CAPÍTULO 5 IMPLANTAÇÃO DO MODELO PROPOSTO
5.3 Avaliação dos constructos
Após a aplicação do modelo no estudo empírico foi realizada uma reunião com os envolvidos para avaliação do modelo no que diz respeito à sua utilidade e funcionalidade, através de entrevista não estruturada, baseada nos questionamentos apresentados no Quadro 7.
Os entrevistados foram: o engenheiro responsável pelo setor de planejamento, o estagiário do setor de planejamento, a arquiteta responsável pelo setor de projetos, o engenheiro de responsável pelo setor de produção e o estagiário deste setor. As entrevistas foram realizadas em cada setor envolvido em momentos diferentes.
5.3.1 Avaliação do subconstructo utilidade
Esse subconstructo foi dividido em quatro questionamentos: Confiabilidade da informação; Aumento da comunicação; Utilização das informações geradas e Integração das informações utilizadas.
Quanto à confiabilidade da informação, todos foram unânimes em afirmar que o modelo 3D de projeto não refletia a realidade, uma vez que muitas estruturas foram executadas em divergência com o que previa o projeto. Essa questão levantada refletiu, conforme discutido anteriormente, na divergência entre o material solicitado ao departamento de suprimentos e o requerido pelo modelo, no planejamento do serviço de instalação de combate a incêndio, o que ocasionou a parada da frente de serviço no mês de janeiro de 2017. Entretanto, todos os entrevistados concordaram que o modelo era
afetado por um comportamento inadequado de ser permissivo na execução do serviço, em discordância com o projeto e que, se sanado esse comportamento, o modelo iria ser confiável quanto aos materiais requeridos. Já no que se referiu à mão-de-obra, o setor de produção confirmou a produtividade e o número de colaboradores em cada frente de serviço, se mostrando confiável. Outro item de confiabilidade foi em relação aos trechos executados, os quais podiam ser identificados por meio do gerenciamento visual, através das diferentes cores implantadas.
O item aumento da comunicação foi o mais comentado do modelo de integração, através da participação do departamento de projetos indicando as mudanças realizadas diretamente no modelo, de forma visual.
Um dos relatos dos envolvidos no processo de planejamento (engenheiro responsável pelo setor de produção) foi: “Esse sistema e essas reuniões que fazem a gente pensar na obra”. E ainda ressaltou que envolver o setor de projetos era ótimo, pois, segundo o engenheiro, era o maior problema enfrentado na obra, pois as atualizações de projetos eram postadas em um sistema central, onde nem sempre o setor de produção tomava conhecimento, fazendo com que as alterações só se tornassem evidentes na hora de executar, acarretando falta de material, dentre outros problemas.
Já sobre a integração das informações em um banco de dados únicos os envolvidos no planejamento vislumbraram a possibilidade de analisar e utilizar determinadas informações para fazer a gestão, tanto na preparação do planejamento quanto na execução, como, por exemplo, a formação de equipes mais eficientes. As informações integradas foram notadas na formação do work week plan no serviço de assentamento de granito, em que foi preciso diminuir a quantidade previamente agendada, visto que não havia mão-de-obra suficiente.
Outro aspecto enfatizado foi a utilidade do gerenciamento visual com cores diferentes para serviços executados, planejados com restrição e sem restrição. A inserção do Lookahead também foi notada como um ponto positivo, uma vez que antecipava as restrições, de maneira a eliminá-las antes do início da execução.
A busca automática das necessidades de mão-de-obra e material dentro do modelo proporcionado pelo plug-in e banco de dados também foram apontados como facilitadores da programação, contribuindo para a melhoria do planejamento, uma vez que tal verificação não era realizada de maneira sistemática.
5.3.2 Avaliação do subconstructo funcionalidade
Esse subconstructo também foi segmentado em quatro questionamentos: facilidade de uso; facilidade de entender as informações; retroalimentação eficaz e interesse em continuar o uso da ferramenta apresentada.
Um dos primeiros questionamentos no momento da apresentação do modelo foi sobre quem deveria operá-lo. Foi explicado que seriam os responsáveis pelos setores envolvidos, pois a intenção era a de promover a integração. O setor de projetos iria lançar as informações sobre as mudanças; o planejamento iria, orientado pelo cronograma master, fazer o Lookahead, a fim de antecipar as restrições; e o setor de produção, diante das tarefas sem restrições, seria encarregado de definir o que seria realizado no planejamento semanal.
Outro ponto abordado tanto pelo planejamento, quanto pela produção foi a preocupação em alimentar o modelo com os dados de mão-de-obra e material. Foi então apresentado com mais detalhe a inserção dos dados e sugerido que quem inseria os dados em outros documentos já usuais da empresa alimentassem o modelo em substituição. Por isso foi desenvolvida uma interface parecida com o Excel® no modelo proposto.
A facilidade em entender as informações geradas foi reconhecida pela gestão visual apontada como de simples entendimento.
Quanto à facilidade de operação da ferramenta, o setor de produção não mostrou interesse em aprender: só queriam as informações. Já o setor de planejamento que opera o software Revit® para fazer o avanço físico teve uma interação satisfatória com o modelo, não apresentando dificuldade em operar a ferramenta.
O interesse em continuar o uso da ferramenta ficou explícito com a pergunta: “Já será implementado na próxima obra desde o começo? ”.
As maiores dificuldades encontradas pela pesquisadora em operar o modelo foi a inserção de dados referente ao material, pois cada fornecedor adotava uma nomenclatura diferente para o mesmo insumo, que, por sua vez, era diferente do que estava registrado no elemento geométrico. Além disso, também, foi constatada uma restrição relativa à coleta de dados de mão-de-obra para cada serviço, pois a obra registrava apenas o número de colaboradores por grupo de serviços e no modelo deve ser registrado por serviço.
Por fim, a percepção da pesquisadora em interpretar as informações geradas e utilizá-las para formação do planejamento, tanto de médio quanto de curto prazo foi feita de maneira prática e clara. Além disso, outro ponto positivo foi a gestão visual por cores, que facilitou muito o entendimento do serviço programado em relação ao realizado.