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3 METODOLOGIA 3.1 Econometria Espacial

3.5 Base de Dados

Os dados referentes aos homicídios (e latrocínios) ocorridos nos municípios paraibanos entre 2011 e 2013 são uma amostra do banco de dados do Núcleo de Análise Criminal e Estatística

pertencente à Secretaria de Segurança Pública e da Defesa So- cial do Estado da Paraíba. Escolhe-se a variável homicídios como proxy para representar a criminalidade de determinada região, pois tal variável possui expressiva taxa de reportagem compara- tivamente aos demais delitos.

Os dados de crimes possuem informações desagregadas como: hora, turno, dia, mês e ano do ocorrido; rua, bairro, área (urbano, rural) e o município (local geográico) onde houve o cri- me. Traz um conteúdo completo sobre a vítima: nome, idade e gênero. As variáveis socioeconômicas pretendidas são coletadas do Censo Demográico do Instituto Brasileiro de Geograia e Es- tatística (IBGE) para ano de 2010 e do banco de dados do sistema de informação do SUS (DATASUS).

Quadro 1: Variáveis da Pesquisa.

Variável Dependente: Taxa Média de Criminalidade rural

(TxCrime) Sinal

Considera-se a média de mortes no município i entre 2011 e 2013. Divide-se tal valor pela população de i e multiplica-se por 100 mil. Os dados médios reduzem a quantidade de mu- nicípios missing e aumenta a robustez dos resultados.

Variáveis Independentes Sinal

Taxa Média de Criminalidade Urbana (TxCrUr): Busca-se captar a inluência da criminalidade urbana sobre a crimina- lidade rural de cada município em análise.

+

Renda Média Domiciliar per capita (RMédia): A média das rendas domiciliares per capita das pessoas residentes em determinado espaço geográico. Tal variável deve capturar a inluência dos rendimentos sobre o processo de escolha do crime.

+

Proporção da População com Renda Menor que Meio Salário Mínimo ( Rbásica): Encontrar a inluência da pobreza sobre a taxa de criminalidade.

Proporção da População Rural dos Municípios (PRTM): Deve Capturar a inluência dos fatores demográicos sobre as taxas de crime.

+

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): Deve Capturar a inluência dos aspectos relacionados a longevidade, educa- ção e ao padrão de vida dos agentes.

-

Taxa de Trabalho Infantil (TTI): Busca captar a vulnerabili- dade das famílias. Pesquisas sugerem que crianças inseridas em lares com apenas um responsável, pai ou mãe, estão mais vulneráveis a problemas de rendimento escolar, trabalho in- fantil, delinquência, suicídio, violência e vivem em pior situa- ção socioeconômica em relação a crianças criadas por ambos os pais (Amato, 1993).

+

Fonte: Elaboração própria.

A equação (7) expressa a seguir representa o modelo econo- métrico estimado12:

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ANÁLISE DESCRITIVA DOS DADOS

Na seguinte demonstram-se dados de crimes de homicídios ocorridos nos últimos anos no Estado da Paraíba. Busca-se en- contrar um padrão de ação do criminoso no que diz respeito às características marcantes do delito e das vítimas entre os anos de 2011 e 2013. Para tanto, os dados foram organizados levando em consideração uma série de parâmetros como o ambiente do ocorrido: urbano ou rural; características do crime: dia da se- mana e turno que ocorreu o fato; por im, percebe-se necessário destacar o gênero mais vitimado e o instrumento mais frequen- te na ação delituosa.

12 Os modelos estimados estão na forma log-log.

Tabela 1: Estatística Descritiva dos Dados da Pesquisa entre os anos de 2011 e 2013.

Homicídio por Dia da Semana

URBANO RURAL

2011 2012 2013 2011 2012 2013

Dia da

Semana Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Segunda- -Feira 13,97 14,53 12,77 17,42 17,10 17,60 Terça-Feira 11,72 11,83 10,31 14,04 14,00 12,00 Quarta- -Feira 11,86 10,50 12,10 15,73 7,25 10,05 Quinta- -Feira 11,32 11,54 13,07 9,00 16,58 9,55 Sexta-Feira 14,25 14,42 14,04 11,80 9,33 7,04 Sábado 17,52 16,20 16,88 13,48 16,06 21,61 Domingo 19,23 21,45 20,84 18,54 19,70 22,15 Total 100 100 100 100 100 100

Homicídio por Turno de Ocorrência

URBANO RURAL

2011 2012 2013 2011 2012 2013

Turno Óbitos

(%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Madrugada 21,13 20,34 16,80 20,22 12,44 18,10

