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CRUA

RESUMO – O conhecimento da composição específica do banco de sementes, sua distribuição horizontal e a correlação com a flora emergente são importantes para nortear a escolha dos herbicidas e a distribuição da aplicação dos mesmos nos talhões. A colheita mecanizada de cana-de-açúcar acarretou em mudanças significativas neste agroecossistema, quando proporcionou a manutenção de uma camada de palha, reduziu a movimentação do solo e eliminou a queimada. Essas alterações refletiram nas condições microclimáticas e, consequentemente, na composição da flora de plantas daninhas e do banco de sementes. Durante parte da safra 2004 foram realizados levantamentos do banco de sementes e da flora emergida em talhões colhidos mecanicamente, sem queima prévia da palha. Foram realizados estudos fitossociológicos baseados nos dados de banco de sementes, além de estudo de correlações com a flora emergida presente aos 120 dias após a colheita (DAC). As principais espécies presentes no banco foram as pertencentes à classe das dicotiledôneas anuais, com destaque para o Amaranthus spp., diversas Euphorbiáceas e Convolvuláceas. As sementes de gramíneas tradicionais da cultura tiveram pouca participação. Para as principais espécies ou grupo de espécies a distribuição horizontal foi aleatória ou agregada (V/m > 1,00), mas com valores relativamente baixos de agregação. O banco de sementes teve baixa correlação com a flora emergente, independentemente da época de colheita do talhão, da metodologia de quantificação do banco de sementes e das espécies de plantas daninha.

Palavras-chave: Correlação de Spearman Rank, Fitossociologia, Índice de agregação,

Introdução

Muitos são os conceitos encontrados na literatura para tentar definir o banco de sementes no solo. ROBERTS (1981) o definiu como sendo a reserva de sementes viáveis encontradas no solo. Esta reserva é um somatório de sementes produzidas e introduzidas no solo ao longo do tempo através da “chuva de sementes” e que se mantiveram vivas e dormentes, com sementes recém produzidas. Sendo assim, a composição do banco de sementes no agroecossistema cana-de-açúcar contém representantes que predominavam em sistemas anteriores de cultivo da própria cana- de-açúcar ou associados a culturas anteriores. Isso ocorre porque a maioria das espécies de plantas daninhas possui adaptação para produzir grande número de sementes (DEUBER, 1992), que muitas vezes apresentam grande longevidade (BURNSIDE et al., 1986) e ainda apresentam mecanismos de dormência, distribuindo a germinação no tempo (CARMONA, 1992).

O tamanho e a composição botânica do banco de sementes são variáveis em distintos habitats (CARMONA, 1992). Para áreas cultivadas FENNER (1995) estimou em 20.000 a 40.000 o número de sementes por metro quadrado. A composição do banco de sementes é influenciada pelas práticas culturais e varia de sistema para sistema (BENOIT et al., 1992). Geralmente são compostos por várias espécies, mas poucas são as dominantes (WILSON, 1998).

O banco de sementes apresenta mecanismos de entrada e saída. A entrada de sementes no solo de uma determinada área pode ocorrer de duas maneiras: (i) produção e chuva de sementes oriundas das plantas presentes, ou (ii) introdução de sementes originárias de outras áreas por agentes de dispersão. Por outro lado os principais mecanismos de saída são; (i) processo de germinação, (ii) morte, (iii) predação e (iv) transporte por agentes de dispersão (CARMONA, 1992). As práticas de manejo de plantas daninhas bem como as práticas culturais adotadas no manejo da cana-de-açúcar, de um modo geral atuam e alteram a dinâmica de entrada e saída de sementes no banco, refletindo a médio e longo prazo na composição de espécies.

O sistema de cana-crua, cuja implantação se iniciou há mais de vinte anos, trouxe algumas modificações importantes no que se refere às plantas daninhas: (I) - reduziu a movimentação do solo; (II) – introduziu a colhedeira como agente disseminador; (III) – eliminou o distúrbio pela queimada e (IV) – proporcionou a manutenção de uma camada de palha sobre o solo.

