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Balanço dos contratos de risco: o destaque para a plataforma continental

CAPÍTULO II –O CONTRATO DE RISCO BRASILEIRO E O CAPITAL INTERNACIONAL NA

4. O S “ CONTRATOS DE SERVIÇO COM CLÁUSULA DE RISCO ” (1975-1984)

4.3. Balanço dos contratos de risco: o destaque para a plataforma continental

Ao longo dos mais 10 anos de vigência dos contratos de risco (1976 e 1988207) foram celebrados 243 contratos208, perfurados 196 poços exploratórios (122 na terra e 74 no mar) e foram investidos um total de US$ 2,173 bilhão na perfuração, infraestrutura de exploração, e, principalmente, para a pesquisa de total de 165.591 km de linhas sísmicas por meio de aluguéis de sondas (LUCCHESI, 1998; RANDALL, 1993). Quanto à contribuição dos contratos de risco para a produção interna de petróleo podemos destacar que no saldo do seu período de vigência foram poucas descobertas comercializáveis ou economicamente viáveis. Até o término de nossa investigação as informações obtidas por esta pesquisa deram conta de duas descobertas comerciais de campos de gás natural na Bacia de Santos e Sergipe (RANDALL, 1993; MILANI, 2000). Adicionalmente, a Petrobrás incorporou à sua base de dados as informações de sísmica coletadas pelas companhias. No entanto, o que prevaleceu foi o abandono de áreas de serviço dos contratos de risco na medida em que as companhias malogravam em encontrar indícios rentáveis de petróleo ou gás natural. Isso ocorreu principalmente a partir de 1984 com a queda nos preços internacionais do petróleo e a recessão econômica brasileira. Não obstante, algumas áreas abandonadas estivessem próximas de outras áreas exploradas pela Petrobrás nas quais posteriormente foi encontrado petróleo (MIKESELL,1984) 209. A principal destas áreas foi a Bacia de Santos com o

207 Como vimos anteriormente, os contratos de risco foram proibidos a partir da Constituição de 1988, porém, os contratos em vigor

na data da proibição e com perspectivas de descobertas comercializáveis foram mantidos pela Petrobrás, como foi o caso do contrato entre a Petrobrás e a Texaco na região da Foz do Amazonas (ver Diário Oficial de União).

208 “Até o presente, foram assinados 243 contratos, dos quais 187 terminaram sem descoberta comercial, estando em vigor 56

contratos, envolvendo 10% da área sedimentar brasileira, o que vale dizer que estão sem exploração, na atualidade, cerca de 50% das bacias.” Ozires Silva, ex-presidente da Petrobrás em depoimento a Constituinte, 4 de maio de 1987, fonte: Acervo Câmara dos Deputados.

209 A literatura destacou o baixo número de perfurações das companhias que atuaram nos contratos de risco em comparação com a

Petrobrás. De fato, as companhias viam a pesquisa e a exploração de petróleo como negócio, sendo assim, primavam pela possiblidade de ganhos de curto prazo, possibilidade de remuneração atrativa em comparação a outras regiões, balizado pelos preços mundiais de petróleo. A descoberta de petróleo pela Petrobrás nestas regiões é uma evidência da diferença de objetivos entre as companhias multinacionais e a Petrobrás. As primeiras como veremos no tópico seguinte, não objetivavam necessariamente a descoberta de petróleo no Brasil, seus objetivos estavam relacionados ao acesso a informações e uso de técnicas e processos exploratórios. Em contrapartida, a Petrobrás, a partir de uma determinação do governo federal, tinha o objetivo de ampliar rapidamente a produção de petróleo brasileira para economizar divisas com importações, como determinou a diretriz do governo Figueiredo como vimos nos tópicos anteriores.

Campo de Merluza210 (ver localização nas figuras 1 e 2), outras regiões foram a Foz do Amazonas, o litoral do Espírito Santo e do Nordeste, todas estas áreas encontravam-se na plataforma continental. A sobreposição das figuras 1 e 2 permitiu observarmos este fenômeno.

Figura 1

Atividades de exploração da Petrobrás (1975-1984)

Fonte: MILANI, 2000.

