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I. Componente Teórica

10. Factores de Natureza Individual

10.1. Auto-estima

contrafactualmente após uma situação bem-sucedida, indivíduos com elevada auto-estima tendem a modificar as suas próprias acções - o que equivale a dizer que atribuem a si próprios a responsabilidade desse sucesso - ao passo que indivíduos com baixa auto-estima tendiam a modificar as suas próprias acções após situações de fracasso. Em situações de sucesso, não se verificaram diferenças na medida em que ambos os grupos tendiam a mudar as acções de outras pessoas, mas em situações de fracasso, indivíduos com elevada auto-estima tenderam a modificar mais as acções dos outros - isto é, em situações de fracasso, indivíduos com elevada auto-estima tendem a atribuir a responsabilidade a outras pessoas. Nesta investigação, verificaram-se resultados contraditórios quanto ao afecto resultante da manipulação experimental da valência do resultado (sucesso vs. insucesso)2: o afecto foi mais extremado para os participantes com alta auto-estima- estes sujeitos avaliaram os sucessos como mais agradáveis e os insucessos como mais desagradáveis no Experimento 1, mas não se verificaram interacções entre a valência do resultado e os níveis de auto-estima dos participantes no Experimento 2.

Similarmente, Kasimatis e Wells (1995) reportaram resultados indicativos que, quando instados a pensar contrafactualmente sobre situações negativas da sua vida pessoal, indivíduos com elevada auto-estima tendiam a modificar as suas próprias acções menos que indivíduos com baixa auto-estima. Em situações de resposta a cenários, indivíduos com alta auto-estima exibiram também uma menor tendência que participantes com baixa auto-estima para produzir contrafactuais ascendentes, independentemente da centração contrafactual (auto ou hétero-referente).

Em situações de indução de mood negativo, a preferência por contrafactuais ascendentes ou descendentes parece depender da auto-estima dos sujeitos, com pessoas com

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De notar que o afecto foi medido após a tarefa contrafactual, pelo que os resultados podem ter sido em parte derivados dos pensamentos contrafactuais que os participantes descreveram. Não existem dados quanto à direcção destes pensamentos, uma vez que este tipo de categorização ainda não estava estabelecido na altura.

elevada auto-estima a gerar mais contrafactuais descendentes e pessoas com baixa auto-estima a gerar mais contrafactuais ascendentes (Sanna, Turley-Ames, & Meier, 1999).

Estes resultados são consistentes com o que é sabido sobre o papel da auto-estima na regulação de moods negativos. Smith e Petty (1995) verificaram que, para sujeitos que tinham elevada auto-estima, quanto pior o estado de espírito induzido, maior a acessibilidade de cognições positivas (por exemplo, uma das tarefas era descrever três memórias do tempo de liceu, sendo estas recordações então avaliadas quanto à sua positividade; os participantes com alta auto-estima descreviam situações mais positivas que os participantes com baixa auto- estima - Experimento 2). Assim, indivíduos com elevada auto-estima parecem ser mais capazes de proceder a esta regulação do estado de espírito. Dodgson e Wood (1998) mostraram mesmo que esta regulação não se restringia ao recrutamento de pensamentos positivos em geral, mas que se traduzia numa maior acessibilidade de cognições positivas sobre o self: após uma situação de insucesso (manipulada através de uma tarefa de resolução de anagramas), participantes com elevada auto-estima eram mais rápidos a reconhecer as suas "forças" e mais lentos a reconhecer as suas "fraquezas" que participantes com baixa auto- estima ("forças" e "fraquezas" foram apresentadas através da aplicação do SAQ - Self- Attributes Questionaire de Pelham & Swann, 1989- que identifica as capacidades/actividades nas quais as pessoas se sentem particularmente à-vontade, como por exemplo, capacidade intelectual, sentido de humor, capacidade atlética, entre outras).

Heimpel, Wood, Marshall e Brown (2002) reportaram evidência de que sujeitos com baixa auto-estima estão menos motivados para tentar reparar moods negativos: após uma situação de insucesso no seu dia-a-dia, pessoas com baixa auto-estima mostraram ter menor tendência para expressar um objectivo de melhorar o seu mood (os eventos foram recolhidos através de diários entregues aos participantes para estes reportarem uma situação de sucesso ou insucesso - Experimento 1), apesar de ambos os grupos terem um semelhante grau de familiaridade com estratégias de reparação de mood (Experimento 2); após a indução de um mood negativo, indivíduos com baixa auto-estima mostraram menor inclinação para escolher ver um vídeo de comédia stand-up (de entre um conjunto de escolhas possíveis, que incluíam documentários sobre o aquecimento global e viagens) que indivíduos com alta auto-estima.

