Este capítulo será dedicado a analisar as diretrizes propostas no Ministério da Educação (MEC), através do documento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que previa a construção de um currículo comum, conhecido como Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na definição de um conjunto de competências e habilidades que apresentam um referencial para o desenvolvimento ao longo das etapas e modalidades da educação. Observamos que se faz necessário uma base curricular que permita uma organização dos conteúdos e as atividades a serem trabalhadas de forma ética, democrática e com respeito à diversidade.
Com a articulação de educação e diversidade analisaremos os componentes curriculares da BNCC na área de ciências humanas, tendo o objetivo em discutir a relação da diversidade cultural no contexto escolar, a partir das competências específicas do ensino de História. A diversidade cultural no âmbito educacional requer muitas reflexões, nesse sentido a escola como lugar de produção do conhecimento, enquanto lugar social e plural promove a relação entre sujeitos de diferentes culturas, para se pensar a partir das complexidades e diversidades entre pessoas, lugares, aspectos culturais, e religiosos.
2.1 - Da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional à Base Nacional Comum Curricular
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961 é publicada pelo presidente João Goulart, seguida por outra versão em 1971, em pleno regime militar, que vigorou até 1996. A LDB é um documento que regulamenta o sistema educacional, com diretrizes norteadoras da estrutura educacional brasileira, deste modo, foram realizadas discussões sobre as necessidades da educação entre professores e demais profissionais da área, tanto do âmbito público quanto privado. Em seu primeiro artigo, a lei aponta que a educação nacional deveria ser inspirada nos princípios de liberdade, solidariedade, igualdade e respeito (BRASIL, 1961).
A legislação reestruturou o sistema de ensino dividindo as etapas, grau primário: que incluía o ensino pré-primário, jardins de infância para crianças de até sete anos, e o ensino primário o durava de 4º a 6º séries. O grau médio ou ensino médio englobava o que hoje definimos como fundamental II (ginásio) com duração de 4 anos, e ensino médio (colegial) com duração de 3 anos. Além disso, no ensino médio o aluno poderia optar por um ensino secundário, técnico ou de formação de professores para o ensino primário e pré-primário (BRASIL, 1961). A lei definiu também a quantidade mínima de disciplinas de cada ciclo: 9 no ginásio, 8 nas duas primeiras séries do colegial e de 4 a 6 disciplinas na terceira série. Elas deveriam abordar aspectos linguísticos, históricos e literários que preparassem os alunos para os cursos superiores (BRASIL, 1961).
A segunda publicação da LDB ocorreu em 11 de agosto de 1971, a Lei nº 5.692 que estabeleceu as diretrizes e bases para o ensino de primeiro e segundo graus, conforme a nova terminologia para os antigos cursos primário, ginasial e colegial. Na década de 1970, esse documento apresentou as novas propostas para esses níveis de educação. Os currículos do ensino de 1º e 2º graus deveriam ter um núcleo comum e obrigatório para todos os estabelecimentos de ensino do país, cuja definição seria de competência do Conselho Federal de Educação (CFE). Para os cursos de 2º grau, o CFE estabeleceu o mínimo a ser exigido em cada habilitação profissional, além disso, os currículos contemplariam uma parte diversificada, a ser definida pelos Conselhos de Educação, que atendesse às peculiaridades locais, aos planos dos estabelecimentos e às diferenças individuais dos alunos (BRASIL, 1971). A reforma incluía, ainda, o ensino religioso tornando facultativo e a obrigatoriedade das disciplinas de Educação Física, Educação Artística e Programas de Saúde, além da Educação Moral e Cívica, que se alinhava ao perfil do governo militar (BITAR, BITAR, 2012).
A Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, representou a aspiração de uma nova era, no entanto a democracia não é um fazer que se consuma na lei. Já na década de 1990 ocorreu diversas alterações fundamentais nos padrões de intervenção estatal, resultantes das relações sociais capitalistas do neoliberalismo (ROMAN, 1999)
A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional aponta que a prioridade deve ser dada ao ensino fundamental, como responsabilidade do Estado e Município, sendo a educação infantil delegada aos municípios. Constitui uma nova
identidade ao ensino médio, sendo dever do Estado garantir extensão da obrigatoriedade e gratuidade do ensino médio. Como dispositivos inclusivos, a LDB/96 também estabeleceu a oferta de atendimento educacional voltado para pessoas com deficiência e ensino regular noturno para trabalhadores (BRASIL, 1996).
