aos 40 cm de profundidade, sendo que nessa faixa de
profundidade pode ocorrer algumas limitações ao desenvolvimento radicular, sendo
classificado como nível de compactação médio.
Figura 28. Resistência média oferecida pelo solo sob cultivo de Cynodons, no início do ciclo
produtivono município de Augusto Pestana – RS, (IRDeR/DEAg/UNIJUÍ, 2013.).
Ao fim do ciclo de produção dos Cynodons (08/05/13), verifica-se (Figura 29) que
ocorreu uma leve compactação aos 5 cm de profundidade atingindo aproximadamente 2250
kPa, porém, em seguida sofre uma regressão, para 1750 kPa, evidenciando um aspecto
frequente do comportamento físico do solo, a anisotropia, ou seja, variações nos atributos do
solo em pequena escala espacial. A pressão exercida entre a superfície do solo até uma
profundidade de 10 cm, a classe de resistência a penetração se manteve dentro dos 2500 kPa
correspondendo a um baixo nível de compactação.
Porém, a partir da profundidade de 10 cm a força exercida ultrapassa a casa de 2500
kPa podendo ocorrer algumas limitações ao crescimento do sistema radicular sendo que a
pressão maior que 2500 kPa, segundo a Tabela 6, classifica o nível de compactação como
médio.
A partir dos 10 cm, a resistência à penetração é considerada como média até os 39
cm de profundidade, porém aos 40 cm a força exercida atinge os 5000 kPa, sendo esse
considerado como alto nível de compactação, podendo causar sérias limitações ao sistema
radicular, tornando necessário o uso de medidas que venham abrandar a situação.
Em relação às condições do solo sob cultivo de Cynodons, é importante ressaltar que
no inicio do ciclo, o nível de compactação era classificado como médio (acima de 2600 kPa),
apenas após os 20 cm de profundidade, entretanto, no fim do ciclo este limite começou a ser
ultrapassado já aos 10 cm de profundidade, sendo que segundo Bergoli et al. (2012),
demonstra a necessidade de um manejo adequado da carga animal e além disso, um manejo
adequado da altura de corte e o fato de ser uma pastagem perene, dificulta qualquer medida
que envolva o revolvimento do solo.
Figura 29. Resistência média oferecida pelo solo sob cultivo de Cynodons, no fim do ciclo
produtivo no município de Augusto Pestana – RS, (IRDeR/DEAg/UNIJUÍ, 2013.).
Correlacionando as espécies de Pennisetum purpureum e Cynodons, fica claro que os
Pennisetum purpureum, apresentaram maior nível de compactação na superfície do solo, no
início da produção, do que os Cynodons, uma vez que os Capins Elefantes atingiam a classe
de resistência “média” a partir dos 7 cm de profundidade, no entanto, os Cynodons, atingiam
esta classe apenas aos 20 cm de profundidade. Este fato se dá em função do plantio dos
Capins Elefantes serem em linha o que permita a exposição do solo a fatores que levam a
compactação superficial como o impacto da gota de chuva, o pisoteio animal e tráfego de
máquinas.
Os Cynodons apresentam maior nível de compactação a maiores profundidades em
relação aos Pennisetum purpureum, pois a máxima pressão exercida, tanto no inicio quanto no
término do ciclo, foi respectivamente de 4250 - 4500 kPa, para os Capins Elefantes e 4750 -
5000 kPa para os Cynodons. Isso pode ter ocorrido em função do sistema radicular do Capim
Elefante atingir maior profundidade e maior volume do que os Cynodons, que por sua vez
apresentam sistema radicular concentrado na camada mais superficial.
No final do ciclo produtivo, tanto os Cynodons quanto os Pennisetum purpureum,
atingiram níveis moderados de compactação aos 10 e 9 cm, respectivamente. Isso se dá,
provavelmente, em função da maior quantidade de Matéria orgânica depositada na superfície
do solo como pode ser constatado nas Tabelas 4 e 5, formando uma camada amortecedora que
evita a compactação.
A maior alteração na resistência mecânica oferecida pelo solo durante o ciclo
produtivo foi dos Cynodons, pois no início do ciclo ultrapassava os 2500 kPa apenas a partir
dos 20 cm de profundidade, no entanto, ao fim do ciclo produtivo esta pressão foi atingida a
partir dos 10 cm de profundidade, provavelmente pela menor concentração de Matéria
Orgânica residual da cultura além de esta apresentar a maior percentagem de raízes em
menores profundidades.
CONCLUSÕES
As cultivares de Capim Elefante e Cynodons, apresentaram boa capacidade de
estabelecimento e produção de biomassa total no terceiro ano de cultivo. Os Capins Elefantes
HB e Anão destacaram-se na produção de biomassa total de 14732 Kg ha
-1e 14100 Kg ha
-1de
MS, respectivamente, todavia, em termos de produção de biomassa foliar o destaque foi para
Capim Elefante Anão com uma produção de 12076 Kg ha
-1.
Dentre as espécies do gênero Cynodon Tifton 85 foi que mais se destacou com uma
produção de massa seca total de 16906 Kg ha
-1, sendo também responsável pelo maior
acúmulo de massa seca foliar entre as espécies de Cynodon com uma produção de 8201 Kg
ha
-1de matéria seca foliar.
Com relação à qualidade de forrageiras, a cultivar de Cynodon com o maior teor de
PB foi a Estrela Africana com 11%, enquanto nos Capins Elefante, as cultivares Roxo,
Pioneiro e Anão apresentaram um teor de PB similar entre sí, também com valores iguais a
11%.
A respeito das condições químicas do solo, o que se pode constatar é que cultivares
de Capim Elefante proporcionam maior produção de matéria orgânica em relação aos
Cynodons e por isso, os seu pH é ligeiramente mais ácidos.
Nas condições físicas dos solos, pode-se constatar que para as espécies de Capim
Elefante, o nível de compactação na superfície do solo reduziu-se no decorrer do período
produtivo, em função da deposição da matéria orgânica na superfície do solo, entretanto, na
camada mais profunda do solo ocorreu um aumento na densidade do solo.
No solo sob cultivo de Cynodons, a densidade do solo aumentou no decorrer do ciclo
de produção, resultando numa camada de maior resistência mecânica superficialmente,
provavelmente, pela menor disponibilidade de matéria orgânica, mal manejo da pastagem e
raízes concentradas próximo a superfície do solo. Com relação aos solos é necessário maiores
estudos no decorrer dos anos permitindo avaliar de veras a existência de diferenças em
relação ao habito de crescimento das espécies.
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Produção e qualidade de pastagens perenes de verão e qualidade do solo, no terceiro ano de cultivo
(páginas 58-114)