Entre 1975 e 1984, a título de comparação, foram perfurados pela Petrobrás 885 poços exploratórios em terra e 750 no mar; nos contratos de risco, o número foi de apenas 51 poços em terra e 64 no mar, num total de 115 poços exploratórios211. É importante frisar que no regime de contratos de risco para este período não foi encontrado registro de poços para desenvolvimento. Além disso, esta época ficou conhecida na história da exploração de petróleo brasileira como fase das águas rasas (perfuração de até 300 m de lâmina d´água, ver figuras 2 e 3). Tratou-se de um período de novas descobertas, principalmente a descoberta do campo gigante de Albacora em 1984 (de águas profundas, superiores a 300 m de lâmina d´água) o qual inaugurou uma nova fase na exploração de petróleo brasileira, a fase de águas profundas. Em terra, na região amazônica e no

210 Descoberto pela Shell no mar, aconteceu a primeira descoberta por uma empresa sob contrato de risco, o campo de gás de

Merluza, pela Pecten, na Bacia de Santos. Em um caso Tubarão, em 1988, a Petrobrás encontrou hidrocarbonetos no mesmo bloco onde companhias estrangeiras anteriormente haviam perfurado com contratos de risco, e que, porém, não renovaram a contratação pois o governo já afirmava que iria eliminar os contratos de risco. Em outro caso, a única companhia estrangeira que encontrou um campo de gás comercializável foi a PECTEN, o campo de Merluza. Em 1984, a Petrobrás afirmava que a exploração por meio dos contratos de risco acelerava o processo de definição do potencial petrolífero brasileiro, sem quebra do monopólio, sem uso adicional de recursos, sem sobrecarregar técnica ou financeiramente a Petrobrás (RANDALL, 1983).

211 Os demais poços perfurados no sistema de concessões de risco, foram efetuados entre 1984 a 1991, aproximadamente, num total

Nordeste, foram descobertas 148 acumulações de óleo e gás, 98 em terra e 50 no mar (ver figura 2). Ao final de 1984, as reservas totais brasileiras alcançavam 4,29 bilhões de barris e a produção chegava a 488.400 barris por dia (MILANI, E.J.et al, 2000).

O que podemos observar, a partir dos dados informados oficialmente e coletados até a conclusão desta pesquisa, foi que a contribuição dos contratos de risco para aumento de nível de reservas brasileiras no período de águas rasas foi marginal, restringindo-se principalmente ao Campo de Merluza e pelo aumento do acervo de informações sísmicas da Petrobrás. Ademais, constatamos que o período de maior atividade e número de contratos de risco concentrou-se entre 1980 e 1984.

Figura 2

Áreas de concessão dos contratos de risco

Fonte: MILANI, 2000.

É possível compreendermos a concentração de atividades neste período por algumas razões principais: i)- pela tendência de crescimento mundial dos investimentos no upstream (ver tabela 13)212; ii)- pelo contexto interno favorável à importação de divisas e equipamentos para viabilizar as atividades de exploração das companhias internacionais; iii)- a partir das adaptações

212 De fato, os investimentos em exploração são os mais significativos dentro da estratégia das corporações do petróleo, o objetivo

que tornaram os contratos de risco mais atrativos às demandas de rentabilidade das INOCs213; iv)- pelo impacto da crise de 1979 que impulsionou a busca pela diversificação das áreas de produção de petróleo em direção à América Latina, além da proximidade do Brasil com os EUA em relação às áreas de maior risco político no Golfo Pérsico; v)- a importância do Brasil nas atividades de exploração offshore (em 1978, o Brasil representava 16% do total mundial de perfurações na plataforma continental, ver tabela 18); vi)- redução214 dos custos de exploração para perfuração e sondagem, já que os salários estavam em desvalorização; vii)- pelo aumento das atividades exploratórias da Petrobrás215 cujo período entre 1980 e 1984 foi marcado pelo crescimento no volume de poços perfurados pela estatal no mar (ver figura 3); viii)- e, por fim, este período foi marcado pelo crescimento do nível de reservas marítimas (ver tabela 19) e da produção de petróleo216.

Tabela 18

Perfurações em águas profundas em 1978 (a partir de 183m de lâmina d´água)

213 Os contratantes estrangeiros mantiveram sua presença no Brasil com lucros estimados de 28 a 38% por um preço do barril de 27

dólares o Barril em riscos moderados. Em 10 de agosto de 1982, as companhias petrolíferas gastaram 1,2 bilhões de dólares em perfurações de 80 poços sendo que apenas 1 foi declarado comercializável pela Petrobrás. Consequentemente, o Brasil ofereceu termos cada vez mais favoráveis as empresas. De fato, a liberalização do modelo dos contratos de risco a partir de 1980, ampliou o interesse das companhias privadas de petróleo em celebrar novos contratos, apesar do pouco interesse observado na sexta licitação dos contratos (MIKESELL, 1984).

