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AVALIAÇÃO DO RESOLVE NOTIFICATION FRAMEWORK POR DESENVOLVEDORES

No documento UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (páginas 29-37)

SUMÁRIO

AVALIAÇÃO DO RESOLVE NOTIFICATION FRAMEWORK POR DESENVOLVEDORES

29

CAPÍTULO

1

INTRODUÇÃO

A área de pesquisa Sistemas Colaborativos1 investiga, entre outros, a forma como o trabalho em grupo pode ser auxiliado por tecnologias de informação e comunicação. Dado seu escopo multidisciplinar, problemas são investigados e novas contribuições surgem em diferentes áreas de aplicação, incluindo as áreas da Saúde (e.g.Nget al.(2019),Goochet al.(2021),Lattieet al.

(2021)) e da Educação (e.g.Liuet al.(2020),Saplacan(2020),Dewan(1993)). Há décadas os conceitos de CSCW auxiliam e direcionam soluções para trabalhos realizados em grupo, e boa parte das definições e modelos utilizados hoje estão fundamentados em conceitos relativamente antigos para o universo da computação.Ellis, Gibbs e Rein(1991) descrevem o conceito de groupware2e destacam o papel de operações de colaboração que sistemas computacionais podem oferecer às interações humanas.

Avançando no tempo até os dias atuais, a popularidade dos dispositivos móveis e a variedade de recursos computacionais presentes nesses aparelhos, oferecem oportunidades para pesquisas envolvendo, dentre outros, aspectos relacionados à colaboração. A eficácia da comu-nicação proporcionada por esses dispositivos, combinada com algumas de suas características inerentes a eles, tais como portabilidade e ubiquidade, acentuam o potencial para novos estudos e possibilitam a remoção de fronteiras antes existentes (e.g., tempo de resposta na comunicação, distância), como destacado porYoung(2020).

Em particular nas áreas de Saúde e Educação, nas quais profissionais fazem extenso uso de intervenções, métodos como o Método de Amostragem de Experiência, do inglêsExperience Sampling Method(ESM), têm sido amplamente utilizados para coleta de dados. Com o advento das tecnologias móveis essas intervenções a distância passam a ser mais pesquisadas e utilizadas, inclusive para a programação de intervenções personalizadas, com proposto no método ESPIM (Experience Sampling and Intervention Method) elaborado porCunhaet al.(2019).

1 ‘Sistemas Colaborativos’ ou ‘Trabalho Cooperativo Auxiliado por Computador’, do inglêsComputer Supported Cooperative Work (CSCW)

2 Software colaborativo

Neste trabalho, definimos “intervenção” como ato ou efeito de intervir com o objetivo de influenciar algo. No contexto de computação ubíqua, utilizamos a expressão “intervenção”

como referência à solicitação, por meio de dispositivo móvel, de uma tarefa ao usuário. Ainda, a Figura 1 ilustra que uma “intervenção programada” é uma intervenção planejada por um especialista para solicitar uma tarefa ao usuário (e.g., uma coleta de dados, um lembrete), podendo também estar associada a uma notificação ou alarme.

Figura 1 – Em uma “intervenção programada” um especialista solicita uma tarefa ao usuário-alvo por meio de seu dispositivo móvel.

Fonte: Elaborada pelo autor.

Sistemas baseados em métodos como o ESM e o ESPIM são cada vez mais importantes.

Um exemplo é o impacto que pode causar uma intervenção simples, na forma de mensagem de texto para um paciente que faz uso um dispositivo móvel. A adoção dessa intervenção pode reduzir drasticamente os índices de atraso na ingestão de medicação em relação a pacientes que dependem unicamente da própria lembrança e do relógio, e consequentemente reduzir gastos com remédios e tratamentos a médio ou longo prazoHuanget al.(2017).

A evolução dos sistemas operacionais dos dispositivos móveis modernos têm possibili-tado novas formas e personalizações para as intervenções programadas. Os especialistas passam a contar com mais dinamicidade e uma quantidade expressiva de elementos multimídia, sensores e recursos disponíveis nesses aparelhos. Dessa forma, cada vez mais a coleta de dados pode ser realizada com maior riqueza de detalhes e precisão e, consequentemente, os especialistas podem definir seus programas interventivos de forma atrativa aos seus respectivos usuários. Assim, os usuários receberão em seus dispositivos móveis, intervenções programadas no horário ou contexto definido e personalizado pelo seu especialista.

1.1. Hipótese, Objetivo e Metodologia 31

Nesta concepção, as notificações em dispositivos móveis também passam a ser impor-tantes objetos de estudo, pois elas serão a ponte entre a atividade interventiva definida pelo especialista e o usuário que a realizará em seu dispositivo móvel. A personalização das notifi-cações pode afetar diretamente na maneira como as pessoas responderão às intervenções em seus dispositivosZeng, Cui e Wang(2017). As notificações são recursos comumente utilizados em aplicativos de dispositivos móveis para possibilitar intervenção na rotina dos usuários. Esse recurso pode possibilitar interações personalizadas dos usuários com diferentes sistemas de informação ou pessoas. A lista de aplicabilidades das intervenções pode ser significativamente extensa em diferentes áreas do conhecimento: acompanhamentos psicológicos, apoio a atividades educacionais, monitoramento de estado de saúde, acompanhamento de ingestão de medicação, são alguns exemplos. A evolução e personalização das notificações ao contexto específico do usuário ampliam ainda mais a sua lista de possibilidades de uso, em particular, nas áreas de Educação e Saúde, principais alvos desta pesquisa.