Por outro lado, mais recentemente, análises conduzidas por Ruiselová & Prokopčáková (2011) quanto à relação entre o pensamento contrafactual e um conjunto de características de personalidade (entre as quais, auto-eficácia e optimismo) revelaram que

níveis mais elevados de auto-estima estão associados a uma menor frequência de processamento contrafactual. No entanto, este mesmo estudo encontrou padrões que revelam três diferentes tipos de pessoas e enquanto dois deles revelam padrões opostos em que elevada frequência de pensamentos contrafactuais se associa a baixa auto-estima, baixa auto-eficácia e pouco optimismo vs. baixa frequência de pensamentos contrafactuais associada a elevada auto-estima/ auto-eficácia / optimismo, um terceiro é constituído por um grupo de pessoas em que elevada frequência de pensamentos contrafactuais está ligada a elevada auto-estima/ auto- eficácia / optimismo. Assim, a mera frequência contrafactual não emerge como um indicador suficiente. Paralelamente, esta investigação revelou que pessoas que acreditavam que o pensamento contrafactual é útil para a resolução de problemas futuros exibiam níveis mais elevados de auto-estima, optimismo, auto-eficácia, o que indicia um uso estratégico deste tipo de processamento por parte destas pessoas.

10.2. Controlo. Desde cedo a controlabilidade dos antecedentes emergiu como uma

variável a ter em conta no processo contrafactual, sendo identificada como um dos factores que influenciaria o conteúdo semântico dos pensamentos contrafactuais, com contrafactuais ascendentes a serem gerados em situações em que as circunstâncias eram controláveis, e contrafactuais descendentes a serem gerados em casos nos quais as circunstâncias não eram controláveis (Roese & Olson, 1995c). Constatou-se que as pessoas tendem a alterar antecedentes que estão sob controlo dos actores focais quando avaliando cenários descrevendo situações negativas (Girotto, Legrenzi & Rizzo, 1991) e a focarem-se em e a alterar os aspectos de situações experimentais que controlavam em detrimento daqueles que não controlavam (Markman, Gavanski, Sherman & McMullen, 1995), e esta tendência para a geração de contrafactuais em torno de eventos controláveis é prevalente na generalidade da investigação (e.g., Markman & Weary, 1996; Martins, 2011; McEleney & Byrne, 2006; N'gbala & Branscombe, 1995).

Uma das principais funções que se crê que o pensamento contrafactual preenche é precisamente a de conferir um sentimento de controlabilidade sobre a realidade, por um lado porque o pensamento contrafactual contribui para a identificação das causas dos eventos, explicando a realidade, e por outro porque fornece pistas sobre como controlar essa realidade. E, de facto, Nasco e Marsh (1999) verificaram que quanto maior a quantidade de pensamento contrafactual ascendente após um teste, maior a acção para melhorar resultados em termos de

mudança de hábitos de estudo, o que resultou num maior sentimento de controlo pessoal, sendo que quanto maior o sentimento de controlo pessoal, melhores as notas num segundo teste. Isto é, não só pensamento contrafactual influencia a percepção de controlo, como o sentimento de controlo gerado pelo pensamento actuou como mediador de uma mudança bem-sucedida.

Por esta ordem de ideias, pessoas especialmente motivadas para consolidar o seu controlo sobre os acontecimentos ou para encontrar significado para o mundo que as rodeia teriam especial tendência para pensar contrafactualmente (Kasimatis & Wells, 1995). Variáveis como o desejo de controlo (Burger & Cooper, 1979) e o locus de controlo (Rotter, 1966) devem ser consideradas quanto à possibilidade de influenciarem quer o grau de activação da contrafactualidade, quer o tipo de contrafactuais que as pessoas tenderão a conjurar. Kasimatis e Wells (1995) reportaram resultados nos quais não encontraram qualquer associação entre o desejo de controlo e o pensamento contrafactual, mas onde indivíduos com um locus de controlo interno mostravam maior tendência para gerar contrafactuais descendentes. Este resultado pode reflectir uma maior tendência por parte de pessoas com um locus de controlo interno para usar estrategicamente o pensamento contrafactual (quer como uma estratégia de reparação emocional, quer como potenciador de futura acção correctiva a ser empreendida), quando comparadas com pessoas com um locus de controlo externo, o que seria consistente com a forma como pessoas com um locus de controlo vêem os resultados como contingentes com o seu comportamento, isto é, como resultantes das suas próprias acções (ou inacções)3.