214 Entre 1980 e 1985, verificou-se o crescimento do nível de reservas (ver tabela 19) e a produção de petróleo triplicou enquanto o

consumo foi contido pela queda dos salários, desemprego, recessão, os custos primários de produção do petróleo reduziram nesse período (FURTADO 1995, p. 165).

215 Em 1981, as atividades de exploração e desenvolvimento da produção absorveram 75% dos investimentos consolidados da estatal

(crescimento no investimento consolidado em capital fixo e custo em milhares de cruzeiros – cresceu 21,7% entre 1980 e 1981 na produção e exploração (PETROBRÁS, 1981).

216 De fato, em 1978, houve a guinada para a produção offshore na Petrobrás. Entre este ano e 1981 houve a ampliação nos

investimentos em exploração e o aumento nos investimentos para novas reservas (ver tabelas 8 e 19).

Brasil 10 16% Irlanda 8 13% Reino Unido 6 10% 4 6% Califórnia 5 8% Japão 4 6% Líbia 4 6% Outros 21 34% Total 62 100%

Perfurações em águas profundas em 1978 (a partir de 183 m de lâmina

d´água)

Golfo do México

Elaboração própria. Fonte: Revista Offshore, 1980. In: PETROBRÁS, Na terra e no mar, o

Figura 3

Número de poços perfurados pela Petrobrás (1953-2007)

Fonte: PETROBRÁS E&P, 2008, p. 387.

Tabela 19

Resultados da pesquisa na plataforma continental (dados em milhões em barris – 1969-1985)

Adicionalmente, a história dos contratos de risco apontou, em nossa perspectiva, a importância das atividades de exploração e desenvolvimento na plataforma continental pelas

(acumuladas) (no ano)

1969 30,3 4,4 34,7 1970 33,2 17,6 50,8 16,1 1971 37,2 33,3 70,5 19,7 1972 40,7 19,5 60,2 -10,3 1973 45,6 32,1 77,7 17,5 1974 54,6 49,1 103,7 26 1975 64,6 73,6 138,2 34,5 1976 76,5 193,1 269,6 131,4 1977 90,5 458,5 549 279,4 1978 106,4 515,2 621,6 72,6 1979 127,1 667,4 794,5 172,9 1980 154,5 739,7 894,2 99,7 1981 191 893,2 1084,2 190 1982 242,5 1107 1349,5 265,3 1983 314,4 1194,5 1508,9 159,4 1984 429 1292,6 1721,6 212,7 1985 572 1428,5 2000,5 278,9

Resultados da pesquisa na plataforma continental (dados em milhões em barris - 1969-1985)

Fonte: Tabela fornecida a pedido, pela Petrobrás, em novembro de 1995. in: LEITE, 1997, p. 430. Produção acumulada Reservas (fim do ano) Descobertas Ano

multinacionais217. Nesse sentido, a tabela 20 abaixo permitiu chegarmos a algumas observações qualitativas a respeito das atividades dos contratos de risco no offshore: i)- do ponto de vista geográfico, assinalamos a concentração na Foz do Amazonas e na Bacia de Santos; ii)- a utilização de consórcios entre multinacionais de nacionalidades diferentes218 (por exemplo, a associação entre as companhias Shell, Chevron e Marathon); iii)- o predomínio de multinacionais estadunidenses em atividades na plataforma continental; iv)- a presença das majors (Chevron/Texaco, Esso, Total, BP, e Shell) que estavam atuando no offshore em outras regiões do mundo.

217 Randall (1993) destacou que dentro do regime brasileiro dos contratos de risco as áreas offshore eram mais atrativas do que as

áreas onshore. Em 1981, apenas 20% do offshore e 15% das bacias onshore eram exploradas diretamente pela Petrobras. Em 1979, os contratos de risco, segundo Carlos Sant´Anna, representavam 20% do total da exploração de petróleono Brasil.

Tabela 20

Contratos de serviço com cláusula de risco na plataforma continental (1977- 1987)

Panorama das licitações dos contratos de risco

Quanto às licitações internacionais dos contratos de risco, nossa pesquisa apenas obteve acesso as informações sobre as sete primeiras, entre 1976 e 1982. A condição para a participação de uma empresa no processo licitatório era a comprovação de sua “capacidade técnica, financeira, experiência e tradição nesse ramo da indústria do petróleo”219. No que tange ao período

219 Ministério de Minas e Energia, PETOBRÁS - SUPEX-04/1979, Edital de licitação. Diário Oficial da União, p. 5033, 11 de

setembro de 1979, seção 1 parte II. Veja inteiro teor no anexo.

