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Spinoffs das Grandes Empresas

confirmou que as fontes de investimento predominantes continuam a ser as de origem accionista e/ou fundadores (89,5%).

De forma conclusiva, poderemos dizer que tem sido largamente reconhecido que as principais vantagens dos parques de c&t se encontram entre os aspectos relacionados com a geração de novos empregos, a criação de novas empresas de base tecnológica e a revitalização da economia local e regional. Neste âmbito, a importância das universidades para a implementação e operação bem sucedida dos parques de c&t, tem sido fortemente salientada em diversos estudos, como por exemplo Miller e Côte (1985 e 1987), Monck et al (1988), Luger e Goldstain (1991), Massey et al (1992), Westhead e Story (1994), Gordon (1997), Vedovelho (1997), Tornatzky et al (2002). Parte destes estudos examinaram a natureza das ligações entre as empresas estabelecidas nos parques e as universidades promotoras e/ou hospedeiras. Na secção 5.1 deste Capítulo será analisado o comportamento dessas ligações U-I no seio das incubadoras.

Na secção seguinte, tendo em conta que as incubadoras de empresas existem muito para além dos parques de c&t e do seu ambiente, desenvolveremos amplamente a actividade da incubação de empresas, como uma realidade institucional autónoma.

3.2 - As incubadoras de empresas: características, actores envolvidos, objectivos, enfoque tecnológico e relacionamento com a universidade

A incubação de empresas é uma actividade e um processo dinâmico de desenvolvimento de novas empresas, implementado e desenvolvido por organizações diversas, tais como incubadoras, parques de c&t, parques tecnológicos, etc. Neste sentido, tal como vimos na secção 1.5 do Capítulo I, a sua designação é um termo que abrange uma grande variedade de processos que ajudam a reduzir a taxa de insucesso na fase inicial das start-ups, acelerando o crescimento daqueles negócios com potencial para se tornarem geradores substanciais de emprego e riqueza.

De acordo com OCDE (1997a; 1999a e b), não há um único modelo para uma incubadora de empresas. A incubação das novas start-ups é um processo altamente flexível com múltiplos stakeholders, mantendo objectivos diferentes, por exemplo, consoante o tipo de entidade promotora ou patrocinadora.

Assim, nesta secção, vamos concentrar-nos na perspectiva de análise transaccional da incubadora, ou análise de nível micro, abordando alguns aspectos tipificadores das incubadoras, procurando, de alguma forma, parametrizar a tão heterogenea actividade. Em primeiro lugar, iremos descrever as características gerais definidoras das incubadoras de empresas. Depois, no que se refere à necessária compreensão da diversidade de situações descritas na literatura, iremos apresentar uma tipologia das incubadoras, identificando os actores essenciais da incubadora, bem como os seus principais objectivos. No que se refere à necessária compreensão e descrição do processo de incubação, apresentamos, noutro passo, uma proposta de processo de incubação que se posiciona na confluência, quer do contexto geral macro, quer no seio do seu contexto transaccional micro. Igualmente importante é a discussão em torno das propostas de serviços prestados pelas incubadoras, assim como com a enumeração dos principais benefícios e inconvenientes apontados na literatura, relativos à actividade de incubação.

3.2.1 - As características definidoras das incubadoras

No que se refere às características das incubadoras, e no seguimento do ponto 1.5 do Capítulo I, salientamos que, enquanto um parque de c&t enfoca a interacção com a universidade e os aspectos imobiliários realçados pelo apoio técnico, uma incubadora concentra-se no processo de criação e desenvolvimento de pequenas empresas. Esse foco na empresa num estágio embrionário de desenvolvimento, requer algumas valências específicas, tais como o fornecimento de um espaço físico de trabalho gerido, potenciado por um conjunto completo de serviços. Entre estes serviços, destacam-se os de carácter administrativo, tal como recepção, secretaria, fotocópias e instalações para conferências. Embora diversificados, os serviços prestados pelas incubadoras às recém nascidas empresas, podem ir até ao próprio financiamento dos novos negócios e uma ampla gama de apoio profissional ao desenvolvimento empresarial (Lalkaka e Bishop, 1997).

