• Nenhum resultado encontrado

AVALIAÇÃO DA RELIGIOSIDADE E COPING RELIGIOSO/ESPIRITUAL

5 MATERIAL E MÉTODOS

9.2 AVALIAÇÃO DA RELIGIOSIDADE E COPING RELIGIOSO/ESPIRITUAL

A religiosidade foi avaliada através da aplicação da escala DUREL (escala de DUKE), e da escala CRE-breve.

9.2.1 Avaliação da religiosidade segundo DUREL

Na análise das três dimensões, foram encontrados elevados índices de RI e RNO na maioria dos pacientes diabéticos e a RO na transição do médio para o alto. Quando se avalia individualmente, todos os índices de RO, RNO e RI foram altos, sendo que a RI teve percentual alto em 92,9% dos participantes do estudo. Tal achado demonstra que a fé e a presença do “divino” foram relevantes na amostra de pacientes com DM1 estudada (tabelas 12 e 15).

Os participantes têm preferência por se dedicar à religiosidade no lar, exercendo-a através da oração (ou da leitura de livros, assistência e programas religiosos na televisão), o que poderia associar-se ao sentimento de busca em harmonizar suas necessidades e interesses pessoais às suas crenças, esforçando-se por internalizá-las e segui-las completamente.

O índice de utilização da dimensão RO demonstra que a frequência a serviços religiosos (missas, cultos, centros, grupos de estudo, ou de oração, etc.) é uma opção menos utilizada por esse grupo. Considerando as características da amostra estudada, podemos atribuir em hipótese que esse comportamento poderia decorrer de necessidades específicas desses pacientes como monitorização glicêmica rigorosa, medo da auto-exposição, sentimento de rejeição social, risco de hipoglicemia durante reuniões públicas, vexame em eventuais depoimentos acerca da vida pessoal, ou num contexto de depressão secundária à doença.

Um exemplo das dificuldades dos pacientes com DM1 é o Ramadan - período para reflexão, devoção a Alá, e autocontrole; do nascer do sol ao ocaso, cada dia, por 30 dias eles se abstêm de comida, bebida, fumo e sexo. Nesse evento fica evidente a limitação que o paciente diabético tipo 1 tem para exercer sua religiosidade

organizacional (JAWAD, KALRA. 2016; ALABBOOD, HO, SIMONS. 2016; GAD, et al 2017), exigindo assistência médica especial nesses períodos.

Meneses et al, em 2006, avaliaram duas dimensões espirituais, definidas como vertical: associada à prática da religião (crenças); e horizontal, existencialista (esperança/otimismo), em grupos de pacientes portadores de seis doenças crônicas (incluindo DM1 e DM2). Encontraram correlação positiva entre espiritualidade e vitalidade, e entre esperança/otimismo e indicadores de qualidade de vida. Houve correlação negativa entre crenças e disposição física. Seus achados sugeriram que a qualidade de vida e a espiritualidade variam em função da doença (MENESES, et al. 2006; MENESES, et al. 2010).

O tempo designado para o tratamento compete com o tempo para o exercício da profissão e o da religiosidade. O desenvolvimento religioso/espiritual pode ser uma necessidade no enfrentamento das atribulações diárias e/ou uma forma de crescimento individual independente da doença, porém inerente ao ser humano.

9.2.2 Avaliação do coping religioso espiritual segundo CRE breve

Quanto ao enfrentamento, é importante lembrar que o diabetes tipo 1, normalmente se manifesta de maneira súbita, causa perda de peso rápido, fraqueza intensa e limitação imediata. Simultaneamente ao diagnóstico, surgem vários questionamentos que nem sempre são, ou podem ser respondidos satisfatoriamente. Como lidar com essa situação inusitada e desagradável? As escolhas feitas desde o diagnóstico vão ajudar ou dificultar o novo caminho a seguir, e nem sempre implica em aceitação da condição. É inevitável que o paciente provido de R/E questione os acontecimentos da própria vida com quem julgue ser o seu criador.

Na avaliação do CRE, encontramos uso médio do CREP, baixa utilização do CREN e elevada utilização do CRET. A relação CREN/CREP abaixo de 1, reflete o predomínio do uso do CREP. Tais dados demonstram o modo pelo qual o coping R/E se explica e essas estratégias de enfrentamento nessa amostra de pacientes indica um resultado relevante (tabela 13).

