2.2 Síntese Histórico-evolutiva da Indústria Petroquímica Brasileira
2.2.2 Avanços tecnológicos e investimentos no setor
No que se refere ao nível tecnológico do setor de transformação de matéria plástica, mesclam-se tecnologias avançadas com tecnologias tradicionais. Porém, a Associação Brasileira das Indústrias de Plásticos (Abiplast) considera bom o nível de automação das empresas brasileiras em relação aos índices internacionais.
A indústria de transformação depende diretamente dos avanços tecnológicos e da produtividade do setor petroquímico, por isso, os avanços em termos de produtividade e desenvolvimento de produtos mais avançados, no setor de Ia geração, influem nas estratégias de produção destas indústrias.
Ainda no setor petroquímico entre os reposicionamentos em curso desde a segunda metade da década, figuram gestos de uma concepção de mercado que rompe com o planejamento de olhos restritos às fronteiras domésticas em prol de uma cobertura a rigor do Cone Sul. Além de novas fábricas e ampliações, a privatização da malha ferroviária influi nos investimentos em logística desembainhados nos últimos anos pela petroquímica brasileira, visando áreas de consumo de resinas em gradativa ascensão, como o Centro-Oeste.
Quanto ao setor de transformação, o desenvolvimento por parte das petroquímicas, de novos insumos, com utilização em processos que melhorem o desempenho dos produtos do setor, a crescente normatização, e a demanda por produtos mais diversificados tanto em termos de processos produtivos, produto final até novas aplicações para estes produtos, têm servido como mola propulsora para que os fabricantes invistam em tecnologia de ponta direcionada desde à novas concepções em termos de design, racionalização do uso das matérias primas (aí incluem-se também pesquisas em matérias primas alternativas), até recombinações de materiais dependendo do nicho que se pretenda atender.
Um exemplo do surgimento de novos produtos decorrentes das necessidades de novas aplicações foi o destaque dado em revistas especializadas ao desenvolvimento de tecnologia para produção de tubos com núcleo de espuma, com aplicações crescentes, sobretudo em manilhas para esgotos, tubos de escoamento ou ainda em conduítes para prote ção de cabos elétricos ou de transmissão de dados. Ou seja, em substituição aos convencionais tubos rígidos eles podem ser aplicados em todos os casos onde haja ausência de pressão.
Os resultados obtidos com a fabricação destes tubos, a saber:
Redução de peso e custos; maior produtividade: com a mesma quantidade de material usada para tubos compactos (convencionais), é possível produzir maior quantidade de peças; uso de material reciclado; processo de produção quase idêntico ao de tubos compactos; uso de equipamentos já existentes devidamente reajustados; alta aceitação no mercado de tubos (técnica de junção similar, menor peso e, portanto, manuseio mais fãcil (DOBROWSKY,2000:36).
Definem bem os parâmetros seguidos pelo setor, para cada investida em desenvolvimento tecnológico, ou seja, as indústrias de transformação de plásticos (as competitivas) investem na busca de novos nichos de mercado, visando não só baratear custos, mas também reutilizar maquinaria, buscando diversificação, permitindo uma redução da ociosidade funcional das fábricas uma vez que não se adquirem novas máquinas, mas que se adaptam as existentes.
Estes investimentos em inovações tecnológicas criam a demanda por profissionais cada vez mais qualificados. Algumas grandes empresas oferecem estágios em indústrias de
matérias-primas e máquinas no exterior, levando-as a preferirem contratar profissionais com formação acadêmica em áreas relacionadas a plásticos. Na grande maioria dos casos, estes funcionários ocupam cargos de gerências intermediárias e ou supervisões de grupos de trabalho.
Grandes potências do setor industrial plástico, a exemplo da Tigre, aplicam significativos investimentos no seu capital humano a fim de garantir a qualidade e o profissionalismo do seu grupo, visando o crescimento pela busca constante do conhecimento e know-how. A melhor capacitação tomará o pessoal apto a desempenhar seu papel com responsabilidade. A Tigre, líder no mercado no segmento de tubos e conexões tem demonstrado empenho em investir em sua equipe. Tal preocupação constitui mais um dos pontos de reestruturação do setor industrial plástico:
Em sintonia com o novo paradigma de universidades corporativas já vigente nos EUA, estamos dando um grande passo para fundar a UNIVERSIDADE TIGRE, buscando com isso não apenas a valorização dos nossos funcionários, mas também um processo de aprendizado contínuo e crescimento profissional. Com um empreendimento desse porte, pretendemos estimular a busca de soluções compartilhadas para problemas atuais e futuros, criar uma linha de frente composta por multiplicadores do conhecimento, aptos a interagir com o mercado, uma vez que este nada mais é do que a tradução das necessidades de cada um dos nossos clientes (RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO DA TIGRE - Gazeta Mercantil, 19/03/2001: C-15).
Esta crescente profissionalização produtiva, reflete uma reestruturação e uma nova visão organizacional, as empresas não se restringem à manutenção de seu nicho mercadológico defendido à todo custo por administrações xenófobas.
A Globalização e abertura do mercado familiarizaram o Brasil com as tecnologias adiantadas da moldagem de polímeros. Além da importação facilitada de máquinas e materiais de ponta, como resinas de metalocenos, a atualização é impelida pelo desembarque crescente de transformadores internacionais, através da montagem de empreendimentos por conta própria ou da junção de forças ou incorporação de fabricantes de alcance doméstico.
Na primeira metade dos anos 90, o processo foi puxado, em essência, pelo nicho de sopro com pré-formas de garrafas de refrigerantes. O regime automotriz brasileiro acelerou o processo, atraindo a nata dos transformadores da rede mundial de suprimentos das montadoras. Esse modelo de atendimento em escala global vem se desdobrando por mercados de massa de embalagens sopradas e tampas, caso de cosméticos, detergentes e laticínios, e já começou a garimpar um dos veios mais promissores: o abastecimento de componentes para o sistema privatizado de telefonia.
Além dos movimentos citados, há caso de formação de acordos tecnológicos com empresas estrangeiras, visando transferência de tecnologia, além do aprendizado no uso de
maquinários mais sofisticados, que vêm melhorando de forma mais abrangente os índices de competitividade do setor.
No próximo item, no intuito de reforçar a compreensão dos mecanismos produtivos que envolvem o setor plástico, é apresentado um breve relato contendo as características técnicas dos produtos de PVC e os processos de fabricação dos produtos de matéria plástica.
2.2.3 Informações técnicas do PVC e métodos utilizados na fabricação de produtos de matéria