Houve significativos ganhos políticos e legais no reconhecimento da educação, materializada, na Lei de Diretrizes e Bases lei n.9.394/96, que trouxe um grande avanço em relação às legislações anteriores definindo o ensino médio como etapa final da Educação Básica, de forma a atender a população em geral (CURY, 2002).
A educação básica, amplia suas atividades, na tentativa de imprimir uma formação que desenvolva a cidadania, atentando-se para promoção do progresso no trabalho e em estudos posteriores. A legislação organiza, então, a educação básica, de modo a estabelecer uma carga horária mínima de 800 horas/200 dias. Além disso, define que deverá haver um currículo único comum para cada nível escolar, contemplando disciplinas obrigatórias, e disciplinas adaptadas as realidades regionais e locais (BRASIL, 1996). A LDB/96 estabelece diretrizes para acesso à educação básica, viabilizando e estimulando o acesso e a permanência, além de incentivar a oferta de vagas nos espaços de ensino (MARTINS, 2012).
Martins (2012) relata que a partir de 1997 várias alterações foram feitas no documento da LDB/96 modificando a redação dos artigos e incluindo novos incisos e parágrafos. Com o Decreto 2.208 de 17 de abril de 1997, foi estabelecido a separação formal entre ensino médio e técnico, com organizações e currículos específicos.
Novos componentes curriculares foram sendo incluídos no texto da LDB/96 a Lei 10.639/2003, com redação alterada pela Lei 11.645/2008, incluiu no currículo oficial a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro Brasileira, a Lei 11.769/2008, observamos que essa abertura na LDB na alteração dessas Leis demandou muito tempo, para serem incluídas ao documento, é importante ressaltar que reivindicações de militantes de vários movimentos sociais, como as do Movimento Negro lutou anos pela incorporação da disciplina de história da África e outras manifestações da cultura negra, exigindo um espaço de expressão nos currículos escolares. Outro ponto foi a introdução da Sociologia e da Filosofia como disciplinas escolares no ensino médio com a Lei 11.684/2008, Oliveira (2013) relata que as disciplinas de Sociologia e Filosofia foram banidas do currículo em 1971, sendo substituída pelo ensino moral e cívico.
A LDB/96 incorporou nos currículos do ensino fundamental e médio, uma parte diversificada que incluía 2 artigos direcionados aos povos nativos, os artigos 78 e 79 do título VIII das disposições gerais prevê uma atenção especial para a oferta de educação escolar bilingue e intercultural, no art. 78 tem os seguintes objetivos:
I - Proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas, a valorização de suas línguas e ciências;
II - Garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não- indígenas (BRASIL, 1996, p. 25).
Já no art. 79 a LDB se dispõe no desenvolvimento de programas educacionais para os indígenas:
Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural a comunidades indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. §1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. §2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos: I – fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada comunidade indígena; II – manter programas de formação de pessoal especializado, destinado à educação escolar nas comunidades indígenas; III – desenvolver currículos e programas específicos, neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades; IV – elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado (BRASIL, 1996, p. 49).
Ao tratar da educação indígena como modalidade de ensino a LDB adota diretrizes curriculares para disponibilizar a integração dos alunos e alunas, no Decreto de nº 6.861 de 27/05/2009 a organização do sistema educacional indígena no território nacional, determina a participação da comunidade indígena na organização do sistema de ensino, respeitando sua territorialidade, o decreto visava garantir a autonomia para formação dos professores indígenas; a produção de material didático; respeitando as variantes linguísticas da língua indígena e da língua portuguesa (BRASIL, 2009).
A trajetória da educação indígena é marcada pelo desrespeito à cultura e aos costumes dos indígenas, pois, por muito tempo, os povos indígenas foram obrigados a negar sua identidade e integralizar-se aos costumes da elite branca, o que caracteriza também a exclusão da cultura, identidade e da diversidade.
Analisando o documento da LDB/96 fizemos um levantamento de conceitos que contribui para parte diversificada do documento:
Conceitos Quantidade Categorias
Gênero 0 Não aparece no
documento
Orientação sexual 0 Não aparece no
documento
Identidade étnica 1 Título VIII art. 78 objetivo: I
Diversidade Cultural 0 Não aparece no
documento
Cultural 6 Disposições gerais da
educação básica, cap. IV art. 43, 52 e 71
Indígena 9 Seção III do ensino
fundamental, disposições gerais, art. 78 e79
África/Africana 1 Cap. II da educação
básica (história do Brasil, formação do povo brasileiro)
Intercultural 2 Título VIII art. 78 e 79
Fonte: informações coletadas na LDB/96.
