SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO
3 MÉTODO DO TRABALHO
3.1. CARACTERIZAÇÃO BIOCLIMÁTICA DA ÁREA EM ESTUDO
3.3.2. Avaliação segundo a Simulação Computacional
Para a avaliação de desempenho térmico através da simulação computacional foi construído um modelo tridimensional do quarto (e último) pavimento da edificação no software SketchUp Pro versão 15.0 de 2015 o qual pôde ser simulado posteriormente através do software EnergyPlus versão 8.4 de 2015. A ligação entre a interface gráfica e o simulador foi realizada através do
Legacy OpenStudio SketchUp Plug-in versão 1.0.14 de 2015.
3.3.2.1 Modelo tridimensional
O modelo foi construído definindo-se as zonas térmicas de cada ambiente, totalizando 9 zonas térmicas. O critério adotado para tal foi que cada ambiente setorizado, ou seja, fechado, tem um comportamento térmico único. As zonas térmicas foram construídas a partir da origem do modelo, respeitando as dimensões dadas no projeto arquitetônico. Além disso, o piso da edificação e as paredes de geminação foram configurados como adiabáticos, ou seja, considerou-se que não há trocas de calor tanto com o pavimento inferior quanto com a edificação ao lado. A NBR 15.575: 2013 (ABNT, 2013a) recomenda que seja feita essa configuração pois, por serem recintos adjacentes, apresentam a mesma condição térmica.
Após essa etapa, foram adicionadas ao modelo as aberturas transparentes e opacas, de dimensões iguais às reais. Por fim foram adicionados dispositivos de sombreamento simulando os elementos construtivos da edificação que projetam sombra às aberturas. A figura a seguir mostra o modelo tridimensional do último pavimento da edificação.
__________________________________________________________________________________________ Análise de desempenho térmico segunda a NBR 15575 em uma edificação padrão no município de Porto Alegre
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Figura 12 – Modelo 3D do último pavimento: (a) vista frontal (b) vista dos fundos
(fonte: elaborada pela autora)
3.3.2.2. Configurações de simulação
Após a modelagem da edificação no software SketchUp, foram feitas todas as configurações necessárias para a simulação no software EnergyPlus. A primeira configuração foi a inserção do arquivo climático da cidade de Porto Alegre no programa, disponibilizado pelo Laboratório de Eficiência Energética em Edificações - LabEEE. Esse arquivo climático é o resultado de medições realizadas pelo Instituto de Meteorologia (INMET) ligadas a alguns cálculos de conversão de dados climáticos. Scheller et al. (2015, p.4) destacam que o uso de arquivos climáticos para a realização de simulações computacionais permite identificar os períodos de maior probabilidade de conforto térmico ao usuário, e dessa forma, auxilia na definição de estratégias que devem ser tomadas para melhorar as condições de conforto.
Concomitantemente a isso, configurou-se a localização da edificação, com as características de latitude, longitude, elevação em relação ao nível do mar e fuso horário em relação ao meridiano central, da cidade de Porto Alegre, RS. O período de simulação também foi ajustado para que o programa simulasse as temperaturas médias para todo o ano, apesar de a NBR 15.575: 2013 não exigir que isso seja feito. A NBR 15.575 (ABNT, 2013a) apenas recomenda que a simulação seja realizada para os dias típicos de projeto de verão e inverno. As informações para caracterização desses dias foram retiradas das Tabelas A2 e A3 do Anexo A da própria norma. Esses dados também estão expostos na tabela 6 do item 2.3.3 (Medição in loco).
Para a caracterização construtiva do modelo, foram, inicialmente, destacados os materiais utilizados na construção bem como suas propriedades físicas e térmicas e valores de absortância
__________________________________________________________________________________________ Jéssica Menegat Turcatto. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2017
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e emissividade baseados em suas cores. Por não se ter conhecimento das marcas e dos fabricantes de cada material utilizado, optou-se por utilizar as propriedades térmicas fornecidas pela NBR 15.220: 2005. Cabe destacar que para a configuração dos vidros das janelas, utilizou- se o Catálogo de Propriedades Térmica e Óticas de Vidros Comercializados no Brasil, elaborado pelo Centro Brasileiro de Eficiência Energética em Edificações – CB3E, e pela Associação Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro – ABIVIDRO. A tabela abaixo mostra os materiais e suas respectivas propriedades utilizadas na simulação.
Tabela 8 – Propriedades dos materiais utilizados na simulação Propriedades físicas e térmicas dos materiais
Materiais Densidade - ρ [kg/m³] Condutividade térmica - λ [W/m.K] Calor específico - c [kJ/kg.K] Cerâmica 1900 1,05 0,92 Argamassa de reboco 1950 1,15 1,00 Concreto 2200 1,75 1,00 Telha de fibrocimento 1900 0,65 0,84 Gesso acartonado 750 0,35 0,84 Lã de vidro 60 0,045 0,7 Madeira 500 0,15 2,3
Material Transmitância térmica - U [W/m².K] Fator Solar
Vidro 4,25 0,23
(fonte: adaptada de ABNT, 2005; CB3E e ABIVIDRO)
A partir da elaboração do banco de dados de materiais, pôde-se fazer as composições dos elementos tais como cobertura, paredes e pisos. No sentido do lado externo para o interno da edificação, a cobertura é composta por telha de fibrocimento seguida de uma camada de ar com resistência de 0,21 m².K/W para o verão e 0,14 m².K/W para o inverno, uma camada de capeamento da laje, laje pré-moldada com tavelas cerâmicas, mais uma camada de ar com as mesmas resistências e por fim uma placa de gesso acartonado. Além disso, verificou-se a necessidade de simular a cobertura com a presença de um material isolante, incluindo-se assim a lã de vidro, posteriormente.
As paredes são compostas por uma camada de revestimento argamassado pintado, camadas de cerâmica (referente ao bloco cerâmico) intercaladas por camadas internas de ar do próprio bloco, com resistência igual a 0,16 m².K/W, e mais uma camada de revestimento argamassado pintado. Os pisos foram configurados de maneira semelhante à cobertura, porém sem a presença da telha de fibrocimento e da camada de ar adjacente à ela. As janelas foram configuradas com
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vidro temperado de 6mm e as portas internas com madeira de propriedades também citadas na tabela 8.
Em relação as cargas térmicas da edificação não foram adotados valores para a ocupação de pessoas, equipamentos e iluminação, visto que a mesma não se encontra habitada. Cabe ressaltar que na avaliação de desempenho térmico a NBR 15.575: 2013 recomenda que o modelo seja simulado sem cargas internas - ocupação, equipamentos e iluminação (SORGATO et al., 2013, p. 19).
Para a configuração de infiltração considerou-se, inicialmente, uma taxa de renovação de ar de 1ren/h. Posteriormente, verificou-se a necessidade de aumentar esse valor e simular a edificação novamente. Esses valores serão apresentados no capítulo 4 do trabalho.