De uma forma geral, a redução do tempo e dos custos que uma empresa iniciante precisa para se tornar produtiva, é uma vantajem fundamental oferecida pela incubadora. Ao fornecer um espaço razoavelmente equipado, a incubadora proporciona a um empresário, a oportunidade de começar a trabalhar com um tempo de espera mínimo, com uma economia substancial de capital circulante e de tempo gasto na montagem de um escritório. Smilor (1987) refere que as incubadoras podem providenciar um sistema de gestão conducente ao

incremento das empresas baseadas em tecnologia, dispondo de uma série de mecanismos práticos para a tomada de risco e partilha desse mesmo risco, nas fases iniciais de vida da empresa e do desenvolvimento do negócio. Por outro lado, a OCDE (1997a), considera as incubadoras, ao contrário dos parques, como sendo facilitadoras da gestão das start-ups, flexibilizando a utilização dos espaços, que são alugados mensal ou anualmente, considerando este sistema flexível de entrada e saída uma característica fundamental das incubadoras de empresas.

Do ponto de vista operacional, os desafios enfrentados pela gestão da incubadora são de alguma dimensão. Enquanto que num empreendimento imobiliário normal, um “arrendatário - âncora” importante, com capacidade financeira, assina um contrato de arrendamento a longo prazo para começar a sua actividade, Uma incubadora trabalha de maneira oposta. Aqui, um espaço físico é arrendado para as start-ups e spin-offs académicas e industriais, que pela natureza e especificidades próprias de quem inicia um negócio, detém poucas ou nenhumas condições para fazer face às vississitudes do mercado e às suas obrigações financeiras. Além disso, enquanto um espaço imobiliário tradicional como o do parque de c&t, minimiza os serviços oferecidos, as incubadoras orgulham-se da grande oferta dos seus apoios. Devido a isto, a incubadora foi considerada como um hotel para empresas pequenas (Lalkaka e Bishop, 1997).

Outro aspecto importante tem a ver com o facto de as incubadoras serem vistas como tendo um papel crítico na inovação de base científica. Por exemplo, Cooper (1973, 1984) defendia que as organizações de incubadoras podem afectar a natureza das novas empresas e, até certo ponto, o seu padrão de sucesso. Com base numa análise de desenvolvimento de incubadoras, desde a primeira etapa do seu surgimento, como fábrica de invenções até à contemporânea incubadora baseada na universidade, Etzkowitz et al (2000b) fizeram uma lista de elementos que caracterizam a incubadora “ideal”. O seu trabalho chama a atenção para a gama ampla de incubadoras, desde as meras instalações até aos mecanismos de apoio de redes. Sugerem ainda os requisitos da incubadora moderna, tal como a orientação para o incremento de novas iniciativas empresariais, o apoio a longo prazo às empresas recém nascidas, uma estrutura de apoio de capital humano, acesso a estudantes fonte de recursos humanos devidamente qualificados e relativamente económicos e ainda, uma base financeira sólida.

Sendo as incubadoras de empresas mais modestas na sua dimensão física do que os parques de c&t, por exemplo, elas podem atrair as novas empresas, por razões diferentes

conhecimento / tecnologia, também de forma diferente. As incubadoras requerem um nível mais modesto de investimento inicial; o seu planeamento de trabalho é mais flexível, o que lhes permite alojar um menor número de empresas, por exemplo de sectores das tecnologias avançadas ou em sectores mais tradicionais. Podem ainda, ter a tendência para juntar empresas que funcionam num sector produtivo semelhante, facilitando, desse modo, o estabelecimento de sinergias que produzam benefícios mútuos e colectivos (Lalkaka e Bishop, 1997; OCDE, 1997a).

Seguidamente, estaremos preocupados com a apresentação dos grandes objectivos das incubadoras, assim como com as classificações de incubadoras geralmente encontradas na literatura.

3.2.2 - Tipologia das incubadoras, actores envolvidos e objectivos gerais

Como referimos no Capítulo I, secção 1.5, a definição, tipologia e focalização tecnológica das incubadoras de empresas varia muito de país para país e, mesmo dentro de cada país. Em grande medida, os investidores e financiadores das incubadoras determinam os seus objectivos e justificam essa diversidade. Por exemplo, as agências de desenvolvimento económico local, tal como as Câmaras de Comércio e Indústria e as Associações Industriais procuram, geralmente, incentivar o crescimento económico e o emprego, ao passo que as universidades procuram promover a transferência e difusão de conhecimento e/ou tecnologia.

Um dos especialistas que mais tem estudado as incubadoras a nível mundial e toda a sua problemática, é Rustam Lalkaka. Este autor sustenta que, as incubadoras variam grandemente consoante a entidade patrocinadora ou promotora, como por exemplo: estado, grupo de desenvolvimento económico, universidade, empresa privada, capital de risco. Igualmente os objectivos, são também distintos consoante as entidades promotoras, como por exemplo: empowerment e criação de emprego até à comercialização de tecnologia. Do mesmo modo, a sua numenclatura é diferente em função da localização (incubadora urbana, suburbana, rural e internacional), no que respeita ao enfoque sectorial (incubadora de tecnologia, serviços ou ambas, incluindo incubadoras de cozinha e de artes). (Lalkaka, 2001 e 2003).