A redução na movimentação do solo pelo uso de cultivadores reduziu a incorporação de sementes recém produzidas no solo e o resgate de sementes de outras gerações para a superfície. Com a eliminação desse efeito, as sementes ficam mais sujeitas ao desencadeamento da germinação, à predação e à perda de viabilidade (YENISH et al, 1992).

A manutenção de uma camada de palha, por sua vez, acarreta em grandes transformações no sistema. Alteram a dinâmica dos principais herbicidas utilizados na cultura da cana-de-açúcar (HERNANDEZ et al., 2001; VELINI & NEGRISOLI, 2000; NEGRISOLI, 2002; VELINI et al., 2004), funcionam como barreira física à emergência, modificam importantes elementos microclimáticos, a composição microbiológica e o meio químico (PITELLI, 1998).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a composição específica do banco de sementes de plantas daninhas em áreas ocupadas pela cultura da cana-de-açúcar e a sua correlação com a flora de plantas daninhas, que se estabeleceu em canaviais com histórico de colheita mecanizada sem queima prévia da palha.

Material e Métodos

Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos durante a safra de 2004, em vinte e nove talhões de cana-soca com histórico de colheita mecanizada sem queima prévia da palha, localizados em usinas e fornecedores da região de Ribeirão Preto, SP. Esses talhões foram separados em três grupos em função da época de corte. O primeiro grupo composto por talhões colhidos durante o mês de julho (Época 1 ); o segundo por talhões colhidos a partir da segunda quinzena de agosto até meados de

setembro (Época 2) e o terceiro por aqueles colhidos nos meses de outubro e novembro (Época 3). Os talhões estudados, bem como as datas da realização das colheitas e as informações mais importantes encontram-se também no anexo 1. Os elementos meteorológicos registrados durante o período de coleta dos dados foram extraídos de um conjunto de dados pertencentes ao acervo da área de Agrometeorologia do Departamento de Ciências Exatas (Unesp – Jaboticabal) e encontram-se sumarizadas no anexo 2.

Logo após o corte, cada talhão teve seu perímetro geoferenciado (GPS Garmim 12; Software GPS Track maker) e, quando necessário, foi limitado ao tamanho máximo de cinco hectares, e serviram como área de coleta de amostras para avaliação do banco de sementes e da flora emergida aos 120 DAC.

As amostras para avaliação do banco de sementes foram coletadas logo após o corte e foram compostas por 50 sub-amostras cilíndricas (5 cm de diâmetro por 10 de profundidade), coletadas dentro de cada hectare, ao redor de cinco pontos diferentes, também georeferenciados (10 sub-amostras por ponto). As sub-amostras foram coletadas dentro de um raio de 10 metros dos pontos e, após a homogeneização, foram retirados amostras de 2,5 kg.ha-1 que foram destinadas ao Laboratório de Biologia e Manejo de Plantas Daninhas (Unesp - Jaboticabal). No laboratório foi feita a contagem direta de sementes pelo método da extração (lavagem do solo) e contagem de plântulas emergidas em bandejas (três fluxos de emergência e contagem das sementes restantes), segundo metodologia proposta por FORCELLA (1988). Com os dados obtidos foram realizados estudos fitossociológicos sendo calculados os seguintes índices: densidade relativa (De.R), freqüência relativa (Fr.R.), importância relativa (I.R.) e índice de agregação (V/m), utilizando fórmulas contidas em MUELLER DOMBOIS & ELLENBERG (1974). Com os valores das importâncias relativas das espécies acumuladas nas vinte e nove áreas monitoradas, foi elaborado um “ranking” das principais espécies quanto à presença de sementes no solo.