Manhã 20,38 17,01 18,96 22,47 26,94 24,12

Tarde 23,18 19,67 23,82 29,78 29,53 26,13

Noite 35,33 42,97 40,40 27,53 31,09 31,70

Homicídio por Instrumento Utilizado no Crime

URBANO RURAL

2011 2012 2013 2011 2012 2013 Instru-

mento Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Arma de Fogo 86,09 79,81 82,52 66,29 67,87 66,33 Arma Branca 10,56 13,17 10,31 22,47 16,06 19,10 Outros 3,34 7,03 7,17 11,24 16,06 14,57 Total 100 100 100 100 100 100

Homicídio por Gênero da Vítima

URBANO RURAL

2011 2012 2013 2011 2012 2013 Gênero Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%) Óbitos (%)

Homens 90,80 91,12 92,53 92,70 89,63 88,94 Mulheres 8,72 8,80 7,32 7,30 10,36 10,05 Não

Informado 0,48 0,073 0,15 0,00 0,00 1,00 Total 100 100 100 100 100 100 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Secretaria da Segurança e da Defesa Social do Estado da Paraíba.

Nota-se com a estatística descritiva que o domingo é o dia de maior incidência de crimes em todos os anos. Portanto, tanto nas áreas urbanas [2011 (19,23%); 2012 (21,45%) e 2013 (20,84%)] quanto na zona rural [2011 (18,54%); 2012 (19,70%) e 2013 (22,15%)] existe determinado padrão comportamental na ação dos criminosos. Destaca-se que nas áreas urbanas o segun- do dia mais violento da semana é o sábado [2011 (17,52%); 2012 (16,20%) e 2013 (16,88%)] e na zona rural na maior parte dos

anos [2011 (17,42%) e 2012 (17,10%)] é a segunda-feira. No ano de 2013 (22,15%) as áreas rurais paraibanas passaram a notiicar o dia de sábado como o segundo dia mais violento da semana. Portanto, passando a convergir com os resultados encontrados na zona urbana do Estado.

No mesmo lapso temporal anterior, percebe-se que a maior parcela dos crimes ocorreu entre sexta e segunda-feira. Tais va- lores apresentam-se superiores a 60% tanto nas áreas urbanas [2011 (64,97%); 2012 (66,53%) e 2013 (64,53%)] quanto nas zonas rurais [2011 (61,24%); 2012 (62,19%) e 2013 (68,40%)] paraibanas.

A respeito do turno mais violento. Nota-se que nas áre- as urbanas [2011 (35,33%); 2012 (42,97%) e 2013 (40,40%)] o criminoso elege, majoritariamente, o turno da noite para prati- car crimes. Seguido pelo turno da tarde [2011 (23,18%) e 2013 (23,82%)]. Na zona rural os resultados se repetem, pois o turno da noite [2012 (31,09%) e 2013 (31,70%)] destaca-se frente ao de- mais na maior parte dos anos. Em seguida encontra-se o período da tarde [2012 (29,53%) e 2013 (26,13%)], manhã [2011 (22,47); 2012 (26,94%) e 2013 (24,12%)] e madrugada [2011 (20,22%); 2012 (12,44%) e 2013 (18,10%)]. Tal fato deixa indícios de que o comportamento ilícito não é aleatório e sim padronizado em todo Estado.

No que diz respeito à arma mais utilizada nos crimes. Nota-se que armas de fogo é relativamente mais frequente tanto nas áreas urbanas [2011 (86,09%); 2012 (79,81%) e 2013 (82,52%)] quanto nas rurais [2011 (66,29%); 2012 (67,87%) e 2013 (66,33%)]. Des- taca-se que o percentual de crimes que fazem uso de armas de fogo nas áreas urbanas são, signiicativamente, maiores que os praticados com o mesmo tipo de armas na zona rural. Enquan- to na cidade a utilização de armas de fogo chegam a ultrapassar 85%, no campo, tal valor não atinge 68% em nenhum ano ana- lisado. Por outro lado, as armas brancas se mostram, relevante- mente, mais utilizadas no ambiente rural [2011 (22,47%); 2012 (16,06%) e 2013 (19,10%)] frente ao urbano [2011 (10,56%); 2012 (13,17%) e 2013 (10,31%)].

Outro ponto a ser abordado é a questão da vitimação por sexo no Estado. Tanto nas áreas urbanas [2011 (90,80%); 2012 (91,12%) e 2013 (92,53%)] quanto nas rurais [2011 (92,70%); 2012 (89,63%) e 2013 (88,94%)] os resultados apresentados são categóricos e evidenciam a presença maciça de vítimas do sexo masculino entre os anos considerados. Entre as vítimas do gê- nero feminino é possível constatar maiores taxas na zona rural [2011 (7,30%); 2012 (10,36%) e 2013 (10,05%)] frente às obser- vadas nas áreas urbanas [2011 (8,72%); 2012 (8,80%) e 2013 (7,32%)] do Estado.

4.1 Idade das Vítimas de Homicídio na Paraíba