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Eixo 4: Atividades informativas/formativas para Assistentes Operacionais

4.3. Avaliação final: objetivos, processos e resultados

A avaliação é a fase que marca pela diferença os atuais projetos uma vez que temos uma cultura muito incipiente no que respeita a avaliar o nosso trabalho, tendo dificuldade em obter retorno dos impactos das ações levadas a efeito. O desenho de um Projeto de Intervenção Comunitária terá que necessariamente prever esta fase, uma vez que só assim se aferem resultados, no sentido de continuar ou melhorar, ao longo do projeto a intervenção no sentido transformador que deverá ser uma prática verdadeiramente interventiva. Assim, “Avaliar é apreciar e ajuizar de forma rigorosa, lógica e coerente, o estado, a evolução e os efeitos de problemas, ações, dispositivos e organizações sobre os quais estamos a intervir” (Guerra, 2002: 206).

A avaliação que se quer contínua, sistemática e transversal a todo o processo de intervenção, pela qual “se obtém e se fornece informações úteis, permitindo ajuizar sobre as decisões futuras e é um aviso sobre a eficácia de uma intervenção ou de um plano que está a ser implementado” (Idem: 2002). A avaliação é reguladora ajuizando " (...) se os objetivos do programa são concordantes com as necessidades e recursos disponíveis (...) [e] se os resultados são concordantes com os objetivos fixados" (Erasmie & Lima, 1989: 105).

O projeto passa inevitavelmente por várias fases de avaliação como nos lembra Guerra (2002). A avaliação, quanto à temporalidade, concretiza-se em diversos momentos.

A avaliação diagnóstica corresponde à análise de necessidades, momento a partir do qual se decide as diretrizes do projeto. Esta etapa pressupôs uma recolha exaustiva de informações sobre as motivações, aspirações, necessidades, problemas e interesses do seu público-alvo, bem como uma análise das possibilidades, oportunidades e recursos do meio ambiente, no sentido de conceber estratégias de ação. Esta foi uma fase decisiva no desenho do projeto, pois o contacto com a realidade permite uma perspetiva real das necessidades e os obstáculos a superar. Como afirma Guerra (2002: 196), “consiste essencialmente em estimar a amplitude e a gravidade dos problemas que necessitam de uma intervenção e elaborar programas em função desses problemas”.

A avaliação diagnóstica do Projeto ocorreu durante os meses de setembro, outubro e primeira semana de novembro. A observação participante e as conversas informais demonstraram-se metodologias significativas, pois permitiram uma maior aproximação com o público. A pesquisa bibliográfica e documental favoreceu um conhecimento mais aprofundado da temática e das especificidades da intervenção.

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A avaliação de acompanhamento determina se o projeto está a evoluir no sentido traçado pelos objetivos resultando num dispositivo de autorregulação da prática.

O acompanhamento das atividades realizadas foi concretizado através da elaboração de um diário de bordo, sistematizando um registo dos percursos diários e respetivas reflexões, resultando num instrumento de orientação e reflexão das ações do projeto.

Foram importantes as reuniões de avaliação com o Acompanhante de Estágio para reflexão conjunta e operacionalização das atividades, análise dos pontos fortes e constrangimentos. Foram igualmente importantes as conversas informais com os restantes professores auscultando perceções para sucessivas melhorias. O contexto de estágio mobilizou várias atividades para diferentes públicos (pais, professores, assistentes operacionais e alunos), pelo que a avaliação foi realizada pelos implicados por via de um “Inquérito de Avaliação”, sendo este um instrumento muito importante na regulação das ações, uma vez que permitiu uma melhoria progressiva da intervenção.

A avaliação final confronta os objetivos previstos, e os resultados esperados e obtidos pelo balanço da eficiência e eficácia da intervenção.

A avaliação final do projeto considerou os dados recolhidos mediante a aplicação, num momento final do estágio, de um Inquérito26 de Avaliação aos mais diretos colaboradores e técnicos

que se envolveram e participaram ativamente na organização das ações, nomeadamente: acompanhante do estágio; diretor da escola profissional; professores responsáveis da parceria E,B 2.3; professora responsável pela parceria CFAE AB e professora responsável pela parceria CFAE MC, totalizando 6 intervenientes. Da aplicação dos seis inquéritos de avaliação final do projeto seguiu-se o tratamento quantitativo das questões fechadas e a análise qualitativa das questões abertas.

A análise das questões abertas permitiu-nos elencar um conjunto de categorias que evidenciam, por um lado, as potencialidades da nossa intervenção e, por outro, as sugestões e possibilidades de transformação.

Todos os inquiridos valorizaram as ações enquanto percursoras de uma maior consciencialização acerca da necessidade de intervenção e da importância da Educação Sexual na formação dos alunos. Também reforçaram que as ações contribuíram para a libertação de preconceitos face à temática da sexualidade humana.