A flora emergente foi avaliada aos 120 dias após o corte da cana (DAC) para estudar a correlação com o banco de sementes. Foi determinada a densidade das espécies que a compuseram em cada um dos talhões, exceto no USB-30, que por

engano sofreu aplicação de herbicida em área total. Para isso, nos vinte e oito talhões foram demarcadas áreas que ficaram livres da aplicação de herbicidas e que serviram de local para a realização das amostragens. Para cada talhão estudado essas áreas foram locadas aleatoriamente, na proporção de duas a cada hectare, e consistiram de áreas retangulares (4 linhas x 4 metros). A flora emergida foi avaliada, por meio de quadrados vazados de 0,5 x 0,5 m lançados ao acaso por duas vezes nas entre-linhas da cultura dentro de cada área demarcada mantida sem controle. As plantas abrangidas pelo quadrado foram identificadas e contadas, sendo consideradas somente plantas propagadas por sementes. A correlação entre a composição específica do banco de sementes e da flora emergente estabelecida nas áreas foi estudada pela correlação de Spearman Rank, conforme SHIRATSUCHI (2001) e CARDINA et al., (1996) e pelos coeficientes de similaridade de Odum calculados pela formula:

S = (2A/(B+C))*100 onde:

A = número de espécies comuns entre banco de sementes e flora emergida aos 120 DAC

B = número de espécies do banco de sementes

C = número de espécies na flora emergida aos 120 DAC

Resultados e discussão

Analisando a composição do banco de sementes nos primeiros 10 cm de profundidade das áreas estudadas, foram encontradas sementes de 33 espécies de plantas daninhas (Tabela 1). Outras estruturas de reprodução, tais como, tubérculos e rizomas que normalmente não são detectados por esse tipo de amostragem não foram encontrados, o que justifica a ausência ou o pouco destaque para espécies sabidamente importantes na cultura como Cynodon dactylon e Cyperus rotundus na relação de espécies encontradas.

Tabela 1. Relação de espécies ou gênero cujas sementes foram encontradas durante as avaliações nos talhões estudados. Jaboticabal, 2006.

Nome científico Código* Nome científico Código

Acanthospermum

hispidum ACNHI Emilia sonchifolia EMISO

Ageratum conyzoides AGECO Euphorbia heterophylla EPHHL

Alternanthera tenella ALRTE Cassia patellaria CASPA

Amaranthus spp. AMASS Indigofera hirsuta INDHI

Bidens pilosa BIDPI Ipomoea grandifolia IAOGR

Blainvillea rhomboidea BLARH Ipomoea hederifolia IPOHF

Brachiaria decumbens BRADC Ipomoea quamoclit IPOQU

Brachiaria plantaginea BRAPL Lepidum virginicum LEPVI

Chamaesyce hirta EPHHI Nicandra physaloides NICPH

Chamaesyce hyssopifolia EPHHS Panicum maximum PANMA

Commelina benghalensis COMBE Phyllanthus tenellus PYLTE

Croton glandulosus CVNGL Physalis angulata PHYAN

Cyperus spp CYPSS Portulaca oleraceae POROL

Cyperus rotundus CYPRO Sida spp. SIDSS

Digitaria insularis DIGIN Solanum americanum SOLAM

Digitaria spp. DIGSS Tridax procumens TRQPR

Eleusine indica ELEIN --- ---

* código internacional Bayer

Considerando sementes de todas as espécies encontradas e todos os talhões estudados, o banco de sementes apresentou, em média, aproximadamente 350 sementes.m-2 nos primeiros dez centímetros do solo (Tabela 2). Para Amaranthus spp., cujas sementes foram as mais numerosas e freqüentes, observou-se, em média 167 sementes.m-2. Já para as duas espécies de corda-de-viola, Ipomoea hederifolia e I. quamoclit a quantidade de sementes encontradas foi, em media, 83,3 e 38,4 sementes.m-2, respectivamente. Para as demais espécies que se destacaram, os números podem ser vistos na Tabela 2. Os valores apresentados não representam o potencial de infestação imediato do talhão, pois englobam sementes provenientes da contagem direta e contabilizam também as sementes que originaram plântulas pelo método do fluxo de emergência, ou seja, sementes dormentes foram contabilizadas. O valor médio obtido ficou bem abaixo daqueles obtidos por CARMONA (1995) para área de rotação de culturas anuais (6.768 sementes.m-2), várzea (22.313 sementes.m-2) e coroa de pomar de citros (3.595 sementes.m-2) e pouco abaixo do obtido para área de

