Com base no roteiro de abordagem proposto pelo “Manual de Estudos de Efeitos Ambientais de Sistemas Elétricos” onde se preconiza que nos programas ambientais se detalhe em objetivos, justificativas, metodologia, cronograma, orçamento e responsabilidade pela execução, esta dissertação avaliou o atendimento desses quesitos para cada um dos programas, previstos para as três usinas, agrupados em tabelas, elaboradas para cada uma delas.
A seguir, são apresentadas três tabelas (Tabela 13, Tabela 14 e Tabela 15); imediatamente aponta-se ainda a Tabela 16 com o resumo dos resultados.
TABELA 13 – RESUMO DO DETALHAMENTO DOS PROGRAMAS AMBIENTAIS ELABORADOS PARA A UHE FOZ DO AREIA
Objetivos Justi
fi
cati
vas
Metodologia Cronograma Orçam
ento Re s pons a b ilida d e pel a I m pl antação 1 Cadastramento de Propriedades* NA NA NA NA NA NA 2 Plano de Desmatamento* AP AP AP NA NA NA
3 Plano de reassentamento de populações urbanas e rurais NA NA AP NA NA NA 4 Projetos de Relocação de estradas e obras de arte* NA NA AP NA NA NA
5 Programa de uso das terras remanescentes* NA NA PA NA NA NA
6 Programa de salvamento da fauna silvestre* NA NA PA NA NA NA
7 Ações envolvendo o acampamento e canteiro de obras* NA NA PA NA NA NA 8 Programa de monitoramento de ecossistemas aquáticos** NA NA PA NA NA NA
9 Programa de manejo de recursos pesqueiros** NA NA PA NA NA NA
10 Programa de manejo de solos para a agricultura** NA NA PA NA NA NA 11 Programa de recuperação e readequação de áreas degradadas** NA NA PA NA NA NA 12 Programa de recuperação e manutenção de reservas legais florestais** NA NA PA NA NA NA 13 Programa de manejo da fauna e flora terrestre** NA NA PA NA NA NA
14 Programa de ecoturismo e turismo rural** NA NA PA NA NA NA
15 Programa de ampliação do saneamento básico e ambiental** NA NA PA NA NA NA
16 Programa de comunicação social** NA NA PA NA NA NA
Legenda: AP Apresentado PA Parcialmente Apresentado NA Não Apresentado * ** Componentes do Programa
Item Programa a ser detalhado
Informação presente no Plano ambiental de conservação e uso do entorno do reservatório - PACUER, executado em 2002, posteriormente à operação da UHE Foz do Areia
Informação presente na Memória Técnica da Obra - MTO executado em 1995, posteriormente à operação da UHE Foz do Areia
TABELA 14 – RESUMO DO DETALHAMENTO DOS PROGRAMAS AMBIENTAIS ELABORADOS PARA A UHE SEGREDO
Ob je tiv o s Just if icat ivas Met odologia Cronograma Orçament o Re s p ons a b ilida d e pel a I m pl ant ação 1 Programa de reassentamento NA NA NA NA NA AP 2 Programa de desapropriação
3 Programa de desenvolvimento regional e fixação da população atraída AP AP AP AP NA NA 4 Programa de suporte às vilas de Segredo e Rondinha AP AP AP AP NA PA 5 Programa de relocalizaçao de equipamentos e recomposição de
infra-estrutura
AP AP AP AP NA NA
6 Programa de adequação de Mangueirinha AP AP AP AP NA NA
7 Programa de vigilância epidemiológica, saneamento e saúde pública AP AP AP AP NA NA 8 Programa de suporte às vilas de Candoí e Rondinha e fixação da população
atraída
NA NA AP NA NA NA
9 Programa de relocalização de equipamentos e recomposição da infra-estrutura viária
NA NA AP AP PA AP
10 Programa de vigilância epidemiológica, saneamento e saúde pública NA NA AP NA NA PA
11 Programa de adequação de Mangueirinha NA NA PA NA NA NA
12 Programa de aproveitamento científico de flora e fauna AP AP AP AP AP AP 13 Programa de implantação da estação experimental de estudos ictiológicos AP AP AP PA NA AP 14 Programa de salvamento de sítios arqueológicos NA NA AP PA NA NA
15 Programa de salvamento da memória cultural NA NA PA PA NA NA
16 Programa de implantação da estação ecológica* NA NA PA NA NA NA 17 Programa de caracterização da área de influência* NA NA PA PA PA NA 18 Programa de caracterização da área diretamente afetada* NA NA NA NA NA NA
19 Programa de monitoramento sismológico AP NA AP AP NA NA
20 Programa de monitoramento da qualidade da água AP AP AP AP NA NA 21 Programa de monitoramento da poluição agrícola AP NA PA NA PA NA
22 Programa de monitoramento do assoreamento NA NA PA NA NA NAC
23 Programa de monitoramento climatológico NA NA PA NA NA NA
24 Programa de controle de cheias NA NA PA NA NA NA
25 Programa de modelagem matemática para revisão das vazões
26 Programa de usos múltiplos NA NA AP NA PA NAC
27 Programa de avaliação limnológica* NA NA NA NA NA NA
