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1 INTRODUÇÃO

2.4 AVALIAÇÃO EM SAÚDE E AS PERSPECTIVAS METODOLÓGICAS DO

Avaliar serviços, políticas ou tecnologia em saúde tem sua relevância focada nas contribuições que o processo avaliativo resguarda, no campo da gestão, para a racionalização de decisões em saúde e para a implementação de práticas de saúde necessárias e efetivas (46).

A partir de procedimentos pautados no método científico, a avaliação sistemática objetiva, segundo o mesmo autor, a identificação de informações pertinentes, para que se possa julgar o mérito e o valor do objeto de maneira racional e justificável, consistindo, portanto, em um método de pesquisa(46).

A avaliação é um campo de conhecimento em crescimento, que deve ser compreendida como atividade dinâmica no tempo, da qual participam atores diversos (cujos contextos de análise podem alterar o resultado), e são utilizados métodos e competências variadas(47).

Discorrendo-se sobre a exploração de caminhos na pesquisa avaliativa em saúde, Hartz esclarece que as contribuições do modelo sistêmico de avaliação concentram-se na proposição de metodologias que permitem que o problema de pesquisa seja compreendido no todo do sistema em que está inserido (expansionismo), e na sua perspectiva de unidade, que envolve a compreensão do conjunto de subsistemas que formam este todo (reducionismo)(32).

A avaliação da coordenação numa perspectiva sistêmica pressupõe a compreensão de que um projeto clínico que responda à complexidade e incerteza dos problemas de saúde não pode resultar apenas das relações entre organizações e profissionais, reconhecendo que as relações locais repercutem sobre os demais níveis e instâncias política e decisórias(16).

Portanto, ao analisar a coordenação, até os condicionantes assistenciais da saúde devem ser avaliados na perspectiva da complexidade e vulnerabilidade de suas articulações, levando-se em consideração suas intencionalidades(32). Nesta perspectiva teórica, a avaliação contribui para ampliar o sentido dos programas, cujas intervenções devem ser compreendidas dentro de uma estrutura e de um conjunto de relações de poder, de onde emergem seu sentidos e importância.

Ciente da relevância de se compreender a oferta e a integração de ações e de serviços de saúde inerentes à assistência ambulatorial especializada a pessoas com HIV/aids como elemento importante do sistema (rede) de assistência, e considerando estes elementos como ações programáticas, ficam evidentes as contribuições de focalizar a avaliação de indicadores destas dimensões no tocante as suas pertinências em relação às proposições éticas e técnicas da Política/Programa destinados ao enfrentamento da aids. Trilha-se por este caminho uma

avaliação normativa, que consiste em fazer um julgamento acerca de uma intervenção a partir de critérios e normas(32).

No contexto deste tipo de avaliação, poder-se-ia focalizar a apreciação da estrutura, do

processo ou do resultado, uma das ferramentas mais utilizadas para avaliar a qualidade da

assistência prestada nos serviços de saúde propostas por Donabedian(30), a qual fundamentou a avaliação de programas proposta por Tanaka e Melo(31) e a avaliação da Atenção Primária à Saúde no Sistema de Saúde, por Starfielde (18).

A avaliação da estrutura focaliza a adequação dos recursos para se atingir um resultado esperado. Já o processo focaliza a adequação dos serviços numa perspectiva técnica, das relações interpessoais ou organizacionais, permitindo a avaliação de atributos de continuidade, coordenação, trabalho em equipe, sequência de assistência e formas de atendimento (assistência) de usuários. Por fim, os resultados são analisados na perspectiva do que se esperava deles, considerando-se as mudanças no estado atual da saúde das pessoas, atribuíveis aos cuidados (intervenção) prestados(32,48).

Caberia, portanto, agregar à qualidade normativa da avaliação qualidades da pesquisa

avaliativa(32), utilizando-se de recursos teórico e metodológico (método científico) no

emprego do julgamento ex-post de uma intervenção. Neste tipo de avaliação a análise enfocaria a pertinência estratégia, a produtividade, os efeitos, o rendimento, a implantação e a avaliação da relação existente entre os objetivos da intervenção e os meios empregados (análise lógica), o que caracteriza a chamada análise da intervenção, que mais se aplicaria à avaliação da oferta e integração das ações e serviços de saúde na perspectiva deste estudo(47).

