4 O CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO/UFMA-
4.1 Bases legais do Curso de Licenciatura em Educação do Campo
O Curso de Licenciatura em Educação do Campo contempla as medidas propostas a partir das práticas integrativas que visam atender as diversisdades existentes nos grupos a viver, historicamente, à margem ou excluídos socialmente.
Este curso está sustentado pela legislação educacional nacional, a LDB nº 9.394/1996, como também por leis específicas que visam reforçar as políticas inclusivas e de afrimação.
A LDB nº 9.394/1996, reafirma a necessidade de uma gestão democrática que atenda o ensino conforme as suas peculiaridades e princípios, promovendo assim um espaço de diálogo e reflexão sobre a oferta e manutenção da educação do campo e sua comunidade, objetivando uma educação necessária, contemplando os movimentos sociais, a história, os valores,as peculiaridades apresentadas “no” e “do”
campo.
Tais propostas dão força ao movimento em defesa da qualidade do ensino da educação do campo, instituido a partir da Resolução CNE/CEB 01/2002, que cria
as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Objetiva criar a identidade para as escolas do campo a partir das suas peculiaridades e demandas, sendo assistidas a partir das suas referências, refletidas na organização escolar, no currículo, nas metodologias, na gestão e demais aspectos que valorizem e atendam as demandas históricas e seus sujeitos.
A Resolução CNE/CEB 01/2002, em seu artigo 3º, estabelece:
Art. 3º O Poder Público, considerando a magnitude da importância da educação escolar para o exercício da cidadania plena e para o desenvolvimento de um país cujo paradigma tenha como referências a justiça social, a solidariedade e o diálogo entre todos, independente de sua inserção em áreas urbanas ou rurais, deverá garantir a universalização do acesso da população do campo à Educação Básica e à Educação Profissional de Nível Técnico (BRASIL, 2002).
A legislação vigente vem reafirmar a educação como direito de todos pontuando a necessidade da universalização do acesso da comunidade campesina a uma educação básica e à educação profissional, evidenciando a necessidade da qualificação e formação de professores nas modalidades de ensino.
O Curso de Licenciatura em Educação do Campo, apoia-se no Decreto nº 3.276, de 6 de dezembro de 1999, que trata da formação em nível superior de professores para atuar na educação básica, conforme expõe em seus respectivos artigos:
Art. 2o. Os cursos de formação de professores para a educação básica serão organizados de modo a atender aos seguintes requisitos:
I - compatibilidade com a etapa da educação básica em que atuarão os graduados;
II - possibilidade de complementação de estudos, de modo a permitir aos graduados a atuação em outra etapa da educação básica;
III - formação básica comum, com concepção curricular integrada, de modo a assegurar as especificidades do trabalho do professor na formação para atuação multidisciplinar e em campos específicos do conhecimento;
IV - articulação entre os cursos de formação inicial e os diferentes programas e processos de formação continuada.
Art. 3o A organização curricular dos cursos deverá permitir ao graduando opções que favoreçam a escolha da etapa da educação básica para a qual se habilitará e a complementação de estudos que viabilize sua habilitação para outra etapa da educação básica.
§ 1o A formação de professores deve incluir as habilitações para a atuação multidisciplinar e em campos específicos do conhecimento (BRASIL, 1999).
O dispositivo legal defende uma concepção curricular integrada, visando garantir sua habilitação na atuação multidisplinar e em outros campos específicos do conhecimento, articulada às especificidades do trabalho do professor.
Como base legal do Curso de Licenciatura em Educação do Campo temos o Parecer CNE/CP 09, de 08 de maio de 2001 e a Resolução CNE/CP 01/2002, ambas instítuem as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena, que visa proporcionar diálogo e sintonia com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Naciona (LDBEN), Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação infantil, Ensino Fundamental e Médio, a partir das recomendações propostas pelos Parâmetros e Referenciais Curriculares instruídos para a educação básica e engajados com a formação de professores.
A Resolução CNE/CP nº 2/2002 vem instituir a carga horária de 2.800 horas articulada à teoria-prática, vinculada aos projetos pedagógicos e atendendo as suas respectivas dimensões e componentes curriculares integrados aos cursos de licenciatura, de graduação plena, de Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, com duração de no mínimo 3 anos letivos, conforme expressa em seu artigo:
Art. 1º A carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, será efetivada mediante a integralização de, no mínimo, 2800 (duas mil e oitocentas) horas, nas quais a articulação teoria-prática garanta, nos termos dos seus projetos pedagógicos, as seguintes dimensões dos componentes comuns:
I - 400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, vivenciadas ao longo do curso;
II - 400 (quatrocentas) horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso;
III - 1800 (mil e oitocentas) horas de aulas para os conteúdos curriculares de natureza científicocultural;
IV - 200 (duzentas) horas para outras formas de atividades acadêmico- científico-culturais.
Parágrafo único. Os alunos que exerçam atividade docente regular na educação básica poderão ter redução da carga horária do estágio curricular supervisionado até o máximo de 200 (duzentas) horas.
Art. 2° A duração da carga horária prevista no Art. 1º desta Resolução, obedecidos os 200 (duzentos) dias letivos/ano dispostos na LDB, será integralizada em, no mínimo, 3 (três) anos letivos (BRASIL, 2002).
A proposta vinculada ao Curso de Licenciatura em Educação do Campo é ampliada conforme norma já exposta e compreende a formação ampliada, legitimando o mínimo da carga horária e atendendo a sua extensão devido ao déficit da escolaridade submetidos aos educadores do campo e sua organização curricular designada por área de conhecimento. Destacando-se as atividades do Tempo Escola-
Comunidade, que são integradas às horas/práticas,distribuidas entre as diversas ações contempladas pelos componentes curriculares.
De acordo com o disposito que rege a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de educação básica, instruido pela Lei 10.639/2003 e a Resolução CNE/CP 13 nº 1, de 17 de junho de 2004,que tratam das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, inclusas na proposta curricular do Curso de Licenciatura em Educação do Campo, disciplinas que promovem a articulação e instrumentalização docente em formação visando o cumprimento da legislação vigente,contempladas pelo multiculturalismo e suas peculiaridades.
E como norma basilar, tem-se o Decreto nº 7352 de 4 de novembro de 2010, que institui a política de educação do campo e o PRONERA. Por esse Decreto:
Art. 1º A política de educação do campo destina-se à ampliação e qualificação da oferta de educação básica e superior às populações do campo, e será desenvolvida pela União em regime de colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, de acordo com as diretrizes e metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação e o disposto neste Decreto (BRASIL, 2010).
Importante evidenciar a autonomia proposta às IES, no sentido de garantir a qualidade no ensino dando poderes para as universidades criarem, extinguirem e organizarem programs e cursos superiores, além de fixar os componentes currículares observando as referências vinculadas às diretrizes educacionais.
Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às universidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições:
I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino; (Regulamento)
II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as diretrizes gerais pertinentes;
III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica, produção artística e atividades de extensão;
IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio;
V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes;
VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
VII - firmar contratos, acordos e convênios;
VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais;
Nesse espaço da legislção, a UFMA, a partir da Resolução 111/2009 - Consun, instituiu o Curso de Licenciatura em Educação do Campo, que na época era desenvolvido como projeto especial, tendo todo suporte legal para a oferta regular e manutenção do curso.