4 VISTORIA CONDOMINIAL E SEUS DESDOBRAMENTOS
4.2 AUTO DE VISTORIA DO CORPO DE BOMBEIROS (AVCB)
Um dos primeiros documentos e mais importantes documentos é o AVCB.
Trata-se de um documento oficial, emitido pelo corpo de bombeiros, atestando que determinado condomínio foi vistoriado e cumpriu todos os requisitos de se-gurança, no que tange aos equipamentos contra incêndio. A intenção desse do-cumento é analisar as edificações e os seus equipamentos contra incêndio, bus-cando proteger o local para que, caso haja um incêndio, os equipamentos possam fornecer a segurança necessária para todos os moradores.
Se não houvesse a necessidade desse documento, muitos condomínios se-riam entregues com um número de equipamentos menor do que o necessário para fazer frente a um incêndio. O AVCB é uma segurança para os condôminos, para que, em caso de urgência, os equipamentos possam combater o incêndio.
Nesse sentido, poderiam ocorrer muitas outras tragédias, conforme as ocorridas no ano de 1972 no edifício Andraus e, principalmente, o do edifício Joelma em 1974, que vitimou 187 pessoas.
Um condomínio deve ter esse documento em dia para estar em conformida-de com todas as regras conformida-determinadas pelo corpo conformida-de bombeiros ou polícia militar
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da sua região. Antes de mais nada, trata-se de proteger vidas, por isso, ele é fundamental. Se ocorrer algum sinistro e o condomínio não tiver esse documento, o síndico é responsável civil e criminalmente. Esse documento também é funda-mental em um caso de acionamento de seguro, pois é um dos documentos exigi-dos pela companhia de seguro para efetuar o ressarcimento exigi-dos danos.
FIGURA 3 – INCÊNDIO EDIFÍCIO JOELMA
FONTE: <https://www.metropoles.com/metropoles-fm/1-de-fevereiro-de--1974-edificio-joelma-uma-tragedia-evitavel> Acesso em: 21 ago. 2021.
Incêndio Edifício Joelma
Link: https://www.youtube.com/watch?v=-3RRsCQb1kY
Se for verificado que determinado condomínio não possui o AVCB, o corpo de bombeiros efetua um laudo apontando os itens a serem corrigidos dentro de um prazo pré-determinado. Se, após esse prazo, as correções não forem realiza-das, o condomínio pode ser multado e um novo prazo é estabelecido. Se, após o novo prazo, o condomínio não estiver realizado as devidas adequações, além de uma multa de maior valor, o corpo de bombeiros em casos extremos pode solicitar ao ministério público a interdição da edificação. Como o corpo de bombeiros é um
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órgão estadual, várias dessas tratativas citadas acima podem ser diferentes em cada região.
A visita do corpo de bombeiros ao condomínio para verificar o AVCB não é agendada, na realidade, é de propósito que ela seja de surpresa, a fim de atestar se, de forma contínua, o condomínio mantém os equipamentos contra incêndio em dia. Existem algumas formas de os bombeiros chegarem até o condomínio. A primeira delas é por meio de denúncia, em que sejam apresentadas deficiências dos equipamentos. A segunda é por uma visita que é realizada em uma determi-nada área, ou seja, o corpo de bombeiros define um bairro tal para fazer um pente fino. A última forma é por meio do acionamento do próprio síndico, mediante paga-mento de taxa. Esta, inclusive, é uma das melhores formas, pois demonstra boa vontade do condomínio em estar em dia com essa obrigação.
O síndico deve conhecer a fundo todos os documentos que fazem parte do AVCB, dessa forma, detalharemos os principais documentos e os mais exigidos pela grande maioria dos corpos de bombeiros do Brasil, pois, como se trata de uma documentação estadual, ela pode variar de estado para estado.
4.2.1 Sistema de Proteção de Descargas Atmosféricas (SPDA)
Existem alguns documentos exigidos para a emissão do AVCB, que, novamen-te, pode variar de estado para estado. Um deles é o laudo do sistema de proteção de descargas atmosféricas (SPDA), conhecido também como para-raios. Trata-se de uma proteção do condomínio para descargas elétricas, regulamentada na NBR 5419, da ABNT. O objetivo é evitar ou, então, minimizar os impactos gerados por raios a fim de proteger as pessoas e evitar danos materiais. Esses sistemas são instalados nos pontos mais altos do condomínio, sendo que eles direcionam um ca-minho para a terra para as descargas elétricas seguirem, sem oferecerem maiores riscos aos moradores e sem ocasionar problemas em bens materiais.
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FIGURA 4 – ESQUEMA SPDA
FONTE: <https://www.mundodaeletrica.com.br/o-que-e-spda-sistema-de--protecao-contra-descargas-atmosfericas/>. Acesso em: 21 ago. 2021.
A utilização do SPDA não impede a incidência de descargas atmosféricas, que possuem uma diferença de energia em potencial, no entanto, pode diminuir seus efeitos.