pastagem (529 sementes.m-2). O autor associou o gradiente de quantidade de sementes à freqüência de distúrbios, inserindo no extremo superior a várzea e no inferior a pastagem. Não há um levantamento abrangente de banco de sementes em áreas de colheita de cana queimada e corte manual seguida de cultivo mecânico com implementos tradicionais que realizam movimentação do solo, que possa fornecer um valor médio do tamanho do banco de sementes nestas áreas. Mas, é bastante claro que há uma redução na freqüência de distúrbio quando se adota a colheita mecanizada, pois a queimada é eliminada e a movimentação do solo reduzida.

Nos sistemas com movimentação vertical do solo reduzido as sementes tendem a se concentrar nas camadas superficiais do solo e na presença da camada de palha, parte das sementes recém produzidas fica nela retidas. Como as sub-amostras atingiram até dez centímetros de profundidade e foram coletadas mediante afastamento da palha os valores obtidos podem estar subestimados o que justifica a baixa densidade média obtida.

Os resultados de densidade relativa (De.R.) e freqüência relativa (Fr.R.) foram utilizados para o cálculo da Importância relativa (I.R.) e não são apresentados individualmente, pois estão, de certa forma contidos neste último índice. A participação, em termos de importância relativa, de cada espécie na composição do banco de sementes foi variável de talhão para talhão. Analisando a relação das quatro principais espécies encontradas em cada talhão (Tabela 3) constatou-se predominância de sementes de plantas daninhas anuais dicotiledôneas, dentre as quais; Amaranthus spp., Portulaca oleraceae, Ipomoea spp., Euphorbia heterophylla, Sida spp., Chamaesyce hyssopifolia e Croton glandulosus.

As sementes de Amaranthus spp. foram encontradas em vinte dos vinte e nove talhões estudados, sendo que em nove talhões foi o principal componente do banco em função da importância relativa. As diversas espécies de caruru estão entre aquelas que mais produzem descendentes (DEUBER, 1992), as quais apresentam dormência, distribuindo sua germinação ao longo de vários anos.

Dentre as espécies de corda-de-viola, destacaram-se Ipomoea hederifolia e Ipomoea quamoclit, sendo que a primeira figurou entre as principais em onze talhões,

sendo quatro como a principal espécie. Essas espécies produzem grandes quantidades de sementes e, por serem relativamente grandes, possuem reserva suficiente para nutrir as plântulas durante a passagem através da camada de palha. Além disso, em várias ocasiões, os frutos com as sementes se mantêm ligados às plantas até a época da colheita e a passagem da colhedeira auxilia na sua disseminação a distâncias maiores.

Tabela 2. Estimativa da quantidade de sementes por m2 das principais espécies ou grupo de plantas que compuseram o banco de sementes dos talhões estudados. Jaboticabal, 2006.

ÁREA AmaranthusSP. hederifolia Ipomoea quamoclit Sida Ipomoea spp. Cyperus spp* patellaria Cassia Digitaria spp. maximum Panicum plantaginea Brachiaria OUTRAS TOTAL