Três dos sujeitos intervenientes apontaram a implementação de projetos de Educação Sexual em contexto escolar partindo de uma avaliação diagnóstica como sendo um aspeto positivo e motivador para os alunos e professores, sendo que estes últimos adquiriram conhecimentos sobre a

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metodologia de projeto. Os seis inquiridos valorizaram as ações pelo seu caracter organizativo e estruturante, assim como os seus conteúdos por serem atuais e abrangentes que colocam a educação sexual vista segundo um paradigma biopsicossocial. Três dos inquiridos destacaram como ponto forte da nossa intervenção a valorização da partilha de experiências e, quatro dos inquiridos mencionaram a valorização da educação para os afetos como condição essencial à educação das crianças/jovens em meio escolar. Três dos seis inquiridos alertaram para a impossibilidade de apresentar os projetos realizados no âmbito das atividades. A modalidade “curso” não prevê essa possibilidade sendo, por isso, esta caraterística encarada com uma limitação da própria modalidade. Sem dúvida, estamos perante uma consideração importante e a ter em conta em futuras ações devendo-se, portanto, optar pela modalidade “oficina” ao invés da modalidade “curso”.

Da análise quantitativa às questões fechadas resultaram as seguintes apreciações:

Perante o questionamento acerca da importância das atividades na escola, 83% dos intervenientes avaliaram com MUITO BOM e 17% avaliaram com BOM (ver gráfico n.º 61).

Gráfico n.º 61: Importância das ações na escola

Relativamente aos objetivos das atividades, 67% dos intervenientes avaliaram com MUITO BOM e 33% com BOM (ver gráfico n.º 62).

Gráfico n.º 62: Execução dos objetivos

A pertinência dos conteúdos das atividades foi

avaliada por 50% dos intervenientes com MUITO BOM e por 50% com BOM (ver gráfico n.º 63).

Gráfico n.º 63: Pertinência dos conteúdos trabalhados

0% 0% 0% 17% 83% Nada Pouco Suficiente Bom Muito Bom 0% 0% 0% 33% 67% Nada Pouco Suficiente Bom Muito Bom 0% 0% 0% 50% 50% Nada Pouco Suficiente Bom Muito Bom

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106 Inquirimos se a atividade permitiu clarificar o trabalho a desenvolver junto dos alunos, sendo que 67% consideraram MUITO BOM e 33% consideram BOM (ver gráfico n.º 64).

Gráfico n.º 64: Clarificação do trabalho a desenvolver

Tentamos perceber se as atividades permitiram a Implementação da ES de forma refletida e sustentada, sendo que 50% consideraram MUITO BOM e 50% consideram BOM (ver gráfico n.º 65).

Gráfico n.º 65: A(s) ação(s) permitiram a Implementação da ES de forma refletida e sustentada

A última questão pressupõe realizar um balanço global da atividade, sendo que 50% dos inquiridos avaliaram globalmente a atividade com EXCELENTE e 50% com MUITO BOM (ver gráfico n.º 66).

Gráfico n.º 66: Avaliação global

O projeto tinha como finalidade a sensibilização e informação/formação dos agentes educativos da comunidade escolar da Escola Secundária e outras escolas parceiras em matéria de saúde, especificamente focada no desenvolvimento de competências na área da Educação Sexual.

Pretendíamos implementar um projeto de investigação-ação participativa como contributo à melhoria das práticas pela participação ativa dos atores. Para o cumprimento deste pressuposto definimos objetivos gerais e específicos que operacionalizavam esta finalidade, nomeadamente implicando um trabalho com a equipa de Promoção da Saúde Escolar/Educação Sexual, implementando e dinamizando o Gabinete de Apoio ao Aluno (GAA); um trabalho de sensibilização dos pais, pela dinamização de ações de informação/formação e um trabalho de formação de professores e de assistentes operacionais pela realização de ações formativas.

0% 0% 0% 33% 67% Nada Pouco Suficiente Bom Muito Bom 0% 0% 0% 50% 50% Nada Pouco Suficiente Bom Muito Bom 0% 0% 0% 50% 50% Nada Pouco Suficiente Bom Muito Bom

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Entendemos que os objetivos definidos respondiam às necessidades elencadas pelo diagnóstico, estabelecendo uma relação inequívoca com as possibilidades de intervenção e privilegiando a comunidade escolar de forma sistémica.

As atividades privilegiaram o diálogo, o convívio, a troca de experiências e a reflexão sobre conhecimentos específicos, comportamentos, relações e valores.

Os intervenientes chamados a realizar a avaliação final das atividades reforçaram um trabalho marcadamente positivo, por indicadores que posicionam quanto à importância das ações na escola, pela pertinência dos conteúdos trabalhados e clarificação do trabalho a desenvolver pelos agentes na sua intervenção futura com os alunos, o que evidencia o cumprimento dos objetivos a que nos propusemos e constata que os resultados obtidos foram excelentes ou muito bons.

Assim, a avaliação final do trabalho desenvolvido, que apresentamos, é sustentadora da eficácia da nossa intervenção em meio escolar e viria a estar na base de convites para ações posteriores ao estágio. Este indicador, em conjunto com a avaliação de acompanhamento e final, trazem satisfação pelo trabalho realizado dando-lhe sentido, transforma a perceção em constatação de que foi um projeto de intervenção bem-sucedido.

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