O processo normal de envelhecimento determina, com intensidade variável, um défice físico, mental e funcional. Esse défice condiciona o grau de dependência do idoso, afetando-o em diversas áreas da sua vida (GERMI, n.d.).
A avaliação multidimensional do idoso é um processo global e amplo que envolve o idoso e a família e que tem por objetivo o diagnóstico funcional, ou seja, descobrir problemas que, por serem atribuídos ao processo de envelhecimento, não são abordados de forma adequada, e o estabelecimento de um plano de cuidados com respostas mais completas e adequadas a cada situação. Na avaliação multidimensional do idoso avaliamos a sua funcionalidade, ou seja todas as funções do corpo, atividades e participação social, e a sua incapacidade, isto é, as deficiências, limitações na realização das atividades ou restrições sociais (Moraes, 2008).
Numa abordagem geriátrica pretende-se uma avaliação global da funcionalidade e capacidade do idoso, através da utilização de escalas precisas e fiáveis. As escalas de avaliação utilizadas para a avaliação multidimensional do idoso durante o desenvolvimento do estágio estão descritas em seguida.
Escala de Braden
Avaliação do risco de desenvolvimento de úlceras de pressão
A avaliação do risco de desenvolvimento de úlcera de pressão no domicílio é fundamental para o planeamento e implementação de medidas para a sua prevenção e tratamento. De acordo com o score obtido na avaliação da escala de Braden, a pessoa é categorizada de acordo com o nível de risco:
a) Alto Risco de Desenvolvimento de úlceras de pressão no adulto - valor final ≤ 16;
b) Baixo Risco de Desenvolvimento de úlceras de pressão no adulto - valor final ≥ 17.
Quanto mais baixo o valor obtido na avaliação, maior o risco de desenvolver úlceras de pressão.
Fonte: DGS (2011). Escala de Braden: Versão Adulto e Pediátrica (Braden Q). Orientação nº 017/2011 de 19/05/2011.Direção Geral da Saúde.
Mini-Mental State Examination de Folstein
Este questionário, aplicado diretamente à pessoa idosa, permite fazer uma avaliação sumária das suas funções cognitivas, avaliando a orientação, a memória imediata e a recente, a capacidade de atenção e cálculo, a linguagem e a capacidade construtiva.
É atribuído um ponto à resposta correta a cada questão, perfazendo a pontuação final o máximo de 30 pontos. A interpretação da pontuação final depende do nível educacional do idoso:
Pontos
Analfabetos ≤ 15
1 a 11 anos de escolaridade ≤ 22 Escolaridade superior a 11 anos ≤ 27
Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage (versão curta)
Esta escala é utilizada para o rastreio da depressão, através de questionário direto ao idoso. Avalia aspetos cognitivos e comportamentais afetados na depressão do idoso.
É constituída por 15 questões com resposta dicotómica (Sim ou Não), sendo as respostas sugestivas de existência de depressão correspondentes a 1 ponto. A interpretação do resultado final da avaliação é realizada de acordo com a seguinte pontuação:
Pontos Sem depressão 0 – 5 Depressão ligeira 6 – 10 Depressão grave 11 – 15
Mini-nutritional Assessment
A avaliação do estado nutricional da pessoa idosa é realizado através da aplicação do questionário direto ao idoso ou familiares/cuidadores, e que permite detetar a presença ou o risco de malnutrição, sem recurso a parâmetros analíticos
A primeira parte (Triagem) é constituída por 6 questões e, caso a pontuação da triagem seja sugestiva da presença ou risco de malnutrição (≤ 11 pontos), é realizada a segunda parte do questionário (Avaliação Global), onde é aprofundada a avaliação através de 12 questões adicionais.
A pontuação final permite identificar 3 categorias: estado nutricional normal, sob risco de malnutrição, malnutrição.
Classificação Funcional da Marcha de Holden
A Escala Funcional da Marcha determina o grau de autonomia da pessoa idosa na marcha de acordo com o tipo de ajuda física ou supervisão necessárias, em função do tipo de superfície (plana, inclinada, escadas), tendo sido estabelecidas 6 categorias para classificar o idoso na sua capacidade para a marcha.
Índice de Barthel
O índice de Barthel é um instrumento que avalia o nível de independência do sujeito para a realização de dez atividades básicas de vida: comer, higiene pessoal, uso dos sanitários, tomar banho, vestir e despir, controlo de esfíncteres, deambular, transferir-se da cadeira para a cama, e subir e descer escadas.
Esta escala de avaliação geriátrica foi traduzida e validada para a população portuguesa em 2007 (Araújo, Ribeiro, Oliveira & Pinto, 2007). A pontuação do score total varia entre 0 e 20, como descrito em seguida:
0-8: Total Dependência 9-12: Dependência Grave 13-19: Dependência Moderada 20: Independência Total
Fonte: Araújo, F., Ribeiro, J. L., Oliveira, A., Pinto, C. (2007). Validação do Índice de Barthel numa amostra de idosos não institucionalizados. Lisboa: revista Portuguesa de Saúde Pública.
Escala de Morse
A escala de Morse permite a avaliação do risco de quedas através de diversos parâmetros: história de quedas nos últimos três meses, existência de diagnóstico secundário, necessidade de ajuda na mobilização, uso de terapêutica endovenosa, características da marcha e estado mental. Esta escala tem uma pontuação mínima de 0 pontos e máxima de 125 pontos. Da soma dos vários parâmetros, define-se o nível de risco de queda da pessoa:
0 a 24 – Baixo Risco 25 a 50 – Médio Risco
Escala de Zarit (Sobrecarga do Cuidador)
A Escala de Sobrecarga do Cuidador de Zarit foi traduzida e validada para a população portuguesa em 2007, e permite fazer a avaliação da sobrecarga objetiva e subjetiva de cuidadores informais de pessoas idosas dependentes. Esta avaliação inclui itens sobre a saúde, a vida pessoal e social, a situação financeira, a situação emocional e o tipo de relacionamento, e cada item tem uma pontuação qualitativa, à qual corresponde uma pontuação quantitativa:
Nunca = (1); Quase Nunca = (2); Às vezes = (3); Muitas vezes = (4); Quase Sempre = (5)
A pontuação total varia entre 22 e 110, classificando a sobrecarga do cuidador em três diferentes categorias:
Sem sobrecarga <46 Sobrecarga Ligeira 46-56 Sobrecarga Intensa> 56