FSI-1 123,2 11,2 112,0 11,2 11,2 56,0 324,8 FBV-2 89,6 33,6 22,4 11,2 67,2 224,0 NSF-3 56,0 18,6 74,6 FSC-4 11,2 11,2 67,2 44,8 89,6 369,6 604,8 FBV-5 168 257,6 78,0 11,2 22,4 11,2 11,2 44,8 604,8 UDP-6 140,0 70,0 42,0 28,0 280,0 UAN-7 56,0 112,0 56,0 112,0 28,0 392,0 756,0 FSI-8 201,6 112,0 22,4 11,2 44,8 0 392,0 FSI-9 1120 11,2 67,2 11,2 44,8 78,4 56,0 257,6 1.646,4 USB-10 33,6 44,8 123,2 89,6 291,2 USB-11 100,8 56,0 22,4 44,8 123,2 347,2 COP-13 56,0 22,4 33,6 112,0 FM-14 22,4 11,2 22,4 22,4 78,4 FM-15 67,2 11,2 22,4 100,8 FM-16 22,4 11,2 0 33,6 FSI-17 18,6 18,6 0 37,3 FM-18 11,2 11,2 112,0 200,8 335,2 USM-19 44,8 33,6 0 78,4 USM-20 884,8 11,2 11,2 89,6 996,8 FSC-21 123,2 123,2 246,4 FBV-22 22,4 257,6 11,2 291,2 FBV-23 112,0 100,8 67,2 11,2 22,4 313,6 FBV-24 28,0 14,0 28,0 50,0 112,0 FBV-25 44,8 33,6 11,2 11,2 11,2 11,2 123,2 FSO-26 11,2 33,6 0 44,8 FSO-27 67,2 11,2 123,2 201,6 USM-28 168,0 634,6 802,6 USM-29 224,0 33,6 11,2 246,4 515,2 USB-30 11,2 11,2 168,0 190,4 Média 167,0 83,3 38,4 31,2 57,4 42,2 26,7 61,6 25,0 110,5 350,3

Tabela 3. Relação das quatro principais espécies que compuseram o banco de sementes dos talhões estudados. Jaboticabal, 2006

