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Auto Posicionamento na Escala Esquerda-Direita

Capítulo 5 Os Deputados Estaduais de Base Eleitoral Evangélica e seus

A. Auto Posicionamento na Escala Esquerda-Direita

Aos deputados foi feita a seguinte pergunta: “Agora, vamos supor que aqui nesta reta o número 1 corresponda à esquerda e o número 10 à direita. Como o Sr.(a) está vendo, uma pessoa que fosse muito de esquerda estaria no número 1, uma muito de direita, no número 10. Onde é que o Sr.(a) se colocaria?”. Para facilitar a análise, foi feita uma agregação em uma escala de três pontos: do 1 ao 3, corresponderia à Esquerda, do 4 ao 7, ao Centro, e do 8 ao 10 ao espaço da Direita. A última coluna da Tabela 27 nos mostra a freqüência da variável obtida no conjunto dos deputados, em que se nota maior presença da auto localização ao “centro” (68%), seguida pela esquerda (22%). Assim, os deputados tendem a se posicionar menos à “direita” do

continuum ideológico, o que pode ser atribuído à dificuldade de se declararem pertencentes a esse espaço, em um país de tamanha desigualdade social.

Apesar de ser um fenômeno generalizado, constata-se um maior percentual dos “evangélicos” que se posicionam ao centro (76%), quando comparamos, principalmente, com os católicos (62%). Outro dado relevante é o fato de os evangélicos se auto localizarem mais à direita (15,5%) do que os católicos (11%) e também do que os deputados sem base religiosa (8%). Talvez a mais importante constatação, a partir desta tabela, é a pequena presença de “esquerdistas” nos evangélicos. Certamente, o traço distintivo mostrado é a “não-preferência” pela esquerda, pois apenas 8% se auto localizaram à esquerda da escala ideológica, enquanto entre os católicos esse percentual aumenta para 27%. No conjunto dos deputados (22%) e entre aqueles sem base religiosa (23%), a auto localização na esquerda é igualmente distinta da dos evangélicos.

Tabela 27 – Deputados de Base Eleitoral Religiosa e Auto Posicionamento Ideológico (%) Evangélica Católica Não Religiosa Total dos Deputados Direita 15,5 11,1 8,5 9,5 Centro 76,2 61,9 68,4 68,2 Esquerda 8,3 27,0 23,1 22,3 Total=100% 84 64 609 761 Fonte: DCP – USP – 2002

As evidências da tabela anterior se tornam mais claras, quando comparamos a média das auto localizações na escala ideológica (Tabela 28). Novamente, há uma concentração em posições mais centrais da escala (a distribuição média dos grupos oscila entre os valores 4 e 6). Em segundo lugar, a média dos deputados de base eleitoral evangélica (5,6) apresenta uma diferença significativa das demais (4,9 entre os católicos e 4,8 entre aqueles sem base religiosa), com uma auto localização mais próxima ao espaço da direita. Portanto, os dados mostram a preferência por um posicionamento mais “à direita” como uma singularidade dos evangélicos, quando comparados com os católicos, com os não religiosos e com o conjunto dos entrevistados.

Em relação ao desvio padrão, valor que indica a concentração/dispersão dos posicionamentos, observa-se que os evangélicos possuem o menor valor (1,8), o que indica uma maior proximidade dos deputados em torno da média. Os deputados católicos apresentam uma maior dispersão (2,2), mas os valores dos grupos analisados não são contrastantes, com valores próximos ao do total dos deputados entrevistados.

Tabela 28 - Média do Auto Posicionamento Ideológico e Deputados de Base Eleitoral

Religiosa

Base eleitoral Média Desvio Padrão Casos Evangélica 5,6 1,8 84

Católica 4,9 2,2 63

Não religiosa 4,8 1,9 601 Total dos Deputados 4,9 1,9 761

Fonte: DCP- USP -2002

Um outro modo de verificar a presença de uma singularidade ideológica entre os deputados protestantes é através da alocação de seus partidos em uma escala esquerda- direita. Uma das vantagens de tal estratégia é o fato de eliminarmos problemas que a auto classificação traz (como a recusa a se considerar de direita, ou a tendência de se auto localizar em posições centrais). A classificação ideológica do deputado é, assim, feita de maneira indireta, a partir de uma atribuição prévia dos partidos em um espaço ideológico. Utilizando a classificação proposta por Figueiredo e Limongi (1999), os partidos foram organizados da seguinte forma: PT, PSB, PDT, PC do B na Esquerda da escala; PSDB e PMDB no centro e PFL, PP, PTB, PL e PRONA na Direita. Em relação

aos pequenos partidos, PMN, PSD, PRP, PT do B, PTC, PSL, PST, PSC, PAN, PSDC, PRTB, PGT e PHS serão considerados de direita e PPS, PC do B e PV de esquerda86.

