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2.4 GRUPOS DE PROCESSOS DA GESTÃO AMBIENTAL

2.4.1 Requisitos operacionais

2.4.1.2 Auditoria Ambiental

2.4.1.2.1 Auditoria ambiental - DZ-056 – R3 (INEA / RJ)

Conforme Martini Junior e Gusmão (2003), a Auditoria Ambiental compulsória como instrumento legal, para o apoio à fiscalização ambiental dos órgãos de controle ambiental, já está sancionada em alguns Estados, e citam como, por exemplo, os Estados: Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro; assim como Municípios: Santos (SP) e Vitória (ES).

No Rio de Janeiro, as responsabilidades, os procedimentos e os critérios técnicos para a realização de Auditorias Ambientais são definidos pela Diretriz DZ-56, editada pelo Conema.

Atualmente, está em vigor a Resolução Conema n° 21, de 07.05.2010, que aprova a revisão número 03, a DZ-056. R-3 - Diretriz para Realização de Auditoria Ambiental, que dispõe sobre as novas responsabilidades, os procedimentos e os critérios técnicos para a realização de auditorias ambientais, como instrumento do sistema de licenciamento ambiental no Estado do Rio de Janeiro.

Esta Resolução está respaldada pela Lei Estadual nº 1.898, de 26 de novembro de 1991, que dispõe sobre a realização de auditorias ambientais, cujo requisito legal foi regulamentado pelo Decreto Estadual nº 21.470-A, de 5 de junho de 1995, com aplicação no âmbito do Estado do Rio de Janeiro.

A Diretriz tem por definição como Auditoria Ambiental:

Processo sistemático de verificação, documentado e independente, nas modalidades Auditoria Ambiental de Controle e Auditoria Ambiental de Acompanhamento, executado para obter evidências e avaliá-las objetivamente, para determinar a extensão na qual os critérios de auditoria estabelecidos nesta Diretriz são atendidos e os resultados comunicados (SUBITEM 3.1, da DIRETRIZ DZ-056. R3).

O subitem 4.1, da Diretriz apresenta uma relação por tipos de organizações que devem realizar auditorias ambientais periodicamente. No caso presente, a organização objeto da pesquisa tem seu enquadramento no subitem 4.1, parágrafo XVIII – Estaleiros.

2.4.1.2.2 Auditoria ambiental - Resolução CONAMA nº 306/2002

O processo de gestão exige, necessariamente, que a informação ambiental esteja disponível para o agente fiscalizador, seja ele o gerador dessa informação, seja ele o seu demandante. Neste caso, insere-se a atividade de estaleiro naval. É um atendimento por obrigação legal.

Toda e qualquer informação de interesse do público deve estar disponível, exceto quando classificada de confidencial. Os usuários dessa informação são de naturezas diversas. (ANTAQ – IDA, 2016)

Na esfera federal, o primeiro ato normativo a vigorar estabelecendo auditoria ambiental compulsória foi a Resolução CONAMA nº 265, de 27/1/2000, motivada pelo acidente da Petrobrás na Baía de Guanabara. A resolução obrigava a estatal a realizar auditorias ambientais em todas as suas instalações localizadas no Estado do Rio de Janeiro.

Em abril, do mesmo ano, foi publicada a única lei federal que estabelecia auditoria ambiental compulsória. Trata-se da Lei nº 9.966, de 28.04.2000, que dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional, determinando, em seu artigo 9º, que “as entidades exploradoras de portos organizados e instalações portuárias e os proprietários ou operadores de plataformas e suas instalações de apoio deverão realizar auditorias ambientais bienais, independentes, com o objetivo de avaliar os sistemas de gestão e controle ambiental em suas unidades”.

Portanto, no Brasil, de um modo geral, apenas empreendimentos portuários e de exploração de petróleo e gás natural estão sujeitos à auditoria ambiental compulsória.