Espécies e valores de importância relativa

Primeira Segunda Terceira Quarta

Área

Espécie Valor Espécie Valor Espécie Valor espécie Valor

FSI-1 EPHHL 54,95 AMASS 36,26 --- --- --- ---

FBV-2 AMASS 55,17 POROL 20,69 IPOHF 15,52 CASPA 6,90

NSF-3 CYPSS 75 TRQPR 25 --- --- --- ---

FSC-4 BIDPI 37,57 BRAPL 18,50 EPHHL 12,14 CVNGL 9,25

FBV-5 IPOHF 50 AMASS 32,61 IPOQU 11,41 CASPA 2,17

UDP-6 IPOHF 46,51 SIDSS 34,88 CYPSS 13,95 SOLAM/ BRADC 2,33

UAN-7 PANMA/ ACNHI 18,18 COMBE 13,64

DIGSS/ SIDSS/ EMISO/ CYPSS

9,09 --- ---

FSI-8 AMASS 51,43 IPOHF 28,57 CASPA 11,43 IPOQU 5,71

FSI-9 AMASS 75,89 ALRTE 13,37 CASPA 4,26 DIGSS 2,28

É P O C A 1

USB-10 CYPSS 65,67 POROL 14,93 AMASS 8,96 SIDSS 5,97

USB-11 POROL 29,17 AMASS 28,13 CYPSS 20,83 DIGSS 12,50

COP-13 SIDSS 68,18 CYPSS 18,18 EPHHS 9,09 POROL 4,55

FM-14 CYPSS 44,44 AMASS 22,22 COMBE/ SIDSS/

ELEIN 11,11 --- ---

FM-15 IPOHF 80 POROL/ EPHHS/

CASPA 6,67 --- --- --- ---

FM-16 CYPSS 80 CASPA 20 --- --- --- ---

FSA-17 AMASS/ CYPSS 50 --- --- --- --- --- ---

FM-18 CYPSS 59,70 CVNGL 35,82 AMASS/ TRQPR/

IPOQU 1,49 --- ---

USM-19 AMASS 57,14 SIDSS 42,86 --- --- --- ---

USM-20 AMASS 95,18 ELEIN 3,61 --- --- --- ---

É P O C A 2 FSC-21 CASPA 55,56 PYLTE 44,44 --- --- --- ---

FBV-22 IPOHF 93,24 AMASS 5,41 PYLTE 1,35 --- ---

FBV-23 AMASS 42,55 IPOHF 28,72 IPOQU 25,53 --- ---

FBV-24 PYLTE 54,55 AMASS/ DIGSS 18,18 IPOHF 9,09 --- ---

FBV-25 AMASS 69,57 IPOHF 13,04 DIGSS/ INDHI/ IPOQU/ CASPA 4,35 --- ---

FSO-26 CASPA 85,71 SIDSS 14,29 --- --- --- ---

FSO-27 POROL 54,90 AMASS 35,29

IPOHF/ SOLAM/ ELEIN/ EPHHS/ NICPH 1,96 --- ---

USM-28 POROL 76,99 AMASS 15,93 ELEIN 5,31 EPHHS 1,77

USM-29 AMASS 56,74 EPHHS 34,04 IPOHF 4,26 ELEIN 2,23

É P O C A 3

USB-30 AGECO 57,89 EPHHS 21,05

AMASS/ PANMA/ IAOGR/ EPHHS

Dentre as gramíneas anuais tradicionais das áreas de cana-de-açúcar colhida queimada e manualmente foram detectadas sementes de Eleusine indica (4 talhões), Digitaria spp. (5 talhões), Brachiaria plantaginea (1 talhão), Brachiaria decumbens (1 talhão) e Panicum maximum (2 talhões); no entanto, somente a última espécie foi o principal destaque em um dos talhões. As sementes das gramíneas, de um modo geral, apresentam longevidade relativamente curta e no sistema de cana- crua estão mais sujeitas à germinação seguida de morte ao tentarem transpassar a camada de palha e à predação por pequenos animais (PITELLI, 1998).

Duas espécies que mereceram destaque foram Cyperus spp (exceto Cyperus rotundus), que foi detectada em dez talhões sendo seis vezes como a principal componente do banco, e Cassia patellaria que foi detectada em oito talhões, sendo duas vezes como a principal espécie. Essa última espécie raramente é encontrada em canaviais como plantas estabelecidas e representa uma fração do banco de sementes que pode estar associada a ocupações anteriores e, devido à longevidade e dormência, ainda se faz presente em quantidades elevadas. Segundo GRIME (1998), o banco de sementes reflete o histórico da ocupação do solo abrigando espécies que estiveram presentes no passado com alguma importância. Além disso, segundo FORCELA et al., (2006) os levantamentos de banco de sementes podem antever futuros problemas potenciais que podem ser causados pelas plantas daninhas caso ocorra uma inversão de flora devido a alterações nas práticas de manejo, conforme salientado por FERNANDEZ-QUINTANILLA, (1991).

Considerando a participação das duas principais espécies dentro dos talhões, constatou-se que as mesmas respondem por mais de 50% do total das espécies em termos de importância relativa. Segundo WILSON (1988), poucas espécies são as dominantes e respondem por 70 a 90% do total de sementes presentes no solo.

Somando-se todos os valores de importância relativa das espécies obtida nos diferentes talhões, obteve-se um “ranking” das principais espécies que se destacaram na composição dos bancos de sementes (Tabela 4) da região estudada. Em escala regional o principal componente do banco de sementes foi Amaranthus spp, com valores de importância relativa acumulada ( I.R.) bastante superior às demais espécies. As demais plantas daninhas que se destacaram foram as Cyperaceas anuais e dicoliledôneas anuais (Euphorbiacea, Asteraceae,

Mimosaceae e Convolvulaceae). Dentre as espécies da família Convolvulaceae, observou-se presença mais significativa de Ipomoea hederifolia e Ipomoea quamoclit que ocuparam o terceiro e o décimo lugar, respectivamente. Dentre as gramíneas tradicionalmente encontradas nas áreas de cana queimada e colhida manualmente observou-se a presença de Digitaria spp., Panicum maximum e Brachiaria plantaginea, que ocuparam o 11º, 16º e 17º lugares, respectivamente.