A LDB na ampliação de uma parte diversificada é insuficiente na abordagem de diversidade cultural, entretanto tem um papel fundamental para que a discutido a questão no cotidiano escolar, mediante a construção do currículo que deve conter o desenvolvimento cultural, para o aperfeiçoamento profissional no ponto de vista cientifico e cultural, dessa forma a abordagem sem estende na sistematização da cultura regional e nacional.
Nesse sentido compreendemos que a LDB é insuficiente na discussão sob uma educação multiculturalista, abre espaço para a educação indígena e o ensino da história da África, porém deixa lacunas enquanto ao diálogo com a diversidade cultural, em discussões de gênero, sexualidade, história das mulheres entre outros. Nota-se que a política e a educação não podem ser analisadas separadamente, com um olhar reflexivo à LDB observamos que a construção do documento corresponde a uma estrutura neoliberal construída a partir dos interesses conservadores da elite (ROMAN, 1999).
Um aspecto importante a destacar é a construção de um documento curricular de base nacional comum, que viabiliza ser implementado, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada ajustada às condições locais. Dentro desta discussão a Constituição de 1988 prevê a introdução de um currículo de base comum, e posteriormente no Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014 também menciona a importância do currículo (GUIMARÃES e SEMIS, 2017).
No ano de 2014 o Ministério da Educação (MEC) convoca pesquisadores, professores e representantes da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME) e da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) para iniciar o processo de elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Brasil nesse período é administrado pelo governo PT com a Presidente Dilma Rousseff e o Vice Michel Temer, o partido dos trabalhadores tem uma longa história na presidência da república do Brasil sendo responsável pela criação de vários programas e leis que serviram para o avanço educacional (GUIMARÃES e SEMIS, 2017).
A BNCC estabelece os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para todos os estudantes do país, da rede pública ou rede privada de ensino. Nesta perspectiva, a LDB, em seu art. 26, apresenta os objetivos e o modo como as áreas do conhecimento e componentes curriculares devem se organizar:
Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos (BRASIL, 1996, p. 19).
O documento também é citado na Meta 7, do Plano Nacional de Educação: [...] estabelecer e implantar diretrizes pedagógicas e a base nacional comum dos currículos; assegurar que, no quinto ano de vigência do PNE, pelo menos 70% dos alunos do ensino fundamental e do ensino médio tenham alcançado nível sufi ciente de aprendizado em relação aos direitos e aos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de seu ano de estudo e 50%, pelo menos, o nível desejável, e que, no último ano de vigência deste PNE, todos os estudantes do ensino fundamental e do ensino médio tenham alcançado nível sufi - ciente de aprendizado e 80%, pelo menos, o nível desejável (BRASIL, 2014, p. 115).
A implementação do documento da BNCC delonga muitas discussões entre professores, gestão pedagógica e especialistas da área de educação, o documento é aberto em 2015 para uma consulta pública permitindo que a sociedade pudesse contribuir com suas opiniões, de acordo com Guimarães e Semis (2017) 45 mil escolas colaboraram nesse processo, a segunda versão é discutida em seminários em 2016, nesse mesmo ano o contexto político é bastante conturbado por uma série de manifestações, a crise política e após denúncias é aberto do processo de Impeachment contra Dilma Rousseff. Em 31 de agosto de 2016 tem seu mandato cassado em votação no plenário do Senado. Durante a votação, especialmente, pelo discurso dos favoráveis ao impeachment ficou evidente que a motivação do processo de cassação do mandato da Presidente, tinha forte caráter ideológico conservador, sendo a religião cristã e palavras de ordem de cunho autoritário as principais expressões daqueles que aprovaram o impeachment, a postura da bancada dava indicativos de que a diversidade cultural não era necessária para os espaços educativos.
Após o ocorrido Dilma é substituída pelo vice Michel Temer do PMDB. O, então, Presidente não é acolhido pela população, e as acusações que levaram ao impeachment se mostram infundadas, o que caracteriza a ação de Impeachment como golpe de Estado, que fere a democracia brasileira. Cortelini e Fonseca (2018) afirmam que “não se tratava do julgamento pelo crime de responsabilidade que a acusavam ter cometido, mas sim uma decisão política apoiada pela mídia e arquitetada minuciosamente pela oposição para depor a presidenta legitimamente eleita” (p.57). Cortelini e Fonseca (2018) analisam que a proposta do governo golpista era realizar “reformas profundas que afetam a proteção social da população, a saber: trabalhista e previdência social” (p. 55).
