Dentre as responsabilidades demandadas pelo poder público estadual a partir de 1995, o Governo do Estado do Paraná tem focalizado ações em seus programas de governo, visando promover políticas de inclusão social. Criou-se a Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho com a responsabilidade de definir, coordenar as políticas públicas de emprego, renda, salário, qualificação profissional, geração de emprego e renda, seguro desemprego e demais atividades relacionadas ao Sistema Nacional de Emprego. Entre as coordenadorias das diversas áreas da SERT, criou-se a CGE – Coordenadoria Estadual de Geração de Trabalho e Renda. Como tema central, já nos primeiros meses de gestão, a CGE foi à busca de alternativas para atendimento com crédito diferenciado, destinado à micro e pequenos empreendedores urbanos e rurais. O Ministério do Trabalho ainda no ano de 1994, havia formulado um programa de crédito orientado “O Proger Urbano”, que a partir dos recursos oriundos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, implementou uma ação nacional, junto ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Estadual e Banco do Nordeste. No Estado do Paraná a implementação do programa demonstrou ser eficiente à medida que foi criado um sistema participativo com interação dos Conselhos Municipais, Conselho Estadual do Trabalho, Caixa Econômica Estadual e Banco do Brasil S/A, sob a Coordenação da Secretaria do Trabalho.
Os programas daquela Coordenadoria ficaram sob nossa responsabilidade, e desde o início já ficava evidente que, apesar da vontade política, a condução do projeto esbarrava na falta de estrutura, conhecimento e no paradigma ostentado pela cultura
“banqueira” dos Agentes Financeiros envolvidos na implementação do Proger. O Paraná, apesar das dificuldades, foi o estado que mais aplicou em recursos destinados pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador – CODEFAT via Banco do Brasil, alcançando na época a aplicação próxima a 20% do recurso emprestado em todo o Brasil. O sucesso em nosso estado deveu-se à intensa participação dos Conselhos Municipais do Trabalho, com ação deliberativa no intuito de agilizar e fiscalizar a condução no contexto da implementação das ações do Proger.
Com a preocupação de efetivar uma estrutura operacional isenta de interferências culturais ou de qualquer forma prejudicial ao intento de viabilizar crédito
aos micro e Pequenos Empreendimentos, articulou-se uma proposta com outros três estados e o BNDES, iniciando no ano de 1996, uma negociação embrionária coordenada por aquele órgão, denominada BNDES-Trabalhador, no intuito de criar uma infra-estrutura financeira, desburocratizada e adequada para viabilização de recursos com participação pró-ativa do poder público.
O processo foi moroso a ponto de somente em 1998 ter sido possível a criação da Lei Estadual de Número 12.202, a qual possibilitaria empréstimo de recursos via BNDES aos estados. Essa Lei, contudo foi posteriormente inviabilizada por uma resolução do Banco Central, que proibia empréstimos de bancos públicos a estados da federação.
A partir daí, buscou-se formas alternativas junto às demais Secretarias Estaduais, atuando na perspectiva de viabilizar um processo através da criação de uma Organização Não Governamental, vislumbrando a obtenção de recursos junto ao BID, Governo Federal e Governo Estadual.
Esse intento só foi possível a partir da constituição da Agencia de Fomento do Paraná, sendo ela credenciada pelo Banco Central para integralizar recursos nas operações de microcrédito no Estado do Paraná. A partir daí, através de um trabalho conjunto entre organismos estaduais, federais e prefeituras, em março de 2001 foi firmado o convênio para cooperação técnica e aporte de recursos para a implantação e implementação do programa Banco Social. O convênio tem como participantes a Secretaria de Estado da Fazenda, Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho, Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família, (hoje atuando em conjunto com a Secretaria do Trabalho), e Agência de Fomento do Paraná, o SEBRAE – Serviço de apoio às micro e pequenas empresas no Paraná, e os municípios do estado.
A Agência de Fomento do Paraná S/A., tem dentre outras atividades, a responsabilidade de disponibilizar recursos financeiros, através do acesso às sua linhas de crédito, bem como, fornecer orientações, regulamentos e demais normas para operações de crédito. Cabe ainda a Agencia de fomento atuar na fiscalização, análise dos projetos, contratação das operações, liberação dos recursos, efetuar cobranças, enfim, administrar as operações de crédito contratadas no âmbito do convênio.
A Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho, por sua vez, tem a responsabilidade de selecionar os recursos humanos para compor o quadro dos
Agentes de Crédito dos municípios, disponibilizar espaço, equipamentos para atendimento do público, prover recursos para treinamento dos Agentes de Crédito, beneficiários e outros, estimular a iniciação de microempreendimentos junto à população à margem do mercado de trabalho.
O SEBRAE – PR tem a função de treinar, capacitar e reciclar os Agentes de Crédito de cada município, acompanhar com treinamentos, as demandas encaminhadas pelos agentes de crédito e assessorá-los tecnicamente para que acompanhem o desempenho dos beneficiários do programa após a concessão do crédito. Cabe também ao Sebrae a tarefa de capacitar os comitês de crédito sobre os quais se exemplifica adiante, bem como o treinamento dos beneficiários de crédito, antes do financiamento.
A Secretaria de Estado do Trabalho Emprego e Promoção Social – SETP, é a entidade que disponibiliza a base operacional do programa em nível estadual e municipal. A SETP coloca à disposição, em convênio com a prefeitura, o espaço junto às agencias ou portos municipais das Agencias do Sistema Estadual de Trabalho Emprego e Renda para desenvolvimentos das atividades, atendimento, etc. Além disso, a SETP provisiona recursos do FAT para complementar juntamente com o SEBRAE, o treinamento dos Agentes e Comitês de Créditos municipais, os quais implementarão o programa em cada município conveniado. Além disso, consta em sua ação programática, a atuação junto aos conselhos e oferecer subsídios para o estudo das potencialidades econômicas locais e regionais, e designa os comitês de crédito nos municípios. Por fim a CGE oferece suporte para organizar treinamentos, material didático, manuais, e a implementação das ações do programa.
Os Municípios que aderem ao programa disponibilizam os Agentes de crédito, dão apoio logístico aos implementadores locais do programa, assinam convênio com a associação comercial local para interação, disponibilizam os implementadores locais, constituem um Comitê de Crédito Municipal para analisar e homologar os projetos de financiamentos, dentro das características exigidas. Como características, são consideradas; existência de mercado, exeqüibilidade técnica, rentabilidade do empreendimento, capacidade de pagamento, suficiência de garantias, capacidade empresarial do cliente, cadastro satisfatório, público alvo prioritário do programa e compatibilidade com as potencialidades econômicas do município. Os Municípios são responsáveis ainda em manter sigilo quanto a atos e fatos relacionados à Agência de
Fomento do Paraná S/A, proteger do conhecimento público, fitas magnéticas, manuais e outros documentos.
Em sua concepção, o Banco Social é um programa de Crédito Orientado, destinado aos que normalmente não tem acesso ao sistema financeiro tradicional, como os microempreendedores formais e informais, artesãos, prestadores de serviços, micronegócios familiares, visando a ampliação e ou diversificação de atividades, com base em investimentos de pequeno valor e de forma desburocratizada.
Como objetivo geral, o Banco Social visa apoiar através da concessão de crédito orientado, os microempreendedores, formais e informais no estado do Paraná. Isso inclui fundamentalmente a viabilização de novos mecanismos de financiamento para geração de trabalho, emprego e renda, prestando um serviço ágil, desburocratizado e flexível, de forma a criar sobrevivência, crescimento e possível formalização desses empreendimentos no estado do Paraná.