Essa relação de plantas daninhas compreende espécies que vem ganhando importância na cultura, como são os casos das Ipomoeas e das Euphorbiaceas, espécies que ocupavam lugar de destaque no sistema de colheita manual (gramíneas), e outras espécies que raramente são encontradas como plantas estabelecidas na cultura da cana-de-açúcar, mas que no passado pode ter tido sua importância em outras culturas e que agora estão com o desenvolvimento restringido pelas condições ambientais resultantes da presença da cultura da cana e do manejo adotado.

As mudanças no processo produtivo das culturas, como foi o caso da colheita mecanizada da cana-de-açúcar, acarretam em mudanças na composição da flora emergente de plantas daninhas. No banco de sementes essas alterações ocorrem mais lentamente devido aos diferentes tipos de banco de sementes que as plantas daninhas podem apresentar: permanentes e transitórios (GRIME, 1989; THOMPSON, 1992). Quando permanentes, suas sementes apresentam diferentes períodos de longevidade, pois respondem diferentemente aos estímulos ambientais além de estarem sujeitas aos agentes decompositores e predadores (CARMONA, 1992).

Uma maneira de analisar a distribuição espacial das sementes no solo num determinado talhão é por meio do índice de agregação (V/m), calculado pelo quociente entre a variância e a média aritmética das amostras. Segundo DESSAINT et al. (1991), o índice de agregação fornece o desvio da unidade, sendo que valores superiores indicam padrão de agregação espacial. Analisando os valores obtidos para as principais espécies ou grupo de interesse nos diferentes talhões estudados, observa-se que as plantas daninhas apresentam distribuição agregada com diferentes graus de contagiosidade (Tabela 5). De um modo geral, o padrão agregado é mais regra que exceção quando se trata de plantas daninhas

(SHIRATSUCHI, 2001), mas o grau de contagiosidade, ou seja, intersecção entre as “agregações” pode ser bastante variável e está relacionado, dentre outros fatores, com a biologia das plantas daninhas (NORDMEYER et al., 1997) e com a quantidade de sementes produzidas. No caso das cordas-de-viola, a disseminação tem ocorrido por meio de colhedeiras e tendem a apresentar redução nos índices de agregação com o passar do tempo. Por outro lado, as plantas perenes ou àquelas propagadas por sementes, que completam o ciclo antes da colheita da cana, não apresentam mecanismos próprios de disseminação e não são levados pelas colhedeiras tendem a concentrarem suas populações e dispersar-se mais lentamente.

Tabela 4. Plantas daninhas encontradas nos talhões estudadas e ordenadas em função da importância relativa acumulada calculada a partir dos dados de banco de sementes. Jaboticabal, 2006.

Posição Planta daninha I.R.

Amaranthus spp. 764,09 2º Cyperus spp.* 438,7 3º Ipomoea hederifolia 372,17 4º Cássia patellaria 262,07 5º Portulaca oleraceae 211,84 6º Sida spp. 197,82 7º Phyllanthus tenellus 106,32 8º Chamaesyce hypossifolia 85,71 9º Ageratum conyzoides 57,89 10º Ipomoea quamoclit 50,9 11º Digitaria spp. 50,01 12º Croton glandulosus 45,07 13º Bidens pilosa 38,67 14º Tridax procumbens 26,49 15º Commelina benghalensis 24,9 16º Panicum maximum 23,44 17º Brachiaria plantaginea 22,41 18º Acanthospermum hispidum 18,7 19º Euphorbia heterophylla 13,95 20º Alternanthera tenella 13,37

Tabela 5. Valores de índice de agregação (V/m) obtidos para as principais espécies ou grupos de interesse em função da

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