Outros autores, como Lee (1997), Linder (2003) e Zedtwitz (2003) referem-se também a outros géneros de classificações, como por exemplo, o tipo de investidor (incubadoras

públicas, privadas, afiliadas à universidade e fruto de parceria público - privada), por tipos de negócios participantes (incubadoras específicas e não-específicas), por modelo de gestão (incubadora comercial independente, incubadora de empresas regional, incubadora de universidade, incubadora interna da empresa e a incubadora virtual), ou ainda, por tipo de estrutura organizacional (incubadoras com gestor ou funcionalmente especializadas). Albert et al (2004), ao estudar os sistemas de incubação nos EUA, França, Alemanha e Reino Unido, sugeriram que, quando se utiliza o tipo de patrocinador / promotor da incubadora como variável de referência, elas podem ser agrupadas em quatro categorias gerais: incubadoras que estimulam o desenvolvimento económico local, incubadoras que surgem de instituições académicas e científicas, incubadoras que emergem de empresas e incubadoras independentes criadas por empresários ou investidores privados.

Estas classificações, como outras, não estão isentas de falhas. Elas não são inteiramente paralelas, as suas fronteiras são flexíveis e há sobreposições possíveis entre as categorias. Por exemplo, as incubadoras que estimulam o desenvolvimento económico local são enquadradas segundo os seus objectivos, enquanto as incubadoras de empresas são definidas de acordo com os patrocinadores.

Não menos relevante é a classificação frequentemente utilizada, distinguindo entre incubadoras com e sem fins lucrativos. Porém, enquanto todos estes tipos e variantes de incubadoras incluem uma gama ampla de negócios, nos países em desenvolvimento o enfoque principal tem sido nas incubadoras de tecnologia para inovações comerciais (OCDE, 1997a; Kalis, 2001; Lewis, 2002; Linder, 2003; Lalkaka, 2003; Zedtwitz, 2003; Tornatzky et al, 2003).

No que se refere à necessária compreensão do âmbito e actividade da “incubadora de tecnologia”, Lewis (2002) refere que ela fomenta o crescimento de novas empresas (de tecnologia) ajudando a eliminar os hiatos no processo de inovação e a corrigir as falhas de mercado, já que existe entre cada um dos passos no processo de inovação um potencial hiato. Por exemplo, se os cientistas de investigação não estiverem a comunicar eficazmente a utilidade das novas descobertas, surge então um hiato entre a investigação fundamental e a aplicada. De acordo com Lewis (2002) é convencional considerar que quando 50% da base de clientes de uma incubadora são “empresas de tecnologia”, a incubadora pode ser assim considerada uma incubadora de tecnologia. Lewis desenvolveu esta orientação com base na literatura existente e em entrevistas a industriais. Todavia, algumas incubadoras

sua base de clientes, seja orientada para a tecnologia. Para complicar mais o assunto, o autor considera que não há uma definição normalizada de “empresa de tecnologia”.

Há algumas diferenças importantes entre as incubadoras de tecnologia e as restantes incubadoras de empresas, sendo talvez a de maior realce o facto de os custos de funcionamento e de arranque serem mais elevados nas primeiras. Wolfe et al. (2000) estima que os custos de funcionamento anuais médios de uma incubadora de tecnologia sejam na ordem dos US$ 320,701, o que constitui 25% mais do que a média do total das incubadoras. Por outro lado, os custos de funcionamento anuais médios de uma incubadora sectorial é de US$ 448,629, cerca de 40% mais do que a média do total das incubadoras. Outras diferenças entre as incubadoras de tecnologia e as incubadoras de empresas em geral, compreendem a dimensão das instalações, o número de colaboradores e o período médio de incubação. No que se refere às incubadoras sectoriais, a sua grande maioria centram-se na tecnologia (Wolfe et al., 2000). Neste sentido, uma incubadora de software seria um exemplo de uma incubadora classificada como incubadora sectorial e também de tecnologia.

