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Aviário construído com o investimento do FUNBIO

A foto 06 foi tirada da estrada que separa este aviário do que pertence ao Projeto Pajiroba, ambos localizados nas margens do núcleo da comunidade. Juntamente com o recurso para a construção de infraestrutura, foi direcionado recurso para a capacitação de vinte agricultores envolvidos na ação. A melhoria das condições legais do grupo também foi contemplada por meio de curso sobre associativismo e cooperativismo ministrado pelo Sindicato dos Produtores Rurais, a fim de orientar sobre registros e andamentos de associações legalizadas, tendo em vista o pouco tempo da associação de São Pedro.

Assim, o projeto teve início no ano de 2010 e em nosso trabalho de campo do ano de 2011, constatamos que apenas 2 famílias ainda continuavam trabalhando na iniciativa, que foi

abandonada pelas demais. Entrevistamos apenas o representante do projeto, que coincidentemente, é o que continuou a frente do projeto Pajiroba também. Segundo ele, o desestímulo pela continuidade no projeto de criação de galinhas poedeiras se deu por problemas de relacionamento de grupo, principalmente, semelhante aos que ocorreram dentro do primeiro projeto.

3.1.3 – Projeto Agroextrativista - EMATER

O terceiro projeto desenvolvido na comunidade São Pedro teve início em dezembro de 2010, sendo uma iniciativa da EMATER para a recuperação do assentamento SOCÓ I. Segundo o gestor da EMATER em Juruti, o projeto é acompanhado pela Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) do órgão. De forma geral, têm sido criadas algumas Unidades Demonstrativas (UDs) no município de Juruti, que tem como principal função, serem áreas exemplares de produção. Esse projeto tem sido apresentado como uma estratégia de recuperação dos assentamentos no município.

As UDs são desenvolvidas por meio de investimentos e acompanhamento direto de técnicos da EMATER, atendendo aos modos produtivos dos Sistemas Agro-florestais (SAFs), que propõem a realização da atividade agrícola com o plantio consorciado de produtos a serem direcionados para o mercado. Até 2011, totalizavam 20 UDs em desenvolvimento no município de Juruti. O projeto apresenta para a comunidade um modelo de plantio, completamente custeado pela EMATER, para que sirva de exemplo e capacitação para os agricultores. Para que estes deem continuidade às atividades em seus terrenos, a EMATER faz a mediação entre agricultor e bancos ou agências financiadoras.

Na comunidade São Pedro, a UD plantada possui o consórcio de curauá, banana e cumaru. O primeiro produto é um vegetal que se desenvolve bem em clima quente e úmido, conforme é explicado pela EMBRAPA (2012, s/n):

O curauá (Ananas erectifolius) é uma bromélia característica da Amazônia paraense, mais concentrada na região de Santarém. A fibra extraída de suas folhas é muito resistente, macia, leve e reciclável, permitindo composições para diversos usos na indústria.

Este tipo de ação da EMATER é apresentada recentemente em Juruti como uma proposta experimental, mas desde o ano de 1994, este mesmo órgão, contando com o apoio do

Programa Pobreza e Meio Ambiente (POEMA), tem incentivado o plantio de Curauá no oeste paraense, principalmente em áreas nas proximidades de Santarém (MACIEL, 2010). O uso da fibra do curauá tem sido cada vez mais frequente, principalmente por indústrias automobilísticas para substituição do uso da fibra de vidro (EMBRAPA, 2012). Mas novas pesquisas vêm sendo realizadas pela Universidade Federal do Pará e apontam para a possibilidade de uso da fibra na fabricação de papel, bem como em benefício da saúde como analgésico e anestésico. Segundo tais pesquisas, também é de grande valia o uso no solo, pois as folhas do vegetal, após processamento, passam a servir como adubo orgânico (RAMALHO, 2012)

O cumaru é uma erva aromática que possui fins farmacológicos também, sendo utilizada como anestésico e como óleo de massagem, que no início do projeto, por um levantamento feito pela EMATER, tem bom mercado consumidor em Óbidos, município paraense próximo a Juruti, com o preço de R$20,00 o quilo da amêndoa. Assim, o cumaru, o curauá e a banana têm sido plantadas de forma consorciada, a fim de aproveitar o máximo possível a capacidade ambiental da região, tendo em vista que os dois primeiros produtos se desenvolvem melhor em ambientes quentes e úmidos como a Amazônia.

Ao que nos foi apresentado em entrevista por Helder Freitas, representante da EMATER em Juruti, o curauá é a grande expectativa de retorno financeiro deste projeto. Foi- nos informado ainda que a procura pela fibra tem crescido na região. Em Santarém, encontra- se a empresa Pematec, que apesar de ter uma fazenda para plantio próprio de curauá, ainda busca mais fornecedores, compra a quantia que for produzida. Essa empresa produz as chamadas mantas agulhadas para fornecimento para as indústrias de carro, no que tange a painel, os tetos dos carros, alguns componentes.

Assim, a produção deste vegetal é uma aposta com grande perspectiva, pois há uma crescente demanda pelo produto. Mas, para isso, segundo Helder é de suma importância que o desenvolvimento deste tipo de projeto ocorra em várias comunidades, gerando uma quantia que justifique o contato da empresa para coleta de produto no município.

Se o produtor tiver uma produção que justifique o veículo chegar aqui, eles vêm comprar aqui (...) aqui se faz o tratamento para se desfibrar, tira as folhas e utiliza a máquina, chamada tapuia pra fazer o desfibramento, então sai a fibra, que é tipo a juta, a malva, só que o valor econômico dela é maior. Hoje o quilo da fibra do curauá tá em torno de cinco reais, e em um hectare de curauá você pode plantar 24 mil mudas (HELDER FREITAS, Entrevista concedida em 14 de julho de 2011).

Este projeto tenta desenvolver atividades agrícolas que estejam vinculadas a uma demanda externa ao município, diferentemente do que era de costume dos camponeses locais. Assim a produção e venda do produto precisa ser realizada em período certo e programado para que viabilize a comercialização. Por ser um projeto mais recente, presenciamos sua realização enquanto UD pela EMATER, onde um grupo de camponeses acompanha o processo conjuntamente. Apesar de ter possibilidade de realização da produção em áreas diferentes, como cada família em seu lote, é necessária a organização de todos para que torne o projeto uma viabilidade real de venda, caso contrário, esbarrarão na dificuldade de escoamento da produção para Santarém.

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