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1 INTRODUÇÃO

3.4 Limitações da Pesquisa

4.1.3 Interpretação e descrição das entrevistas com os autônomos AUT

4.1.3.5 Uso e desenvolvimento das capacidades

4.1.3.5.1 Autonomia

Os entrevistados relataram que a sua autonomia é total. Na situação de autônomo, o engenheiro precisa tomar as decisões de acordo com o seu conhecimento e experiência, e assumir a responsabilidade pelos erros e/ou acertos decorrentes destas decisões. Eles afirmaram ainda que, a resposta destas decisões é muito rápida, ou seja, se acontece um erro o prejuízo é sentido imediatamente, e isto é muito importante para o desenvolvimento profissional do autônomo, pois ele aprende muito com estes erros e acertos. Os pesquisados acreditam que o engenheiro que trabalha para uma empresa não têm a mesma autonomia, porque as decisões vem de uma diretoria ou de um superior. Logo, a responsabilidade também não é a mesma, e o prejuízo pelo erro cometido pelo funcionário, é sentido, em primeiro lugar, pela empresa, e não pelo engenheiro. Diante deste aspecto, os engenheiros autônomos relataram que a autonomia é muito positiva na sua profissão, principalmente porque propicia um conhecimento da área de engenharia como um todo.

Esse é um dos lados bons de tu seres autônomo. Eu tomo as decisões, eu decido tudo, o que fazer, de qual licitação participar, quem eu vou contratar para tocar a obra. Numa empresa, é diferente, tu tens que fazer o que é determinado por quem tá lá em cima. Aqui se tu toma a decisão errada, o prejuízo é teu, então a responsabilidade é bem maior. (AUT 01-5)

Os respondentes destacaram ainda que, levando-se em consideração as exigências e expectativas dos seus clientes, esta autonomia é relativa. Ao ser contratado pelos clientes, as

suas decisões estão parcialmente vinculadas a eles. Não que isto interfira nas decisões técnicas quanto ao seu trabalho, mas influencia em algumas decisões. Contudo, o autônomo tem a autonomia para decidir se vai levar adiante o projeto ou não. O mesmo não acontece com funcionários de uma empresa. Na opinião dos entrevistados, os engenheiros empregados têm sua autonomia restringida pelos seus superiores, e não têm o poder de decidir se vão ou não executar um projeto que não está de acordo com suas convicções, muitas vezes até éticas.

Eu tenho total autonomia no meu trabalho, mas depende da aprovação de quem está me chamando para aquilo. Eu tento mostrar que a minha alternativa é melhor, que tecnicamente é melhor ou mais viável, nem sempre a gente acerta, então eu reconheço com humildade, e daí a gente refaz o projeto em cima da melhor alternativa. Mas se eu não concordo com alguma coisa, eu pego o meu projeto, ponho em baixo do braço e vou-me embora. Eu não faço nada que seja contra o que eu conheço do assunto. Se eu estivesse numa empresa, seria diferente, você é pago para fazer o que te mandam e não o que você quer fazer, mesmo contra os teus princípios. (AUT 07-5)

4.1.3.5.2 Variedade da habilidades

Na percepção dos entrevistados, não há rotina no trabalho de um profissional autônomo. Cada projeto tem a sua peculiaridade e as suas diferenças, exigindo, portanto, conhecimento técnico e experiência. Os respondentes afirmaram que o engenheiro autônomo deve saber de tudo um pouco, tanto da área técnica de engenharia, quanto da gerência do seu escritório.

Quanto à parte técnica, os autônomos trabalham com vários tipos de obras, o que exige muito mais conhecimento do que se trabalhassem apenas com uma área especializada.

Quanto à gerência do escritório, o engenheiro deve ser também um administrador, deve entender de Planejamento, Finanças, Recursos Humanos, Marketing e Compras. Em Fim, além de ser um técnico ele também deve ser o administrador do seu escritório.

Como engenheiro autônomo, tu tens que conviver com todo mundo, tu convive geral, tu tens que cuidar da contabilidade da tua firma, tu tens que administrar a tua firma, tu tens que controlar o dinheiro, tu tens que controlar os gastos e ao mesmo tempo tu tens que controlar as obras, e então tu participas mais ativamente de todos os campos da engenharia, trabalha com financeiro, construção, reforma. Como é um escritório, tu estás aberto a vários tipos de obras, não estás só num mesmo ramo, (...), quer dizer, eu faço desde laudo técnico, estudo técnico, obra, reforma, construo novo, arrumo velho, já trabalhei em telhado, em instalação de gás central, então toda essa mistura, essa mescla de coisas traz um aprendizado muito maior do que se eu fosse um funcionário que trabalhasse só com uma coisa. (AUT 02-5)

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5.3 Feedback

Para os entrevistados, o Feedback, ou o retomo sobre o seu desempenho, seria a procura constante pelo seu trabalho. Esta associação foi feita por todos os engenheiros, que acreditam que se realizarem um bom trabalho o cliente sempre voltará ou indicará novos clientes.