Mesmo havendo boa variedade de trabalhos que investigam o uso de intervenções programadas para dispositivos móveis, as referências bibliográficas reportadas pela literatura não apresentam modelos colaborativos de intervenção que atendam aos requisitos elencados nesta pesquisa por meio de entrevistas com especialista das áreas de Saúde e Educação, em particular, requisitos relacionados ao envolvimento de pessoas do círculo de colaboração do participante-alvo com o processo interventivo.

Com base nessas oportunidades, este autor3apresenta contribuições que são resultantes de uma investigação do uso de intervenções em cenários que demandam colaboração entre diferentes personagens, a saber: especialistas, participantes-alvo e participantes do círculo de proximidade. A pesquisa investiga também, aspectos relacionados à programação e personaliza-ção de notificapersonaliza-ção, considerando esta, um elemento inerente às intervenções programadas para dispositivos móveis.

Nosso trabalho foi desenvolvido em conjunto com diferentes públicos: profissionais da Saúde (obstetrizes, enfermeiras obstetras, fisioterapeutas e doulas), gestantes, cônjuges de gestantes, desenvolvedores de sistemas computacionais, professores e alunos do ensino superior.

1.1 Hipótese, Objetivo e Metodologia

Hipótese de Pesquisa: Nossa hipótese de pesquisa é direcionada a especialistas que precisam administrar programas interventivos executados em dispositivos móveis e também aos respectivos usuários participantes desses programas interventivos:

3 Ao longo deste trabalho, sempre que houver a expressão ’este autor’ se refere ao proponente Joab Cavalcante da Silva, sob orientação da professora Dra. Maria da Graça Campos Pimentel.

∙ Um modelo de intervenção móvel apoiada por colaboração entre especialista, participante-alvo e participante-círculo pode auxiliar especialistas a criarem programas interventivos capazes de alcançar os resultados pretendidos pelo especialista de forma mais eficiente e possibilitar soluções interventivas não suportadas por modelos atuais sem colaboração.

Objetivo Principal: O principal objetivo é definir um modelo de intervenção apoiada em colaboração para grupos de usuários-alvo.

Metodologia: Para investigar a hipótese de pesquisa e alcançar o objetivo, foram seguidos os seguintes procedimentos metodológicos: revisão da literatura, entrevistas com especialistas, definição de estrutura de modelo colaborativo, implementação de ferramentas para prova de conceito, avaliação por meio de realização de estudos de caso e experimento de validação.

1.2 Contribuições

Principal Contribuição: As principais contribuições desta pesquisa são: Modelo de Intervenção Apoiada por Colaboração, um modelo para programas interventivos colaborativos que possibilita a interação do especialista com participante-alvo e também participante-círculo.

Contribuição Secundárias:

Para validar o modelo e, assim, avaliar a hipótese de pesquisa, este autor realizou dois estudos de caso nas áreas de Saúde e Educação, o primeiro estudo na área de obstetrícia envolvendo acompanhamento de gestantes com possibilidade de colaboração dos cônjuges, e o segundo auxiliando alunos no desenvolvimento de atividades educacionais fora da sala de aula.

A realização desses estudos de caso demandou o desenvolvimento, por este autor, da Plataforma Resolve, composta:

1. por umframework, oResolve Notification Framework (RNF)para gerenciamento de notifi-cações em dispositivos móveis e interações agendadas em Sistemas Web. Oframeworké composto por um modelo de dados a ser usado pelo desenvolvedor e um aplicativo para usuários dossmartphones.

2. por um sistema de autoria de programas interventivos (Resolve Task), construído como prova de conceito para avaliar o modelo de programas colaborativos e atender requisitos relacionados ao reuso de programas e acessibilidade, observados nas áreas de Educação e Saúde.

Publicações: Uma parte das contribuições resultantes desta pesquisa estão reportadas em publi-cações de veículos científicos.

1. DA SILVA, Joab Cavalcante et al. Verificação da aplicabilidade de uma estrutura com-putacional de intervenções programadas para realização de atividades educacionais via

1.3. Organização do Documento 33

smartphones. Encontro Internacional de Gestão, Desenvolvimento e Inovação (EIGEDIN), v. 2, n. 1, 2018.

2. DA SILVA, Joab Cavalcante , LIMA, César Augusto, DE ANDRADE, Bruno Neto, &

PIMENTEL, Maria da Graça Campos. Recursos de acessibilidade para intervenções programadas em dispositivos móveis: soluções para usuários com deficiência visual ou com baixa alfabetização.Perspectivas em Diálogo: revista de educação e sociedade, v. 6, n. 13, p. 111-124, 2019.

3. DA SILVA, Joab Cavalcante et al. Um framework para gerenciamento de notificações em dispositivos móveis e interações agendadas em Sistemas Web. Computer on the Beach, v.

11, n. 1, p. 397-404, 2020.

Os resultados dos estudos de caso e do experimento apresentados noCapítulo 5, bem como a formalização de outras contribuições apresentadas no Capítulo 3estão em fase de submissão para congressos e revistas.

1.3 Organização do Documento

O restante deste documento está organizado da seguinte forma: o Capítulo2apresenta referencial bibliográfico com os trabalhos relacionados que fundamentaram a pesquisa. O Capítulo 3 descreve o modelo colaborativo apresentado. O Capítulo4apresenta as ferramentas desenvolvidas como prova de conceito. O Capítulo5apresenta os estudos de caso e o experimento realizados como avaliação das contribuições, os respectivos cenários e resultados. Por fim, o Capítulo6 apresenta a conclusão da pesquisa, as limitações e proposições de trabalhos futuros.

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CAPÍTULO

2

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