Para ajudar na reflexão de soberania leia o texto abaixo:
Estado de Exceção
Giorgio Agamben, filósofo italiano, era professor convidado da universi- dade de Nova York. Depois do ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, ao voltar de suas férias na Itália, Agamben desistiu de lecionar naquela universidade, porque lhe foram impostas várias condições, no aeroporto, para que entrasse no país: fichamento, coleta de impressões digitais, re- vista e outras exigências. Ele disse que não se submeteria às imposições, pois eram procedimentos aplicados a criminosos na prisão e não a cida- dãos livres. Esse fato teve grande repercussão internacional, pois com sua postura Agamben questionava o que estavam fazendo com cidadãos em todo o mundo.
O filósofo observa que hoje os cidadãos são continuamente controlados e consideram isso normal. É o primeiro passo para que os regimes demo- cráticos se tornem autoritários, com a carapaça de democracia.
Olhe a sua volta e observe que está sendo filmado em todos os lugares. Há câmeras nas entradas e elevadores dos edifícios residenciais e comer- ciais, nos bancos, nas ruas e também nos corredores das universidades. Você sabia que somente na Inglaterra foram instalados 4,5 milhões de câmeras de vigilância na última década e que um habitante de Londres é filmado trezentas vezes por dia? Mas não é só lá. Em Clementina, uma cidade de 6 mil habitantes no interior de São Paulo, foram montadas torres de 25 metros com câmeras para fazer a vigilância da cidade. A justificativa é que essas câmeras, que capturam imagens a até dois qui- lômetros, intimidam os bandidos e auxiliam a polícia.
Giorgio Agamben chama de Estado de Exceção significa simplesmente a suspensão do ordenamento jurídico: a anulação dos direitos civis do ci- dadão e seu estatuto jurídico como indivíduo. Ele defende a ideia de que o paradigma político do ocidente não é mais a cidade, mas o campo de concentração. Vistas por essa ótica, as práticas de exceção contemporâ- neas, engendradas por um Estado policial protetor, fazem da política do terror e da insegurança o princípio gestor, estimulando, cada vez mais, a privatização dos espaços e o confinamento no interior deles.
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Resumo
Vimos nessa aula o que vem a ser a soberania em um Estado e qual a impor- tância da mesma para uma sociedade.
Atividades de Aprendizagem
1. O Estado deve ter a capacidade de defender o interesse de todos. Isso acontece no Brasil. Quem está no poder atende aos interesses da maioria da população?
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e-Tec BrasilAula 18 – Os Movimentos Sociais
Após termos estudado sobre o Estado e a soberania, faremos uma reflexão sobre a participação popular que se dá através dos movimentos sociais, como se organizam e como atuam na sociedade.
Figura 18.1: A imagem representa uma passeata do movimento feminista
Fonte: http://www.sof.org.br
18.1 O que são movimentos sociais?
Os movimentos sociais são ações coletivas organizadas com o objetivo de manter, mudar ou transformar uma situação na sociedade.
Dependem das condições particulares em que se desenvolvem, ou seja, das forças sociais e políticas que os apoiam ou não, dos recursos existentes para manter a ação e dos instrumentos utilizados para obter repercussão social. Os movimentos sociais no Brasil revelam forte enfoque teórico vindo do mar- xismo, sejam eles vinculados ao espaço urbano ou rural.
Estes movimentos, quando se organizam no espaço urbano, possuem várias temáticas como, por exemplo, as lutas por creches, por escola pública, por moradia, transporte, saúde, saneamento básico etc.
Já no espaço rural, as várias temáticas ocorreram com o movimento de boias-frias, sem-terra e pequenos proprietários.
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Cada um dos movimentos possui uma reivindicação específica, no entanto, todos mostram as contradições econômicas e sociais presentes na sociedade brasileira.
18.2 Um pequeno histórico dos
movimentos sociais no Brasil
No início do século XX, os movimentos rurais eram mais comuns, assim como movimentos que lutavam pela conquista do poder político.
Por volta de 1950, os movimentos rurais e urbanos passaram a aparecer através da realização de manifestações em espaços públicos como rodovias, praças etc.
Os movimentos populares urbanos foram impulsionados, entre outros, pelas Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, organizações da Igreja Católica. Nos anos de 1960 e 1970, apesar da forte repressão militar, os movimentos não se calaram. Havia reivindicações por educação, moradia e pelo voto direto. Em 1980 destacaram-se as manifestações sociais conhecidas como "Diretas Já".
Em 1990, o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) e as ONGs (Or- ganizações Não Governamentais) tiveram destaque, ao lado de outros sujei- tos coletivos, tais como os movimentos sindicais.
18.3 A importância dos movimentos sociais
Junto com as ações coletivas que atingem os problemas existentes no mun- do, há a presença de ações coletivas que denunciam a concentração de terra, ao mesmo tempo em que apontam propostas para a geração de empregos no campo, a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST); ações coletivas que denunciam o arrocho salarial (greve de professores e de operários de indústrias automobilísticas); ações coletivas que denunciam a depredação ambiental e a poluição dos rios e oceanos (lixo doméstico, acidentes com navios petroleiros, lixo industrial); ações coletivas que têm o espaço urbano como lugar para a visibilidade da denúncia, reivindicação ou proposição de alternativas.e-Tec Brasil