A REDE NACIONAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR/BA E BASES PARA UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE
3 BASES PARA UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE PARA AS EQUIPE TÉCNICAS DO CEREST DA RENAST NA BAHIA
3.4 Avaliação de programa
No que se refere à “avaliação de programa”, foram sistematizados aspectos em torno dos seguintes pontos:
3.4.1 A “caracterização do problema”
3.4.2 A “formulação dos objetivos do programa”
3.4.3 A “seleção de indicadores”
3.4.1 A “caracterização do problema”
A variável “caracterização do problema” permitiu identificar que o principal problema dos CEREST/BA é baixa produtividade da maioria dos centros, como também a dificuldade de cada Centro assumir a função de Centro de Referencia Regional. Essas questões já foram identificadas em dois outros estudos (SILVA et all, 2011 e SALES, 2014). Entretanto, os achados desta investigação revelavam que a baixa produtividade e a dificuldade de assumir seu papel como centro de referência são sintomas consequentes de outros problemas.
Nesse contexto de preocupação, investiu-se, em primeiro lugar, na identificação de quais problemas, no entendimento dos profissionais que compõem as equipes, tem gerado o baixo desempenho dos CEREST. Identificou-se, então, que os condicionantes e determinantes desta baixa produtividade estão relacionados à RENAST/BA.
Isso inclui “vínculos precários de trabalho com rotatividade das equipes técnicas, falta de organização do processo de trabalho”, “sobrecarga de atribuições em relação ao número de técnicos das equipes”, “discrepância entre a área de abrangência e número de equipes” (GPP).
Incluem-se ainda processos de trabalho complexos que requerem competências de vigilância e assistência em Saúde do Trabalhador, educação permanente e educação em saúde, comunicação e informação, controle social, gestão em rede, intersetorialidade e interdisciplinaridade, além dos conflitos das relações capital trabalho.
Revelou-se a necessidade de se organizar o processo de trabalho, com definição de responsabilidades. Sobre a composição das equipes, há
necessidade de discussão no nível de gestão municipal. Contudo, existe proposta para esta composição, no Manual da RENAST/2012, em fase de consulta pública.
Emergiu também a necessidade de capacitação para o trabalho em rede, capacitação para as diferentes atribuições dos CEREST com apoio matricialpesquisa e criação de tecnologias apropriadas para os novos e diferentes tipos de trabalho urbano e rural e doenças associadas.
Evidenciou-se a dificuldade do CEREST assumir o papel como “Centro de Referência”, e foram identificados diversos problemas concorrem para isto tais como: a dimensão populacional em relação ao tamanho e capacidade instalada das equipes, a diversidade e complexidade dos problemas de saúde do trabalhador, devido as múltiplas formas de trabalho existente, as novas condições de trabalho e tipos de doenças e agravos a saúde do trabalhador para as quais os conhecimentos de assistência e vigilância ainda não foram estabelecidos, fluxos não definidospara assistência a saúde e reabilitação, e outros com as complexidades da gestão e sua dimensão política.
Incluiu-se ainda a necessidade de tecnologias para alcançar grandes populações e acordos políticos para superar os problemas decorrentes da área de atuação regional. Estes fatores foram identificados na pesquisa qualitativa e documental que sustentam a construção das bases do Programa de Educação Permanente.
3.4.2 A “formulação dos objetivos do programa”
A respeito da “formulação dos objetivos do programa”, os participantes da pesquisa sugeriram que o Programa de Educação Permanente para equipes técnicas dos CEREST tenha por base o contexto do trabalhocom a perspectiva do trabalho em rede e do estágio atual de implantação da RENAST/BA, que os profissionais sejam incluídos na construção da proposta, que sejam utilizadas metodologias ativas objetivando propiciar o desenvolvimento das competências requeridas aos profissionais das equipes e dos gestores.
Entendem que o processo envolve abordar as questões relacionadas à descentralização das ações de saúde do trabalhador, a perspectiva da integração com as VISA, com o SUS, com destaque para a Atenção Básica e as redes temáticas, conforme descrito nos resultados do eixo RENAST.
3.4.3 A “seleção de indicadores”
Os indicadores de avaliação de desempenho foramconsideradosfonte de verificação e de informação. Para seleção dos indicadores os participantes da pesquisa propuseram os indicadores PAS 2013/SUVISA/DIVAST que delineiam as metas de produtividade dos CEREST como mais apropriados para uso no programa de educação permanente.
Deste modo, foi feita a substituição dos indicadores nacionais, inicialmente propostos na matriz e os indicadores estaduais servirão de base para avaliar os resultados do programa, quando da sua execução.
1 Número de municípios desenvolvendo ações de saúde do Trabalhador (ST)
a)Total de municípios com diagnóstico da situação de ST descrita no PMS.
b)Total de municípios notificando Acidente de trabalho com óbito notificado no SIM e SINAN;
c)Total de municípios com aumento de registros de agravos e doenças relacionados ao trabalho no SINAN em relação ao quadrimestre anterior;
d)Total de municípios realizando inspeções em ambientes de trabalho;
e)Total de municípios realizando ações de ST nas inspeções sanitárias realizadas em estabelecimentos onde a VISA atua;
f)Total de municípios com atendimentos em ST na Rede SUS registrados no SAIB;
g)Total de municípios com equipes de saúde capacitadas pela DIVAST (Coger/CR Estadual), Dires e SMS.
1. Número de inspeções realizadas em ambientes de trabalho pelas instâncias da RENAST (CEREST e CESAT)
2. Número de trabalhadores atendidos (total de pacientes que chegam diariamente no acolhimento dos ambulatórios) nas instâncias da RENAST (CEREST e CESAT).
3. Número de trabalhadores investigados (total de pacientes absolvidos, ou seja, que geraram 1º consulta no ano ou abertura de prontuário) [...](PAS/SESAB/DIVAST/2013).
Os indicadores da DIVAST foram correlacionados com as competências relacionadas neste estudo, e, foi constatado que existe correspondência entre eles. Entende-se que, se as equipes técnicas se apropriarem das competências descritas, serão potencialmente capazes de atenderde modo a alcançar estes indicadores.