Empresas Decreto (no) data de

autorização origem do capital contrato de risco "offshore"

B.P. Petroleum Development Brazil Limited 79119* 14/01/1977 Reino Unido ACS-1

Agip S.p.A. Itália ACS- 3

ELF - Aquitaine Brésil França ACS- 3

Enserch Americas Inc. EUA

Esso Prospecção do Brasil 79.888 26/04/1977 EUA ACS-4

B.P. Petroleum Development Brazil Limited 81.287 31/01/1978 Reino Unido ACS-7, ACS-8

Pennzoil do Brazil Inc. 81.288 31/01/1978 EUA ACS-5, ACS-6

Marathon Petroleum Santos LTD. EUA

Pecten Brazil Exploration Company Shell Exploration Services Brazil B.V.

CITIES Service Brasil Petroleum Corporation 81.800 EUA

UNION Texas Brasil Inc. EUA

CHEVRON Petroleum Company of Brazil 81.970 13/07/1978 EUA ACS-17

Esso Prospecção do Brasil 81.969 13/07/1978 EUA ACS-10,ACS-

11,ACS,12,ACS-13

Marathon Petroleum BRASUL LTD. 81.970 13/07/1978 EUA ACS-17

Pecten Brazil Amazon Company, Pecten Brazil Amazon Petroleum Company, Pecten Brazil Amazon Exploration Company, Shell Exploration Services (Brazil) B. V.

84.556 12/03/1980 Reino Unido/ Holanda ACS - 24, ACS-25, ACS- 26**

Hipspanica de Petróleos S.A. (HISPANOIL) Espanha

Deminex Brazil Limited Alemanha

Hudbay Oil (Brazil) Ltd. Canadá

Pecten Brazil Pará Company e Shell Exploration

Services (Brazil) B.V. 85.940 28/04/1981 Reino Unido/ Holanda ACS-56 (1980)

Pecten Brazil Bahia Exploration Company 86.428 02/10/1981 Reino Unido/Holanda ACS-81

Pecten Brazil Maranhão Exploration Company 86.429 02/10/1981 Reino Unido/Holanda ACS-83

Conoco Tocantins Petroleum Services Inc. 86.814 31/12/1981 EUA ACS-101

B.P. Petroleum Development Brazil Limited 90.338 16/10/1984 Reino Unido ACS- 145

Marathon Petroleum Norte Brazil LTD. 90.339 16/10/1984 EUA ACS-18 (1979)

CHEVRON Barreinhinhas Exploration Limited 91.634 09/09/1985 EUA ACS-213, ACS-209

Total Brésil 93.907 09/01/1987 França

ACS-164 , ACS-165, ACS-166, ACS-167, ACS-

168 (1984)

*Inteiro teor do decreto no anexo.

**Autorização para operação em águas interiores do país (região amazônica).

***Pecten Exploration - pertece à empresa SHELL OIL Co. EUA subsidiária do grupo Royal Dutch Shell com sede no Reino Unido

85.943 81652* 79.228 79.369 28/01/1977 11/05/1978 19/06/1978 28/04/1981 ACS-14 ACS-16 ACS-59

Contratos de serviço com cláusula de risco na plataforma continental (1977-1987)

Shell Exploration Services (Brazil) B.V., Pecten

Brazil Company*** Reino Unido/Holanda

09/02/1977 CAS- 22

Elaboração própria. Fonte: Diário Oficial da União - biblioteca jurídica vLex <http://vlex.com> e Câmara dos Deputados.

de maior atividade dos contratos de risco de 1980 ao final de 1984, a partir da 7ª licitação, não foram obtidas informações precisas. A primeira licitação internacional220 foi realizada pela Supex em 1976221 para contratação de companhias de petróleo para exploração e desenvolvimento de campos petrolíferos em áreas previamente selecionadas: uma em terra, no médio Amazonas, e nove na plataforma continental, do Amapá ao Rio Grande do Sul (ver tabela 21 abaixo).

