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2. Revisão da literatura 7 

2.2 Indústria Aeroportuária 16 

2.2.3 Benchmarking 21 

O ACI (2006) afirma que o benchmarking aeroportuário é uma componente do processo de planeamento estratégico de um aeroporto, que permite: monitorizar e comparar a performance económica, operacional e do serviço aeroportuário; avaliar a implementação dos objetivos definidos no plano estratégico do aeroporto; medir a performance das funções aeroportuárias; identificar as melhores práticas e incorporá-las nos procedimentos organizacionais para aumentar a eficiência, qualidade e satisfação do cliente.

Em traços gerais, é possível afirmar que o benchmarking liga as operações e gestão do dia-a- dia com as iniciativas e planos de ação estratégicos de curto e longo prazo de um aeroporto. A indústria aeroportuária oferece um objeto desafiante e interessante para a aplicação de métodos de monitorização da performance e estudos de benchmarking (Liebert et al., 2010). De facto, de acordo com Francis et al. (2002), o benchmarking é uma técnica de melhoria da performance com importante potencial para os aeroportos, dados os desafios atuais que enfrentam. Com base na investigação descrita em Francis et al. (2002), o benchmarking constitui a técnica de gestão mais usada pelos aeroportos, estando a grande maioria dos aeroportos envolvidos em alguma forma de benchmarking, maioritariamente desenvolvido por comparação com aeroportos similares e centrado mais na medição de indicadores financeiros que na melhoria dos processos e medição de indicadores não financeiros.

Na indústria aeroportuária, o benchmarking apenas começou a ser aceite como uma importante ferramenta de gestão nos últimos 20 anos. Antes disso, as pressões comerciais dentro do sector eram pouco acentuadas, em virtude do modelo de propriedade estar centrado na órbita pública (Graham, 2005). Para além disso, o benchmarking era encarado como uma

tarefa particularmente difícil, pela diversidade de inputs, outputs e contextos operacionais, o que impediu qualquer tentativa de desenvolver estudos comparativos de performance.

Tomando por base a investigação de Graham (2005), foram vários os desenvolvimentos na gestão aeroportuária que encorajaram a mudança de atitude relativamente ao benchmarking. Esta mudança de atitude foi acompanhada pela produção, desde o final da década de 90 do século XX, de mais de 50 artigos de investigação académica sobre a temática do benchmarking aeroportuário, adotando múltiplas metodologias para a comparação da performance e avaliação dos níveis de produtividade e de eficiência (Liebert et al., 2010). Para além de artigos de investigação, existem também várias publicações que abordam a problemática do benchmarking aeroportuário, recolhem dados à escola global e sistematizam os principais resultados. De acordo com Graham (2005) e Kamp et al. (2005), as principais publicações são: o Global Airport Benchmarking Report, promovido pela Air Transportation Research Society, centrado na medição da produtividade e eficiência, competitividade dos custos e performance financeira; e o Airport Performance Indicators, promovido pela Jacobs Consultancy (ex-Transport Research Laboratory), centrado na medição da produtividade do trabalho, performance dos custos, geração de receitas e rentabilidade.

Segundo a ACI (2006), a própria indústria aeroportuária desenvolve, quer a nível global, quer a nível regional, várias iniciativas cujo âmbito se insere na temática do benchmarking, nomeadamente: o Airport Service Quality, promovido pelo Airports Council International, centrado na qualidade do serviço prestado; o Airport Performance Benchmarking Survey, promovido pelo Airport Council International North America, centrado em indicadores económico-financeiros; e o Airport Key Performance Indicators Database, promovido pelo Airport Council International Europe, centrado em indicadores económico-financeiros.

Tal como referido para as atividades de benchmarking em geral, também na indústria aeroportuária os estudos de benchmarking seguem um conjunto de passos, em linha com o modelo PDCA. Exemplos disso são os modelos descritos pela CAA (2000) e pela ACI (2006), cujos detalhes constam do Anexo A.9.

Os processos de benchmarking na indústria aeroportuária procuram fornecer dados objetivos acerca da performance dos aeroportos, permitindo efetuar comparações entre vários operadores e identificar os standards das melhores práticas da indústria (Kamp et al., 2005).

Os benchmarkings desenvolvidos são relevantes para os vários stakeholders dos aeroportos (German Airport Performance, 2005, Kamp et al., 2005 e Humphreys et al., 2002a):

• os aeroportos, para comparar níveis de performance e adotar as melhores práticas; • as companhias aéreas, para encontrar aeroportos mais eficientes;

• os passageiros, para avaliar a forma como são servidos enquanto consumidores; • as entidades reguladoras, para monitorizar a performance e estimar preços adequados; • os Estados, para articulação com as outras infraestruturas e controlar de forma

adequada os processos de privatização;

• as comunidades locais, para avaliarem os níveis de eficiência dos aeroportos, cujo impacto no desenvolvimento económico das respetivas regiões é crucial;

• os investidores, podem monitorizarem a performance e aumentar o investimento em ativos a privatizar.

• os analistas financeiros, para apoiarem a atividade dos investidores e operadores. • os planeadores, para identificarem gaps e compará-los com standards de referência. Importa igualmente salientar que os indicadores de performance alvo de benchmarking devem ter em conta um conjunto de variáveis contingentes (dimensão, perfil de tráfego, propriedade, modelo de regulação, localização e stakeholders) que condicionam os níveis de performance de um aeroporto e influenciam profundamente as comparações entre aeroportos (Humphreys et al., 2002b). Citando Humphreys et al. (2002b:271) “a performance dos aeroportos necessita ser explicada no contexto das características operacionais de cada aeroporto”.

Assim, para que os processos de benchmarking na indústria aeroportuária possam ser otimizados, para incorporar aprendizagens, melhorar a performance e introduzir melhores práticas, é necessário, segundo Humphreys et al. (2002b) um reconhecimento do contexto em que se inserem os indicadores de performance para os vários operadores.

Adicionalmente, as atividades de benchmarking aeroportuário devem afastar-se de práticas parciais para modelo holísticos e integradores das várias perspetivas da performance. Suportando esta diferenciação, o ACI (2006) distingue o benchmarking parcial (avaliação e comparação de processos, funções e serviços individuais) e o benchmarking holístico (abordagem sistemática para definir e avaliar um conjunto crítico de processos, funções e serviços que, quando analisados de forma conjunta, indicam a performance relativa de toda a organização.

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