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Bacia hidrográfica da lagoa Rodrigo de Freitas

No documento Rafael Rosas Oliveira (páginas 50-54)

2. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

2.1. Bacia hidrográfica da lagoa Rodrigo de Freitas

A bacia hidrográfica da LRF (Figura 4) está localizada da zona sul do município do Rio de Janeiro, formada pelas sub-bacias dos rios Cabeça, Macacos e Rainha e pelas praias de Ipanema e Leblon. Caracteriza-se por ser uma pequena bacia drenante, com uma área de cerca de 23,0 km2, que pode ser dividida em dois compartimentos geomorfológicos distintos: o Maciço Costeiro e a Planície Costeira (LOUREIRO et. al, 2006).

Figura 4. Bacia hidrográfica da LRF e suas principais sub-bacias.

Fonte: Projeto Lagoa Limpa (http://www.lagoalimpa.com.br).

Os divisores de águas que limitam a área da bacia (Figura 5) vão desde a praia do Arpoador, passando pelos cumes dos morros dos Cabritos e Saudade, chegando até os morros do Corcovado, Alto Sumaré, Pico Carioca, Morro do Queimado, Mesa do Imperador, Morro Dois Irmãos, Alto Leblon e retornando até a praia do Leblon. A bacia de drenagem abrange os bairros de Ipanema, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico e Gávea, sendo vizinha ao Maciço da Tijuca, em sua vertente sul, junto a Serra da Carioca (MACHADO, 2009).

Figura 5. Divisores de águas da bacia de drenagem contribuinte a LRF.

Esta bacia encontra-se emoldurada pela presença de diversas áreas institucionais de preservação ambiental, ainda que muitas dessas áreas sejam ameaçadas pela expansão urbana. Nas partes mais altas, os mananciais encontram-se protegidos pela existência do Parque Nacional da Tijuca, o que não acontece em relação aos pontos localizados em cotas mais baixas, cujo desmatamento foi provocado pelo aumento do volume de construções de ocupação subnormais e de elevado padrão. O Parque Nacional da Tijuca, o Jardim Botânico e o Parque da Cidade compõem as três áreas de conservação ambiental inseridas na região e ocupam parte das sub-bacias dos rios Cabeça, Macacos e Rainha (LOUREIRO et. al, 2006).

O controle de uso e ocupação das encostas reflete nas partes mais planas da bacia, sobretudo sob a forma de assoreamento do sistema de drenagem da bacia hidrográfica da LRF. A rede de drenagem foi modificada através da retificação dos rios e canais, alterando a área de contribuição da bacia drenante que primeiro causou a diminuição da quantidade de sedimentos que chegava à lagoa. À medida que a densidade urbana foi aumentando o despejo de esgoto e resíduos sólidos se tornou comum e a qualidade dos sedimentos e águas que chegavam à LRF também mudou (AMBIENTAL, 2002).

Os rios dos Macacos e Cabeça desembocam na LRF através de um único canal, o canal do Piraquê, nas proximidades da ilha do Piraquê, através do canal da rua General Garzón. É pelo canal do Piraquê (extensão do canal da Gal. Garzon) que deságuam cerca de 50% da drenagem da bacia da Lagoa. O rio Rainha teve seu curso desviado para o canal da Av. Visconde de Albuquerque, que deságua, em tempos de chuva intensa, na praia do Leblon. Em períodos de tempo seco, a comporta fica fechada, sendo o volume d’água bombeado para o emissário de Ipanema (LOUREIRO et. al, 2006).

Para evitar o maior comprometimento na qualidade das águas da lagoa, grande parte das águas escoadas pelos rios Cabeça e dos Macacos é desviada pelos canais da Av. Lineu de Paula Machado, da rua Gal. Garzon e o do Jockey Club para o canal da Av. Visconde de Albuquerque, com auxílio de um sistema de comporta (Figura 6). Essa comporta, instalada no canal da Gal. Garzon, permite, ainda, o extravasamento dos rios Cabeça e dos Macacos para a LRF, podendo originar episódios de cheias. Com a mesma intenção, a maioria das águas provenientes das galerias de águas pluviais foi interceptada e desviada para o sistema de esgotamento sanitário através de uma galeria de cintura que abrange cerca da metade da orla da Lagoa (FEEMA 2005). Ressalta-se que estas informações são de suma importância para o entendimento dos resultados obtidos neste estudo.

O rio Rainha deságua diretamente no canal da Av. Visconde de Albuquerque, sendo seu destino final, atualmente, controlado por um sistema de comporta e recalque, que permite direcionar o escoamento dos efluentes desse corpo d’água, em tempo seco, para o sistema de esgotamento sanitário da CEDAE e, daí, para o Emissário Submarino de Ipanema. Caso contrário, a comporta é ativada, restabelecendo o fluxo anterior até o mar. Este rio se divide em dois trechos bastante distintos, um trecho inicial que possui declividade bastante acentuada com ampla cobertura vegetal e o trecho final com pequenas declividades e solo densamente urbanizado e ocupado; com a sub-bacia costeira, apresentando características semelhantes ao segmento final dos rios (FEEMA, 2006).

Figura 6. (a) Localização das comportas e elevatória. Fluxos de escoamento predominantes nos canais da LRF, em função da operação das comportas: (a) período seco; (b) período chuvoso.

Fonte: www.rio.rj.gov.br/web/smac.

Os dois rios considerados no atual estudo apresentam vazão média (QM) igual a 300,0 L.s-1 e os canais entre 1,0 e 45,0 L.s-1. Estas informações tratam-se de dados secundários disponíveis nos estudos de hidrodinâmica realizado por ROSMAN (2009).

Sub-bacia do rio Cabeça: Localizada em grande parte no Jardim Botânico, possui uma área de drenagem de cerca de 2,0 km2. Nasce nos contrafortes do morro do Corcovado em cotas de 520 m, dentro do Parque Nacional da Tijuca, e deságua no canal da Av. Lineu de Paula Machado que desemboca no rio dos Macacos, no trecho da Rua Gal. Garzón.

Sub-bacia do rio dos Macacos: Nasce nos contrafortes dos morros dos Queimados e Sumaré, em cotas perto 520 m, na área do Parque Nacional da Tijuca. O rio dos Macacos é formado pelos tributários Algodão, Caixa-d’água, Cachoeira, Andaraí e Lagoinha; possui área de drenagem de cerca de 8,0 km2 e drena os bairros do Alto da Boa Vista e Jardim Botânico.

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Em seu trecho final, há um desvio do rio dos Macacos para uma comporta na rua Gal. Garzón para o canal do Jockey e deste ponto até o mar.

Sub-bacia do rio Rainha: Nasce na encosta Sul da Serra da Carioca com cotas de 680 m, possuindo área de drenagem de aproximadamente 4,5 km2. Drena o bairro da Gávea e deságua diretamente no Canal da Av. Visconde de Albuquerque, sendo seu destino final controlado por um sistema de comporta e recalque. Esta é a sub-bacia que apresenta o pior estado de desflorestamento, com vegetação bastante fragmentada pela malha urbana, com ocupação composta por condomínios de alto luxo e habitações subnormais (favelas), recebendo, inclusive, esgotos domésticos in natura provenientes da favela da Rocinha.

No documento Rafael Rosas Oliveira (páginas 50-54)