2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.2. Avaliação institucional
2.2.2. Avaliação institucional interna (Autoavaliação)
Com relação à avaliação institucional interna (ou autoavaliação) há algumas definições que serão mostradas abaixo. “A auto-avaliação favorece a construção de uma cultura de avaliação na instituição, contribuindo para que esta se prepare mais adequadamente para as diversas avaliações externas a que são submetidas (FREITAS; FONTAN, 2008, p. 150).”
A autoavaliação ou avaliação institucional interna possui duas vertentes - a autoavaliação institucional que é responsabilidade das CPAs de cada universidade e a autoavaliação de cursos universitários. Com relação à avaliação de cursos universitários, a mesma é um processo de estudo e reconhecimento interno das particularidades de cada curso. Assim, depois de analisadas as informações de cada curso, pode-se verificar seus pontos positivos e negativos. E com os resultados das análises, pode-se desenvolver ações para combater os problemas, melhorar os índices e melhorar a qualidade dos cursos, como é comentado abaixo:
O processo de autoavaliação possui duas direções: a autoavaliação institucional e a autoavaliação de cursos universitários. Ambos os processos, se corretamente conduzidos, podem fornecer aos gestores informações valiosas a respeito do desempenho da Instituição e dos cursos avaliados segundo a percepção dos atores envolvidos na avaliação. Na autoavaliação institucional busca-se avaliar a atuação de uma Instituição como um todo, um bloco integrado composto por diversas unidades acadêmico-administrativas e cursos universitários. Na autoavaliação dos cursos busca-se avaliar a realidade de cada curso (desempenho docente, disciplinas, material didático, etc.) e a sua interação com aspectos essenciais ao seu funcionamento (instalações gerais, bibliotecas, laboratórios, etc.), presentes nas unidades acadêmico- administrativas (FREITAS; FONTAN, 2008, p. 151).
Sendo assim, a importância de se realizar a autoavaliação de um curso se deve ao fato da busca pela compreensão da eficácia do curso. Assim, como a avaliação interna dos cursos está relacionada especificadamente a cada curso é preciso ficar atento às suas peculiaridades, cada instituição é diferente da outra, cada curso é diferente do outro. É necessário realizar a avaliação conforme as necessidades de cada curso.
2.2.2.1 Autoavaliação coordenada pela CPA
De acordo com a Lei que institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - (SINAES), Lei n° 10861 de 14 de abril de 2004 (Brasil, 2004), a CPA tem o objetivo de coordenar os processos internos de avaliação de cada instituição, sistematizar e prestar informações ao INEP.
§ 1o As CPAs atuarão com autonomia em relação a conselhos e demais órgãos colegiados existentes na instituição de educação superior;
§ 2o A forma de composição, a duração do mandato de seus membros, a dinâmica de funcionamento e a especificação de atribuições da CPA deverão ser objeto de regulamentação própria, a ser aprovada pelo órgão colegiado máximo de cada instituição de educação superior, observando-se as seguintes diretrizes:
I - necessária participação de todos os segmentos da comunidade acadêmica (docente, discente e técnico-administrativo) e de representantes da sociedade civil organizada, ficando vedada à existência de maioria absoluta por parte de qualquer um dos segmentos representados;
II - ampla divulgação de sua composição e de todas as suas atividades. Art. 8o As atividades de avaliação serão realizadas devendo contemplar a análise global e integrada do conjunto de dimensões, estruturas, relações, compromisso social, atividades, finalidades e responsabilidades sociais da instituição de educação superior. (BRASIL. Portaria n°2.051, de 9 de julho de 2004, cap. 3, art. 7, art. 8).
Segundo Leite (2008), a CPA tem como função também responsabilizar-se pela avaliação SINAES e pela manutenção do cadastro das IES brasileiras. O sistema de avaliação institucional do país estabeleceu a participação de docentes, discentes e técnicos, como atores
internos e egressos e representantes da comunidade como atores externos. A autoavaliação que realiza, de acordo com a lei, tem como objetivos: “produzir conhecimentos, identificar as causas dos seus problemas e deficiências, aumentar a consciência pedagógica e capacidade profissional dos professores e técnico-administrativo, fortalecer relações de cooperação entre os atores institucionais, tornar mais efetiva a vinculação da instituição com a comunidade, julgar a relevância científica e social de suas atividades e produtos, prestar contas à sociedade, dentre outros.
