De acordo com o site Donos da Mídia o Paraná possui 23 políticos detentores de outorgas de radiodifusão, o Rio Grande do Sul tem 11 e Santa Catarina tem 9. Há políticos que possuem vínculos indiretos com os veículos de radiodifusão. É o caso do deputado federal Carlos Ro- berto Massa Júnior, filho do apresentador e empresário Carlos Roberto Massa (Ratinho), proprietário da rede Massa, afiliada do SBT deste 2008, no Paraná. Em 2002 o filho do apresentador foi eleito deputado estadual. Em 2006 e 2010 Carlos Roberto Massa Júnior foi eleito depu- tado federal. Concorreu à prefeitura de Curitiba em 2012 e perdeu no segundo turno.
Cozer e Christofoletti (2009) apontam que em Santa Catarina dois dos três senadores - Neuto De Conto (PMDB) e João Raimundo Colom- bo (DEM) – e, inclusive, o vice-governador do estado, Leonel Pavan (PSDB), são sócios dirigentes de veículos de comunicação. Além deles, o deputado estadual César Souza Júnior (DEM) e outros cinco prefeitos são proprietários de meios de comunicação.
No Rio Grande do Sul dois deputados estaduais, um deputado federal e 8 prefeitos são sócios-proprietários de 9 rádios OM e duas FM, todas situ- adas no interior. No Paraná, o senador Wilson de Matos (PSDB), quatro de- putados estaduais e quatro federais e 12 prefeitos são proprietários de rádios 15 rádios OM, quatro rádios FM. Três prefeitos do Paraná são proprietários de rádios comunitárias em Fortaleza (CE), Caruaru (PE) e em Batayporã (MS). Nos dois estados os políticos são vinculados a várias legendas (PMDB, PP, DEM, PSL, PPS, PSDB e PDT).
Mesmo sendo o segundo mercado de mídia do país (e o regional com maior número de empresas) o Sul também possui alguns desafios quanto ao fortalecimento das mídias regionais. Nas três esferas da mídia regional há uma forte dependência dos grupos de referência nacional. Também há influência de políticos concessionários de outorgas de ra- diodifusão, em diferentes suportes de mídia.
Considerações finais
A compreensão da mídia brasileira está diretamente relacionada ao entendimento dos seus diferentes mercados regionais. Estes têm se mostrado fundamentais para o sistema de mídia do país. Não se tratam mais de pequenos mercados isolados, mas de redes subestaduais, esta- duais e supraestaduais interligadas pelas empresas de radiodifusão de referência nacional capazes de gerar lucro. Este novo cenário deve ser observado pelas pesquisas em comunicação, no sentido de buscar en- tender a composição destes mercados e o seu impacto na mídia do país. Recortamos aspectos centrais das mídias de duas regiões distintas do país para expor as semelhanças e diferenças existentes na pluralida- de deste ambiente regional. Os mercados do Norte e do Sul do Brasil apontam os desafios das mídia no âmbito das regiões. Tal comparação foi possibilitada pelo cruzamento de dados oficiais do Ministério das Comunicações, do IBGE, da ANJ e da pesquisa exploratória da tese, com objetivo de sintetizar uma amostra coerente da diversidade perce- bida nestes dois mercados.
As principais semelhanças verificadas nos dois subsistemas foram a propriedade de mídia por parte de políticos eleitos e ou com man- datos encerrados, além das relações perenes entre grupos regionais e empresas de radiodifusão de referência nacional, sobretudo as de tele- visão. Também foi notória a concentração de veículos nos dois subsis- temas, na qual conglomerados afiliados a redes nacionais de televisão utilizavam esta parceira para consolidar outros veículos como rádios, impressos e veículos online. As diferenças entre os dois mercados são ocasionadas, sobretudo, pelos reflexos das desigualdades econômicas entre as regiões. A barganha por mais espaço de programas regionais das emissoras da região Sul denotam maior auto-suficiência econômica deste em relação às empresas da região Norte. A programação do Sul
inclui programas de entretenimento e de jornalismo, enquanto o Norte apenas cumpre a grade estabelecida pelas redes, com jornalismo regio- nal. O fator econômico também pode ser percebido quanto à ramifica- ção de veículos, sobretudo impressos, nas cidades do interior do Sul, enquanto no Norte os veículos ficam restritos às capitais, de onde são distribuídos para o interior dos estados.
Observamos a influência dos fatores socieconômicos e geográficos na formação dos mercados de mídia: Aspectos como como o PIB e a própria densidade demográfica têm um peso na formação e manuten- ção de mídias em cada um destes contextos. Enquanto o subsistema do Norte tem um mercado vulnerável, dependente da publicidade gover- namental e um mercado consumidor limitado pela dimensão territorial, o Sul apresenta vantagens não apenas do ponto de vista econômico, mas também social (maiores índices de alfabetização) e geográfica, pro- piciada pela proximidade entre os três estados.
A discussão abordada neste artigo reflete uma análise em cons- trução na tese e aponta a necessidade de dar seguimento neste campo de estudo sobre as mídias regionais no Brasil, dada a sua dinâmica e abrangência econômica e política para a comunicação brasileira.
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