O papel do controlo no pensamento contrafactual não foi, no entanto, muito explorado no que diz respeito a variáveis de personalidade, tendo sido principalmente consideradas as percepções de controlo sobre os eventos (concretamente, a sua depreciação ou não) associadas a diferentes graus de depressão.

10.3. Depressão. Embora desde logo, Roese e Olson (1995a) tenham avançado com a

possibilidade de indivíduos disfóricos intencionalmente considerarem contrafactuais descendentes como forma de compensarem o afecto negativo sentido, o estudo da relação

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No entanto, não podemos afirmá-lo com certeza com base nos resultados reportados por Kasimatis e Wells, uma vez que os autores não procederam a uma categorização dos contrafactuais quanto à sua centração (auto- referentes vs. hétero-referentes).

entre a depressão e o pensamento contrafactual surgiu primeiro como uma extensão da investigação sobre a influência da preocupação com o controlo sobre o pensamento contrafactual. Notando que sujeitos com uma sintomatologia moderadamente deprimida estavam mais interessados e faziam maior uso de informação sobre as potenciais causas das situações e eram mais sensíveis a eventos negativos ou inesperados, demonstrando uma preocupação crónica com o controlo, Markman e Weary (1996) principiaram por investigar a influência de crenças sobre o controlo na mutação de antecedentes controláveis versus antecedentes não-controláveis. Trabalhando com uma amostra de participantes não deprimidos (cujo score no Inventário de Depressão de Beck - BDI - fosse menor que seis, M = 2.23, SD = 1.48) e deprimidos (BDI com score maior que nove, M = 16.27, SD = 6.23), e instruindo-os no sentido de gerarem contrafactuais ascendentes em relação a eventos negativos que tivessem sido vivenciados pelos próprios, verificaram que sujeitos deprimidos tendiam a gerar contrafactuais mais controláveis e que incidiam sobre aspectos controláveis da situação que sujeitos não-deprimidos, por um lado, e que esse tipo de contrafactualidade estava associada a um maior sentimento de controlo retrospetivo sobre os eventos negativos considerados (quando esses eventos eram potencialmente repetíveis), por outro. Este resultado alinha-se com o obtido por Roese e Olson em relação à tendência de sujeitos com baixa auto- estima mudarem a suas próprias acções após situações de insucesso. Os resultados de Markman e Weary indicavam ainda que, no caso de situações potencialmente repetíveis, a maior tendência para gerar contrafactuais sobre aspectos controláveis era parcialmente guiada por percepções de perda de controlo face a esses eventos, pelo que o pensamento contrafactual surge como um mecanismo de compensação.

No entanto, apesar do emprego do pensamento contrafactual como mecanismo de compensação, as pessoas deprimidas continuavam a sofrer de percepções de perda de controlo em relação às não-deprimidas - porquê? Por um lado, dada a natureza da instrução explícita, era possível que, num contexto de dia-a-dia, as pessoas deprimidas simplesmente não gerassem pensamentos contrafactuais espontaneamente. Por outro lado, uma outra possibilidade era a de que sujeitos deprimidos falhassem na implementação de estratégias comportamentais adequadas para lidar com a possível repetição dos eventos considerados, pelo que a dificuldade em traduzir essas ascripções de prevenção em acção frustraria qualquer possível melhoria em termos de crenças de controlo.

No caso de sujeitos severamente deprimidos seria possível que estes simplesmente não acreditassem na possibilidade de poderem exercer qualquer controlo sobre o desfecho dos eventos, refugiando-se num padrão de apatia e desistência, e abdicando de quaisquer tentativas para recuperar o controlo como as demonstradas pelos sujeitos moderadamente deprimidos que faziam parte da amostra em estudo.