Tabela 21

Contratos de risco na 1ª licitação internacional 1976

Das 50 companhias que se apresentaram, 40 foram pré-qualificadas e 23 chegaram a fase de aquisição dos geológicos e geofísicos relativos às áreas de interesse222. A tabela 21 mostrou que da primeira licitação foram assinados quatro contratos todos com empresas multinacionais: British Petroleum (Reino Unido), Shell (Reino Unido/Holanda), Elf-Aquitaine (empresa estatal francesa), Agip (Itália) e Esso (EUA). A segunda licitação foi realizada em maio de 1977 e foram ofertadas 25 áreas na plataforma continental, sendo 39 companhias pré-qualificadas (ver tabela 22). Ao todo foram assinados 13 contratos, todos offshore (sendo 8 concentrados na Bacia de Santos) e 5 na bacia da Foz do Amazonas. As contratantes eram todas de origem internacional, sendo que, nesta rodada, verificou-se a entrada de novas empresas, sobretudo estadunidenses: a major Chevron e as minors: Cities Services, Union Texas, Marathon223 Petroleum e Pennzoil assinaram contratos em consórcio umas com as outras ou em associação com a Shell. Ademais, a companhia origem

220 Foram realizadas pelo menos 5 licitações internacionais, entre 1976 e 1980. Com os seguintes números: SUPEX-02/1977;

SUPEX/ 03-1978; SUPEX-04/1979; SUPEX 05/1980. Fonte: Ministério de Minas e Energia - Diário Oficial da União. Todas apresentavam o mesmo teor.

221 Inteiro teor no anexo.

222 Cada proponente pagou US$ 400 mil pelo pacote de dados técnicos adquiridos.

223 A Marathon foi uma companhia petrolífera criada em 1887 nos EUA como Ohio Oil Company, que adquiriu concessões na Líbia

em 1955. Em 1982, foi adquirida pela United States Steel (adquiriu em 1982 – num processo de diversificação). A Occidental Petroleum Corporation adquiriu em 1982, a Cities Company - companhia de petróleo integrada fundada em 1910.

espanhola Hispanoil (Hispanica de Petroleos S.A.) assinou contrato da foz do Amazonas (ver tabela 22).

Tabela 22

Contratos de risco na 2ª licitação internacional 1977

As áreas para a terceira licitação em 1978 eram áreas terrestres – onshore – no médio Amazonas, Bacia do Rio Paraná, além de áreas marítimas da Foz do Amazonas e das Costas do Amapá, Maranhão, Bahia e Espírito Santo, tendo sido contratadas 32 áreas de todas estas bacias. Já na quarta licitação em 1979 foram licitadas novas áreas de serviço em toda a Bacia do Acre, na bacia do Paraná, além de áreas do médio Amazonas e da plataforma continental (ver figura 4). A quarta rodada de licitações, com 123 blocos oferecidos (sendo 99 onshore e 24 offshore) e com área total de 1.208.378 km2 terminou com 34 contratos assinados, número superior às rodadas anteriores e com 14 companhias que separadas ou em consórcio celebraram 13 áreas onshore e 21 áreas offshore. Neste momento foram contratadas sete companhias brasileiras e quatro novas companhias estrangeiras: Conoco (EUA), Deminex (Alemanha), Husky Oil (EUA) e Brazil Petroleum Exploration (Japão). Destacamos o contrato com a empresa Shell associada com a companhia estadunidense Marathon para exploração na Bacia de Santos224 (MIKESELL, 1984).

224 O contrato com a Marathon mereceu destaque pois foi divulgado à época pela imprensa brasileira, este foi um dos poucos

contratos que puderam ser analisados a época e o “Contrato Marathon” (julho de 1979) foi publicado de forma não-oficial no dia

ano área (km2) blocos

1977 5.600 Santos offshore 1977 5.550 Santos offshore 1978 3.075 Foz do Amazonas onshore 1978 9.000/ 2.750 Foz do Amazonas, Bacia de Santos offshore/ onshore 1978 2.800 Santos offshore 1978 2.800 Santos offshore 1978 3.075 Foz do Amazonas 1978 2.775 Santos offshore

Elaboração própria. Fonte: Petrobrás.

Hispanica de Petroleos S.A. - HISPANOIL

Contratos de risco na 2a Licitação Internacional (1977) Empresa

Pennzoil do Brasil, Inc.

British Petroleum

Esso Prospecção do Brasil (4 contratos)

Consórcio Pecten Brasil Exploration Company/Shell Exploration Services (Brasil) B.V./ Marathon Petroleum Santos Ltd.

Consórcio Pecten Brasil Exploration Company/ Marathon Petroleum Brasil Ltd.

Consórcio Cities Service Brasil Petroleum Corporation/Union Texas Brasil Inc.

Consórcio Pecten Brazil Exploration and Development Company/Chevron Petroleum Company of

Brazil/Marathon Petroleum Brasul Ltd.

