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Categoria 1 A prática educativa em saúde: uma polarização entre o dialógico e o tradicional

6.1 COM OS EDUCANDOS

6.2.1 AVALIAÇÃO DO TRABALHO DE CAMPO

Foi proposto que cada professor presente citasse uma palavra que definisse sua impressão ou o que achou da pesquisa. Utilizando as palavras citadas em um programa denominado Wordle@, o qual faz um jogo de palavras, resultou a seguinte imagem:

Fonte: Autora, 2016. Fonte: Autora, 2016.

Fonte: Autora, 2016.

Figura 32: Devolução dos resultados: professores

Figura 33: Devolução dos resultados: professores

122 Figura 35: Jogo de palavras - avaliação professores

123 7. CONCLUSÃO

A esta altura, pode-se dizer que os objetivos da pesquisa foram atingidos, uma vez que foi possível conhecer a prática educativa em saúde realizada por professores do 6º (sexto) ano do ensino fundamental da Escola Municipal Antineia Silveira Miranda em Niterói-RJ. Além disso, foi possível analisar a demanda dos alunos dessa turma quanto aos temas de saúde e como gostariam de aprender.

Os professores ajudaram a identificar as necessidades relativas aos temas de saúde para este grupo específico de alunos, e esclareceram como vem sendo desenvolvidas a prática educativa em saúde, além de outras informações relevantes.

Vale ressaltar que os encontros realizados favoreceram a integração entre os professores e as pesquisadoras enfermeiras, assim como entre os próprios professores. A pesquisa favoreceu reflexões e discussões de assuntos que ainda não tinham sido levados em consideração mesmo durante as reuniões de professores, possibilitando trocas e aprendizados. As atividades realizadas com os professores favoreceram que os mesmos pudessem refletir sobre suas práticas. Desse modo, poderão provocar mudanças na prática educativa em saúde desenvolvida com os educandos.

A abordagem participativa proporcionou que professores pudessem analisar a problemática de forma dinâmica, apontando para possíveis ações que levem à transformação da realidade. Ficou evidente que a tendência educacional progressista não anula a tendência tradicional, pois as duas possuem pontos positivos, que podem ser destacados e complementares em alguns momentos, favorecendo a eficácia do ensino, fomentando a visão crítica e reflexiva, a autonomia, o contexto e a dialogicidade.

Percebeu-se a necessidade da utilização de estratégias lúdicas e criativas na prática educativa em saúde no ambiente escolar. Entretanto, é preciso que os estudantes compreendam que tais práticas também se constituem numa atividade de aprendizado, um momento de “ensinagem”.

A pesquisa favoreceu diálogos, trocas de conhecimentos e vivências sobre questões relativas á saúde escolar. Atores e atores contribuíram na construção de um novo conhecimento sobre a temática, fundamentado na abordagem participativa, imprescindível nas práticas educativas em saúde.

A técnica do World café, utilizada na produção de dados com os estudantes, favoreceu a interação, a polinização de ideias e sugestões relativas a temática. Percebeu-se que as necessidades

124 apontadas pelos educandos estão diretamente relacionadas ao contexto em que estão inseridos, na sua faixa etária e desenvolvimento em que se encontram. Posteriormente a realização do World café, foram desenvolvidas atividades educativas que possibilitaram a discussão com os educandos sobre os resultados da pesquisa e proporcionaram momentos de trocas de conhecimento, contribuindo para a reflexão e construção de saberes.

Foi possível ainda perceber que quando os temas e a abordagem utilizadas partem das necessidades e sugestões dos educandos, estes, sentem-se mais motivados e interessados na discussão. Além disso, o estudo proporcionou que conceitos e saberes construídos fossem discutidos entre pares.

Os encontros com os participantes do estudo foram proveitosos e singulares, contribuindo com novas perspectivas e concepções sobre saúde. Entretanto, observou-se que diversos aspectos sobre saúde escolar precisam ser aprofundados, tanto com os professores quanto com os educandos, uma vez que ainda há equívocos sobre seu real significado. Percebeu-se que a saúde ainda é concebida como ausência de doença, fato que influencia diretamente a prática educativa em saúde neste ambiente específico.