Markman e Miller (2006) deram continuidade a esta investigação ao tentarem determinar se o pensamento contrafactual seria então verdadeiramente funcional para pessoas deprimidas. A premissa era que pessoas não-deprimidas evidenciariam benefícios a nível da percepção retrospectiva de controlo derivada do pensamento contrafactual controlável, ao passo que pessoas deprimidas evidenciariam uma diminuição das suas percepções de controlo derivada desse mesmo pensamento contrafactual controlável. A amostra incluía um grupo não-deprimido (score na segunda versão do Inventário de Depressão de Beck - BDI-II - entre 0 e 9, inclusive, equivalendo a 21 sujeitos), um grupo ligeira a moderadamente deprimido (BDI-II - score entre 10 e 23, num total de 23 sujeitos) e um grupo severamente deprimido (BDI-II - score igual ou maior que 24, 14 sujeitos). Fazendo uso de uma metodologia de medidas repetidas quanto à avaliação pré e pós-contrafactual de eventos académicos negativos potencialmente repetíveis (que incluía questões sobre a negatividade do evento e o grau de controlo que os sujeitos sentiam ter sobre ele, avaliações essas medidas através de escalas de Likert de nove pontos) e uma única avaliação pós-contrafactual do estado de espírito final dos participantes (através de quatro adjectivos: 'com medo', desencorajado, agitado e triste), os participantes eram instados a realizar contrafactuais ascendentes sobre os eventos que tinham descrito. Esses contrafactuais foram então codificados quanto à sua controlabilidade e quanto à razoabilidade dessa expectativa de controlo (isto é, se esse controlo poderia ser implementado), bem como quanto ao tipo de culpa focado (culpa própria assente no comportamento do sujeito, culpa própria assente na maneira de ser do sujeito, culpa de outrem).

Os resultados mostraram que, apesar de não haver diferenças quanto à avaliação pré- contrafactual dos eventos, os vários grupos diferiram na sua avaliação pós-contrafactual, com a avaliação a tornar-se progressivamente mais negativa quanto mais grave a sintomatologia depressiva (embora a diferença entre o grupo não deprimido e o os participantes com sintomas de depressão ligeira a moderada não atingisse a significância). De notar, no entanto, que a repetição de medidas estava associada a uma 'melhoria' da avaliação do evento negativo

na segunda fase de medição. Os autores fizeram notar que, geralmente, os estudos sobre pensamento contrafactual utilizam uma só medida final que avalia o estado de espírito ou satisfação. Neste caso, a medida de mood final (os quatro adjectivos já referidos) estava correlacionada com o número de contrafactuais gerados pelos participantes. Por outro lado, a avaliação pré e pós-contrafactual dos eventos, reportando quão negativos, maus e tristes estes eram considerados pelos participantes, requereria uma avaliação de cariz mais cognitivo e os resultados reflectiriam uma tentativa de pôr os eventos em perspectiva após o processamento contrafactual.

No que diz respeito a números gerais, não se verificaram diferenças entre os grupos quanto ao número de contrafactuais produzidos, e também não existiram diferenças quanto ao número de contrafactuais controláveis. Já o número de contrafactuais não-controláveis variou significativamente, com o grupo de participantes ligeira a moderadamente deprimidos a gerarem menos contrafactuais não-controláveis que os outros dois grupos. Por outro lado, os contrafactuais gerados por participantes não-deprimidos foram mais razoáveis que os produzidos pelos outros dois grupos. Quanto aos contrafactuais que atribuíam a culpa a características inerentes aos próprios sujeitos, verificou-se que os participantes severamente deprimidos foram quem apresentou maior número de contrafactuais desse tipo, ao passo que, no outro extremo, participantes com sintomas de depressão ligeira a moderada não produziram nenhum contrafactual assim. Os autores comprovaram ainda a sua hipótese inicial que a percepção de controlo de pessoas moderadamente deprimidas aumentou com a proporção de contrafactuais controláveis por elas realizados, mas que para pessoas severamente deprimidas, o padrão invertia-se - isto é, mais contrafactuais controláveis levaram a uma menor percepção de controlo.

Esta relação curvilínea em que pessoas ligeira e moderadamente deprimidas se empenham num tipo de processamento cognitivo mais conducente à recuperação da percepção de controlo vem na senda de resultados anteriores que indicam que pessoas nesta situação mostram uma maior sensibilidade à informação social (por exemplo, respondendo com maior desaprovação à violação de normas sociais por parte de outros), processando-a mais elaboradamente e sistematicamente, tendo Marsh e Weary (1994) verificado que para pessoas severamente deprimidas este padrão de processamento se mantém a níveis similares. Concretamente, neste estudo, os participantes observavam um actor desempenhar uma tarefa com pouco sucesso e depois tomar ou não responsabilidade pelo seu desempenho - aos

participantes era pedido, por um lado que avaliassem o comportamento do actor e, por outro, que reportassem o grau de confiança que tinham nessa avaliação, bem como o grau de controlo pessoal que sentiam ter sobre as suas próprias vidas. O grau de confiança que indivíduos severamente deprimidos tinham sobre as avaliações que tinham feito era substancialmente menor que o de sujeitos não-deprimidos e ligeira a moderadamente deprimidos, mas que estes dois últimos grupos não diferiam entre si. No que se refere ao grau de controlo geral, todos os grupos diferiam significativamente.

