Parte II – Estudo empírico
3. Metodologia
3.2. Instrumentos
3.2.1. Australian Community Participation Questionnaire
O ACPQ foi desenvolvido por Berry, Rodgers e Dear em 2007 pelo facto de, apesar da sua reconhecida importância no campo da investigação em saúde, não existir um instrumento de
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Como descrito mais adiante, devido à dificuldade em envolver em tempo útil um número de reformados suficiente para proceder à validação das escalas optou-se por estender a recolha de dados aos não reformados, cujos dados foram utilizados apenas nos estudos psicométricos dos instrumentos.
medida da participação comunitária desenvolvido de forma sistemática (Berry et al., 2007; Berry e Shipley, 2007).
Este instrumento tem por base uma definição da participação que inclui a conetividade social informal (informal social connectedness), o envolvimento cívico (civic engagement) e a participação política (political participation).
Dimensões do ACPQ (Berry, Rodgers e Dear, 2007)
Com base numa revisão de literatura inicial foram listados dezasseis tipos diferentes de participação: contacto com membros do agregado familiar, contacto com a família alargada, contacto com os amigos, contacto com os vizinhos, contacto social com os colegas de trabalho, atividades organizadas da comunidade, prática religiosa, educação de adultos, liderança no setor do voluntariado, doação de dinheiro para caridade, interesse ativo nos assuntos locais, interesse nos assuntos nacionais e internacionais, expressão pública de opiniões, participação em grupos políticos e organização de ação política.
A definição de participação comunitária dos autores excluía atividades como participação laboral, acesso a serviços médicos e compras, uma vez que estas não indicam um envolvimento na vida comunitária primariamente volitivo.
Tendo por base uma abordagem inclusiva, necessária aos procedimentos de análise fatorial subsequentes, foram gerados diversos itens para ilustrar os 16 tipos de participação. Quando possível, foram seguidos temas da literatura. Por exemplo, tomar refeições com outras pessoas é uma importante faceta da socialização (Wade, Tampubolon e Savage, 2005, cit. por Berry et al., 2007), pelo que foram incluídos itens relacionados com essa ação para tipos de participação que podem decorrer quer do sentido do dever quer do desejo de se conectar (contacto com membros do agregado familiar, família alargada e colegas de trabalho).
Os itens foram desenvolvidos de forma a abrangerem diferentes níveis de compromisso, iniciativa e esforço. Por exemplo, os itens da prática religiosa iam desde a reserva de tempo para ir a encontros religiosos em locais de culto ou a encontros de oração (maior compromisso), à participação em eventos religiosos como casamentos (menor compromisso) e à visita a locais de oração como turista (muito pouco compromisso).
Finalmente foram privilegiados os itens que implicavam ver ou fazer atividades com outros em pessoa uma vez que, comparado com a participação impessoal, o envolvimento pessoal gera laços mais estáveis (Putman, 2000, cit. por Berry et al., 2007). Para testar esta ideia foram incluídos itens associados com a participação impessoal tais como o pagamento de quotas de clubes ou organizações comunitárias.
Para cada item, os participantes caracterizavam o seu nível de participação nessa atividade, através do seu posicionamento numa escala de 1 a 7, entre 1 = Never, or almost never (Nunca ou quase nunca) e 7 = Always, or almost always (Sempre ou quase sempre).
De um total de 67 itens, os procedimentos estatísticos ditaram a eliminação de um conjunto significativo de itens, sendo que a versão final ficou com 30 itens divididos por 14 subescalas: (1) contacto pessoas do agregado familiar; (2) contacto com a família alargada; (3) contacto com amigos/as; (4) contacto com vizinhos/as; (5) contacto social com colegas de trabalho; (6) atividades organizadas da comunidade; (7) doação de dinheiro para caridade; (8) atividades do setor do voluntariado; (9) educação de adultos; (10) prática religiosa; (11) interesse ativo nos assuntos da atualidade; (12) expressão pública de opiniões; (13) ativismo comunitário e (14) protesto político.
Figura III– Agrupamento dos tipos de participação por dimensão (adaptado de Berry e Shipley, 2007)
Perceções sobre a participação (Berry e Shipley, 2007)
Tendo por base a ideia de que as perceções subjetivas sobre a participação comunitária de um indivíduo podem ser tão bons ou melhores preditores da participação comunitária, da saúde mental e da coesão social que as simples frequências de participação e que, numa perspetiva de políticas sociais, poderá ser desejável, mais que melhorar os níveis globais de participação, encorajar determinadas frequências e tipos de participação, de acordo com características e necessidades específicas de cada indivíduo ou grupo, Berry e Shipley (2007) desenvolveram uma escala para avaliar estas perceções, a qual se encontra associada ao ACPQ.
No seu estudo, apenas as perceções sobre alguns tipos de participação foram independentemente associados com o distress psicológico – os quais ficaram conhecidos como
“Big 7”(Berry e Shipley, 2007), pelo que apenas esses foram incluídos na escala final: contacto com os membros da família, contacto com a família alargada, contacto com os amigos/os, contacto com os vizinhos/as, prática religiosa, atividades organizadas da comunidade e interesse ativo em assuntos da atualidade.
Conetividade social informal
• Contacto com pessoas do agregado familiar;
• Contacto com a família alargada;
• Contacto com amigos/as;
• Contacto com vizinhos;
• Contacto social com colegas de trabalho.
Envolvimento cívico
• Atividades organizadas da comunidade;
• Doação de dinheiro para caridade; • Atvidades do setor do voluntariado; • Educação de adultos; • Prática religiosa. Participação política
• Interesse ativo nos assuntos da atualidade;
• Expressão pública de opiniões;
• Ativismo comunitário;
Esta seção da escala avalia as perceções subjetivas (pensamentos e sentimentos) acerca da participação nos sete tipos de participação comunitária referidos sendo que cada resposta é dada com base numa escala de 7 pontos de 1 –“Discordo muito” a 7 –“Concordo muito”.
Estas perceções são independentes dos respetivos níveis de participação, de tal forma que um
participante pode responder “1 – Nunca ou quase nunca” no que respeita ao seu
envolvimento em atividades organizadas da comunidade e, ao mesmo tempo, não considerar
que passa muito pouco tempo nesse tipo de atividades (“2 –Discordo”).