Em 2002, o CONAMA estabeleceu, por meio da Resolução nº 306, de 05.07.2002 (alterada pela Resolução CONAMA nº 381/2006, de 14.12.2006), os requisitos mínimos e o termo de referência para a realização de auditorias ambientais, com foco no atendimento ao disposto na Resolução nº 265/2000 e no artigo 9º da Lei 9.966/00.

A Lei nº 9.966/00 foi regulamentada pelo Decreto nº 4.136, de 20.02.2002, e dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às infrações para com as regras de prevenção, controle e fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional. Em relação à Auditoria Ambiental esse Decreto traz, em seu art. 2º, a seguinte definição:

Parágrafo XXIII - auditoria ambiental: é o instrumento pelo qual se avalia os sistemas de gestão e controle ambiental em porto organizado, instalação portuária, plataforma e suas instalações de apoio e dutos, a ser realizada por órgão ou setor que não esteja sendo objeto da própria auditoria, ou por terceira parte (DECRETO nº 4.136/2002).

Em seu art. 4º, dispõe que “as auditorias ambientais devem envolver análise das evidências objetivas que permitam determinar se a instalação do empreendedor auditado atende aos critérios estabelecidos nesta Resolução, na legislação ambiental vigente e no licenciamento ambiental”, redação dada pela Resolução CONAMA nº 381, de 14.12.2006. No Parágrafo

único, do mesmo artigo, salienta que “as constatações de não conformidade devem ser documentadas de forma clara e comprovadas por evidências objetivas de auditoria e deverão ser objeto de um plano de ação”.

No art. 9º, da Resolução, dispõe que “as auditorias ambientais deverão ser compatibilizadas, no que couber, com os demais programas de gestão de risco estabelecidos em outros regulamentos federais”. Pode-se atribuir que o art. 9º tem incidência nas Normas Regulamentadoras, aprovadas pela Portaria nº 3.214, de 08.06.1978, do MTPS (Ministério do Trabalho e da Previdência Social) como nas Normas e Convenções da OIT (Organização Internacional do Trabalho), das quais o Brasil é signatário. Além de outros documentos que, em si, não constituem requisitos legais, mas servem como base para implementação de melhorias operacionais e de controle ambiental, tais como: normas da ABNT NBR e Regulamento Internacional, por exemplo: MARPOL - Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios.

2.4.1.2.3 Auditoria ambiental - ABNT/ISO 14.001

Percebe-se que o modelo de gestão ambiental, quando estruturado na norma ABNT/ISO 14.001 – Gestão Ambiental, a governança corporativa passa a ser norteada por premissas, com base nos requisitos da norma ambiental, como, por exemplo: política ambiental empresarial, objetivos, metas e processos, relacionamentos com os seus entes corporativos, como, também, considerações com partes interessadas (termo inglês: stakeholders), que podem afetar os resultados da gestão ambiental empresarial, direta ou indiretamente, como exemplo: órgãos governamentais intervenientes, clientes, fornecedores, organizações de classes, ONG, público interno e externo e a comunidade, em especial, da circunvizinhança.

Contudo não seja uma conformidade por força de lei, o sistema de gestão baseado na norma NBR ABNT/ISO 14.001 é de caráter voluntário, e pode ser auditável, por seguir os requisitos da norma em referência. Pode, também, não ser auditado; neste caso, por não possuir certificação de conformidade no contexto da norma, cujo processo está a cargo de auditores independentes ligados a um Organismo Certificador Acreditador competente.

Portanto, trata-se de sistema de gerenciamento ambiental o qual tem por premissa cumprir e fazer cumprir todos os requisitos legais pertinentes diretamente ao seu encargo, bem como gerenciar aqueles delegados a terceiros: (a) empresas contratadas de serviços e obras; (b) fornecedores de recursos materiais, equipamentos e mãos de obra; (c) prestadores de serviços ambientais especializados.

Ao estabelecer sua política de negócios e de relacionamentos com partes interessadas, procura formalizá-la de modo a prover de evidências e registros necessários às demandas interpostas pela governança corporativa e outros compromissos subscritos a cargo da organização.