3 DOSDIREITOSHUMANOS
3.4 PROCESSO EVOLUTIVOS DOS DIREITOS HUMANOS
3.4.4 Atualidade
No século XX o mundo presenciou os dois maiores desastres da história da humanidade. As duas guerras mundiais (a primeira de 1914-1918, e a segunda de 1939 a 1945) fizeram ressurgir as questões relacionadas aos direitos humanos e a cidadania, pois o saldo da guerra, como o morticínio gerado pela guerra química, os novos inventos bélicos (bomba de Hiroshima e Nagasáqui) e o terror nazista nos campos de concentração não podiam mais continuar. A humanidade precisava de paz.
Foi então que os líderes dos países vencedores e seus aliados resolveram criar um foro ou organização mundial para evitar a guerra entre as nações, promover uma paz duradoura e discutir interesses humanitários. Em 1945 surge a ONU – Organização das Nações
114 MARINHO, Dórian Esteves Ribas. Uma visão evolutiva dos Direito Humanos. Disponível em:
<http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/dh_dorian.html.> Acessado em: 27 de agosto de 2010.
115 Loc. Cit.
116 O Comitê Internacional da Cruz Vermelha é uma instituição privada apolítica, humanitária neutra, imparcial e
independente. Visa à proteção e assistência às pessoas envolvidas em conflitos bélicos. Rege-se por princípios como humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, voluntariado, unidade e universalidade.
Unidas117. A ONU preocupada com barbáries cometidas durante a guerra e com firme propósito de tentar resolver os problemas humanitários cria a Carta das Nações Unidas, com os seguintes objetivos: preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, desenvolvendo relações amistosas entre nações; reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem; estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional possam ser mantidos; promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade ampla, ajudando a resolver problemas internacionais relacionados à economia, sociedade, cultura; e manter a paz e a segurança entre as nações118.
Poucos anos mais tarde, porém com os mesmos objetivos, ou seja, resguardar direitos humanos, é promulgada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que apesar de não possuir caráter obrigatório teve grande aceitação, por ser o meio de elencar os direitos mais fundamentais ao ser humano, e que por isso devem ter proteção internacional.
Devido aos horrores vividos pela humanidade nas duas guerras mundiais a Declaração Universal dos Direitos Humanos teve claro objetivo de semear entre as nações os direitos humanos, e favorecer o progresso humanitário tanto para os ordenamentos jurídicos nacionais como para o direito internacional, buscando nos ideais da Revolução Francesa, – liberdade, igualdade, fraternidade -, reafirmar o conjunto de direitos civis119 e políticos, direitos econômicos ou sociais, e mesmo os direitos de solidariedade e culturais.
117 A Organização das Nações Unidas é uma instituição internacional formada por 192 Estados soberanos, que se unem em
torno da Carta da ONU, um tratado internacional que enuncia os direitos e deveres dos membros da comunidade internacional. As Nações Unidas são constituídas por seis órgãos principais: a Assembléia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela, o Tribunal Internacional de Justiça e o Secretariado. Ligados à ONU há organismos especializados que trabalham em áreas tão diversas como saúde, agricultura, aviação civil, meteorologia e trabalho – por exemplo: OMS (Organização Mundial da Saúde), OIT (Organização Internacional do Trabalho), Banco Mundial e FMI (Fundo Monetário Internacional). Estes organismos especializados, juntamente com as Nações Unidas e outros programas e fundos (tais como o Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF), compõem o Sistema das Nações Unidas.
118
Objetivos expressos no Preâmbulo da Carta das Nações Unidas. disponível em: <http://www.onu- brasil.org.br/documentos_carta.php.>
119 Embora saibamos da importância e valia de todos os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, citaremos
devido à estreita relação com o nosso trabalho os artigos II, III e XI, respectivamente, que garantem, em termos de Direito Penal, grandes avanços. Art.I: “Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”, Art.III: “Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”, Art. 12: “Artigo XI1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. 2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Tamanha foi à sua importância e tão nobre a sua finalidade que hoje possui uma aceitação em mais de 360 países, fazendo parte de várias Constituições, entre eles o Brasil, que desde sua proclamação assumiu integralmente os compromissos nela contidos.
Não é demasiado dizer que após a Declaração várias conferências, protocolos internacionais, pactos de direitos foram surgindo, sendo assinados, universalizados, multiplicados, diversificados nas suas facetas, sempre com o alvo de assegurar cada vez mais os direitos humanos sob variadas óticas no mundo todo. Existem, portanto, dois grandes sistemas de proteção aos direitos humanos, quais sejam: o sistema global, ligado à ONU; e os sistemas regionais, que são os sistemas interamericano, europeu e africano.
Apenas a título de citação, e de modo não diferenciado entre os sistemas, temos a “Convenção contra o Genocídio” de 1948; a “Convenção para a repressão do Tráfico de Pessoas e da Exploração da Prostituição por Outros” de 1949; a “Convenção Européia de Defesa dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais”, aprovada em Roma no ano de 1950120.
Na década de 50 a “Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados” de 1951; a “Convenção Complementar sobre Abolição da Escravidão” de 1956. Já na década de 60, a “Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial, de 1965; e o “Pacto Internacional Relativo aos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais”, aprovado em 1966. Depois a “Convenção Americana sobre Direitos Humanos”, conhecida como “Pacto de San José da Costa Rica” de 1969. Em 1976 o “Pacto Internacional Relativo aos Direitos Civis e Políticos”; as “Regras Mínimas para o Tratamento de Presos”; a “Convenção sobre a Eliminação de todas as formas Discriminação contra a Mulher” de 1979121.
Nos anos 80 houve ainda a “Convenção contra a Tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes” de 1984; a “Convenção sobre os direitos da Criança” de 1989; a “Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura”, assinada na Colômbia em 1985; o “Protocolo de San Salvador” de 1988; o “Protocolo Relativo à Abolição da Pena de Morte, de 1990, escrito no Paraguai; a “Convenção Interamericana sobre Desaparecimento de Pessoas, assinada aqui no Brasil no ano de 1994; e também a “Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher”, também assinado aqui no Brasil, em Belém, no mesmo ano da anterior122.
120 MARINHO, Dórian Esteves Ribas. Uma visão evolutiva dos Direito Humanos. Disponível em:
<http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/dh_dorian.html.> Acessado em: 21 de setembro de 2010.
121 Idem. 122 Ibidem.
Esses dispositivos são alguns dos mais importantes e buscam a proteção de direitos nas mais diversas áreas da atividade humana, colacionando aspecto dinâmico à legislação internacional no que diz respeito aos direitos humanos fundamentais. Lembremos, contudo, que em havendo conflito entre normas globais e regionais, como explicado anteriormente no caso dos sistemas, deve-se aplicar a que for mais benéfica à proteção dos direitos.
3.5 DIREITOS HUMANOS, DIPLOMAS ALIENÍGENAS E SUA CONTRIBUIÇÃO AO