Não se trata propriamente de definir o grau de aproximação entre o projeto ético- político e sua realização técnico-operativa(49), mas a avaliação das contribuições de aspectos relacionados à oferta e integração de ações e serviços para a efetividade da coordenação do cuidado no contexto da atenção especializada.

A avaliação da dimensão oferta de serviços, denominada por Starfield(18) como integralidade, pressupõe o foco sobre os arranjos para que o paciente receba, considerando sua necessidade, todo tipo de serviço de atenção à saúde, incluindo aqueles que a unidade oferece e os encaminhamentos para consultas especializadas, serviços de maiores densidades tecnológicas, intervenção domiciliar e outros préstimos comunitários.

e Os fundamentos propositivos de avaliação no campo da saúde sistematizados por Donabedian nos componentes estrutura, processo e resultado, sugerem a utilização de instrumentos quantitativos, e focalizam o desempenho do profissional médico em contexto de instituições de saúde(50), sendo este ultimo aspecto dissonante das

A avaliação da dimensão integração, por sua vez, pressupõe o foco sobre a continuidade do cuidado, seja por parte do atendimento pelo mesmo profissional, por meio de prontuários médicos, ou ambos, além do reconhecimento de problemas e o encaminhamento e acompanhamento do atendimento em outros serviços especializados(18).

A abordagem institucional de avaliação desta dimensão compara os serviços disponíveis à variedade de demandas de atenção à saúde dos usuários, focalizando também a competência da equipe para lidar com uma ampla variedade de problemas ou a existência de uma abordagem sistemática para providenciar em outros locais da rede a atenção às necessidades identificadas(18).

Sabendo-se que o cuidado continuado de pessoas com HIV/aids requer um processo de diálogo contínuo entre os agentes dos diferentes pontos de atenção, alguns indicadores de avaliação da coordenação do cuidado ambulatorial voltado a estas pessoas são a qualidade das informações sobre as condições de saúde dos usuários, os registros resultantes do seu atendimento nos serviços, desenvolvimento de formas sistemáticas de executar a transferência destas informações (o componente estrutural da coordenação) e o reconhecimento de informações por parte dos profissionais do serviço (componente processual ou de desempenho da coordenação)(18).

Um estudo internacional sugere alguns indicadores de avaliação nos planos da estrutura, do processo e do resultado, sistematizados em duas dimensões de análise: gestão da informação e gestão do usuário(19).

Na dimensão gestão da informação os indicadores de avaliação, no plano da estrutura, consistem na disponibilidade de mecanismos de transferência de informações de um nível de cuidados para outro, mecanismos para favorecer a acessibilidade e utilização de informações compartilhadas. No componente processo, os indicadores de avaliação desta dimensão incluem a transferência, utilização e interpretação da informação pelos provedores de cuidados. E como indicadores de resultados citam-se a duplicação desnecessária de recursos (como exames, medicamentos etc) e condutas ofertadas para um mesmo usuário, por serviços de níveis assistenciais distintos.

A segunda dimensão de análise da coordenação focaliza a avaliação de mecanismos necessários à coordenação do usuário no contínuo da assistência (dentro da rede). Para tanto, os autores propõem como indicadores de estrutura a existência de guias de prática clínica e de fluxos. Como indicadores de processo, a utilização de estratégias de articulação entre profissionais/serviços para este acompanhamento, bem como o atendimento dos usuários nos serviços ao longo do contínuo da assistência. Como indicador de resultado, propõe-se a

avaliação de metas inerentes ao cuidado implementado, como taxa de internações de emergência (não programada) nos 28 dias pós-alta devido ao mesmo diagnóstico principal; taxa de exacerbações ou descompensacões tratadas no centro de saúde primários ou serviços de emergência; taxa de hospitalizações evitáveis; e percentual de pacientes com complicações evitáveis.

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