Para Leite (2008), a autoavaliação institucional é a primeira responsabilidade das CPAs, e é um processo interno de avaliação com indivíduos interessados e integrantes da própria instituição em que esta acontece. Assim, estes sujeitos tornam-se participantes como avaliadores e como avaliados. São sujeitos, e também parte do objeto de avaliação. Assim, na dimensão de uma produção própria, o processo é cooperativo. E o processo de autoavaliação torna-se uma prática de autonomia e de aprendizagem democrática quando realizado pelos próprios sujeitos atrás da melhoria da qualidade das instituições.
Quando se fala em CPA, esta tem um papel importante, pois a autoavaliação é sua responsabilidade primeira. Leite (2008) afirma que a tarefa da CPA é coordenar e articular o processo interno de avaliação da Instituição; regularizar e liberar informações e sensibilizar a comunidade para a sua participação. Ocorre dentro das instituições primeiro, e é voluntária, isto é uma das dificuldades de funcionamento de uma CPA.
Sendo assim, o fato de a autoavaliação ser voluntária se torna importante o comprometimento e interação entre os envolvidos com a avaliação como os docentes, discentes, coordenadores dos cursos e a equipe que forma a CPA para o resultado eficaz da mesma. Como diz Andriola e Souza (2010) a partir de uma pesquisa desenvolvida com diretores das faculdades e funcionários técnicos-administrativos na Universidade Federal do Ceará (UFC), “a maioria dos gestores considera que a interação entre a CPA setorial e os diversos segmentos, em nível de graduação e pós-graduação, contribui para melhorar a participação no processo de autoavaliação” (p. 64). “De acordo com os técnico-administrativos, deve-se prosseguir com a sensibilização da comunidade universitária através de marketing interno, [...] estabelecer incentivos para a participação dos [...] atores sociais e buscar maior comprometimento da educação superior” (p.65).
Acredita-se então que o sucesso e resultado da autoavaliação depende das características de cada instituição, dos atores envolvidos, da cultura e política da instituição. Isto em função da liberdade que a legislação concedeu às Instituições de ensino superior para a administração da CPA.
A identidade das CPAs depende do grau de autonomia e liberdade que elas possam efetivamente conseguir nas instituições, podendo adquirir características centralizadoras, burocráticas, utilitaristas ou emancipatórias, dependendo do grau de envolvimento dos atores institucionais e do uso que a auto-avaliação tenha no interior da instituição. Apesar da legislação declarar a autonomia das CPAs em relação aos colegiados e órgãos da instituição, o cumprimento desta é um ato que depende da vontade política institucional e
da estrutura organizacional. O caráter público/ privado e/ou
comunitário/confessional/filantrópico pode ser uma variável com forte influência no tipo de CPA que vai ser construída em cada IES (Barreyro, Rothen, 2006, p. 969).
Há outros pontos importantes a serem analisados para a implantação da autoavaliação realizada pela CPA. A implantação e desenvolvimento da autoavaliação da CPA tem obstáculos e dificuldades. Como dizem Silva e Gomes (2011) quando mencionam que houve uma mudança de direção e preferência na política de avaliação do MEC, pois é percebido o desestímulo ao trabalho da CPA e a importância que o ENADE vem ganhando no SINAES, com a criação, em 2008, do Conceito Preliminar de Cursos (CPC) e do Índice Geral de Cursos (IGC).
Mas por outro lado, Reis, Silveira e Ferreira (2010) expõe que os resultados da autoavaliação proporcionarão ao gestor universitário subsídios para a melhoria do desempenho da Instituição e da qualidade do ensino. Assim, consegue-se na autoavaliação a participação da comunidade universitária, num procedimento de reflexão sobre a Instituição, livre da pressão do governo que as vezes promove a avaliação de modo controlador e para um sistema de ranqueamento para posicionamento de cursos ou para provisão orçamentária.
Deste modo, acredita-se na importância e na continuidade do processo de autoavaliação realizada pela CPA pois esta fará um diagnóstico dos aspectos internos e peculiaridades de cada curso com o objetivo de corrigir os problemas verificados.