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3. AS AULAS DE CAMPO EM ESPAÇOS NÃO-FORMAIS E AS POSSIBILIDADES PARA A CONSTRUÇÃO E

3.6. RESULTADO E ANÁLISE DO ESTUDO REALIZADO

3.6.1. O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO PEDAGÓGICO DAS AULAS DE CAMPO EM ESPAÇOS NÃO-

3.6.1.2. Aulas de Campo em Espaços Não-Formais na Percepção dos Professores-Formadores e dos

3.6.1.2.5. Aulas de Campo como Desafiadora ou Reprodutora

Para analisar as aulas de campo como sendo desafiadoras ou reprodutoras é importante

considerar a atuação do Professor-Formador e avaliar se o mesmo conhece a realidade de cada

grupo de acadêmicos que está sob a sua responsabilidade, pois, neste espaço poderão ocorrer

interferências positivas ou negativas em seu trabalho pedagógico. Deste modo, para que

ocorram aulas desafiadoras, Soligo (2013) afirma que é necessário considerar o que o

professor acredita a respeito de como os alunos aprendem, sua concepção de ensino e

aprendizagem e suas determinadas formas de ensinar. Além disso, o conhecimento

profissional tem grande influência nos resultados do trabalho pedagógico que desenvolve,

permitindo planejar intencionalmente uma prática pedagógica que pretenda ser eficaz para

promover a construção do conhecimento de todos os estudantes.

Deste modo, para compreender como os acadêmicos percebem as aulas de campo, foi

perguntado se “as aulas de campo em espaços não-formais foram desafiadoras ou foram

apenas uma reprodução da teoria estudada em sala de aula e que na sequência justificassem

suas respostas”. Os resultados obtidos mostraram que 24 dos acadêmicos consideram as aulas

de campo desafiadoras e 12 AC, em parte, desafiadoras, enquanto que 15 AC, consideram as

aulas de campo em espaços não-formais, como sendo reprodutoras (Tabela 4).

Tabela 4- As aulas de campo em espaços não formais como desafiadoras ou reprodutoras no curso de LCB da UERR

Aulas de Campo em Espaços Não Formais Número de Acadêmicos

Não respondeu 8

Foram desafiadoras 24

Em parte desafiadoras 12

Reprodutora 15

Complemento da teoria estudada em sala de aula 4

Ao considerar as justificativas dadas pelos estudantes, destacam-se as respostas que

afirmaram que as aulas de campo foram desafiadoras.

A mesma exige dedicação e compreensão. Toda aula que sai da sala de aula se torna desafiadora, pois podemos perceber o quanto aprendemos com as aulas de campo. Saímos dos limites da sala de aula e estudamos na área de campo com muito entusiasmo; tivemos que ir a busca do ser a ser estudado. Pelo fato de ser algo novo e diferente da teoria. Foi possível assim buscar e conhecer novos conhecimentos. Apesar de já estarmos em campo às vezes confundimos alguns termos. Foi um desafio porque era algo novo. Pode proporcionar aos alunos ultrapassar os limites. Porque na prática podemos ver a teoria. Podemos ver na prática, mas com muita dificuldade. Sim, lá encontramos o que estudamos nas teorias e suas relações ecológicas. O ambiente é totalmente diferente da sala de aula. Tive que provar que tinha aprendido a teoria.

Percebe-se o entusiasmo dos acadêmicos, ao mencionar as aulas de campo como

sendo desafiadoras, vem afirmar a importância de construir conhecimento em espaço não-

formal, pois, proporciona a vivência, a experiência e a observação direta da realidade na qual

estão inseridos para que possam ter a capacidade de observar e analisar em situações diversas.

Estas afirmações, dadas pelos estudantes, nos reportam a pedagogia de Freinet (1998a) em

afirmar que os educadores devem proporcionar aos estudantes a realização de um trabalho

real, aproximando-os dos conhecimentos da comunidade, deste modo, podem transformá-los e

assim modificar a realidade em que vivem.

Os acadêmicos que consideram as aulas de campo em espaços não-formais como sendo

reprodutoras.

Somente reprodução da teoria. Apenas uma reprodução da teoria estudada em sala de aula, mas ajudou na compreensão do conteúdo estudado. Foi uma reprodução da teoria estudada em sala de aula. Foi uma reprodução da teoria, pois colocamos em prática o que estudamos em sala de aula. Foi uma reprodução da teoria, mas com algumas coisas que acrescentaram no conhecimento. Foi uma reprodução da aula teórica. Uma reprodução da teoria, apenas a prática que tínhamos estudado. Foi uma reprodução..., aula para melhor compreensão.