Os resultados da Tabela 29 apresentam evidências semelhantes aos da anterior; entretanto há grandes diferenças proporcionadas por essa mudança de medida. Em primeiro lugar, a distribuição dos deputados altera-se sensivelmente: há maior dispersão nos três pontos da escala, com uma superioridade moderada nos partidos direitistas. Apesar dessa importante diferença, os padrões encontrados na tabela anterior se confirmam, agora com maior clareza: quando comparados com os católicos e com aqueles sem base religiosa, os deputados evangélicos têm como singularidade uma majoritária adesão a partidos considerados de direita (62%). Outro dado intimamente conectado a esse é a pequena adesão dos evangélicos a partidos de esquerda (17%), quando comparados com outros grupos (37,5% entre os católicos e 27% entre os deputados sem base eleitoral religiosa) e com o conjunto dos entrevistados (27%).

Tabela 29 - Filiação Partidária* e Deputados de Base Eleitoral Religiosa (%)

Partidos Evangélica Católica Religiosa Não Total dos Deputados

Direita 61,9 46,9 38,8 41,3

Centro 21,4 15,6 34,5 31,9

Esquerda 16,7 37,5 26,8 26,8

Casos =100% 84 64 609 761

*A pergunta escolhida refere-se à filiação partidária atual, não àquela pela qual o parlamentar foi eleito.

Fonte: DCP-USP 2002

Ainda em relação à escala esquerda-direita, é possível verificar como os deputados localizam seu próprio partido nela. De acordo com a Tabela 30, constata-se que os evangélicos do PSDB (7,6), do PMDB (6,6), do PSB (4,5) e do PDT (3,4) tendem a localizar seus partidos mais à direita que os demais grupos e o conjunto total dos entrevistados. É interessante destacar a magnitude da diferença em relação aos deputados do PSDB: enquanto sua localização média na escala esquerda-direita é de 4,0 entre os católicos, 5,7 entre os deputados sem base religiosa e 5,8 do conjunto total dos deputados, quando observamos os de base evangélica, seu valor se eleva para 7,6. Logo,

86 Tal é a classificação utilizada por Kinzo (2007), embora os pequenos partidos alocados à direita do

é possível identificar uma tendência dos deputados evangélicos a localizarem seus próprios partidos à direita na escala ideológica, o que se confirma quando calculamos a média geral (5,3). Entretanto, as diferenças com os demais grupos e com o conjunto total dos entrevistados são reduzidas, principalmente, em relação aos deputados sem base religiosa (5,1) e ao conjunto total dos entrevistados (5,0). Outro ponto que pode ser constatado é o fato de a distinção ser mais acentuada com os católicos (4,9).

Tabela 30 - Localização Ideológica à Direita (0-10) do Próprio Partido e Deputados de Base Eleitoral Religiosa

Evangélica Católica Sem Religião Total Partido Média Casos Média Casos Média Casos Média Casos

PT 2,3 3 2,6 14 2,7 55 2,7 74 PSB 3,4 8 3,0 1 2,6 32 2,8 44 PDT 4,5 2 2,5 4 3,3 38 3,2 45 PL 4,9 9 5,0 4 5,9 22 5,3 35 PTB 5,1 10 5,5 4 5,7 39 5,6 52 PMDB 6,6 13 7,0 8 5,5 104 5,6 122 PSDB 7,6 5 4,0 2 5,7 104 5,8 120 PPB 5,4 8 6,4 9 6,8 56 6,7 74 PFL 7,7 14 8,2 6 7,5 84 7,6 104 Média Geral 5,3 4,9 5,1 5,0

Obs. Apenas os partidos mais tradicionais com presença de deputados de base protestante foram incluídos na tabela.

Fonte: DCP-USP- 2002

Embora insuficiente para considerações conclusivas, a escala esquerda-direita nos aponta para um quadro que nos sugere ressalvas em relação à tese de inexistência de uma identidade política entre as elites políticas evangélicas. Em primeiro lugar, tanto a auto localização, quando a atribuição indireta das categorias (através dos partidos) nos sugere a seguinte conclusão: o espaço político ideológico da direita é preferido pelos

deputados de base eleitoral evangélica, principalmente quando mensurado a partir do partido do deputado. Mesmo com tal tendência, não há uma nítida diferenciação entre

os grupos investigados, pois os percentuais e as médias nos mostram apenas uma leve gradação dos “grupos” em valores muito próximos do padrão observado no conjunto total dos entrevistados.

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