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Bazaars, praças de mercados, feiras e halles

A origem dos mercados públicos está ligada aos bazares árabes, com características semelhantes, como o intenso fluxo de pessoas em movimento pelos seus corredores ou a efervescência de estímulos aos nossos sentidos. Este modelo de espaço comercial, pode ser encontrado no norte da África – na costa do mar Mediterrâneo – sudeste europeu, e Oriente Médio. Sua origem data desde os tempos pré-islâmicos até os tempos atuais. Vargas descreve sua formação espacial da seguinte maneira:

As lojas no bazaar são estreitas, quase sempre medindo dois metros quadrados e abrem-se para a rua. Atrás delas, ou menos frequentemente no andar superior, estão escritórios e depósitos. [...] em mercados tradicionais as lojas ficam um pouco elevadas à rua. Na frente há um toldo para proteção do consumidor e do vendedor. As lojas podem ser fechadas com várias pranchas de madeira. [...] mas esse tipo de loja, hoje, já é bastante rara (VARGAS, 2001, p. 111-112)

A forma atual dos bazares tem suas raízes na Idade Média, quando foi inserido em sua constituição arcos e abóbodas, para proteção permanente; pátios internos circundados por colunatas são ulteriores às encontradas em mercados europeus. Na Europa, já existiam as ágoras gregas e os fóruns romanos. A primeira, constituía-se em espaços públicos, em forma de U, cercados por edifícios, onde acontecia a venda de produtos e interações sociais. Os fóruns romanos faziam parte de um complexo arquitetônico, como no caso do mais imponente exemplar, o de fórum de Trajano (século II), onde se encontravam lojas, basílicas, pórticos, etc (VARGAS, 2001).

As praças, feiras e halles também antecederam os mercados públicos como estabelecimentos comerciais de abastecimento, amplamente difundido na Europa durante a idade média como locais onde aconteciam as atividades comerciais, e que também fazem parte das origens dos mercados públicos. As praças medievais eram elementos, que acompanhavam o crescimento dos centros urbanos organicamente, localizando-se como elementos centrais para facilitar o encontro de pessoas. Vargas (2001) cita a praça central de Bruxelas (figura 6), como um exemplar de praça medieval, apesar ter sido reconstruída no século XVII, ainda possui atividades comerciais em suas adjacências.

Figura 6 – Praça central de Bruxelas.

Fonte: Hélio Santos, 2013.

Os halles ou edifícios de mercados, são construções medievais, que naquela época servia como local aberto, circunscrito, para a exposição e venda de mercadorias. Os halles, tiveram ampla difusão na Europa desde o século XII, como, por exemplo, o halle de Bruges (figuras 7 e 8), que Guàrdia e Oyón (2010) consideram como o primeiro tipo de mercado de uso misto. Os autores descreveram este tipo de mercado como: “habitualmente de forma rectangular con una planta baja de soportales, completamente abierta al espacio de la plaza del mercado que la acogía. […] Ejemplos ilustres son las monumentales Halles de Brujas, realizadas entre los siglos XII y XV” (GUÀRDIA & OYÓN, 2010, p. 16). Nas figuras abaixo, nota-se que o prédio já é bem diferente da descrição dos autores, pois seus acessos são mais restritos à praça central. Vargas (2001, 0. 148) define o halle de Bruges como um dos centros comerciais mais desenvolvidos de sua época. De fato, ao conhecer a cidade, percebe-se que

durante a Idade Média, Bruges era um dos importante centros comerciais da Europa, pois encontrava-se em posição privilegiada como entreposto comercial entre importantes cidades, como Paris, Londres e Amsterdã, e muito daquele tempo ainda permanece como patrimônio da cidade.

Figura 7 – Fachada do Halle de Bruges.

Fonte: Hélio Santos, 2013.

Figura 8 – Pátio interno do Halle de Bruges

Fonte: Hélio Santos, 2013.

Em um segundo momento, os halles evoluíram para um segundo tipo, que assemelha- se aos modelos de mercados cobertos, que foram produzidos em grande parte da Europa,

começando pela Inglaterra, “mucho menos voluminoso pero bastante más frecuente, era el de la planta porticada, libremente accesible, desde la sencilla nave porticada de los sheds británicos” (GUÀRDIA & OYÓN, 2010, p. 16). Para os autores, estas construções se adaptavam perfeitamente com as praças e ruas de mercados das cidades medievais. Outra característica importante destes edifícios, era o fato de muito deles abrigarem funções governamentais em seus espaços.

Outra forma de espaço de atividades comerciais da Europa pré-industrial são as feiras. As feiras decorriam (e provocavam) de um intenso fluxo de pessoas. Muitas tinham famas regionais, e sua principal característica é o seu ciclo de periodicidade, e devido ao seu deslocamento “formavam uma espécie de mercado contínuo, exceto no período de mau tempo” (VARGAS, 2001, p. 146). Segundo Rennó “Os mercados públicos surgiram depois das feiras, como uma forma de oferecer produtos quase todos os dias da semana, já que as feiras tinham dias específicos para ocorrer” (RENNÓ, 2006, p. 38).

A evolução destes espaços ao longo do tempo, foram caracterizando-se por serem espaços que atendiam ao abastecimento das populações dos centros urbanos, conforme explica a autora:

Aos poucos, as feiras e mercados públicos, principalmente por serem sistemas controlados pela iniciativa pública, que controla e autoriza os tipos de produtos que serão comercializados, foram se especializando no comércio dos artigos de primeira necessidade, como os gêneros alimentícios (RENNÓ, 2006, p. 37)

Nestes espaços citados, que eram destinados ao abastecimento, o comércio coexistia em harmonia com outras atividades como, por exemplo, política, religião e até esporte; e este encontro de pessoas e atividades diferentes, às vezes se dava até por obrigatoriedade em entrada de cidades. Logo, cria-se um “espaço propício ao aparecimento do mercado. Essa tenderá a ser, através da história, um espaço com todos os atributos de um espaço público por excelência (VARGAS, 2001, p. 156).