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CAPÍTULO 3 EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: ENFOQUE E

5.1. Bases Referenciais

E ascendente, na sociedade, a demanda pela elevação do nível de escolaridade. Exige-se, cada vez mais, para uma participação produtiva na vida econômica, formação profissional compatível com as competências e habilidades requeridas pela nova estrutura ocupacional, onde informação, conhecimento e tecnologia formam a tríade do paradigma sociotécnico. Entretanto, de acordo com os relatórios da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio - PNAD/99, e do Ministério do Trabalho e Emprego- MTE/99, o Brasil tem uma População Economicamente Ativa - PEA- de setenta e nove milhões (79) de trabalhadores maiores de 14 anos, porém, dois terços destes, ou seja, quase 50 milhões de trabalhadores, não têm o ensino fundamental. Para nós, essa é uma situação paradoxal, visto que a Constituição Brasileira estabelece como direito fundamental do cidadão, ter como mínimo de escolaridade obrigatória o ensino fundamental, correspondente a 8 anos de permanência na escola. E essa também é uma exigência quase generalizada para qualquer tipo de inserção ou reinserção no mercado de trabalho. Em sua análise, o relatório da PNAD/97 menciona que apenas 20% da PEA, que exerceu pelo menos 11 anos de atividade escolar, eqüivalendo, em tese, ao ensino médio grau completo, atenderia, em desempenho e habilidades, ao padrão mínimo internacional, e esse é um dado que tende a se universalizar no mercado de trabalho brasileiro. Para ressaltar, ainda mais, a necessidade de mudança dessa realidade, valemo-nos da citação do Presidente da Comissão de Educação e Gestão do Ministério do Trabalho Nassim Mehedff (1996), e que reflete sua preocupação sobre o assunto:

“É preciso o quanto antes erradicar o

analfabetismo da população

economicamente ativa e, ao mesmo tempo, triplicar a oferta de matrículas em educação

profissional, para que possamos atingir, no mínimo, 14 milhões de pessoas por ano e atender em tom o de 20% da população economicamente ativa”.

Como é de se esperar, o Plano Nacional de Qualificação do Trabalhador - PLANFOR/MTE/99, demonstra claramente a problemática da qualificação de recursos humanos no Brasil, e deixa claro a necessidade de se encontrar soluções urgentes e eficientes, quando diz que é necessário construir um Sistema de Educação Profissional Continuada, para atender às necessidades da população economicamente ativa- PEA, ao longo de sua vida social e produtiva, sob formas diversas e criativas. Entretanto, tem-se a convicção de que a educação profissional, por si, não tem poder de gerar empregos, mas potencializa a criação e o aproveitamento de novas oportunidades de trabalho, direito fundamental do trabalhador, na condição de cidadão socialmente produtivo. Porém, é preciso articular a crescente importância ou valorização da competência profissional nessa estratégia, uma vez que, segundo a maioria dos especialistas, hoje, o modelo predominante de trabalho na economia baseada na informação, está centrada na concepção de uma força de trabalho em permanente processo de formação. A Professora Belloni (1999), observa pontualmente essa relação entre educação e trabalho:

“A universalização da educação básica, conquistas das sociedades mais ricas no século XX, e a formação inicial para o exercício de uma determinada profissão não serão mais suficientes para atender às exigências do mercado de trabalho da sociedade futura: a educação ao longo da

vida, isto é, a formação profissional

atualizada, diversificada e acessível a todos será não apenas um direito de todos e, portanto, dever do estado, mas constituirá provavelmente o melhor, senão o único meio de evitar a desqualificação da força de trabalho e a exclusão social de grandes parcelas da população, consistindo num importante fator de estabilidade social” .

A educação profissional, no atual contexto, assume um papel de fundamental importância, não apenas para o sistema produtivo, mas também para os jovens, adultos e trabalhadores diretamente afetados pelos rumos do processo de globalização dos mercados, impulsionado pelo desenvolvimento científico e tecnológico. Nessa

perspectiva, há de se convir que o resgate da formação e qualificação profissional pode ser um passo decisivo para um novo patamar nas relações capital-trabalho, o que, por sua vez, exige conhecimento e domínio do processo de trabalho. Acredita-se que a apropriação desse processo pelo trabalhador, poderá vir a contribuir para a ampliação da democratização da sociedade e para o resgate da cidadania no País.

Portanto, não há mais como recuar à necessidade patente de inovar, dinamizar e democratizar a Educação no Brasil, pois a velocidade com que emergem as transformações na sociedade pós-modema, decorrentes dos avanços científico e tecnológico, leva a protagonizar a urgência de um processo de formação e qualificação profissional permanente, ou seja, ao longo da vida. E isso já vem sendo afirmado por Cattani e Axt (1999):

“O ritmo de evolução acelerado, mediado pela tecnologia e pela microeletrônica, cada

vez mais sofisticadas, está fazendo

desaparecer várias profissões e criando outras tantas. Está também exigindo novas qualificações e habilidades a praticamente todas as demais profissões, em processo de reorientação de cargos e ocupações” .