As escolas são ambientes que devem ser utilizados como dinamizadores de temas sobre saúde. A prática educativa participativa em saúde desenvolvida nas escolas deve servir como uma ponte entre as praticas sociais da educação e da saúde. Os profissionais dessas áreas devem estar atentos para a identificação das necessidades locais, com vistas ao planejamento e execução de práticas que contribuam na construção do pensamento crítico e reorientação de atitudes.

Nesse sentido, houve uma preocupação em devolver os resultados do estudo para o grupo de professores e educandos, fortalecendo a tomada de consciência, numa visão coletiva, descobrindo aspectos convergentes e divergentes.

O estudo apresentou aspectos positivos, os quais devem ser ressaltados tais como a receptividade da direção da escola e de toda a equipe de professores assim como dos estudantes, que se mostraram interessados, motivados e colaborativos com a equipe de enfermeiras pesquisadoras. Além disso, o conjunto de dados e informações coletadas e elaboradas possibilitarão a generalização e/ou aplicabilidade em cenários com características e participantes semelhantes. Destaca-se que a pesquisa contribuiu para a ampliação de cenários de atuação de graduandos em enfermagem e para o fortalecimento da atuação do enfermeiro em outros espaços, reforçando a importância da presença do enfermeiro na práticas e educativas em saúde e o seu potencial nessas ações.

Entretanto, foram encontradas algumas limitações, uma vez que a escola que serviria inicialmente de cenário, não era pactuada ao Programa de Saúde Escola de Niterói-RJ. Outra dificuldade apresentada foi em relação ao agendamento de horário onde pudéssemos nos reunir com

125 todos os professores, tal fato dificultou a coleta de dados. Além disso, foi destacado que, alguns professores responsáveis pela turma no momento da atividade, se ausentavam da sala de aula, exceto as professores de apoio, os quais participaram de todas as atividades da pesquisa. Inclusive tais professoras, ressaltaram a importância da participação dos demais professores nas práticas educativas em saúde realizadas com os educandos.

Destaca-se que os membros da comunidade escolar e os administradores responsáveis pelo estabelecimento das políticas e estratégias devem encorajar o desenvolvimento de práticas educativas em saúde no ambiente escolar. Além disso, os gestores precisam compreender que os profissionais de saúde e educação além das capacitações específicas necessitam de condições para a realização dessas práticas nas escolas.

Cabe ressaltar que a pesquisa contribuiu para o aprimoramento contínuo da implementação do PSE no município de Niterói. Uma vez que o estudo possibilitou reflexões sobre algumas ações de promoção da saúde que estão sendo realizadas na prática. Além disso, os resultados do estudo contribuíram para o pensamento de ações estratégicas que a pesquisadora, também então participante da área técnica saúde da coordenação do PSE no município de Niterói, possa desenvolver no município. Dessa forma, percebeu-se a necessidade de divulgar e esclarecer as ações e propostas do PSE, ressaltando que a realização de ações não depende apenas da equipe de saúde, pois a comunidade escolar também possui sua importante participação no programa; estimular a participação da escola, por meio do reconhecimento da necessidade e da importância da participação dos professores nas ações na escola; estimular o desenvolvimento da prática educativa em saúde no ambiente escolar de forma participativa e lúdica, buscando aproximação da unidade de saúde com a escola; dentre outros. Com isso, reforça-se o desafio de um programa intersetorial com necessidade de inúmeras articulações.

Portanto, são urgentes as mudanças na prática educativa em saúde para que se possa promover reorientações de comportamentos e atitudes de professores e educandos. Dessa maneira, será possível implementar tais atividades participativas nas escolas com reflexos em toda a comunidade escolar e na vida dos educandos e de suas famílias. Porém, não se deve esquecer que implementar novas e diferentes estratégias educativas é algo complexo que se inicia pela compreensão da necessidade de olhar o tradicional como importante para determinada época ou período, mas que necessita ser revisto e adaptado para o momento vigente.

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