Os resultados de Markman e Miller têm implicações a nível da funcionalidade do pensamento contrafactual ascendente, na medida em que esta funcionalidade diminui com o agravar da sintomatologia depressiva, pelo que possíveis intervenções terapêuticas deverão contemplar as implicações destes resultados.

Quelhas et al. (2008) verificaram, por sua vez, a inexistência de diferenças no que se refere ao estilo contrafactual (direcção, estrutura) de grupos com diferentes níveis de depressão, mas consequências díspares a nível dos benefícios cognitivos e tendência para a implementação de mudanças comportamentais resultantes do processamento contrafactual, que vêm reforçar a ideia de que a contrafactualidade não é funcional para todos de igual forma. Concretamente, trabalhando com uma amostra composta por um grupo de indivíduos deprimidos (BDI, M = 19.7, SD = 5.2) e um grupo não deprimido (BDI, M = 0.5, SD = 0.5) e com uma metodologia assente na avaliação de cenários fictícios, os resultados mostraram que, de uma forma geral, todos os participantes geraram mais contrafactuais ascendentes que descendentes, mas que sujeitos não deprimidos geraram significativamente mais contrafactuais ascendentes que os participantes deprimidos. Quer o afecto (medido através de pares de adjectivos: negativo-positivo, bom-mau, triste-feliz), quer a percepção de controlo variaram apenas em função da direcção contrafactual e não da categoria de depressão, com afecto mais negativo e maior percepção de controlo derivados da geração de contrafactuais ascendentes. A valência dos cenários foi julgada como mais negativa pelos participantes deprimidos quando estes tinham realizado contrafactuais descendentes. Estes resultados dizem respeito ao Experimento 1, que não detectou diferenças a nível do sentimento de preparação derivadas nem da direcção contrafactual, nem do grau de depressão dos grupos. Em virtude desta ausência de resultados, um segundo estudo nesta investigação introduziu uma nova metodologia que, ao mesmo tempo, alargou o âmbito temporal das consequências

do pensamento contrafactual e acrescentou medidas que visavam avaliar mudanças concretas de comportamento.

Mais especificamente, o Experimento 2 fez uso de um resultado da vida real - um mau resultado académico - e empregou medidas repetidas. Lidando mais uma vez com dois grupos, um deprimido (BDI-II 17 ou mais, M = 18.95, SD = 1.58, n =23), outro não deprimido (BDI-II 5 ou menos, M = 3.08, SD = 1.63, n = 40), mais uma se verificou a ausência de diferenças quanto ao estilo contrafactual, com todos os sujeitos a gerarem contrafactuais ascendentes, aditivos e controláveis (2% dos contrafactuais gerados por indivíduos deprimidos tinham um cariz não controlável, mas como se vê, esta percentagem foio mínima), independentemente do nível de depressão. Verificou-se uma menor activação espontânea do pensamento contrafactual por parte de pessoas deprimidas. Verificou-se também uma interacção entre o tipo de emoção e o ponto de medida, com os participantes a mostrarem um melhor estado de espírito antes do teste, um pior estado de espírito depois do teste e uma recuperação do mood após a indução contrafactual - isto é, mais uma vez o mood mostra melhorias depois da realização de contrafactuais ascendentes o que seria presumivelmente indicativo de uma assimilação afectiva. Este padrão foi semelhante para ambos os grupos. Sentimentos de preparação foram maiores após o processamento contrafactual para ambos os grupos apenas para os participantes não deprimidos, padrão que se repetiu com a percepção de ser capaz de evitar semelhantes maus resultados no futuro. Quelhas et al. Mediram ainda não apenas as intenções comportamentais no fim deste processo, como uma semana mais tarde verificaram se os indivíduos tinham implementado mudanças efectivas a nível de comportamento: verificou-se uma correlação significativa entre as intenções comportamentais dos sujeitos não deprimidos e comportamentos efectivos, ao passo que sujeitos deprimidos que tinham declarado semelhantes intenções não tinham actuado para as concretizar.

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