Para mim o retorno é ver o cliente voltando. Sabe? Feedback é ver, primeiro a qualidade do serviço que você conseguiu, pela própria satisfação desse cliente que é quem paga pelo trabalho. Então, é por aí que tu sabes, que tu consegues ver se tu conseguiu chegar no teu objetivo, se tu estás trabalhando bem, se estás conseguindo ser um bom profissional. E a gente que é autônomo, depende desses clientes (...), da volta deles, sabe?, porque eu não sou uma empresa, eu não tenho propaganda. A minha propaganda é o meu trabalho, o “boca a boca”, indicação é a melhor resposta para ver se eu to desempenhando bem o meu trabalho. (AUT 04-5)

Outro aspecto mencionado sobre o Feedback é quanto à execução de Projetos. Muitas vezes um engenheiro trabalha num projeto que não é levado adiante, fato que ele entende como uma falha e procura aprender com isso. Para os entrevistados, a execução de um projeto já é um indício de que está desenvolvendo um bom trabalho. A partir daí deve-se executá-lo com qualidade para também obter bons resultados e garantir a procura do seu trabalho por novos clientes.

Bom! Ele dá certo quando ele é levado adiante, quando o cliente aprova o trabalho, então isso aí já deu praticamente certo, e dá mais certo quando ele é executado porque nem todos os projetos são executados, tem projetos que não saem das prateleiras, então é preciso ver onde foi o erro e concertar. Então para mim, é preciso executar para que dê certo. (AUT 03-5)

Alguns engenheiros, além de trabalhar com empresas particulares, trabalham também com empresas públicas. Eles relataram que quando realizam um trabalho para empresas públicas têm o feedback a partir da fiscalização que é feita depois que a obra estiver pronta. Se a obra saiu de acordo com o que foi contratado, ele recebe o pagamento, do contrário não é pago.

Quando a gente faz obras de licitações a gente é fiscalizado no final, então não existe, ou é sim ou é não, (...), existe uma fiscalização, você termina a obra é aprovado ou não, você recebe ou não. Agora, para particular, que a gente também trabalha, construções de residências e tal, o retomo para nós, a gente só recebe através, a gente deixa cartões, telefones, tal, a gente fica (...) conhecendo a pessoa que a gente trabalha, existe sempre um retomo em termos de indicações, só, ela indica uma pessoa, uma outra pessoa, um serviço e ela retoma para nós. (AUT 01-5)

4.1.3.5.4 Identidade da tarefa

Quanto à Identidade da tarefa, ou a realização do trabalho por completo, mencionado na categoria de análise “Variedade de habilidades”, os engenheiros autônomos consideram que têm um conhecimento total do processo do seu trabalho. Geralmente, acompanham o projeto desde o planejamento, até a execução e a venda. Porém, acrescentaram que há duas possibilidades: o engenheiro tanto pode ser o responsável por todas as etapas da obra em alguns contratos, como pode apenas fazer o projeto que será executado por outro, dependendo da empresa contratante, do cliente e do tipo de trabalho que será executado.

Mesmo havendo diferentes possibilidades, a maioria dos entrevistados afirmaram preferir ter a responsabilidade por todo o processo de trabalho, desde o planejamento, execução e entrega da obra.

Depende do contrato, existem duas possibilidades, tem uns que eu pego inteiro, tem outros que eu pego uma parte, quando a empresa me contrata para fazer tudo eu faço, só que às vezes eles querem só um projeto, ou até mesmo a execução de um projeto pronto. Eu prefiro fazer tudo. (AUT 07-5)

Há uma exceção entre os entrevistados. Dentre eles, apenas um informou que a sua opção foi trabalhar apenas com projetos, ou seja, ele não executa a obra. Mas isto é uma opção sua, por gostar de trabalhar desta forma. Os outros entrevistados têm opinião divergente, como já foi analisado, ou seja, eles se realizam mais ao executar e trabalhar com todas as etapas da obra.

4.1.3.5.5 Significado da tarefa

Para os entrevistados, o Significado da tarefa, ou a importância do seu trabalho está diretamente relacionada a visualização dos resultados. Eles sentem-se gratificados e satisfeitos quando tudo corre bem e de acordo com o que foi planejado. Sentem-se realizados ao concluir o trabalho e ver que o cliente ficou satisfeito. Para eles, esta é a importância do seu trabalho, a satisfação do cliente.

Para mim a importância do meu trabalho está em ver que as pessoas confiam no que eu vou fazer. Então, se o cliente me procura para fazer uma casa para ele, é porque ele acredita que eu sou capaz de realizar um bom trabalho, e a maneira de você retribuir isso é demonstrando o teu desempenho, e superando as expectativas deste cliente. (AUT 07-5)

4.1.3.6 Oportunidade futura para crescimento contínuo e segurança