2. REVISÃO DE LITERATURA 20
2.3. MODELO DE ACEITAÇÃO DE TECNOLOGIA (TAM) 41
2.3.2. Bases para aplicação do TAM com foco em Computação em
Salam (2003)
Amoako-Gyampah e Salam (2003) apresenta uma extensão do modelo de aceitação de tecnologia (TAM) e empiricamente examina o planejamento de recursos em um ambiente de implementação de Enterprise Resource Planning
ERP – ou sistema de gestão empresarial. O estudo avaliou o impacto dos construtos crenças compartilhadas, formação e comunicação, sobre a utilidade percebida e facilidade de uso percebida, durante a implementação da tecnologia.
Um dos objetivos do esforço de Amoako-Gyampah e Salam (2003) foi examinar a influência de variáveis antecedentes às variáveis de utilidade percebida e facilidade de uso percebida, do modelo. O autor considerou que sua pesquisa não só contribuiria para o desenvolvimento da teoria, mas também ajudaria a elaboração de programas de intervenção adequados, tais como treinamento, que por fim poderiam melhorar a aceitação do ERP.
O modelo de Amoako-Gyampah e Salam (2003) tinha como hipótese que três variáveis externas - as crenças nos benefícios do sistema, a comunicação do projeto e o treinamento dos usuários influenciaria utilidade percebida e facilidade de uso percebida e, portanto, a intenção comportamental de usar um sistema ERP. Uma visualização gráfica do modelo de pesquisa pode ser consultada na Figura 8.
Figura 8 – Modelo de Pesquisa de Amoako-Gyampah e Salam (2003)
Fonte: Amoako-Gyampah (2003, p. 734)
A pesquisa de campo foi utilizada para testar as proposições da pesquisa de Amoako-Gyampah e Salam (2003). O estudo foi realizado em uma grande organização global. O nome da empresa foi retido devido ao acordo de não divulgação. A empresa estava implementando diversos módulos de um sistema integrado de gestão empresarial e várias unidades funcionais foram envolvidas no processo.
Os itens utilizados na operacionalização dos construtos da pesquisa de Amoako-Gyampah e Salam (2003) foram selecionados também a partir de pesquisas anteriores, consideradas relevantes. Especificamente, os itens de medição de facilidade percebida de utilização e de utilidade percebida foram adaptados a partir de Davis (1989) e modificados para se encaixar no contexto de implementação de ERP. Do mesmo modo, os itens de atitude e intenção comportamental foram utilizados.
Os itens para avaliar a variável de comunicação na pesquisa de Amoako-Gyampah e Salam (2003) foram desenvolvidos com base em pesquisas anteriores sobre gestão de projetos e comunicação organizacional, além de informações provenientes de consulta com cinco executivos envolvidos com a implementação do ERP. De modo semelhante, os itens utilizados na avaliação do treinamento e das crenças foram selecionados.
Sobre os procedimentos de coleta de dados, Amoako-Gyampah e Salam (2003) enviaram o instrumento de pesquisa por e-mail a 1.562 funcionários da organização. Os participantes foram localizados em diferentes regiões dos Estados Unidos e trabalhavam em diferentes unidades da organização. Um total de 571 respostas foram obtidas, o que representa uma taxa de resposta de 37%, índice comparável com as taxas de resposta obtidas em pesquisa de campo utilizando configurações semelhantes. Dos 571 entrevistados, 409 eram usuários finais que completaram um treinamento sobre o sistema ERP. Os entrevistados representavam uma amostra diversificada ao considerar a formação educacional, função e faixa etária.
Quanto à análise dos dados da pesquisa de Amoako-Gyampah e Salam (2003), a confiabilidade e a validade do instrumento foi realizada utilizando a análise fatorial. As confiabilidades dos itens variaram de 0,62 para a 0,88. Uma análise fatorial foi também realizada para examinar medição de convergentes e validade discriminante. Os itens exibiram carregamento superior a 0,60 em seu respectivo fator.
Entre as conclusões de Amoako-Gyampah e Salam (2003), o autor considerou que estendeu o modelo TAM através da adição do construto crença sobre os benefícios de um sistema ERP e das outras duas variáveis externas - formação e comunicação do projeto.
2.3.3. Bases para aplicação do TAM com foco em
Computação em Nuvem: Yong-Wee Sek et al.