Fato visível nas instâncias socio-político-econômica é que a demanda crescente por formação profissional tem gerado problemas de exclusão, uma vez que a educação profissional, na modalidade presencial, não tem conseguido suprir às prementes necessidades de qualificação profissional para a sociedade atual. A oferta de vagas é sempre muito inferior à demanda. Para melhor contextualizar essa situação, levou-se em consideração, apesar do pequeno universo da amostragem, os dados estatísticos de oferta de vagas e demanda profissional do CEFET/PA, referentes à Belém, especificados no quadro abaixo:

Quadro 01 - Oferta e Demanda de Vagas do CEFET/PA

CURSO ANO Cursos de Educação Profissional

Vagas Ofertadas No. de Inscritos Demanda

1994 770 8724 11.33 1995 510 4551 8.92 1996 735 7024 9.55 1997 535 7242 13.53 1998 595 5226 8.78 1999 835 7695 9.21 2000 1005 9482 9.43 2001 1000 8403 8.40

Fonte: Departamento de Ensino CEFET/PA i2000)

Outro agravante da situação exposta, de acordo com a análise dos documentos emanados do PLANFOR/MTE/99, é o processo de reestruturação produtiva, em franco desenvolvimento na economia brasileira, que se tem caracterizado pelo enxugamento de quadros e elevação dos requisitos de desempenho profissional, tendendo a excluir trabalhadores de baixa qualificação. Assim sendo, grande parte da população economicamente ativa - PEA brasileira está sob risco de exclusão do trabalho e de crescentes dificuldades na construção da cidadania.

Segundo Lévy (2000)

“A demanda por formação não só está passando por um enorme crescimento quantitativo, como também está sofrendo uma profunda mutação qualitativa, no sentido de uma crescente necessidade de

diversificação e personalização. Os

indivíduos suportam cada vez menos

acompanhar cursos uniformes ou rígidos que não correspondem às suas reais necessidades e à especificidade de seus trajetos de vida” .

Portanto, o conjunto das demandas institucionais e educacionais, assim como as características do público carente de atendimento educacional apontam para a necessidade de se promover programas e/ou projetos de formação profissional permanente ou continuada, baseados na modalidade de educação a distância. E essas são razões suficientes para se dizer que a Educação a Distância desponta como alternativa estratégico-pedagógica impreterível na democratização de oportunidades educacionais e na inserção social.

Assim, a Educação a Distância baliza-se como resposta possível para o atendimento das diversas demandas do sistema educacional, em especial da educação profissional, consolidando vínculos com o mundo do trabalho e com a sociedade. Porém, para que ela atinja o máximo de eficiência no processo de atendimento às demandas de acesso à educação profissional e à qualificação continuada, faz-se necessária a incorporação das novas tecnologias teleinformacionais, porque tal medida atualiza suas formas de mediatizar as situações de comunicação entre seus agentes, assim como, também, a tom a mais acessível, pelo rompimento das distâncias, ficando sua aplicabilidade no sistema educacional mais convincente. É nesse sentido que a Educação a Distância poderá fazer dos jovens, adultos e trabalhadores os novos beneficiários da multiplicidade de experiências, que as Redes de Computadores disponibilizam, à medida que possibilitam a modernização dos sistemas educacionais e potencializam o desempenho das instituições de educação profissional e de seus alunos, já que, em nossa realidade sócio-cultural, as Tecnologias da Comunicação, mediadas pela Rede Mundial de Computadores, denominada INTERNET, estão se tomando uma força para uma nova forma de educação, gerando o paradigma emergente : o modelo baseado num Ambiente de Aprendizagem, em Rede.

Tem-se argumentado que, desde a última década do século XX, a expansão e a popularidade da INTERNET vêm ampliando as possibilidades de sua utilização na educação, em especial na modalidade de educação a distância, isto porque as especificidades físicas e virtuais de uma rede eminentemente interativa (síncrona e assíncrona), conjugada à incorporação de recursos multimídia, proporcionam condições favoráveis de aplicabilidade nas ações educacionais, principalmente na implementação de estratégias pedagógicas voltadas para o processo de ensino-aprendizagem colaborativo e cooperativo . E isto se dá dentro de uma sociedade, onde mudanças profundas estão ocorrendo em todos os níveis, por força do desenvolvimento das tecnologias, exigindo e propiciando novos caminhos educacionais. Foi, portanto, com base nessas assertivas que surgiu a idéia de se desenvolver uma proposta de estruturação metodológica de um ambiente de ensino-aprendizagem cooperativo, utilizando as tecnologias de informação, a fim de flexibilizar o acesso à Educação Profissional, através da modalidade de Educação a Distância.