Na visão destes acadêmicos a aula de campo foi uma reprodução do que foi visto em

sala de aula. As expectativas geradas criaram um desconforto. Esperavam que a aula gerasse

um desafio, no entanto, não ocorreu. Ao mesmo tempo é colocada em evidência a reprodução,

não como algo negativo, mas que foi uma reprodução do conteúdo trabalhado em sala de aula;

que não foi demostrado como uma expectativa e sim visualizar na prática o que viram na

teoria. Percebe-se a ênfase, dada pelo estudante, quando afirma ser uma reprodução do que

viu anteriormente, frisando que ajudou na compreensão dos conteúdos estudados.

Muitas vezes a forma como o Professor-Formador conduz a sua prática pedagógica

pode ser vista pelos estudantes como sendo reprodutora. As práticas que inquietam geram

angústias entre os professores e estudantes, gerando indagações a respeito de qual é o

caminho mais adequado para o desenvolvimento de uma aula. Se faz necessário o

aprimoramento no sentido da busca do objetivo educacional, que não é meramente a

reprodução de conteúdos, mas sim a provocação da indagação entre os estudantes, de forma

que a apropriação dos conhecimentos ocorra via problematização e não simplesmente pela

transmissão de conteúdos poucos significativos socialmente. Desta maneira, quando a prática

educativa expressa a necessidade de controle dos estudantes e dos conteúdos na sala de aula,

estes podem apresentar resistência ao processo educativo, caracterizado como cansativo e sem

sentido para a vida prática.

Acadêmicos que afirmam que as aulas de campo “em parte foram desafiadoras”,

O único desafio foi fazer a coleta dos indivíduos. Foram em parte desafiadoras, pois tivemos que exercer a prática pela primeira vez. Algumas foram desafiadoras, pois tivemos que entrar em igarapés que para mim era desconhecido. Um pouco de cada, no mesmo momento que reproduzia a aula para os alunos era um desafio novo. Até certo ponto desafiadora. Ambas as partes, desafiadora por um ambiente desconhecido, fundada em toda teoria estudada. Foram tranquilas, não se mostraram ser um grande desafio já que usamos bastante a teoria estudada em sala de aula.

Ficou evidente, pelas afirmações, que os estudantes esperam que aulas em espaços

não-formais sejam executadas de tal forma e condições que permitam transcender o mero

exercício de repetição, que possa existir o diálogo e que contemplem o saber prévio de cada

um, extrapolando qualquer tipo de espaço conceitual. Aulas desafiadoras requerem do

Professor-Formador, a conquista de organizar a prática pedagógica a partir de situações que o

estudante sinta-se provocado a encontrar respostas. Neste sentido, o planejamento precisa

estar adequado à situações de ensino e aprendizagem difíceis e possíveis ao mesmo tempo, ou

seja, em atividades e intervenções pedagógicas adequadas às necessidades e possibilidades de

aprendizagem dos acadêmicos.

Soligo (2013), ao discorrer sobre aulas desafiadoras, afirma que uma prática desse tipo

pressupõe: favorecer a construção da autonomia intelectual dos alunos; considerar e atender

às diversidades na sala de aula; favorecer a interação e a cooperação; analisar o percurso de

aprendizagem e o conhecimento prévio dos alunos; mobilizar a disponibilidade para a

aprendizagem; articular objetivos de ensino e objetivos de realização dos alunos; criar

situações que aproximem o mais possível, "versão escolar" e "versão social" das práticas e

conhecimentos que se convertem em conteúdos na escola; organizar racionalmente o tempo;

organizar o espaço em função das propostas de ensino e aprendizagem; selecionar materiais

adequados ao desenvolvimento do trabalho; avaliar os resultados obtidos e redirecionar as

propostas, se eles não forem satisfatórios.

Deste modo, ao considerar as aulas em espaços não-formais como sendo desafiadoras

ou reprodutoras, é possível analisar alguns aspectos que apontam para o fato de que estas

aulas podem facilitar a construção do conhecimento tornando fundamental para a promoção

de uma prática educacional centrada em propostas problematizadoras e desafiadoras. Isto

porque o caráter da não-formalidade nos espaços não-formais, principalmente os espaços não-

institucionalizados, permitem uma maior autonomia e flexibilidade no que diz respeito à

seleção de conteúdos, o que, de fato, aumenta as possibilidades de contextualização e do fazer

científico, expressando possuir intrinsecamente um relevante papel para atividades voltadas

para o ensino de ciências.