(2010)
Yong-Wee Sek et al. (2010) conduziram uma pesquisa com o título “Previsão de aceitação do usuário e adoção de Smart Phone para aprendizagem utilizando o TAM”. A pesquisa analisou a maneira qual o TAM pode ser usado como uma ferramenta prática para análise da aceitação do usuário e adoção de dispositivos de comunicação móvel para o aprendizado, avaliando as relações entre utilidade percebida, facilidade de uso percebida, atitude no sentido de utilizar, as intenções comportamentais de usar e propriamente o uso. Sem ter adicionado variáveis ao modelo original TAM, a Figura 9 mostra o modelo de pesquisa desenvolvido por Yong-Wee Sek et al. (2010).
Figura 9 – Modelo de Pesquisa de Yong-Wee Sek et al. (2010)
Fonte: Yong-Wee Sek et al. (2010, p. 4)
As hipóteses levantadas por Yong-Wee Sek et al. (2010, p. 4) também são fidedignas quanto à adequação ao modelo TAM original, conforme pode ser observado no quadro 5 a seguir.
Quadro 5 – Hipóteses de Pesquisa de Yong-Wee Sek et al. (2010)
H1 Percepção quanto à facilidade de uso do telefone inteligente terá uma influência positiva e significativa em utilidade percebida de telefone inteligente.
H2 Percepção quanto à facilidade de uso do telefone inteligente terá uma influência positiva e significativa na atitude para uso em
direção ao uso do telefone inteligente.
H3 Utilidade percebida do telefone inteligente terá uma influência positiva e significativa na atitude para uso em direção ao uso telefone inteligente.
H4 Utilidade percebida sobre o telefone inteligente terá uma influência positiva e significativa em intenção comportamental para usar o telefone inteligente.
H5 Atitude para uso em direção ao uso telefone inteligente terá uma influência positiva e significativa em intenção de comportamento para usar o telefone inteligente.
H6 Intenção de comportamento para usar o telefone inteligente terá uma influência positiva e significativa no uso do telefone inteligente. Fonte: Tradução livre do autor como base em Yong-Wee Sek et al. (2010, p. 5)
Quanto aos participantes da pesquisa de Yong-Wee Sek et al. (2010), A amostra foi de conveniência, selecionada a partir daqueles que se inscreveram no curso de Sistemas Digitais, resultando em uma amostra de 60 potenciais usuários de telefones inteligentes. Pessoas com experiência prévia com utilização de telefones inteligentes foram eliminadas da análise, resultando em uma amostra final de 40 usuários.
Yong-Wee Sek et al. (2010), antes de realizar a coleta de dados final, conduziram um teste para determinar a confiabilidade e a validade discriminante das escalas de medição propostas no modelo TAM. A análise da confiabilidade foi determinada através da medição da consistência interna do instrumento utilizando o alfa de Cronbach. Os coeficientes de confiabilidade variaram de 0.911 a 0.976, considerando especificamente os construtos originais do Modelo TAM, de Davis (1989) - facilidade de uso percebida (FUP), utilidade percebida (UP), atitude em relação ao uso (AT), intenção comportamental de usar (IC) e uso efetivo (EU).
Quanto ao procedimento de coleta de dados da pesquisa de Yong-Wee Sek et al. (2010), os indivíduos receberam uma breve introdução em sala de aula sobre as capacidades de telefones inteligentes em geral para a aprendizagem. Imediatamente após a sessão de introdução, cada participante teve a oportunidade de familiarizar-se com os dispositivos testados e com o
software de teste. No final da sessão, todos os participantes receberam e responderam o questionário. Para composição dos itens de questionário por construto o pesquisador utilizou as definições de Davis (1989) e Venketesh e Davis et al. (2003). Devido a essa referência, à fidelidade ao modelo TAM e à disponibilidade do instrumento da pesquisa Yong-Wee Sek et al. (2010), optou- se por utilizar seu instrumento como base para a adaptação e realização desta pesquisa sobre aceitação de computação em nuvem.
Quanto ao procedimento de análise de dados da pesquisa de Yong-Wee Sek et al. (2010), um total de 22 itens de questão foram analisados, sendo seis itens de interrogação para utilidade percebida, seis itens de interrogação para a facilidade de uso percebida, quatro itens de interrogação para atitude para usar, três itens de interrogação para intenção comportamental e três itens de interrogação para uso real.
Em resumo, a pesquisa de Yong-Wee Sek et al. (2010) validou que TAM pode ser utilizado para explicar e prever a aceitação de telefone inteligente. O modelo sugere que a percepção dos primeiros usuários e atitudes têm uma influência muito poderosa para saber se os usuários vão realmente usar objetos de aprendizagem em telefones inteligentes no futuro.