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direita).

Outra música de destaque do repertório da banda é a música “Ovo de Avestruz” (ver vídeo 12, no DVD anexo). Assim como a música “uismirnofay”, essa música também traz

uma letra bastante irreverente, além de também apresentar muitos elementos do “novo pagode” dos anos 2000 - O andamento do pagode mais lento, riffs de baixo e solos de cavaquinho, e efeitos sonoros na voz do cantor e inserção de timbres eletrônicos. Além disso, o prelúdio com solo de cavaquinho e arranjo de teclado com timbre de cordas tocando o Hino do Senhor do Bonfim prenuncia, de alguma maneira, os hibridismos musicais que se tornarão fundamentais para a terceira mudança estilística do gênero.

Outras bandas citadas no início deste tópico também tiveram relevância na cena do pagode baiano da época, a exemplo de Selakuatro105, Guig Ghetto – a primeira banda que começa a utilizar a palavra Ghetto, muito comum nos anos seguintes -, Os Sungas – que tinham a peculiaridade de se apresentar trajando apenas sunga, Kortezia106 e Muvuketto.

Além disso, a cena do pagode nos anos 2000 registrou muitas outras bandas que aqui não foram citadas, como pode ser visto a partir dessa coletânea intitulada Bahia, Mania de Pagode:

Figura 20: Capa e contracapa do CD Bahia, mania de pagode. Na contracapa estão as

músicasdo disco à direita e o nome da banda à esquerda.

Esse CD apresenta as músicas de destaque de 22 bandas atuantes na cena do pagode da época, e compila muitas bandas não discutidas aqui – “Bicho que bole”, “Poder Dang”, “Akidasamba”, “Chega Junto”, “Passarela”, “Banda Miskuta”, “Revolusamba”, “Samba

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A SelaKuatro chegou a ter CDs gravados pelos selos Paradoxx e Wave Music – gravadoras de médio porte, mas com distribuição nacional – e teve músicas com certa repercussão em Salvador. A banda chegou a se apresentar em programas de TV nacionais e locais.

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Da Banda Kortezia, destaco uma versão da música “girls Just wanna Have fun”, da cantora americana Cindy Lauper, rebatizada de “não me deixe” em 2007. E disponível para audição através do link: https://www.youtube.com/watch?v=_whr2LrvkBQ

Raízes”, “Seduzir”, “K pra Nós”, “Supersamba”, “Doweto”, “Feras Pote”, “Kebrasamba”. Mas, como disse no início deste tópico, o levantamento histórico da cena de pagode soteropolitana aqui apresentado, não busca ser um trabalho completo e definitivo e, por isso, não tem espaço para um aprofundamento da atuação de todas essas bandas – o que exigiria um trabalho com apurada pesquisa catalográfica.

Em um segundo momento de transformação, durante meados dos anos 2000, surgem bandas que fazem ainda mais inovações e começam a delinear as mudanças que o pagode vai sofrer a partir da sua ramificação de estilos, mais desenvolvidas no terceiro momento histórico que apresentarei no próximo tópico. Dessas bandas, destaco: Psirico (2003, mas com destaque a partir de 2005), Parangolé (2004) e Black Style (2006). A divisão do segundo para o terceiro período, portanto, começa a se delinear a partir da atuação dessas três bandas, e fica mais nítida a partir de 2006, quando ganham mais destaque na cena e influenciam o surgimento de outras bandas.

O Parangolé é uma banda formada em 1997 e, portanto, pertencente à primeira geração do pagode. Porém, foi somente a partir dos anos 2000 que a banda começou a ser mais conhecida do público soteropolitano, mas, mesmo assim, ainda de forma muito tímida. A banda somente se tornou, de fato, importante para a configuração da cena do pagode a partir em 2004, portanto, quando já tinha 7 anos de atuação.

Essa banda foi marcada por muitas trocas de vocalistas e integrantes durante a sua história, prática muito comum das bandas da época, mas o Parangolé levou essas práticas para o extremo: a banda teve em seu início, no ano de 1997, o cantor Nailton – o qual, junto com o cavaquinista Nenel, são os responsáveis diretos pela formação da banda. Entre 2000 e 2004, Nailton deixa a banda e outros três vocalistas tem uma com passagem muito rápida pela banda – primeiramente Mucinho se torna o vocalista, sendo substituído por Paulinho e, por último, assume os vocais o cantor Klebinho.

Nenhum desses três vocalistas se firmaram na banda e nem a banda teve muita repercussão nessa época. Foi somente a partir de 2004, com a entrada do cantor Eddye – que, posteriormente, destacaria-se mais na cena como band leader da banda Fantasmão – que o Parangolé começa a ter mais projeção. Porém, na banda, Eddye também teve uma passagem muito rápida. Em 2006, outro cantor passa a integrar a banda – Bambam, que dividiu os vocais com o cavaquinista Nenel.

Desde a época de Eddye, em 2004, que o Parangolé vinha mantendo uma relativa inserção na cena soteropolitana, mas o sucesso almejado pelo Parangolé só se concretizou a partir de 2008, com a entrada de Léo Santana – quando a banda alcança um amplo destaque

na cena local, mas também na cena nacional, a partir do hit “Rebolation” (ver vídeo 13 no DVD anexo).

