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2 SISTEMA DE CONTROLE INTERNO (SCI)

2.3 Auditoria Interna

A prestação de contas realizadas por funcionários dos imperadores romanos, de forma oral, referente aos trabalhos dos administradores das províncias, deu origem à palavra auditoria, proveniente do latim audire, que significa ouvir. Todavia, foi na Inglaterra que as atividades relacionadas à Auditoria tiveram o seu início, devido a grande influência exercida por este país no comércio mundial, e o seu desenvolvimento, pois além de possuir grandes companhias de comércio também tributava o lucro dessas empresas (CASTRO, 2015; PETER e MACHADO, 2014).

A principal preocupação da auditoria, conforme Castro (2015, p.447), está relacionada aos controles administrativos, pois buscam garantir que os objetivos da entidade sejam alcançados da forma mais eficiente possível. Em seu bojo de atuação também está a avaliação dos mecanismos de controle interno quanto a sua adequação e da mensuração dos riscos, pois emite opiniões baseadas em testes, na avaliação da gestão ou na certificação das demonstrações contábeis. Consistindo em uma importante ferramenta para auxiliar o administrador público a salvaguardar o patrimônio e os interesses dos cidadãos, contra o desperdício, abuso, erros, fraudes e irregularidades.

Para Crepaldi (2013, p.03) auditoria pode ser definida como “levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas e das

demonstrações financeiras da entidade”.

O processo de auditagem pode ser feito tanto por pessoas vinculadas diretamente à entidade, com foco na avaliação dos controles internos e assessoramento a gestão, possuindo como público alvo a própria entidade, a conhecida Auditoria Interna, do mesmo modo que por agentes estranhos a entidade e cujo público alvo abrange todos os interessados nas informações geradas, a Auditoria Externa.

Boynton, Johnson e Kell (2002, p. 79) afirmam que “a auditoria interna começou

como uma função administrativa que era exercida por uma pessoa e que consistia, principalmente, na verificação independente de contas, antes do seu pagamento”. Com o decorrer do tempo e o aumento das exigências, essa atividade começou a necessitar de maior

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qualificação profissional e passou a exigir pessoas capacitadas e especializadas para o exercício da função.

O Conselho Federal de Contabilidade (2003, p.02) através da Resolução 986/2003, alterada a sigla pela Resolução 1.329/2011 para NBT TI 01, norma técnica de contabilidade que estabeleceu conceitos doutrinários, regras e procedimentos sobre a Auditoria Interna conceituou e definiu os objetivos desta com as seguintes características:

A Auditoria Interna compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos.

A Auditoria Interna estrutura-se em procedimentos com enfoque técnico, objetivo, sistemático e disciplinado para a realização das suas atividades e na busca de acrescer valor ao resultado da organização. Para tal, no momento em que recomenda soluções para as não conformidades apontadas nos relatórios, auxilia o aperfeiçoamento dos processos, da gestão e dos controles internos (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2003).

Paula (1999 p. 56) afirma que a “auditoria interna é um órgão de controle que,

possuindo máxima liberdade, deve acompanhar os comportamentos da atividade organizacional ou institucional” e realiza suas atividades tendo em vista a confiabilidade em seus sistemas de controle interno, registros contábeis e informações.

Conforme a IN Conjunta do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e a Controladoria Geral da União nº 01, de 10 de maio de 2016, a Auditoria Interna é:

Atividade independente e objetiva de avaliação e de consultoria, desenhada para adicionar valor e melhorar as operações de uma organização. Ela auxilia a organização a realizar seus objetivos, a partir da aplicação de uma abordagem sistemática e disciplinada para avaliar e melhorar a eficácia dos processos de gerenciamento de riscos, de controles internos, de integridade e de governança. As auditorias internas no âmbito da Administração Pública se constituem na terceira linha ou camada de defesa das organizações, uma vez que são responsáveis por proceder à avaliação da operacionalização dos controles internos da gestão (primeira linha ou camada de defesa, executada por todos os níveis de gestão dentro da organização) e da supervisão dos controles internos (segunda linha ou camada de defesa, executada por instâncias específicas, como comitês de risco e controles internos). Compete às auditorias internas oferecer avaliações e assessoramento às organizações públicas, destinadas ao aprimoramento dos controles internos, de forma que controles mais eficientes e eficazes mitiguem os principais riscos de que os órgãos e entidades não alcancem seus objetivos (BRASIL, 2016).

Esta instrução elencou várias medidas que os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal devem realizar considerando a gestão de riscos, controles internos e governança, sendo o dirigente máximo o principal responsável em estabelecer a estratégia da

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estruturação e do gerenciamento dos riscos, ou seja, além da estruturação, deve promover a manutenção, o monitoramento e o aperfeiçoamento dos controles internos da Gestão.

O papel da Auditoria Interna assume mais relevância no contexto da Administração Pública Federal, após a emissão desta IN, pois além de avaliar as áreas definidas nesta instrução, deve buscar também a eficiência destas e assessorar as organizações públicas na mitigação dos riscos e no alcance das metas e objetivos traçados pela alta direção em seu planejamento estratégico.

Ao definir que a Auditoria Interna é responsável pela avaliação da prática dos controles internos por parte da gestão e pela supervisão dos controles internos, torna clara a sua área de atuação, mas não a sua responsabilização pelos controles internos, que é do dirigente máximo.

As atividades relacionadas à avaliação das organizações públicas são competências das Auditorias Internas que agora estão imbuídas também de realizar consultoria e assessoramento, aos departamentos e órgãos, no intuito de mitigar os riscos relacionados ao desenvolvimento das atividades e orientando-os para que os objetivos estabelecidos sejam incrementados e alcançados.

Da Silva (2013, p.6) elenca as principais contribuições que a Auditoria Interna fornece para o SCI, as quais são descritas a seguir:

a) Promover a implantação de controles preparados para acontecimentos ao longo do tempo (posterior e/ou prévio e/ou concomitante as ocorrências); b) Garantir maior a atenção e rigor, por parte dos funcionários, contra os erros e

possíveis fraudes;

c) Proporcionar maior coerência e melhora dos procedimentos de contabilização; d) Tornar o controle interno mais eficiente;

e) Não somente detectar as falhas existentes, mas recomendar medidas necessárias para a sua eliminação;

f) Gerenciar os riscos e aproveitar as oportunidades, estimulando a inovação; g) Descentralizar a gestão, com delegação e autonomia das funções no

desempenho das diversas tarefas; e h) Alinhar todos os níveis da organização.

Mesmo a Auditoria Interna apresentando muitos benefícios e vantagens, há de se considerar alguns aspectos que podem surgir e que devem ser avaliados pela entidade (DA SILVA, 2013):

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a) Custos maiores, dependendo dos objetivos requeridos;

b) Laços de amizade que o auditor interno possa estabelecer com os demais funcionários podem gerar menor rigor nos controles e contribuir nas perdas de ineficiência; e

c) Rotinas de trabalho podem promover perdas de eficácia, tornando a organização mais vulnerável a fraudes/desvios.

As atividades desenvolvidas por esta unidade proporcionam vários benefícios à entidade, entretanto a sua estrutura e organização acabam por definir a abrangência destes trabalhos, dado que para possuir uma estrutura considerada adequada de um SCI, há de se analisar o custo necessário para manter o seu funcionamento.

A auditoria, seja interna ou externa à entidade, busca verificar se as informações produzidas pelos sistemas de controle existentes na entidade são coerentes e para isto usa-se do ceticismo profissional na pessoa do auditor e de procedimentos e técnicas que assim o comprovem.