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Os alunos da professora Liliane estudavam nessa escola desde que iniciaram a educação formal e aquele já era o segundo ano consecutivo que ela os ensinava. A mestra nos relatou que dos 23 alunos que compunham a sua turma, apenas 5 deles ainda se encontravam nos níveis primeiros de apropriação do SEA e justificou o nível de aprendizagem desses alunos, acrescentando que eles haviam chegado à escola naquele ano. Os demais alunos da turma encontravam-se, na sua maioria, no nível alfabético, e alguns já no processo de aprendizagem de algumas regras ortográficas.

Ainda no que diz respeito aos alunos da mestra, estes eram bastante participativos nas aulas, mostravam sempre entusiasmo e disponibilidade para fazer as atividades propostas pela docente, ajudavam uns aos outros na realização das mesmas e tinham uma relação de confiança e de amizade com Liliane, o que parecia facilitar o processo de ensino e de aprendizagem, já que eles viam nela alguém com quem podiam compartilhar seus acertos e dificuldades.

3.5.3. A escola da professora Françoise

A professora Françoise lecionava em uma escola pública de Aplicação vinculada ao ESPé, a qual ficava situada em Chamalière, uma comunidade francesa de classe média alta situada na área urbana da cidade de Clermont- Ferrand. Em seu entorno havia várias residências e também, algumas casas comerciais.

De grande porte, a instituição era dividida em dois espaços: um destinado às crianças que faziam parte das turmas da “Éducation Maternelle” (correspondente à Educação Infantil no Brasil) e o outro, destinado aos alunos das turmas da “École Élementaire” (correspondente às turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental I). A Escola C contava com 8 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de música, uma sala de informática, um restaurante onde os alunos almoçavam, uma sala de Rased, uma sala de esportes, uma sala para os professores contendo uma minicozinha, além de uma copiadora e computadores para uso dos mesmos, uma sala da Direção, 6 banheiros e um grande pátio que servia para as crianças brincarem nos momentos de intervalo.

As aulas aconteciam em horário integral52 e iniciavam-se às 08h:45min com uma pausa às 11h45min para o almoço. Às 13h35min os alunos retornavam às suas classes e nela permaneciam até às 16h. Nos momentos de intervalo durante o período da manhã e da tarde, enquanto os alunos ficavam no pátio, os professores se encontravam na sala a eles destinada para tomar um café, trocarem ideias sobre os seus alunos e o trabalho que estavam desenvolvendo na sala, como também, para discutir assuntos mais gerais relacionados à carreira profissional dos mesmos.

Outro momento no qual essas “conversas geralmente aconteciam” era na hora do almoço quando, juntos à mesa, professores, diretora e demais funcionários da escola degustavam a refeição que haviam levado. Pudemos presenciar também, em alguns desses momentos, após a refeição, a diretora da escola fazer algumas reuniões com os docentes para repassar as informações que havia recebido através de ofícios da Inspeção acadêmica53 e para tomar decisões acerca de alguns eventos que aconteceriam na instituição nos meses seguintes. O clima entre todos os funcionários era bastante amigável e de cooperação.

Como Françoise também exercia a função de professora formadora dos alunos do mestrado do ESPé, ela recebia, com frequência, em sua classe, estagiários desse curso, os quais, além de observarem e participarem das suas aulas auxiliando os alunos no desenvolvimento das tarefas e ministrando eles mesmos, em alguns momentos, as aulas, os futuros professores tinham encontros com a mestra na escola nos momentos em que os seus alunos estavam participando das oficinas de esporte e/ou de música, para aprender como fazer o planejamento das aulas, discutir os assuntos a serem abordados, bem como as metodologias e atividades mais adequadas a serem postas em prática.

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Nas escolas de Clermont-Ferrand só havia 4 dias e meio de aulas por semana, com exceção da escola que Françoise lecionava que, por ser uma escola de aplicação, os professores trabalhavam 4 dias por s

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Nas escolas francesas não há coordenadores pedagógicos que atuam diariamente no espaço escolar, como no Brasil. Durante o ano letivo, os professores recebem em suas salas de aula a visita de um inspetor acadêmico que acompanha o seu trabalho durante uma semana. Durante esse período, esses profissionais preparam um relatório com base nas práticas de ensino por eles assistidas e os entregam à inspeção acadêmica situada na Maire da cidade. Tais relatórios além de funcionarem como instrumentos de avaliação da prática docente, configuram-se, também, como indicativos sobre as ações (formações continuadas) que precisam ser desenvolvidas para auxiliar os professores no exercício da sua profissão.

Vale salientar que os alunos ficavam bastante à vontade com a presença dos estagiários na classe. Por ser a presença deles bastante recorrente, isso contribuia para que a pesquisadora fosse percebida o mínimo possível, nesse espaço.

3.5.3.1 A sala de aula de Françoise

A classe da professora Françoise, a qual acolhia 25 alunos, era bastante ampla, arejada e com boa luminosidade. Nela havia as carteiras dos alunos, as quais eram arrumadas formando duplas, um grande quadro negro que a mestra geralmente utilizava para afixar cartazes e para explicar os assuntos que estava trabalhando, escrever tarefas para os alunos copiarem em seus cadernos ou fazer anotações e um quadro branco menor que ficava ao lado desse, com cartazes com o sistema de numeração decimal e exemplos de operações de multiplicação, assunto também abordado àquela época, pela docente.

No final da sala de aula, havia um birô para a professora, uma mesa onde geralmente os alunos que iam fazer estágio em sua sala usavam para escrever, vários armários onde ficavam livros de literatura, dicionários, os livros de Matemática, os cadernos, classificadores e fichários dos alunos, jogos e os materiais didáticos e escolares da mestra, uma pequena mesa com um computador onde Françoise revia as atividades que estaria trabalhando com a turma e que também era utilizado por uma aluna especial na realização das suas tarefas, além de um tapete, um sofá e algumas almofadas onde os discentes podiam descansar e realizar leituras deleite.

Nas paredes havia dois grandes murais onde se encontravam afixados muitos cartazes contendo textos trabalhados e produzidos pelos alunos, com informações acerca dos assuntos abordados, com os nomes dos ajudantes da semana, o alfabeto escrito em letra cursiva maiúsculas e minúscula em inglês e francês, imagens de animais e de cenas da cultura japonesa trabalhada pela docente durante o ano letivo, bem como trechos de poemas e a biografia do poeta (Ito Naga) que os alunos estavam desenvolvendo um trabalho para apresentar na Semana da Poesia, o mapa da França, um calendário anual,

cartazes com os nomes dos acentos acompanhados de palavras onde os mesmos são empregados e fichas com os numerais de 0 a 100.