Quanto a utilização dos fatores do CRE, encontramos dentre os fatores positivos, predomínio do fator relacionado à transformação de si e/ou de sua vida (fator P1), direcionado à transformação pessoal decorrente de modificações internas obtidas pela revisão das próprias atitudes, associadas a comportamentos mais adequados aos preceitos religiosos-espirituais de sua afiliação religiosa, e que surge da aceitação da nova proposta de vida, o que poderia resultar em adaptação às novas regras e direção, e, modificação do seu estilo de vida, o que seria desejável no tratamento do DM1.

Outro fator muito utilizado pelos participantes da pesquisa foi a posição positiva frente a Deus (fator 4), sugerindo que ele aceita a situação, lida com ela fazendo a sua parte, confia na proteção divina e procura força nela. Um dos fatores menos usado (fator P7) “busca pessoal de conhecimento espiritual” poderia ser justificado pela grande quantidade de cuidados básicos essenciais necessários ao controle da doença, que demandam tempo, atenção, boa vontade, disposição e gastos financeiros (PANZINI, 2004).

Quando se considera o baixo uso do CREN, que sinaliza a reavaliação negativa de Deus (fator negativo 1 – tabela 4), observa-se um escore mais baixo, demonstrando que apesar das limitações, desafios e dificuldades, a maioria dos participantes da pesquisa, acredita em Deus, confia nele e não o culpa. Este fator, pouco usado, em geral, surge acompanhado da expressão de sentimentos negativos, como revolta, culpa, desamparo e mágoa. O fator negativo 3 (insatisfação com o outro institucional) também foi muito pouco usado, o que sugere que apesar das limitações pessoais, não houve predomínio de sentimentos de insatisfação, desgosto ou mágoa com qualquer representante institucional, seja ele frequentador, membro, representante ou líder da instituição religiosa. Quanto aos fatores negativos 2 (posição negativa frente a Deus) e 4 (reavaliação negativa do significado), ambos foram pouco usados, demonstrando que a religião não teve influência negativa, não causando apatia e entrega da situação, pela falta de colaboração e/ou responsabilidade própria (PANZINI, 2004).

Alguns estudos demonstraram que estratégias positivas de CRE apresentaram correlação positiva com melhora da saúde mental (menos sintomas depressivos e melhor qualidade de vida), crescimento relacionado ao estresse, crescimento espiritual e cooperatividade (KOENIG, PARGAMENT, NIELSEN. 1998; PANZINI et al, 2007).

Kalrsen e Bru em 2010, avaliaram os tipos de coping utilizados pelos pacientes com DM1 e DM2 para lidar com a doença, através de relatos qualitativos, uso de uma escala denominada Diabetes Coping Measure (DCM) e de sub escalas da COPE

scale. A maioria dos entrevistados relatou integrar seu diabetes ao seu dia-a-dia. Uma

minoria demonstrou problemas relacionados ao diabetes como negação, desengajamento mental e social. Uma parcela substancial dos participantes relatou que raramente usava o coping ativo orientado para tarefas, como busca de apoio social, busca de conhecimento e planejamento. As diferenças encontradas foram relacionadas principalmente à maior idade e menor escolaridade dos pacientes com DM2. Os resultados mostraram um amplo potencial para melhorar a orientação ativa das tarefas entre adultos com diabetes (KARLSEN; BRU, 2010). Ainda que se tente uma aproximação indireta com os dados destas pesquisas, o uso de escalas de mensuração do coping R/E não nos permite qualquer comparação.

Sultan et al, em 2016, em um estudo longitudinal avaliaram coping, ansiedade e controle glicêmico em pacientes adultos com DM1, usaram a escala CISS (Coping

Inventory of Stressful Situations) e o State-Trait Anxiety Inventory (STAI-Y);

encontraram correlação inversa da HbA1c com a utilização do coping diversão social e correlação positiva da HbA1c, com traços de ansiedade. Quanto maior a utilização de coping de caráter positivo (emoção e tarefa orientada), menos traços de ansiedade e diminuição dos níveis de HbA1c (SULTAN, et al 2008).

9.3 AVALIAÇÃO DA ANSIEDADE, DEPRESSÃO E ESTRESSE SEGUNDO A