O cantor Léo Santana teve muito destaque nessa época, tendo, inclusive, mudado o nome temporariamente da banda para “Léo Santana & Parangolé”. Com todo esse destaque, Léo Santana seguiu carreira solo (seguindo uma tendência dos anos 2010, de cantores de pagode que começam a desenvolver carreiras solo) e Tony Sales107 se torna o novo vocalista da banda, em 2014. Portanto, a banda Parangolé é um exemplo dessa prática de trocas de integrantes muito comum nas bandas de pagode (teve, ao todo, 9 cantores) – principalmente os vocalistas e, no caso das bandas dos anos 1990, das dançarinas (o É o Tchan teve, ao total, 22 dançarinas e 7 vocalistas).

Todas essas trocas são reflexo, na verdade, de uma busca das bandas por uma maior visibilidade – quando a banda perde essa visibilidade, a troca de integrantes é divulgada pelas bandas como uma grande novidade e motivo de mudanças na banda. Nesse movimento, a banda também aglutina o público que acompanha a carreira do novo cantor, além de se adequar à identidade musical do mesmo.

Devido a essas constantes trocas, portanto, o Parangolé assumiu também muitas identidades. No seu início, a banda seguia o estilo de pagode da época – final dos anos 1990 e início dos 2000. Mas, com Eddye, em 2004, o Parangolé começa a esboçar o que, depois, seria desevolvido pelo Fantasmão – o “Pagode de crítica social”, como denomino nesse estudo a linha do pagode com conteúdo social.

Com o disco lançado pelo banda em 2004, a banda incorpora muitos elementos do “pagode de crítica social”, como Riffs de guitarra com timbre de distorção overdrive, fruto do hibridismo com o rock, e percussão mais solta, com mais solos de repique. Desse disco, destacam-se as músicas “Pica-pau” (seguindo a linha de diálogo com a cultura infantil – ouvir a música, faixa 14 do DVD anexo) e a música “Toma baculejo” (ouvir a música faixa 15 do DVD anexo), que retrata a prática das constantes revistas feita pela polícia nos bairros negros de classe baixa.

Esse diálogo com o gueto passou a fazer parte do pagode e o desenvolvimento dessa ramificação estilística do gênero se deu, portanto, a partir da banda Parangolé e, talvez, da personalidade de Eddye, que, integrando mais tarde a banda Fantasmão, ajudou a desenvolver o “grove arrastado”.

107 Tony Sales é um cantor que também já passou por muitas bandas, sendo já um cantor que tem gande projeção na cena baiana, independente da banda que esteja passando, tendo um público e fã-clube próprios, que seguem o cantor independente da banda em que esteja. Tony Sales começou carreira na banda Cafuné, 1999, passou pelo É o Tchan!, depois desenvolveu a sua própria banda, chamada Raghatoni e, atualmente, é vocalista do Parangolé.

Com a saída de Eddye, em 2006, o Parangolé continou a desenvolver essa linha do pagode com conteúdo social. No mesmo ano, a banda lança o disco “a verdade da cidade” – com uma identidade totalmente voltada para a “realidade” dos “guetos”.

Figura 21: capa do CD a verdade da cidade.

Nesse ano, a banda lança a música “Fera Ferida” (Ver videoclipe no vídeo 16, no DVD anexo). O clipe dessa música é ambientado no bairro do Engenho velho da Federação, onde a banda iniciou suas atividades, mostrando a identificação com a localidade que a banda – e o estilo do “pagode de crítica social” como um todo - passa a buscar. Essa música faz um hibridismo com o rap e o hip hop e também mostra a mudança de postura na performance dos cantores, bem como na sua identidade visual -eles se vestem com roupas e acessórios mais associados aos rappers. Além disso, a banda inclui uma linha vocal de rap na música, mostrando de forma clara a sua intenção em se misturar com este gênero.

Uma outra evidência do fato do Parangolé ter sido a primeira banda a fazer o “groove arrastado” é o fato de ter uma música, de nome homônimo, no disco citado acima, que é anterior ao surgimento do Fantasmão – banda que afirma ter criado e desenvolvido esse estilo.

Mas, seguindo a sua característica de mudanças de vocalistas e estilos, o Parangolé muda radicalmente sua identidade após a troca dos vocalistas Bambam e Nenel pelo cantor Léo Santana. Com essa mudança, o Parangolé abandona de vez o pagode com temas sociais,

passando a desenvolver um estilo mais próximo do “pagode lúdico”. Essa mudança fica mais clara a partir do hit “Rebolation” – música que alavancou a banda para o sucesso, tendo sido eleita a música do carnaval de 2010.

Figura 22: cartaz da música “Rebolation”, com o cantor Léo Santana.

Quanto à banda Psirico, ela foi criada no ano de 2000, pelo cantor/compositor/percussionista Márcio Victor - uma figura que acabou se tornando emblemática para o pagode, devido às inovações que o grupo proporcionou ao gênero. A banda Psirico recolocou o pagode como destaque na cena da música nacional e se tornou uma das bandas mais importantes da história do pagode baiano.

Para entender a importância do Psirico, é preciso conhecer também o seu band leader – Márcio Victor. Como dito na introdução, ele é um personagem de grande importância do Engenho velho, bairro do qual é originário, e até hoje frequenta o bairro e seus eventos. Segundo IBALO (2014), Márcio Victor tem uma relação com a música extremamente precoce – foi mascote do bloco afro Badauê, do Engenho velho, aos 3 anos de idade.

Ainda criança, aos nove anos, teve o fundador do Badauê, Jorjão Bafafé, como padrinho musical, que o inseriu no bloco. Ainda adolescente, se tornou percussionista do Ara Ketu e, mais tarde, passou a integrar a Timbalada onde, através da figura de Carlinhos Brown, despontou como percussionista, passando a tocar com artistas de renome nacional, como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, João Bosco, Marisa Monte e Caetano Veloso.

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