Neste âmbito, dada a confusão que surgiu com a palavra “sectorial”, que se usa tanto para descrever as incubadoras de tecnologias avançadas (por exemplo, programas de software e de biotecnologia), assim como as de tecnologias tradicionais (por exemplo, artes e programas de cozinha), Linder (2003), com o intuito de ultrapassar esta questão, deixou de a utilizar no inquérito periódico da NBIA sobre as “incubadoras norte-americanas. A NBIA encoraja, assim, as incubadoras a indicar claramente o tipo de clientes que servem, e para tal, actualizou as categorias de incubadoras, desde o inquérito de 1998 (Mckinnon e Hayhow, 1998) para o inquérito de 2002 (Linder, 2003). Agora, utiliza a tipologia que a seguir apresentamos, com a respectiva ponderação percentual existente em 2002 para um total de 353 incubadoras: incubadoras de tecnologia (37%), incubadoras de fins mistos (47%), incubadoras de manufactura (7%), incubadoras de serviços (6%), outras incubadoras (4%). De uma forma geral os resultados revelam um peso mais expressivo das incubadoras de tecnologia e com fins mistos.

No mesmo continente, mas na América do Sul, a ANPROTEC (2003), desenvolveu um estudo intitulado “Panorama 2003 de Incubadoras e Parques Tecnológicos” (6ª edição da pesquisa anual realizada pela ANPROTEC), com o objectivo do levantamento e avaliação das incubadoras existentes no Brasil, tanto em operação, como em implantação e em projecto. Assim, o estudo identificou a seguinte tipologia de incubadoras em operação resultante de inquéritos feitos a 207 empreendimentos: incubadoras de tecnologia (62%),

incubadoras tradicionais (25%), incubadoras mistas 20%) e outras incubadoras (3%). Estes resultados mostram que, quer a tipologia das incubadoras, quer a distribuição percentual, embora distintas do estudo de Linder (2003) indicam alguma tendência no sentido do predomínio das incubadoras, tipicamente designadas como de tecnologia, a par com um leque grande de incubadoras com fins híbridos, tal como as incubadoras mistas.

Tendo em conta a identificação dos actores envolvidos na incubação de empresas que fizemos anteriormente, assim como da diversidade de tipos e nomenclaturas utilizadas, iremos, de seguida, apontar os principais objectivos em causa nesses processos.

Assim, a Tabela 3.3 evidencia como os objectivos próprios e preferências dos patrocinadores dominantes das incubadoras, influenciam os objectivos da incubação, justificando a grande diversidade de tipos e nomenclaturas existentes, e consequentemente a complexidade na análise.

Tabela 3.3 - Os objectivos da incubação de empresas segundo os patrocinadores / promotores

Patrocinador/Promotor Objectivos desejados

Universidade técnica Inovação, Spin-offs, envolvimento do estudante

graduado/faculdade

Instituto de Investigação Comercialização da investigação, Spin-offs Parceria pública/privada Investimento, emprego e outros bens sociais

Estado Desenvolvimento regional, criação de emprego, riqueza

Sector privado Lucro, patentes, spin-offs, equidade no cliente, imagem Capital de risco Ganhar empresas, retorno elevado dos investimentos

Fonte: Baseado em Lalkaka (2001;2003)

A análise da Tabela anterior, revela que os múltiplos patrocinadores diferem grandemente no que diz respeito às suas capacidades e competências enquanto organizações, e também quanto às suas preocupações estratégicas. Por isso, os objectivos, sendo diferentes, são potencialmente conflituantes. Todos esperam beneficiar da imagem de um programa de sucesso e, por sua vez, trazer credibilidade aos seus respectivos clientes. Sendo ela própria uma empresa start-up para servir start-ups, a incubadora deve imitar a dinâmica das empresas inovadoras, com o objectivo de se tornar auto-sustentável em 5 anos de operação (OCDE, 1997a). Contudo, a maioria das incubadoras, tanto em países desenvolvidos como

desenvolvimento económico, retirando as receitas indispensáveis para fazer face aos ordenados dos seus colaboradores, principalmente dos alugueres dos espaços e de prestação de alguns serviços, completados com subsídios (referidos eufemisticamente por “investimento de infra-estrutura” (Lalkaka, 2001).

Assim, Tornatzky et al (1996), seguindo o trabalho de Smilor e Gill (1986), afirmaram que a incubação de empresas de base tecnológica, pode acelerar a transferência de tecnologia e a sua comercialização, ligando empresários talentosos com ideias sobre a inovação industrial, a indivíduos com conhecimentos do mercado, e que possuam os recursos económicos necessárrios para comercializar as suas inovações. A respeito desta questão, Macdonald e Joseph (2001), no âmbito da definição dos objectivos das incubadoras de empresas, acham que é importante saber se os seus objectivos são simplesmente a incubação, ou também a transferência de conhecimento / tecnologia, sendo isso uma questão absolutamente essencial, ou seja, importantíssima para o sucesso deste tipo de iniciativas.