4.2.2 Anotação de Responsabilidade Técnica (Gás)
Outro documento solicitado é a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) das instalações de gás. O gás é um elemento fundamental em um con-domínio e, como tal, deve ter uma atenção especial e não deve ser vistoriado apenas nos momentos de se retirar o AVCB. Esse é um documento exigido pela NBR 15.526/2012, da ABNT. O processo de inspeção do gás é dividido em dois momentos, sendo que o primeiro é relacionado à companhia de gás, que deve fornecer toda documentação necessária, atestando que os reservatórios de gás e suas instalações estão dentro das conformidades técnicas.
A outra etapa é concernente às instalações de gás do condomínio, bem como dos ramais que seguem até as unidades. Para essas, o condomínio deve
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tar uma empresa do setor para efetuar um laudo e as possíveis correções. Em casos de condomínio em processo de implantação, a construtora deve fornecer essa documentação. Tanto para a primeira quanto a segunda etapa, as empre-sas efetuam, na maioria das vezes, o chamado teste de “estanqueidade”, que é realizado por meio da injeção de ar comprimido nas tubulações, a fim de verificar possíveis vazamentos.
4.2.3 Alvará de elevadores
Se no condomínio houver elevadores, um documento exigido é o alvará de elevadores. Para ter acesso a esse documento, deve ser apresentado à prefeitura um projeto de execução de execução e planta de montagem. Deve ser fornecida a ART e os certificados de segurança fornecidos pelos fabricantes, como o certifica-do de funcionamento e garantia.
Também deve ser fornecido o cálculo de tráfego do elevador que, segundo a NBR 5665/1983, deve transportar de 6% a 15% da população de um condomínio em cinco minutos. Dessa forma, o que determina o tamanho e a velocidade de um elevador é o cálculo de tráfego. Para efetuar esse cálculo, deve ser levada em consideração a metragem total, bem como o número de pisos, a quantidade de unidades condominiais e o percurso total (MELO, 2021). Esse documento, por se tratar de uma exigência municipal, também tem as suas especificidades conforme cada cidade, em algumas cidades, por exemplo, em Serra/ES, não é exigido.
4.2.4 Cópia de projetos
Outra documentação que deve ser fornecida pela construtora são as cópias de todos os projetos referentes ao condomínio, como projeto arquitetônico, estru-tural, elétrico e hidráulico. Deve ser fornecido tanto uma via digital, como também impressa. Os projetos são fundamentais, pois eles mostram a estrutura do condo-mínio como se fosse uma espécie de raio x.
É por meio dos projetos que novas obras e melhorias no condomínio serão melhor executadas, pois, sabendo onde existe uma rede de energia elétrica ou por onde passa um cano de água, as obras serão executadas com mais asser-tividade. Na questão estrutural, para novas obras, é fundamental a consulta aos projetos, a fim de analisar a carga estrutural permitida para cada pavimento. Es-sas plantas devem ser muito bem guardadas, já que elas inviabilizaram mudanças no condomínio que não sejam coerentes com o projeto, trazendo uma segurança maior para todos. A construtora deve entregar o projeto aprovado pela prefeitura,
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projeto de fundações, projeto estrutural, projeto de arquitetura, projeto de instala-ções e quadros elétricos, projeto de instalainstala-ções hidráulicas, projetos de interfornia e projetos de pressurização, se houver. (DESIMONE, 2021).
4.2.5 Laudo hidrante, extintores e de mangueiras
Em todo o processo de busca do AVCB, os extintores e as mangueiras fazem pano de fundo, pois são uns dos primeiros assuntos que vem à tona. Claro que existem outros equipamentos contra incêndio no condomínio, mas esses são os principais. Todos os locais onde existam mangueiras ou extintores devem ser si-nalizados, para que, no caso de uma urgência, seja fácil encontrá-los.
FIGURA 5 – SINALIZAÇÃO DE EXTINTORES E MANGUEIRAS
FONTE: O Autor.
Segundo a NBR 12962, as mangueiras e os extintores de um condomínio de-vem ser submetidos à testes hidrostáticos a cada doze meses. Esse teste verifica a resistência do material, bem como possíveis vazamentos. Ambos os equipa-mentos podem sofrer desgastes com corrosões ou propriedades mecânicas dos materiais. Esse teste assegura que não há fuga de materiais por esses equipa-mentos (ABNT,1998).
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O teste hidrostático é realizado quando é injetado um líquido no recipiente, até uma determinada pressão, sempre muito maior do que a necessária, para fins de testar ao extremo o equipamento. Esse teste é como se fosse uma prova final para o equipamento que foi realizado uma manutenção. Na maioria das vezes, quando uma empresa faz a troca dos extintores vencidos, já efetua o teste nas mangueiras, assim como nos extintores.
Os hidrantes de recalque também precisam passar por manutenção e ter uma assinatura de responsabilidade técnica de manutenção anual. Eles são fun-damentais para auxiliar no combate ao incêndio ou mesmo auxiliar no abasteci-mento do veículo dos bombeiros.
FIGURA 6 – HIDRANTES DE RECALQUE
FONTE: O Autor.
A manutenção dos hidrantes pode ter foco em vazamentos, limpeza, falhas mecânicas e pintura do equipamento. Em casos mais agudos, nos quais a ma-nutenção não resolve o problema, o ideal é efetuar a troca do equipamento. Um dos problemas mais corriqueiros com relação aos hidrantes em relação a roubo.
Nesse sentido, uma das soluções é fixar o hidrante sobre uma base de concreto.