Figura 4

Blocos totais dos contratos de risco da licitação Supex-04/79

Fonte: Petrobrás, 1980.

A figura 5 permitiu observarmos a disposição dos blocos licitados para as INOCs nos contratos de risco em 1979 na Bacia de Santos e na foz do Amazonas. Os poços perfurados e as descobertas subcomerciais (indícios de óleo, porém não comercializável) foram realizados principalmente pela Esso e pela Shell/Pecten, duas companhias majors que já possuíam experiência na exploração offshore no Golfo do México (EUA).

02/07/1980 no Jornal Diário do Povo de Campinas-SP. Neste contrato a companhia estadunidense iria receber de 28 a 35% (depende do volume de produção) de qualquer descoberta de petróleo feita por ela durante 15 anos. A empresa teria ainda, seu investimento reembolsado em dólar com taxa prime rate 1% Bank of America, este investimento poderia ser pago em 45% por meio de óleo cru. O valor pago pela Petrobrás não poderia exceder 80% do valor total da produção (MIKESELL, 1984, p. 101).

Figura 5

Contratos de risco Supex- 04/1979: Bacia de Santos e Foz do Amazonas

Fonte: Petrobrás, 1980

Em 4 anos de vigência (1976-1979) foram efetuadas 4 licitações internacionais e assinados 49 contratos (335.115km2) com o compromisso mínimo obrigatório de US$ 330 milhões e perfuração de no mínimo 44 poços pioneiros. Esta meta de perfuração não foi atingida, demonstrando o relativo desinteresse das companhias em efetivar os investimentos em exploração no país. Desse modo, concluíram-se apenas 27 poços pioneiros225 resultando em 3 descobertas subcomerciais na Bacia de Campos (PETROBRÁS, 1980) (ver localização dos blocos nas figuras 4 e 5). Em geral, vários poços apontaram indícios de óleo ou gás, porém sem interesse comercial. Além disso, os poços concluídos e em perfuração totalizaram 113.794 m com custo global de cerca de US$ 282,5 milhões, valor abaixo do compromisso mínimo de investimento. E ainda, foram levantados e processados 52.450 km de linhas sísmicas ao custo aproximado de US$ 20,625 milhões (MIKESELL, 1984).

A quinta licitação ofereceu às 34 companhias pré-qualificadas um total de 460 mil km2 de plataforma continental (Amapá até a Bahia). Até março de 1980 haviam sido perfurados 32

225 Dos quais 15 na Bacia de Santos (4 pela BP, 5 pela Pennzoil, três pelos grupos Pecten/Marathon/Union/Enserch,

Pecten/Marathon e Pecten/Chevron/Marathon e três pela Esso) e 12 na bacia da foz do Amazonas (sendo 5 deles pela Esso e três deles pela Shell, dois pelo grupo Elf/Agip/Canam/Norcen, um pela Hispanoil e outro pelo grupo Cities/Union), e ainda 2 poços em perfuração na Bacia de Santos (um pelo grupo Pecten/Marathon/Union/Enserch e outro pela Esso) (MIKESELL, 1984).

poços com um custo total superior a US$ 300 milhões. A sexta licitação realizada no mesmo ano não apresentou empresas interessadas. A segunda rodada da mesma licitação foi realizada em 1981, com novos 150 blocos oferecidos cobrindo 460.000 km2 de áreas offshore no nordeste da plataforma continental brasileira da Bahia até a fronteira com a Guiana. Em seguida, foi anunciada a sétima licitação com 700 novos blocos onshore, cobrindo 2 milhões de km2. No entanto, apenas dois contratos foram assinados, um deles com a Esso Inter-America e a Anschutz Overseas, ambas companhias celebraram contratos que cobriram uma área de cerca de 15.000km2 (MIKESELL, 1984).

Segundo Mikesell (1984), em meados de 1982 haviam sido celebrados 107 contratos de risco com 34 companhias privadas. Mais de 50 poços haviam sido perfurados a partir destes contratos com apenas uma descoberta divulgada. Neste mesmo período, em contrapartida, a Petrobrás havia realizado importantes descobertas petróleo e gás natural na Bacia de Campos e ainda descobriu petróleo e em regiões próximas àquelas dos blocos nas quais foram assinados os contratos de risco. A primeira descoberta significativa por uma contratante privada foi anunciada em janeiro de 1982 pela Pecten (Companhia do grupo Royal Dutch Shell) na Bacia de Camamu no estado da Bahia, porém tal descoberta só poderia ser confirmada com novas perfurações.