Independentemente desta questão nem sempre estar devidamente equacionada, quando um enfoque tecnológico é estabelecido para o processo de uma incubadora, a localização adjacente a uma universidade reveste-se de um grande apoio. Podem-se imaginar professores que, baseados nas suas investigações abrem empresas, e também empresários que fazem uso das instalações das universidades, dos laboratórios e das bibliotecas, para melhorarem as suas empresas de base tecnológica (Lalkaka e Bishop, 1997). A existência de pessoas pós-graduadas nas proximidades, significa um potencial de recursos humanos qualificados para as empresas incubadas. Além desses benefícios tangíveis, a presença de um foco tecnológico ou de uma relação universitária definida, oferece uma atmosfera de viabilidade intelectual que pode contribuir para o sucesso real ou percebido, da iniciativa empresarial. Por definição uma empresa que se inicia, carece de reputação e visibilidade, e a associação com uma universidade pode dar-lhe outro status na comunidade.

O estudo da ANPROTEC (2003) referido anteriormente, encontrou os seguintes objectivos da actividade de incubação no Brasil, apontados como muito importantes pelos entrevistados com a respectiva ponderação percentual para um total de 207 incubadoras: incentivo ao empreendedorismo (93%), desenvolvimento económico (82%), desenvolvimento tecnológico (80%), criação de emprego (71%), diversificação económica (50%) e obtenção de lucro para a incubadora (30%). Daqui, destacam-se o incentivo ao empreendedorismo e o desenvolvimento económico e tecnológico como os mais significativos.

Da mesma forma, parece importante referir alguns resultados do inquérito da NBIA (Linder, 2003), relativo aos objectivos apontados pelas incubadoras entrevistadas naquele estudo. Assim, os principais objectivos indicados são: criação de emprego na comunidade local (83%), empreendedorismo (79%), reter empresas nas comunidades locais (70%), acelarar o crescimento da industria local (67%), diversificação da economia local (66%), incentivo empreendedor às minorias como as mulheres (62%), identificar potenciais novas empresas (53%), comercialização da tecnologia (53%), apoio às comunidades e empreendedores (52%), geração de receitas líquidas para as incubadoras (42%) e geração de benefícios para as entidades promotoras (36%). Daqui, ressaltam como mais significativas as prioridadas à criação de emprego, bem como ao incentivo ao empreendedorismo e retenção de empresas na região.

De uma forma conclusiva, poderemos agrupar os diversos objectivos das incubadoras identificados anteriormente, de forma ampla segundo as quatro categorias seguintes:

1. desenvolvimento económico – As incubadoras são um instrumento para a promoção de novos negócios, especialmente empresas de base tecnológica, sendo um objectivo subjacente importante, do apoio para a formação de novas empresas, a criação de empregos. Neste sentido, enquanto os governos centrais podem providenciar apoio directo ou indirecto, as incubadoras de empresas são grandemente apoiadas pelos governos locais e regionais para contribuírem para esse fim. Assim, as incubadoras também desempenham um papel importante no reforço da cooperação entre os intervenientes públicos e privados, de âmbito regional no desenvolvimento das regiões, permitindo aos governos mostrarem um exemplo visível dos seus esforços no que se refere aos problemas regionais de crescimento e emprego. Isto é importante numa altura em que os governos da OCDE já não podem financiar o apoio a grandes indústrias em declínio e quando a globalização tornou esses apoios directos ineficazes em grande medida (OCDE, 1997a; 2000a; 2002b). Este objectivo tem sido, particularmente visível no Japão, onde as políticas de desenvolvimento regional no apoio às incubadoras e iniciativas relacionadas, são orientadas por um desejo de aumentar a concentração de conhecimento e indústria ao redor das maiores áreas metropolitanas (Konishi, 2000). Em Israel, as incubadoras tecnológicas foram desenvolvidas como um instrumento para ajudar a integrar os imigrantes altamente qualificados, provenientes da primitiva URSS (Pridor, 1997). Na Alemanha, a rede de centros de incubação e de tecnologia, rapidamente se

negócios na parte leste do país e como um meio de ajuda ao processo de reunificação (Gross, 1997). Finalmente, as incubadoras têm um papel na construção de infra-estruturas tecnológicas, tanto em termos físicos como imateriais, como por exemplo na Itália, onde os BICs dirigiram a actividade das suas incubadoras para áreas sem grupos económicos espontâneos e onde a falta

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