Com o discurso de equilibrar as contas federais, o Presidente organizou sua equipe para fazer uma reforma administrativa, em que elimina áreas do governo, reduz investimentos dos recursos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à Educação. Michel Temer, dessa forma promoveu retrocessos que comprometeram as conquistas presentes na Constituição de 1988. Uma das medidas contidas no governo Temer diz a respeito à Emenda Constitucional PEC 241/55 apresentada com o propósito de reduzir os gastos sociais pelos os próximos 20 anos. Os impactos da
PEC 241 atingem o Plano Nacional da Educação (PNE, Lei: N°13.005/2014) que estabeleceu metas e estratégias para a educação 2014-2024 (LIMA, MACIEL. 2018). Diante desses acontecimentos o MEC voltou a discutir as perspectivas possíveis para o futuro da educação do País, em 2017 volta a ter uma audiência pública da BNCC em que é analisado a terceira versão do documento, sendo oficialmente homologada pelo MEC, importante ressaltar que a Base para o ensino médio só é disponibilizada em 2018 passando a integrar como componente curricular. “A BNCC é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica” (BRASIL, 2018, p. 7).
De acordo com o documento da BNCC os municípios são partes essenciais para construção do currículo, a BNCC determina os conhecimentos regionais sendo pertinentes para garantia do currículo democrático. Segundo o documento os estados e municípios serão responsáveis em “adequar as proposições da BNCC à realidade local, considerando a autonomia dos sistemas ou das redes de ensino e das instituições escolares, como também o contexto e as características dos alunos” (BRASIL, 2018, p.16). Os componentes curriculares devem ampliar as propostas pedagógicas na abordagem de temas contemporâneos, aplicar metodologias didático-pedagógicas diversificadas que possa comtemplar as necessidades de diferentes grupos (BRASIL, 2018).
Cabe destacar que a Base é um documento organizado pelas competências e habilidades, para o ensino fundamental as áreas do conhecimento são separadas da seguinte forma: Linguagens (Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa); Matemática; Ciências da Natureza; Ciências Humanas (Geografia, História); e Ensino Religioso (BRASIL, 2018). No ensino médio as áreas do conhecimento estão divididas: Linguagens e suas Tecnologias (Língua Portuguesa); Matemática e suas Tecnologias (Matemática); Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicada (BRASIL, 2018).
2.2 - Competências Gerais e Competências das Ciências Humanas: o lugar da diversidade cultural
A diversidade cultural refere-se às particularidades humanas, presentes diariamente no nosso convívio social, expressando-se em vários aspectos tais como: linguagem manifestações religiosas, costumes e tradições, identidade cultural, entre outros. Candau e Moreira (2003) explica que a escola tem uma função social no desenvolver das relações humanas, contribuindo para um espaço diversificado.
A escola é, sem dúvida, uma instituição cultural. Portanto, as relações entre escola e cultura não podem ser concebidas como entre dois pólos independentes, mas sim como universos entrelaçados, como uma teia tecida no cotidiano e com fios e nós profundamente articulados (CANDAU, MOREIRA, 2003, p. 160).
Para as práticas educativas a relação entre escola e cultura se fazem necessárias mediante ao desenvolvimento social de cada aluno, proporcionando um diálogo pluralista, que possa abranger as diversas manifestações culturais, em valorização e respeito às diferenças, bem como o combate às discriminações no cotidiano escolar. Dessa forma iremos analisar na BNCC as competências gerais e específicas e o lugar da diversidade cultural.
No documento da BNCC competência é a mobilização de conhecimentos, habilidades atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, e assim promover o exercício de cidadania, preparando para o mercado de trabalho, e para o desenvolvimento social (BRASIL, 2018). A BNCC estabelece dez competências e de acordo com o documento cada uma das competências estabelecidas possui áreas que contribuem para a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos (BRASIL, 2018).
A formação das dez competências gerais está estruturada da seguinte forma:
Competências Gerais da Educação Básica:
1- Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2- Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses,
formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3- Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4- Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5- Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6- Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7- Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8- Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9- Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de
grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10- Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.