28 Programa de operação de resgate AP NA PA PA PA NA
29 Programa de operação de enchimento NA NA PA PA NA NA
30 Programa de comunicação social
31 Programa de coordenação e articulação interinstitucional Legenda:
AP Apresentado
PA Parcialmente Apresentado NA Não Apresentado
NAC Não Apresentado/Remete responsabilidade a convênios não descritos
Documento não encontrado nos arquivos
Documento não encontrado nos arquivos Item Programa a ser detalhado
Componentes do Programa
Documento não encontrado nos arquivos Documento não encontrado nos arquivos
TABELA 15 – RESUMO DO DETALHAMENTO DOS PROGRAMAS AMBIENTAIS ELABORADOS PARA A UHE SALTO CAXIAS
Obj e ti vos Justificativas Me todol ogi a
Cronograma Orçamento Resp
o n sab ilid ad e pela Implantação
1 Programa de comunicação social AP AP AP AP PA AP
2 Programa de apoio institucional às cidades afetadas AP AP AP AP PA AP
3 Programa de adequação da infra-estrutura urbana AP AP PA AP PA AP
4 Saúde pública e saneamento AP AP AP AP AP AP
5 Programa de salvamento do patrimônio arqueológico AP AP AP AP AP AP
6 Programa de apoio à área rural dos municípios atingidos AP AP AP AP AP AP 7 Programa de recomposição da infra-estrutura econômica/social AP AP AP AP PA AP
8 Programa de reassentamento AP AP AP AP PA AP
9 Programa de reorganização das áreas remanescentes AP AP PA AP NA- AP
10 Programa de monitoramento das famílias rurais relocadas AP AP AP AP AP AP
11 Programa de fixação da população atraída AP AP AP AP PA AP
12 Programa de desapropriação AP AP AP AP PA AP
13 Programa de implantação da estação ecológica AP AP AP AP AP AP
14 Programa de aproveitamento científico da flora AP AP AP AP AP AP
15 Programa de aproveitamento científico da fauna AP AP AP AP AP AP
16 Programa de recuperação das áreas degradadas AP AP PA AP PA AP
17 Programa de limpeza da bacia de acumulação AP AP AP AP NA AP
18 Programa de avaliação e controle de escorregamentos localizados AP AP AP AP PA AP
19 Programa de monitoramento da fauna terrestre AP PA AP AP NA AP
20 Programa de monitoramento da fauna aquática AP PA AP AP NA AP
21 Programa de monitoramento da faixa marginal e ilhas AP AP AP AP AP AP 22
Programa de monitoramento dos parâmetros Físicos, químicos e biológicos das águas
AP AP AP AP PA AP
23 Programa de monitoramento do aporte de sedimentos AP AP AP AP NA AP
24 Programa de implantação da estação meteorológica AP AP AP AP PA NA
25 Programa de uso múltiplo do reservatório AP AP PA AP PA AP
26 Programa de monitoramento sismológico AP AP AP AP AP AP
Legenda:
AP Apresentado
PA Parcialmente Apresentado NA Não Apresentado
NA- Não Apresentado e Justificado
Programa a ser detalhado
Item
Componentes do Programa
FONTE: Adaptado de ELETROBRÁS (1986)
A partir da análise das três tabelas acima demonstradas, já é possível se ter uma noção da diferença na qualidade do detalhamento dos programas ambientais para as diferentes usinas hidrelétricas e, novamente se observa a crescente melhora no conteúdo dos documentos, se considerada uma escala temporal de eventos, relacionados à instalação das UHEs.
Com as informações fornecidas pelas Tabelas 13, 14 e 15, gerou-se a tabela 16 que compara, para as usinas, objeto de estudo de caso, o atendimento à normatização, relacionada ao detalhamento dos programas ambientais para o setor elétrico.
TABELA 16 –TAXA DE ATENDIMENTO AO MANUAL DE EFEITOS DE ESTUDOS AMBIENTAIS DOS SISTEMAS ELÉTRICOS – ELETROBRÁS POR PARTE DOS PROGRAMAS AMBIENTAIS DAS UHES ANALISADAS.
Relação de Atendimento Itens Exigidos UHE Foz
do Areia UHE Segredo UHE Salto Caxias Objetivos 6,25% 35,48% 100,00% Justificativas 6,25% 25, 80% 92,31% Metodologia 18,75% 45,16% 84,62% Cronograma 0.00 29,03% 100,00% Orçamento 0.00 3,23% 34,62% Responsabilidade pela Implantação 0.00 12,90% 96,15% FONTE: Adaptado de ELETROBRÁS (1986)
Os resultados da Tabela 16 reafirmam a mudança, advinda do processo de licenciamento ambiental, preconizado nesta dissertação, e ressaltando o avanço atingido com a implementação da Resolução CONAMA n.° 01/86, sobre a previsão de programas de mitigação, minimização e compensação de impactos ambientais. Foram mais notáveis seus reflexos na UHE Salto Caxias, a mais recente das usinas avaliadas nesta dissertação, apesar de a UHE Segredo haver sido implantada posteriormente à vigência da lei e, portanto, submeter-se a tal processo.
Entretanto, o detalhamento dos programas, mesmo da UHE Salto Caxias, não atende plenamente os itens preconizados pela ELETROBRÁS.
Ao se analisar na Tabela 16, as taxas de atendimento ao preconizado pelo “Manual da ELETROBRÁS”, para a UHE Segredo, notou-se melhoria da qualidade dos programas ambientais se comparada a Foz do Areia, mas ainda de baixa magnitude. Novamente, a provável justificativa para o fato é o caráter de pioneirismo de Segredo na avaliação de impactos e detalhamento de programas ambientais, inclusive para o setor hidrelétrico. É
provável que a inexistência de exemplos induziu a ausência de sistematização sobre estes processos.
Nos programas de Segredo verificou-se que grande parte deles apresentou características de diagnóstico ambiental. Devido ao processo de elaboração do RIMA para a UHE Segredo haver acontecido em caráter especial, em função das datas de início de construção coincidirem com a data de início de vigência da Resolução CONAMA n.° 01/86, alguns programas ambientais detalhados se houveram com caráter complementar ao diagnóstico. Outro fato que refletiu nesta configuração foi o prazo para detalhamento dos programas, iniciados em 1988, e consolidados em 1990, de forma que houve vários casos cujos escopos já apresentavam os resultados de sua implementação e não as diretrizes para tal. Para a UHE Foz do Areia, constou-se também a inexistência de padronização para detalhamento dos programas e, se comparados às outras usinas, foi praticamente nula a documentação das diretrizes a serem seguidas para minimização, compensação e controle de impactos ambientais.
Nesta fase da pesquisa não se pôde afirmar que a implantação de medidas ambientais de forma geral não se deu com êxito e sistematização para as usinas avaliadas; afirma-se porém que, para as UHEs Foz do Areia e Segredo, o detalhamento dos programas não seguiu padronização e não apresenta escopo completo do que devia ser implementado, segundo o “Manual da ELETROBRÁS”.
Retornando à análise da Tabela 16, o item “Orçamento” dos programas ambientais foi um ponto crítico no que se refere a detalhamento de programas para todas as usinas. Apesar de haver o crescimento da taxa, se comparada a ordem cronológica de implantação das usinas, mesmo para a UHE Salto Caxias existe uma lacuna. Para essa usina apenas 34,62% dos programas contemplam esse item. Em muitos casos foi previsto um custo à implantação dos programas, mas na composição dele não se considera o proposto na metodologia, considerado para efeito desta avaliação como parcialmente atendido.
Outro fator que chamou atenção, durante o processo de avaliação do detalhamento dos programas ambientais, inclusive para a UHE Salto Caxias, que atende a 96,15% deste item, é a atribuição de responsabilidade pela execução dos programas. Neste sentido, alguns programas foram previstos como de inteira responsabilidade da COPEL. Houve casos, entretanto, em que diretrizes ou mesmo atribuições da responsabilidade pela execução ficava em aberto, e essas diretrizes às vezes remetidas para outros órgãos ou para parcerias entre os órgãos e o empreendedor. Constatou-se que os programas remetem, em vários casos, à
necessidade de execução de convênios, entretanto não se discriminou como esses devem ocorrer e qual o ônus de cada parte. Outras vezes, a responsabilidade pela execução é repassada totalmente para outros órgãos, sem haver um consentimento documentado sobre tal ação. Tais fatos podem compromete a fase posterior de implementação dos programas, uma vez que o empreendedor não assume o ônus.
Foi também observada, em alguns programas, ausência de detalhamento da implementação do programa. Neste contexto, houve casos em que foi mencionado o objetivo, mas não foram detalhadas as atividades para atingí-lo; em outros casos, não se apresentaram maiores detalhamentos dos programas ou mesmo do orçamento em função do andamento dos serviços complementares; e, ainda casos em que a metodologia indicava a elaboração de outros estudos que detalhassem melhor as medidas a serem adotadas, e não constaram os prazos a as etapas para sua execução.
Um fato mencionado anteriormente foi que os programas detalhados para a UHE Segredo eram em maior número que os previstos pelo RIMA desta usina. Essa afirmação se comprovou à Tabela 14, onde são listados todos os programas. Neste caso há mais programas para UHE Segredo que para UHE Salto Caxias; no entanto a qualidade de detalhamento é muito inferior, como pôde ser observado ao se comparar a Tabelas 14 à Tabela 15.
5.6 COMPARAÇÃO DE METODOLOGIAS E CONTEÚDOS NO DETALHAMENTO